sábado, 27 de outubro de 2007

Reflexão do poeta ( canto VI, est.95-99)

Programa para a actuação heróica

Os primeiros quatro versos da estrofe 95 são elucidativos da motivação subjacente a esta reflexão. No início do canto VI, Baco consegue convencer Neptuno a promover um consílio dos Deuses marinhos em que se decide surpreender os nautas lusitanos com uma tempestade, favorecida pelo poder dos ventos, nomeadamente Éolo.
Mais uma vez é a intervenção de Vénus que, solicitando às ninfas que seduzissem os ventos, consegue com que estas os distraiam, permitindo aos portugueses chegarem a Calecut. Foram estes “os (...) hórridos perigos, os trabalhos graves e temores”.
Como deve o herói alcançar a fama? O programa começa por fazer-se pela negativa (est.95-96) e só a partir da estrofe 97, pela afirmativa.
Propositadamente, começa por apresentar a genealogia como elemento insuficiente para alcançar o estauto de herói, contrariando a norma vigente na época. É mais uma vez a insistência no ideal humanista que concebe o homem como um produto da experiência.
Ainda nesta estrofe e coincidente com o apelo á experiência pessoal, nega-se o acesso ao heroismo pela via da ociosidade, do conforto, do bem-estar que alíás, será sujeita a um processo de enumeração na estrofe 96.
A gula pelos reqintados e exóticos manjares, os passeios indolentes e inúteis, as mais diversas futilidades, as ambições desmesuradas enfraquecem os ânimos, fragilizam o Homem, votando-o à insatisfação. E pior, distraem-no das obras de verdadeiro valor.
A conjunção adversativa que introduz a estrofe 97, contrapõe o que se repudiou anteriormente com uma actuação marcada pelo sofrimento, pelo esforço, pela coragem: a actividade bélica: “ o forçoso braço(...) vigiando e vestindo o forjado aço” e a marítima” sofrendo tempestades e ondas cruas...”.
Quer em batalhas, quer no mar, está-se ante a desgraça “ o pelouro ardente que assovia e leva a perna ou braço ao companheiro.” Mas são essas situações que exigem que o ânimo se domine, “ a parecer seguro, ledo, inteiro” e consequentemente se crie “ o calo honroso”. Por outro lado, é o sofrimento que faz o homem dar mais valor á vida e a desprezar as honras e o dinheiro, isto é, fá-lo atingir a grandeza moral.
Os prémios do acaso, da sorte, o verdadeiro herói despreza-os. Os que ele mesmo conquistou, pela sua virtude, são seus por direito próprio.
Desta forma, é do entendimento geral que a experiência dos perigos torna o homem sereno (est.99); fá-lo posicionar-se acima dos interesses e das coisas mesquinhas. Numa sociedade regida pela justiça e não por intereses próprios, o herói terá a recompensa pelo seu valor, desempenhando lugares superiores, mesmo “ que contra vontade sua e não rogando”, é o reconhecimento e promoção natural.
Finalmente, registe-se que este retrato robot do herói é uma caracterização abstracta, no sentido em que não se estabelece por comparação mas por generalização de um modelo universal.
(Linhas de leitura do professor Euclides)

6 comentários:

Anónimo disse...

Bastante completa e elucidativa esta análise à reflexão do poeta :)

Anónimo disse...

muito bom!

Chico disse...

Síntese à reflexão de grande qualidade. Grande ajuda e uma excelente ideia este blog

kamalpreet kaur gill disse...

ola stor sou kamal
e este blog ajudou me muito para fazer composicao e agora tbja tenho portugues normal, ja nao tenho PLNM

kamalpreet kaur gill disse...

ola stor sou kamal
este blog ajudou me muito para fazer trabalho de portugues
agoRa tb tenho portugues e ja nao tenho PLNM
TENHO MUITAS SAUDADES SUAS

José Santos disse...

mesmo bacano, ajudou imenso! :)