domingo, 30 de março de 2008

Padrão
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

Este poema pertence à 2ª parte da “Mensagem”, “Mar Português”, está efectivamente relacionado com os Descobrimentos .
Um padrão era um marco de pedra em forma de cruz que era colocado nos sítios descobertos pelos portugueses. O padrão tinha as armas(as quinas) portuguesas e uma inscrição, e era destinado a afirmar a soberania portuguesa na região onde se encontrava.
Diogo Cão foi um navegador português do século XV. Enviado por D. João II, realizou 2 viagens de descobrimento da costa africana entre 1482 e 1486. Chegou á foz do Zaire. Estabeleceu as primeiras relações com o reino do Congo. Em 1485, chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, substituindo assim as cruzes de madeira para assinalar a presença portuguesa nos locais descobertos.
Assunto: num discurso de primeira pessoa, o sujeito poético , Diogo Cão, mostra neste poema o significado do padrão. Assim, o padrão “sinala ao vento e aos céus/Que, da obra ousada, é minha a parte feita” , ou seja, o padrão indica que o navegador cumpriu a sua missão.
As quinas testemunham o domínio português no oceano, que foi muito superior ao dos gregos e ao dos romanos.
A cruz mostra qual o objectivo último da navegação: a procura do porto sempre por descobrir(Céu), que só será encontrado “na eterna calma”(depois de morrer),e até lá, guiar-se-há pela vontade de Deus, que o incentiva a navegar constantemente.

A 1ª estrofe é uma introdução ao poema , já que se identifica o sujeito poético e aquilo que ela fez: deixou um padrão “junto ao areal moreno” eseguiu a sua navegação.
Na 2º estrofe, o sujeito poético reconhece que aquele padrão assinala que a missão do navegador foi cumprida.
Nas duas últimas estrofes, o sujeito poético mostra o significado das Quinas e da Cruz.
O sujeito poético é um navegador persistente e corajoso, tendo consciência da fragilidade humana: “O esforço é grande o homem é pequeno” e “a obra é imperfeita”.
É um ser insatisfeito, pois quer sempre seguir o seu caminho na descoberta de novas terras, nunca parando.
O poema apresenta muitos recursos expressivos. De salientar a utilização de metáforas como ,por exemplo,( "A alma é divina") - mostrando que a alma está ligada à divindade por oposição a uma outra ( "a obra é imperfeita"), da antítese inicial do poema "grande/ pequeno", reforçando a oposição Homem/Deus. Também importa salientar a dupla adjectivação "imenso e possível oceano" para reforçar a imensidão do mar e a personificação das Quinas que "ensinam" e da Cruz que "diz". Importa ainda referir todo o vocabulário que está relacionado com o mar como "areal", "naveguei", "navegador",...
O poema é formado por 4 estrofes, tendo cada uma 4 versos (quadras); o esquema rimático é abab- rima cruzada; não tem uma métrica regular.
Este poema está, assim, inserido na 2ª parte da "Mensagem", que representa simbolicamente a vida ou a realização.



Duarte Simões 12º 2

1 comentário:

Daniel werner Nachtigall disse...

por favor completar o meu trabalho de escola, mandar por email. obrigado.