quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

As Quinas D. Duarte

As Quinas
Primeira
D. Duarte, Rei de Portugal

Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.

Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.

Na primeira estrofe, o herói simbólico assume que o seu Ser foi totalmente determinado pelo seu dever, tal como o mundo de Deus. Consequentemente, podemos deduzir a sujeição do homem, fazendo também ele parte do mundo, à vontade de Deus.
No segundo verso compreende-se que esse dever é dos maiores, o “ de ser Rei”, aquele a quem se lhe exige” regra”, que seja “ firme”, representando interesses de um povo e de uma nação, mesmo que isso lhe custe disabores e sofrimentos: “em minha tristeza, tal vivi “ .
A mitificação do herói simbólico é totalmente conseguida quando reconhece que esse dever de rei venceu a própria vontade do Destino, que esteve sempre contra ele. É a prova cabal de que o homem pode traçar a sua própria vida, desde que seja estóico a suportar as armaguras da vida, vendo-as como meio de cumprir a sua missão no mundo; daí que nada, nem as tristezas, são inúteis: “Inutilmente? Não, porque o cumpri.”


Luís Figueiredo
n.º 17 12ºano 2ª
Janeiro, 2008
Prof. M. Euclides Rosa

Sem comentários: