«Memorial do Convento», José Saramago
Cap Plano narrativo: Construção do CONVENTO
Quadros da época Plano narrativo:BALTASAr e BLIMUNDA
Plano narrativo:Construção e voo da PASSAROLA
1 Promessa do rei.
O casamento real.
2 Antigas pretensões de um convento franciscano.
Milagres de franciscanos.
3 Entrudo, Quaresma, a procissão da penitência.
Sonho da rainha.
4 Apresentação de Baltasar, percurso e chegada a Lisboa.
5 Rainha grávida de 5 meses.
Auto-de-fé. Encontro e “casamento”.
6 Importação de cereais.
Episódio da frota do bacalhau. Perguntas de Baltasar sobre o mistério de Blimunda. Bartolomeu apresentado como «o Voador».
Conta a sua história.
Início da colaboração de Baltasar; ida a S. Sebastião da Pedreira.
7 Nascimento da infanta, baptizado e festejos. Assaltos franceses aos navios nacionais.
Chegada da nau de Macau.
Conflitos no Brasil.
Assistem aos festejos.
8 Blimunda revela nova gravidez da rainha.
Nascimento do infante.
Escolha do local para edificação do convento. Crueldade do infante D. Francisco.
Saque francês no Rio de Janeiro.
Episódio da frota inglesa.
História do frade ladrão.
Elevação do inquisidor a cardeal.
Blimunda revela a Baltasar o seu segredo; demonstra poder visionário.
Assistem aos festejos.
9 Ensaio do sermão (ref.ª a Vieira).
Referências às pregações em Salvaterra de Magos e na festa dos desponsórios de S. José.
D. João V e as freiras.
Insubordinação das freiras de Sta Mónica.
2º auto-de-fé.
Paz com França.
Tourada.
Mudança para S. Sebastião da Pedreira: a nova casa; o quotidiano a dois; o baptismo de Blimunda, a Sete-Luas; partida para Mafra; apresentação de Blimunda ao Sete-Sóis.Trabalho braçal de Baltasar; ajuda de Blimunda.
Visões de Blimunda, do interior da passarola.
Explicações sobre o éter.
Anúncio da partida de Bartolomeu para a Holanda.
Partida de Bartolomeu.
10 Venda de terras para a construção do convento (pai de Baltasar).
Informação sobre as alterações ao projecto inicial. Funeral do infante.
Gravidez da rainha, do futuro rei D. José.
Visitas da rainha às igrejas; tristeza e orações.
Doença do rei.
Manobras do infante D. Francisco.
Fim dos sonhos de D. Maria Ana. Sonho de Baltasar: a sementeira de penas.
Reflexão do narrador, comparação com o casamento real.
11 Escavações dos caboucos; multidão de trabalhadores vista por Bartolomeu.
Barracas, vistas pelos 3. Regresso de Bartolomeu, 3 anos depois: ensinamentos trazidos da Holanda.
Anúncio da partida para Coimbra, com passagem por Mafra.
Bartolomeu visita a casa dos Sete-Sóis.
Sonho comum.
Explicação do significado de éter: as vontades.
Blimunda vê Bartolomeu por dentro.
A trindade firmada.
12 Contratação de Álvaro Diogo.
Lançamento da 1ª pedra: marcação; construção e reconstrução da igreja de madeira,; a bênção da cruz; a procissão; a participação do rei. Nova revelação de Blimunda: visão de uma nuvem fechada na hóstia.
Viagem para Lisboa: o amor comparado à celebração de uma missa. Carta de Bartolomeu.
Na cerimónia, Blimunda recolhe vontades.
Chegada a S. Sebastião da Pedreira.
13 Procissão do Corpo de Deus; participação do rei (monólogo interior) Os dois assistem, abraçados. Recomeço dos trabalhos.
Chegada de Bartolomeu, agora “de Gusmão”, nova partida para Coimbra e outras visitas periódicas.
Complementaridade do trabalho.
14 Lição de cravo
Regresso definitivo de Bartolomeu, doutorado em cânones.
Conversa entre Bartolomeu e Scarlatti: o músico visita a abegoaria, pela 1ª vez.
15 Epidemia em Lisboa.
Milagre da madre Teresa. Baltasar acompanha Blimunda na recolha das vontades.
Doença de Blimunda, sofrimento de Baltasar. Scarlatti toca cravo na abegoaria.
Blimunda recolhe vontades.
Música de Scarlatti ajuda a curar Blimunda.
O casal procura Bartolomeu para lhe comunicar a cura de Blimunda e a finalização da passarola.
16 Do ar, os voadores avistam as obras.
Procissão, pelo surgimento do Espírito Santo. O funcionamento da Justiça.
Naufrágio, morte do infante D. Miguel e sobrevivência de D. Francisco.
Fim da demanda com o duque de Aveiro. Padre confessa conversão ao judaísmo e a dia o voo.
Fuga, 1º voo da passarola.
Manifestações de loucura de Bartolomeu, tentativa de incêndio da passarola.
Desaparecimento de Bartolomeu.
17 Baltasar começa a trabalhar no convento (iniciado há 7 anos).
A Ilha da Madeira.
O trabalho das várias profissões. Notícia de terramoto e tempestade em Lisboa. Blimunda acompanha Baltasar. Baltasar vai ao Monte Junto.
Visita de Scarlatti.
Notícia da morte de Bartolomeu.
18 As importações realizadas.
Missa na capela de madeira.
Histórias individuais de trabalhadores, entre os quais Baltasar.
Obra vista do ar.
Transporte da pedra de Pêro Pinheiro. D. João V medita sobre as suas riquezas. Um domingo em família.
O efeito apaziguador de Blimunda sobre Baltasar.
19 Sonho de Baltasar.
Recordações de Baltasar.
20 O quotidiano dos trabalhadores, a promiscuidade, a doença.
Visita dos padres dos hospícios.Viagem idílica até ao Monte Junto.
Noite de amor na passarola.
Harmonia entre Baltasar, Blimunda e a Natureza.
Morte do pai de Baltasar.
Idas regulares de Baltasar ao Monte Junto.
Trabalho do casal na conservação da máquina.
21 Conversa do rei com o arquitecto Ludovice.
Decisão de aumentar as dimensões do convento.
Falso recado de Baltasar.
Falsa carta de Baltasar ao rei.
Marcação da data de sagração do convento.
Recolha de homens por todo o reino, o cortejo dos degredados.
D. João V lega aos filhos a basílica de brincar.
22 D. Maria Bárbara vê um grupo de homens acorrentados e recorda que nunca viu o convento. Anúncio do casamento dos infantes.
Viagem até à fronteira.
Troca das princesas.
Scarlatti toca cravo.
23 Cortejo das estátuas.
Baltasar conduz uma das juntas de bois.
Encontro do cortejo dos noviços com o das estátuas.
Preparativos para a sagração.
Anúncio da morte de Álvaro Diogo, na construção do convento.
Balanço de 13 anos da obra.
Cortejo dos 30 noviços. Referência a junção dos nomes Baltasar/Blimunda.
Juventude de Baltasar, aos olhos de Blimunda.
Os dois vêem as estátuas ao luar.
Amam-se pela última vez. Referência a junção dos nomes Baltasar/Blimunda/Bartolomeu.
Baltasar voa na passarola.
24 Chegada do rei para a sagração.
Blimunda cruza-se com as gentes que vão assistir à sagração.
Chegada do patriarca de Lisboa e de outros ilustres.
A sagração (22.10.1730)
Noite de espera de Blimunda.
Ida ao Monte Junto, morte do frade.
Regresso a Mafra.
25 Procura de Blimunda.
Reencontro.
Personagens
D. João V, o rei Primeira imagem: construindo uma basílica de S. Pedro em miniatura; a sua ida ao quarto da rainha; vítima de logro (acredita num milagre anunciado); os seus problemas de saúde pretexto para o narrador o reduzir à simples condição de mortal, em contraste com as suas megalomanias: o desejo de construir em Portugal uma basílica igual à de S. Pedro (Vaticano); decisão de aumentar o convento, ignorando os custos que o diálogo com o guarda-livros lhe vem lembrar; marcação da data da sagração, apressada pelo temor de que a morte o levasse, impedindo-o da glória de estar presente na inauguração da sua obra.
O seu fervor religioso incompatível com as ligações ilícitas com freiras ( malicioso monólogo interior na procissão do Corpo de Deus) e com a meditação sobre a sua riqueza (associa a salvação da alma ao conforto da terra e do corpo).
D. Maria Ana, a rainha Uma mulher vítima e cúmplice de uma época que a reduz à função de fornecedora de herdeiros, satisfazendo na oração e nos sonhos o vazio da sua vida, verbalizado, na conversa imaginária com o seu cunhado, quando afirma que os homens são todos maus, e na lição de submissão dada à sua filha, recomendando-lhe que nunca questione a obediência a el-rei e aos dogmas religiosos e sociais. personagem alvo da sátira do narrador.
Infante D. Francisco (irmão do rei)
Infanta D. Maria Bárbara (filha do rei) A loucura impune de D. Francisco (exercita nos marinheiros a pontaria com a espingarda) é ilustrativa da crueldade de um tempo que tudo admite aos poderosos. A intriga e disputa pela coroa (sonhando a morte do irmão).
A infanta, causadora inocente de tantos males, é uma figura tratada com maior benevolência: aos nove anos toca (mal) cravo para a corte; “boa rapariga”, de “cara bexigosa e de lua-cheia”, é levada para casar com um desconhecido, durante um percurso penoso, vê homens acorrentados, facto que a deixa pensativa.
A alta nobreza e o alto clero Em tempos de poder absoluto, a nobreza exibe o servilismo de quem se encontra na órbita do rei.
O luxo desmedido (clero e nobreza) sobressai em todas as suas intervenções.
O herói colectivo Povo o herói anónimo e colectivo que o narrador quer imortalizar.
Homens a escavar os alicerces do convento, a transportar as pedras, a erguer as paredes.
Alguns emergem, ganhando rostos e nomes: os familiares de Baltasar o cunhado, vítima daquela construção; Francisco Marques morre esmagado no transporte da pedra de Pêro Pinheiro.
O povo: as suas chagas, físicas e morais, os crimes e as brigas. O povo sofredor, vítima de um tempo de feroz repressão; o povo ignorante e fanático que assiste, deliciado, ao espectáculo dos autos-de-fé.
Baltasar Sete-Sóis Figura central do romance: participante articulador dos 3 planos narrativos. Sua morte = fim da narrativa.
Metáfora da mudança, da evolução do ser humano, no sentido da sua plena realização.
Número 7 (renovação e totalidade) presente na sua existência (28 anos 7x4 decorrem desde a sua chegada até que Blimunda o reencontre, na sua 7ª passagem por Lisboa (no mesmo lugar em que se conheceram).
Simbologia do Sol, cujo ciclo representa a alternância vida-morte-ressurreição.
Chega a Lisboa mutilado, pedinte, mandado embora de um exército que já não podia servir. Arriscou-se a viver um amor pleno, à margem das normas sociais e religiosas, transgressor. A aproximação a Bartolomeu fá-lo acreditar, sonhar, fazer. Com o voo da passarola atinge a consciência libertadora do valor do ser humano e do seu querer. Como operário na construção do convento, atinge uma consciência de dimensão mais social.
A sua morte encerra um ciclo, mas a sua vontade é recolhida por Blimunda e, assim, um novo ciclo se anuncia.
Blimunda Sete-Luas Ser de excepção, mágico e sibilino, o seu estranho nome surge, pela primeira vez, dito pela mãe, uma condenada pela Inquisição, o que a coloca logo numa situação marginal.
É por inspiração materna que se liga a Baltasar, seduzido desde o primeiro momento, tendo um papel decisivo na definição da relação entre os dois, não submetida a outras normas que não as do amor, numa espécie de retorno a um tempo mítico, no qual estava ausente a noção de pecado.
Sete-Luas (apelido atribuído pelo padre Bartolomeu, num ritual misto de baptismo e casamento): associado à simbologia do 7 e da Lua, complementar do Sol, com o qual partilha o valor da renovação. Lua, símbolo do mundo do sonho e do inconsciente, do feminino.
Mulher: mágica (capaz de ver “o interior”, de recolher vontades indispensáveis à realização do voo); sábia (capaz de questionar, aconselhar, compreender, de surpreender os outros); mulher do povo (executa as tarefas sempre atribuídas à mulher).
Dos membros da trindade terrena (Baltasar-Blimunda-Bartolomeu) é a única sobrevivente, guardando dentro de si a vontade que recolhe de Baltasar.
Bartolomeu Lourenço (de Gusmão)«o Voador» Figura conhecida do século XVIII português (nascido no Brasil): homem de vasta cultura, padre e doutor em leis, orador exímio, protegido pelo rei, cientista e visionário, atormentado por dúvidas religiosas e perseguido pela Inquisição, por suspeitas de judaísmo e bruxaria. Representante do Iluminismo nascente.
Personagem lendária, representativa do sonho libertário do ser humano, de se transcender, de ultrapassar os limites. Junta o seu saber ao trabalho manual de Baltasar e à magia de Blimunda (coadjuvados pela arte musical de Scarlatti), com eles irmanado pelo querer e pelo afecto, concretizou o desejo de voar.
Sob ameaça latente desde o seu aparecimento, dado o envolvimento suspeito com a filha de uma condenada do santo Ofício, é a fuga à Inquisição que determina a realização do voo da passarola. Mas a ousadia foi punida: morreu louco em Toledo.
Domenico Scarlatti Músico italiano, estivera ao serviço do embaixador de Portugal em Roma, veio de Londres para exercer funções de mestre de capela e professor da Casa Real.
A música, a mais aérea das artes, vem integrar a realização da passarola, acrescentando-lhe a componente estética. A música do seu cravo mistura-se com os sons do malho e da forja; ajuda na recuperação de Blimunda.
Assiste à descolagem da passarola e depois destrói o seu cravo.
É ele que anuncia a morte de Bartolomeu.
Ouvimos a sua música, pela última vez, na cerimónia da troca das princesas.
Espaço Social
Quadros Personagens / classes sociais envolvidas Temas e / ou aspectos visados
Entrudo; Quaresma;
procissão da penitência Todas as classes: clero, nobreza, povo A religião como pretexto para a prática de excessos
Sensualidade / misticismo
Histórias de milagres e de crimes Clero e povo
O frade ladrão Superstição e crendice, superficialidade
Libertinagem
Autos-de-fé Todas as classes Repressão religiosa e política
Fanatismo
Baptizados e funerais régios Rei e rainha / nobreza e clero (povo assistindo) Luxo e ostentação, vida e morte como espectáculo
Elevação a cardeal do inquisidor D. Nuno da Cunha Clero e nobreza (povo assistindo) Luxo e ostentação
Vida conventual Frades e freiras
Nobreza
Desrespeito pelas normas religiosas, libertinagem
Tourada Todas as classes
O sangue e a morte com espectáculo
Procissão do Corpo de Deus Todas as classes / D. João V Luxo e ostentação, sobreposição do profano ao sagrado
Libertinagem do rei
Cortejo de casamento Casal real, infantes / nobreza, clero, (povo assistindo) Casamento na realeza, a vida das mulheres
Luxo e ostentação desmedidos
Contrate com a miséria do povo
O estado deplorável dos caminhos
Espaço simbólico
Espaços Simbologia
Casa de Lisboa A lareira, fogo, calor e alimento, a luz da candeia, a esteira no chão, o despojamento, um espaço mantido vivo quando habitado, sacralizado por nele ter tido lugar o ritual do casamento.
S. Sebastião da Pedreira Paredes de pano, a arca com os parcos haveres, a esteira, um espaço reduzido ao essencial, que garantia a intimidade dos dois, também o recolhimento de Blimunda, «que às vezes até a mais aventureira apetece».
Palheiro O amor vivido em plenitude, envolvendo «almas, corpos e vontades», espaço primitivo e natural, de harmonia e fusão de todos os elementos, expressa através da sensação do cheiro; a ancestralidade realçada pela referência do narrador ao gesto de Blimunda, que «dobrou a manta, era apenas uma mulher repetindo um gesto antigo»; espaço sacralizado, quando o narrador compara o amor à celebração de uma missa, afirmando que, se comparação houvesse, «a missa perderia».
A Passarola O ovo simbólico da génese do mundo, da totalidade e perfeição, de renovação da natureza, casa-ovo construída por ambos, na qual realizaram o voo sonhado.
A Natureza Espaço idílico, de integração, fusão de todos os seres e elementos, «sente na pele o suspiro do ar como outra pele…».
A barraca da burra Onde a cama era «a antiga e larga manjedoura… confortável como um leito real», que não pode deixar de associar-se ao berço da tradição cristã e, noutra dimensão, de ser posta em contraste com o luxuoso leito real de D. Maria Ana, lugar de desamor, minado por percevejos; este espaço, isolado e protector da intimidade, é o da última noite de amor.
O olhar «Olharem-se era a casa de ambos», a casa entendida em toda a sua dimensão simbólica, de protecção do ser, da interioridade, da preservação do amor e da vida.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
PROPOSTAS DE ITENS DE TEXTO EXPOSITIVO-ARGUMENTATIVO- Felizmente, Há Luar!
PROPOSTAS DE ITENS DE TEXTO EXPOSITIVO-ARGUMENTATIVO
( Item B de Prova de Exame- 100 a 120 palavras) Prof: Euclides Rosa
I.
“ A figura de Gomes Freire de Andrade, a quem “ o inseparável amigo”, Sousa Falcão se refere como um dos ” homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro...”, assume-se como reserva moral e, simultaneamente, mito referencial de uma revolução que está longe de ter a dimensão insurreccional que o poder estabelecido lhe atribui”
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Comente a citação transcrita, num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 120 palavras com juízos de leitura e referências à obra, centrando-se na caracterização e modo de apresentação do herói épico, Gomes Freire de Andrade.
II.
“ A nobreza moral de Matilde aproxiama-a da trajectória de uma heroína trágica. Debatendo-se entre os mais puros e humanos sentimentos, comuns a qualquer mortal, e a sublimação heróica, que progressivamente a conduz de simples amante de Gomes Freire a corifeu de uma revolta, Matilde surge-nos como a figura mais dramaticamente elaborada de toda a peça.”
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Comente a citação transcrita, num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 120 palavras com juízos de leitura e referências à obra, referindo-se á importância de Matilde de Sousa Melo na apoteose trágica de Sttau Monteiro.
III.
“ Felizmente, há luar!: a duplicidade de intenções desta elocução e o contexto situacional em que é proferida servem, assim, mais uma vez, a estrutura dual que se procura apresentar: a frase dita pelo Poder e dita pelo anti-poder”.
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância e simbologia do título da obra, fazendo-lhe juízos de leitura e referências concretas.
IV.
“ Foi aquela peça em que um homem voltado para o dia seguinte – O Gomes Freire – foi morto por gente da véspera.” Luís de Sttau Monteiro
Comente a afirmação do autor num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavrascom juízos de leitura e referências à obra.
V.
“ Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos? “- Matilde
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavrascom juízos de leitura e referências à obra.
VI.
“ Olhem bem! Limpem bem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que ela nos ensina! Até a noite foi feita para que a vísseis até ao fim...” – Matilde
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, referindo-se ao carácter didáctico de Felizmente, Há Luar! .
VII.
“ O velho está sempre a ceder perante o novo e o novo sempre a destruir o velho....; A consciência, Reverência, satisfaz-se com meia dúzia de artifícios mentais; depende do seu peso, da sua influência, das vantagens ou inconvenientes que, para mim, resultem da sua morte...” Beresford
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, caracterizando Beresford com referências á obra.
VIII.
“ Os degraus da vida são logo esquecidos por quem sobe a escada”. Vicente
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, caracterizando Vicente com referências á obra.
IX.
Além dos elementos paradramáticos, luminotécnica, sonoplastia, há na obra elementos simbólicos que também têm de ser interpretados pelo espectador distanciado do tempo da acção dramática. Prof. Euclides
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância de dois desses símbolos, com juízos de leitura e referências à obra.
X.
As didascálias e as notas à margem, assim como a iluminação e o som são estratégias imprescindíveis no teatro que tem de fugir à censura e que requer interpretação/ reflexão do público. Prof. Euclides
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância desses recursos dramáticos, com juízos de leitura e referências à obra.
( Item B de Prova de Exame- 100 a 120 palavras) Prof: Euclides Rosa
I.
“ A figura de Gomes Freire de Andrade, a quem “ o inseparável amigo”, Sousa Falcão se refere como um dos ” homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro...”, assume-se como reserva moral e, simultaneamente, mito referencial de uma revolução que está longe de ter a dimensão insurreccional que o poder estabelecido lhe atribui”
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Comente a citação transcrita, num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 120 palavras com juízos de leitura e referências à obra, centrando-se na caracterização e modo de apresentação do herói épico, Gomes Freire de Andrade.
II.
“ A nobreza moral de Matilde aproxiama-a da trajectória de uma heroína trágica. Debatendo-se entre os mais puros e humanos sentimentos, comuns a qualquer mortal, e a sublimação heróica, que progressivamente a conduz de simples amante de Gomes Freire a corifeu de uma revolta, Matilde surge-nos como a figura mais dramaticamente elaborada de toda a peça.”
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Comente a citação transcrita, num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 120 palavras com juízos de leitura e referências à obra, referindo-se á importância de Matilde de Sousa Melo na apoteose trágica de Sttau Monteiro.
III.
“ Felizmente, há luar!: a duplicidade de intenções desta elocução e o contexto situacional em que é proferida servem, assim, mais uma vez, a estrutura dual que se procura apresentar: a frase dita pelo Poder e dita pelo anti-poder”.
Barata, José Oliveira, Para Compreender Felizmente Há Luar, Asa
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância e simbologia do título da obra, fazendo-lhe juízos de leitura e referências concretas.
IV.
“ Foi aquela peça em que um homem voltado para o dia seguinte – O Gomes Freire – foi morto por gente da véspera.” Luís de Sttau Monteiro
Comente a afirmação do autor num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavrascom juízos de leitura e referências à obra.
V.
“ Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos? “- Matilde
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavrascom juízos de leitura e referências à obra.
VI.
“ Olhem bem! Limpem bem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que ela nos ensina! Até a noite foi feita para que a vísseis até ao fim...” – Matilde
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, referindo-se ao carácter didáctico de Felizmente, Há Luar! .
VII.
“ O velho está sempre a ceder perante o novo e o novo sempre a destruir o velho....; A consciência, Reverência, satisfaz-se com meia dúzia de artifícios mentais; depende do seu peso, da sua influência, das vantagens ou inconvenientes que, para mim, resultem da sua morte...” Beresford
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, caracterizando Beresford com referências á obra.
VIII.
“ Os degraus da vida são logo esquecidos por quem sobe a escada”. Vicente
Comente a afirmação da personagem num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, caracterizando Vicente com referências á obra.
IX.
Além dos elementos paradramáticos, luminotécnica, sonoplastia, há na obra elementos simbólicos que também têm de ser interpretados pelo espectador distanciado do tempo da acção dramática. Prof. Euclides
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância de dois desses símbolos, com juízos de leitura e referências à obra.
X.
As didascálias e as notas à margem, assim como a iluminação e o som são estratégias imprescindíveis no teatro que tem de fugir à censura e que requer interpretação/ reflexão do público. Prof. Euclides
Num texto expositivo-argumentativo com uma extensão entre 100 e 120 palavras, refira-se à importância desses recursos dramáticos, com juízos de leitura e referências à obra.
Início do actoII- ( Compreensão+ Item B + exercício língua)
O segundo acto começa precisamente como o primeiro. Os actores devem ocupar no início deste acto as mesmas posições que ocupavam no primeiro, a fim de os espectadores compreenderem não se tratar esta semelhança dum acidente ocasional. ( nota à margem)
O tom é profético e a voz triste.
Está a falar sozinha. Já o estava, possivelmente, antes de surgir no palco.
Fala com amor.
Ao abrir o pano a cena está às escuras. Uma única personagem, intensamente iluminada, encontra-se à frente e ao centro do palco. É o popular que deu início ao primeiro acto.
Manuel
Que posso eu fazer? Sim, que posso eu fazer?
(Dá dois passos em direcção ao fundo do palco. Detém-se.)
Sempre que há uma esperança os tambores abafam-lhe a voz...
Sempre que alguém grita os sinos tocam a rebate...
(Pausa)
E cai-nos tudo em cima: o rei, a polícia, a fome...
(Levanta os braços ao alto)
Até Deus!
(Deixa cair os braços num gesto de desânimo)
E ficamos pior do que estávamos... Se tínhamos fome e esperanças, ficamos só com fome... Se, durante uns tempos, acreditámos em nós próprios, voltamos a não acreditar em nada...
(...)
(Para o palco)
Que mais sabem vocês da prisão do general?
Ilumina-se o fundo do palco, que se encontra repleto de gente do povo disposta exactamente como para a cena de abertura do 1º acto.
(...)
O Antigo Soldado
(visivelmente acabrunhado)
Prenderam o general... Para nós, a noite ainda ficou mais escura...
1º Popular
É por pouco tempo, amigo. Espera pelo clarão das fogueiras...
(...)
(Rita sai. Surge, a meio do palco, intensamente iluminada e sentada numa cadeira tosca, Matilde de Melo – uma mulher de meia-idade, vestida de negro e desgrenhada)
Matilde
Ensina-se-lhes que sejam valentes, para um dia virem a ser julgados por covardes!
Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo em que reina a injustiça!
Ensina-se-lhes que sejam leais, para que a lealdade, um dia, os leve à forca!
(Levanta-se)
Não seria mais humano, mais honesto, ensiná-los, de pequeninos, a viverem em paz com a hipocrisia do mundo?
(Pausa)
Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?
(Encaminha-se para uma cómoda velha que surge, iluminada, à sua esquerda)
Se o meu filho fosse vivo, havia de fazer dele um homem de bem, desses que vão ao teatro e a tudo assistem, com sorrisos alarves, fingindo nada terem a ver com o que se passa em cena!
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!
1.Enquadre este excerto na estrutura externa e interna da obra.
2. Tendo em conta a globalidade da obra, refere a importância de Manuel na economia da obra.
3. Explique as funções que a iluminação desempenha no texto.
4. Refira o que simboliza a expressão «noite escura» proferida pelo Antigo Soldado.
5. Matilde aprendeu uma lição com a condenação de Gomes Freire.
5.1. Destaque o essencial dessa lição.
5.2. Indique quem Matilde designa ironicamente por «homens de bem».
6. Identifique dois recursos expressivos presentes no texto e diga qual a sua expressividade na determinação da respectiva mensagem.
7. A partir das didascálias laterais, prova que Felizmente há Luar! está de acordo com os princípios do teatro épico.
B
Em Memorial do Convento também há uma crítica aos meios e métodos de aplicação da (in)justiça, em tudo semelhante à que é feita ao poder do regime totalitário em Felizmente, há luar!
Num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, faça uma dissertação sobre o poder do regime absolutista e da inquisição, alvo de denúncia no romance de Saramago.
II
Leia o texto:
A Revolução de 25 de Abril de 1974 representa o início de uma nova era no Teatro português, estrangulado por 40 anos de obscurantismo e Censura. Nos anos imediatos à revolução foi um teatro à procura de um diálogo com o seu tempo. O realismo social estava na ordem do dia, ligado à tomada de posições políticas; mas paralelamente era também um espectáculo à procura de um público, e de um modelo de criação.
A proliferação de grupos de teatro independente característica destes anos, permite ao teatro português consolidar a sua posição no meio artístico, através de uma grande diversidade de estéticas e de públicos. Estas novas entidades congregavam, maioritariamente, jovens profissionais, alunos oriundos do novo Conservatório, actores do teatro universitário ou jovens saídos de cursos ministrados por convidados estrangeiros que então visitaram Portugal. A estas estruturas se ficaria a dever, em grande parte, a abertura de novos percursos no teatro, a afirmação de diversificados repertórios ou a procura de conceitos diferenciados de direcção e encenação.
A partir de meados dos anos 80, começam-se a esboçar noções como a de marketing cultural, gestão teatral, e «artes performativas». Assiste-se à redefinição do panorama teatral, caracterizada pela institucionalização da segunda geração de independentes, e ao aparecimento de uma novíssima geração de rebeldes, que embora muito diferentes entre si, têm em comum um teatro assente na palavra, na encenação, e na imagem e carisma do actor. A partir da década de 90 o teatro português vê alargar o seu espectro de criadores. Surgem novas estéticas, muito ligadas à multiplicação dos Festivais de Teatro, e aos contactos com companhias estrangeiras convidadas.
1. Indica se as afirmações são verdadeiras ou falsas, escrevendo na sua folha de teste a alínea seguida de V ou F.
Afirmações
a) “A Revolução de 25 de Abril de 1974...(1) tem uma referência mais lata que “Nos anos imediatos à revolução...” (2)
b)“Estas novas entidades ...” (8) recupera a referência já feita a “grupos de teatro” (6).
c) “A estas estruturas ...” (10, 11) recupera a referência a “diversidade de estéticas e de públicos...”(7,8)
d) “diversificados repertórios ou a procura de conceitos diferenciados de direcção e encenação .(12) não tem referência anterior.
e) “A partir de meados dos anos 80” (13) e “A partir da década de 90” (17) é um mecanismo de coesão interfrásico.
f) “geração de independentes ...” (15) e “geração de rebeldes (16) “ passa-se de uma modalização neutra para uma valorativa.
2. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “mas paralelamente era também um espectáculo...” (4)
2) “que então visitaram Portugal ...”(10)
3) “A estas estruturas se ficaria a dever...” (13)
4) “começam-se a esboçar noções..” (13)
a) é uma oração subordinada relativa sem atecente.
b) é um pronome pessoal indeterminado.
c) é aparentemente uma oposição mas acaba por ser a conciliação com uma ideia nova.
d) é uma oração subordinada completiva.
e) é uma oração subordinada relativa com antecedente.
f) é um pronome pessoal complemento indirecto.
O tom é profético e a voz triste.
Está a falar sozinha. Já o estava, possivelmente, antes de surgir no palco.
Fala com amor.
Ao abrir o pano a cena está às escuras. Uma única personagem, intensamente iluminada, encontra-se à frente e ao centro do palco. É o popular que deu início ao primeiro acto.
Manuel
Que posso eu fazer? Sim, que posso eu fazer?
(Dá dois passos em direcção ao fundo do palco. Detém-se.)
Sempre que há uma esperança os tambores abafam-lhe a voz...
Sempre que alguém grita os sinos tocam a rebate...
(Pausa)
E cai-nos tudo em cima: o rei, a polícia, a fome...
(Levanta os braços ao alto)
Até Deus!
(Deixa cair os braços num gesto de desânimo)
E ficamos pior do que estávamos... Se tínhamos fome e esperanças, ficamos só com fome... Se, durante uns tempos, acreditámos em nós próprios, voltamos a não acreditar em nada...
(...)
(Para o palco)
Que mais sabem vocês da prisão do general?
Ilumina-se o fundo do palco, que se encontra repleto de gente do povo disposta exactamente como para a cena de abertura do 1º acto.
(...)
O Antigo Soldado
(visivelmente acabrunhado)
Prenderam o general... Para nós, a noite ainda ficou mais escura...
1º Popular
É por pouco tempo, amigo. Espera pelo clarão das fogueiras...
(...)
(Rita sai. Surge, a meio do palco, intensamente iluminada e sentada numa cadeira tosca, Matilde de Melo – uma mulher de meia-idade, vestida de negro e desgrenhada)
Matilde
Ensina-se-lhes que sejam valentes, para um dia virem a ser julgados por covardes!
Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo em que reina a injustiça!
Ensina-se-lhes que sejam leais, para que a lealdade, um dia, os leve à forca!
(Levanta-se)
Não seria mais humano, mais honesto, ensiná-los, de pequeninos, a viverem em paz com a hipocrisia do mundo?
(Pausa)
Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?
(Encaminha-se para uma cómoda velha que surge, iluminada, à sua esquerda)
Se o meu filho fosse vivo, havia de fazer dele um homem de bem, desses que vão ao teatro e a tudo assistem, com sorrisos alarves, fingindo nada terem a ver com o que se passa em cena!
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!
1.Enquadre este excerto na estrutura externa e interna da obra.
2. Tendo em conta a globalidade da obra, refere a importância de Manuel na economia da obra.
3. Explique as funções que a iluminação desempenha no texto.
4. Refira o que simboliza a expressão «noite escura» proferida pelo Antigo Soldado.
5. Matilde aprendeu uma lição com a condenação de Gomes Freire.
5.1. Destaque o essencial dessa lição.
5.2. Indique quem Matilde designa ironicamente por «homens de bem».
6. Identifique dois recursos expressivos presentes no texto e diga qual a sua expressividade na determinação da respectiva mensagem.
7. A partir das didascálias laterais, prova que Felizmente há Luar! está de acordo com os princípios do teatro épico.
B
Em Memorial do Convento também há uma crítica aos meios e métodos de aplicação da (in)justiça, em tudo semelhante à que é feita ao poder do regime totalitário em Felizmente, há luar!
Num texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, faça uma dissertação sobre o poder do regime absolutista e da inquisição, alvo de denúncia no romance de Saramago.
II
Leia o texto:
A Revolução de 25 de Abril de 1974 representa o início de uma nova era no Teatro português, estrangulado por 40 anos de obscurantismo e Censura. Nos anos imediatos à revolução foi um teatro à procura de um diálogo com o seu tempo. O realismo social estava na ordem do dia, ligado à tomada de posições políticas; mas paralelamente era também um espectáculo à procura de um público, e de um modelo de criação.
A proliferação de grupos de teatro independente característica destes anos, permite ao teatro português consolidar a sua posição no meio artístico, através de uma grande diversidade de estéticas e de públicos. Estas novas entidades congregavam, maioritariamente, jovens profissionais, alunos oriundos do novo Conservatório, actores do teatro universitário ou jovens saídos de cursos ministrados por convidados estrangeiros que então visitaram Portugal. A estas estruturas se ficaria a dever, em grande parte, a abertura de novos percursos no teatro, a afirmação de diversificados repertórios ou a procura de conceitos diferenciados de direcção e encenação.
A partir de meados dos anos 80, começam-se a esboçar noções como a de marketing cultural, gestão teatral, e «artes performativas». Assiste-se à redefinição do panorama teatral, caracterizada pela institucionalização da segunda geração de independentes, e ao aparecimento de uma novíssima geração de rebeldes, que embora muito diferentes entre si, têm em comum um teatro assente na palavra, na encenação, e na imagem e carisma do actor. A partir da década de 90 o teatro português vê alargar o seu espectro de criadores. Surgem novas estéticas, muito ligadas à multiplicação dos Festivais de Teatro, e aos contactos com companhias estrangeiras convidadas.
1. Indica se as afirmações são verdadeiras ou falsas, escrevendo na sua folha de teste a alínea seguida de V ou F.
Afirmações
a) “A Revolução de 25 de Abril de 1974...(1) tem uma referência mais lata que “Nos anos imediatos à revolução...” (2)
b)“Estas novas entidades ...” (8) recupera a referência já feita a “grupos de teatro” (6).
c) “A estas estruturas ...” (10, 11) recupera a referência a “diversidade de estéticas e de públicos...”(7,8)
d) “diversificados repertórios ou a procura de conceitos diferenciados de direcção e encenação .(12) não tem referência anterior.
e) “A partir de meados dos anos 80” (13) e “A partir da década de 90” (17) é um mecanismo de coesão interfrásico.
f) “geração de independentes ...” (15) e “geração de rebeldes (16) “ passa-se de uma modalização neutra para uma valorativa.
2. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “mas paralelamente era também um espectáculo...” (4)
2) “que então visitaram Portugal ...”(10)
3) “A estas estruturas se ficaria a dever...” (13)
4) “começam-se a esboçar noções..” (13)
a) é uma oração subordinada relativa sem atecente.
b) é um pronome pessoal indeterminado.
c) é aparentemente uma oposição mas acaba por ser a conciliação com uma ideia nova.
d) é uma oração subordinada completiva.
e) é uma oração subordinada relativa com antecedente.
f) é um pronome pessoal complemento indirecto.
Como são os governadores? ( ficha de treino)
GRUPO I
Lê atentamente o seguinte texto:
A ingenuidade do Principal Sousa não é verdadeira. Este prelado defende-se, sempre, tentando mostrar-se alheio à política e às decisões em que intervém.
D. MIGUEL
[...] A questão que temos de resolver, Excelência, é, portanto, bem simples. Consiste apenas em chegarmos a acordo acerca da pessoa que mais nos convém que tenha sido o chefe da conjura.
PRINCIPAL SOUSA
Não me agrada a condenação de um inocente.
BERESFORD
Está nas suas mãos, Reverência, evitar que seja condenado um inocente...
PRINCIPAL SOUSA
Como?
BERESFORD
( Sorrindo)
Nomeando quem tenha na alma a semente do jacobinismo...
Se peca quem não acta a palavra de Deus, mais peca, com certeza, quem não aceite ou discuta a sua Autoridade... V. Reverência ainda há pouco disse que a autoridade dos reis provinha de Deus...
PRINCIPAL SOUSA
Na verdade...
BERESFORD
( Rindo-se)
Até os mercenários sabem teologia.... São eles, aliás, que mais vezes carecem dela. A consciência humana, Reverência satisfaz-se com meia dúzia de artifícios mentais.
PRINCIPAL SOUSA
Lá está V. Ex.ª brincando outra vez!
( Pausa)
Digam-me: já pensaram em alguèm?
D. MIGUEL
O problema é delicado.
BERESFORD
( Levanta-se e passeia dum lado para o outro do palco)
A minha missão consiste em reoragnizar o exército e é meu inimigo, portanto, quem me dificulte esta missão.
( A luz que incide sobre D. Miguel e o Principal Sousa começa a diminuir de intensidade até desaparecer, ficando apenas Beresford iluminado)
É também, meu inimigo quem me possa substituir na organização do exército... ou lá se vão os meus 16000$00. Dizem que eu sou um grande sargento e um mau oficial, que sei organizar o exército, mas que não sei comandar em campanha.
Basta que surja um oficial com um passado brilhante para me destronar...
Não devo esquecer-me de que estou rodeado de inimigos: o clero odeia-me porque não sou da sua seita; a nobreza, porque não lhe concedo privilégios; o povo, porque me identifica com a nobreza, e todos, sem excepção, porque sou estrangeiro...
O próprio D. Miguel só vê em mim uma limitação ao seu poder...
Neste país de intrigas e de traições, só se entendem uns com os outros para destruir um inimigo comum e eu posso transformar-me nesse inimigo comum, se não tiver cuidado.
( Pausa)
Não é prudente ainda dizê-lo aos outros, mas não há dúvida de que existe um português capaz de me destronar...
( Fala agora para D. Miguel e o Principal Sousa que surgem subitamente iluminados.)
Senhores, temos de encontrar alguém que tenha prestígio no exército. Julgo que nos convém um oficial de patente elevada, com um bom passado militar. Concretamente, porém, não sei de ninguém que lhe possa indicar.
Luís Sttau Monteiro, Felimente Há Luar!
Itens fechados de Verdadeiro/ Falso ( 20 pontos)
1. Indica se cada uma das afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas.
( Transcreve para a tua folha de teste o número da alínea, seguido de V ou F)
1.1. Embora o Principal Sousa e Beresford sejam ambos governadores do reino, não parilham o mesmo conceito de justiça.
1.2. Beresford está perfeitamente consciente das diferentes ameaças a que está sujeito, por isso mantém-se muito cauteloso.
1.3. Beresford parece acreditar que a conquistada solidez da governação resulta mais da autoridade de um líder do que da autoridade herdada em nome de Deus.
1.4. Beresford não tem inimigos exteriores ao aparelho governativo.
Itens de resposta curta/ resposta restrita ( 75 pontos)
2. Refere a importância do excerto transcrito para o desenvolvimento da acção da peça.( 15 pontos)
3. Indica a função que a iluminação cénica desempenha no excerto transcrito.( 20 pontos)
4. Define, com base no texto, cinco traços caracterizadores do perfil psicológico de Beresford.( 15 pontos)
5. Explicita dois apspectos da crítica de carácter político presentes no texto.( 25 pontos)
Grupo II
Funcionamento da Língua
Item de resposta curta/ restrita ( 15 pontos)
Indica os actos de fala presentes nas frases que se seguem.
1.1. “Não me agrada a condenação de um inocente....”
1.2. “Digam-me: já pensaram em alguèm?”
1.3. “O problema é delicado.”
Grupo III
Item aberto de composição extensa/ ensaio ( 90 pontos)
Em Felizmente, Há Luar o passado é pretexto para falar do Presente.
Num texto organizado, explica como o dramaturgo consegue atingir este seu objectivo, referindo-te:
- à estrutura da obra,
- função da iluminação e do som,
- escassez de recursos cénicos,
- semelhanças entre o regime político retratado e o alvo criticado.
Lê atentamente o seguinte texto:
A ingenuidade do Principal Sousa não é verdadeira. Este prelado defende-se, sempre, tentando mostrar-se alheio à política e às decisões em que intervém.
D. MIGUEL
[...] A questão que temos de resolver, Excelência, é, portanto, bem simples. Consiste apenas em chegarmos a acordo acerca da pessoa que mais nos convém que tenha sido o chefe da conjura.
PRINCIPAL SOUSA
Não me agrada a condenação de um inocente.
BERESFORD
Está nas suas mãos, Reverência, evitar que seja condenado um inocente...
PRINCIPAL SOUSA
Como?
BERESFORD
( Sorrindo)
Nomeando quem tenha na alma a semente do jacobinismo...
Se peca quem não acta a palavra de Deus, mais peca, com certeza, quem não aceite ou discuta a sua Autoridade... V. Reverência ainda há pouco disse que a autoridade dos reis provinha de Deus...
PRINCIPAL SOUSA
Na verdade...
BERESFORD
( Rindo-se)
Até os mercenários sabem teologia.... São eles, aliás, que mais vezes carecem dela. A consciência humana, Reverência satisfaz-se com meia dúzia de artifícios mentais.
PRINCIPAL SOUSA
Lá está V. Ex.ª brincando outra vez!
( Pausa)
Digam-me: já pensaram em alguèm?
D. MIGUEL
O problema é delicado.
BERESFORD
( Levanta-se e passeia dum lado para o outro do palco)
A minha missão consiste em reoragnizar o exército e é meu inimigo, portanto, quem me dificulte esta missão.
( A luz que incide sobre D. Miguel e o Principal Sousa começa a diminuir de intensidade até desaparecer, ficando apenas Beresford iluminado)
É também, meu inimigo quem me possa substituir na organização do exército... ou lá se vão os meus 16000$00. Dizem que eu sou um grande sargento e um mau oficial, que sei organizar o exército, mas que não sei comandar em campanha.
Basta que surja um oficial com um passado brilhante para me destronar...
Não devo esquecer-me de que estou rodeado de inimigos: o clero odeia-me porque não sou da sua seita; a nobreza, porque não lhe concedo privilégios; o povo, porque me identifica com a nobreza, e todos, sem excepção, porque sou estrangeiro...
O próprio D. Miguel só vê em mim uma limitação ao seu poder...
Neste país de intrigas e de traições, só se entendem uns com os outros para destruir um inimigo comum e eu posso transformar-me nesse inimigo comum, se não tiver cuidado.
( Pausa)
Não é prudente ainda dizê-lo aos outros, mas não há dúvida de que existe um português capaz de me destronar...
( Fala agora para D. Miguel e o Principal Sousa que surgem subitamente iluminados.)
Senhores, temos de encontrar alguém que tenha prestígio no exército. Julgo que nos convém um oficial de patente elevada, com um bom passado militar. Concretamente, porém, não sei de ninguém que lhe possa indicar.
Luís Sttau Monteiro, Felimente Há Luar!
Itens fechados de Verdadeiro/ Falso ( 20 pontos)
1. Indica se cada uma das afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas.
( Transcreve para a tua folha de teste o número da alínea, seguido de V ou F)
1.1. Embora o Principal Sousa e Beresford sejam ambos governadores do reino, não parilham o mesmo conceito de justiça.
1.2. Beresford está perfeitamente consciente das diferentes ameaças a que está sujeito, por isso mantém-se muito cauteloso.
1.3. Beresford parece acreditar que a conquistada solidez da governação resulta mais da autoridade de um líder do que da autoridade herdada em nome de Deus.
1.4. Beresford não tem inimigos exteriores ao aparelho governativo.
Itens de resposta curta/ resposta restrita ( 75 pontos)
2. Refere a importância do excerto transcrito para o desenvolvimento da acção da peça.( 15 pontos)
3. Indica a função que a iluminação cénica desempenha no excerto transcrito.( 20 pontos)
4. Define, com base no texto, cinco traços caracterizadores do perfil psicológico de Beresford.( 15 pontos)
5. Explicita dois apspectos da crítica de carácter político presentes no texto.( 25 pontos)
Grupo II
Funcionamento da Língua
Item de resposta curta/ restrita ( 15 pontos)
Indica os actos de fala presentes nas frases que se seguem.
1.1. “Não me agrada a condenação de um inocente....”
1.2. “Digam-me: já pensaram em alguèm?”
1.3. “O problema é delicado.”
Grupo III
Item aberto de composição extensa/ ensaio ( 90 pontos)
Em Felizmente, Há Luar o passado é pretexto para falar do Presente.
Num texto organizado, explica como o dramaturgo consegue atingir este seu objectivo, referindo-te:
- à estrutura da obra,
- função da iluminação e do som,
- escassez de recursos cénicos,
- semelhanças entre o regime político retratado e o alvo criticado.
Governadores decidem-se.... ( ficha de treino)
GRUPO I
Lê atentamente o seguinte texto:
Abre os braços no gesto dramático de quem faz uma revelação importante e inesperada.
Começam a ouvir-se tambores ao longe, muito em surdina.
BERESFORD
Já que temos ocasião de crucificar alguém, que escolhamos a quem valha a pena crucificar.... Pensou em alguém, Excelência?
D. MIGUEL
( Passeando agitadamente à frente do palco)
Sou um homem de gabinete. Não tenho as qualidades necessárias para falar ao povo....
( Começa a apagar-se a luz que incide sobre Beresford e o Principal Sousa.)
Repugna-me a acção, estaria politicamente liquidado se tivesse de discutir as minhas ordens...
Não sou, e nunca serei, popular. Quem o for, é meu inimigo pessoal.
( Pausa)
No estado em que se encontra o Reino, basta o aparecimento de alguém capaz de falar ao povo para inutilizar o trabalho de toda a minha vida.... E há quem seja capaz de o fazer...
( Entram Corvo e Vicente, respectivamente pela esquerda e pela direita do palco)
VICENTE
Excelências, todos falam num só homem...
CORVO
Um só nome anda na boca de toda a gente.
( Surge Morais Sarmento, que avança do fundo do palco)
MORAIS SARMENTO
Senhores Governadores: onde quer que se conspire, só um nome vem à baila.
CORVO
O nome do general Gomes Freire d’ Andrade!
( Acende-se a luz que ilumina Beresford e o Principal Sousa)
D. MIGUEL
Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta. Notai que lhe não falta nada: é lúcido, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado brilhante, é grão-mestre da Maçonaria e é, senhores, um estrangeirado...
BERESFORD
Trata-se de um inimigo natural desta Regência.
PRINCIPAL SOUSA
Foi Deus que nos indicou o seu nome.
D. MIGUEL
( Sorrindo)
Deus e eu, senhores! Deus e eu...
CORVO
Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura.
Tudo o que se diz pode não passar de um boato...
D. MIGUEL
Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?
Luís Sttau Monteiro, Felimente Há Luar!
Itens fechados de Verdadeiro/ Falso ( 25 pontos)
1. Indica se cada uma das afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas.
( Transcreve para a tua folha de teste o número da alínea, seguido de V ou F)
1.1.Na réplica inicial de Beresford, o personagem refere-se à oportunidade de sacrificarem alguém, não importa quem seja, para que se cumpra um banal ritual de crucificação.
1.2.D. Miguel reconhece que a sua autoridade poderá estar ameaçada se houver quem influencie o povo.
1.3. Vicente, Corvo e Morais Sarmento hesitam na revelação da identidade do líder da conspiração.
1.4. Beresford considera o general Gomes Freire d’ Andrade um “inimigo natural(da) Regência” porque, tal como os governadores, também ele é ávido de poder.
1.5. Para D. Miguel a simples suspeita de conspiração é suficiente para castigar quem se oponha aos interesses do rei.
Itens de resposta curta/ resposta restrita (75 pontos)
2. Refere a importância do excerto transcrito para o desenvolvimento da acção da peça. ( 15 pontos)
3. As didascálias compreendidas entre o início do excerto e “ Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta” permitem-nos sentir uma progressão da tensão dramática da cena.
Apresenta três elementos cénicos que contribuem para a aumentar. (20 pontos)
4. Apresenta, fundamentando-te no texto, três traços caracterizadores de D. Miguel. (15 pontos)
5. Explicita o regime político que é alvo de crítica, indicando as convicções em que se sustenta. (25 pontos)
Grupo II
Funcionamento da Língua
Item de resposta curta/ restrita ( 15 pontos)
1. Indica os actos de fala presentes nas frases que se seguem.
“Repugna-me a acção, estaria politicamente liquidado...”
“Trata-se de um inimigo natural desta Regência.”
“Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?
Grupo III
Item aberto de composição extensa/ ensaio ( 85 pontos)
O Título da peça assume sentidos diferentes consoante o ponto de vista das duas personagens que o proferem.
Num texto organizado com o mínimo de 20 linhas, refere-te à ambiguidade do título, indicando:
- as personagens que o proferem,
- a situação que as leva a proferi-lo,
- a simbologia do fogo e do luar na perspectiva de cada uma dessas personagens.
Lê atentamente o seguinte texto:
Abre os braços no gesto dramático de quem faz uma revelação importante e inesperada.
Começam a ouvir-se tambores ao longe, muito em surdina.
BERESFORD
Já que temos ocasião de crucificar alguém, que escolhamos a quem valha a pena crucificar.... Pensou em alguém, Excelência?
D. MIGUEL
( Passeando agitadamente à frente do palco)
Sou um homem de gabinete. Não tenho as qualidades necessárias para falar ao povo....
( Começa a apagar-se a luz que incide sobre Beresford e o Principal Sousa.)
Repugna-me a acção, estaria politicamente liquidado se tivesse de discutir as minhas ordens...
Não sou, e nunca serei, popular. Quem o for, é meu inimigo pessoal.
( Pausa)
No estado em que se encontra o Reino, basta o aparecimento de alguém capaz de falar ao povo para inutilizar o trabalho de toda a minha vida.... E há quem seja capaz de o fazer...
( Entram Corvo e Vicente, respectivamente pela esquerda e pela direita do palco)
VICENTE
Excelências, todos falam num só homem...
CORVO
Um só nome anda na boca de toda a gente.
( Surge Morais Sarmento, que avança do fundo do palco)
MORAIS SARMENTO
Senhores Governadores: onde quer que se conspire, só um nome vem à baila.
CORVO
O nome do general Gomes Freire d’ Andrade!
( Acende-se a luz que ilumina Beresford e o Principal Sousa)
D. MIGUEL
Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta. Notai que lhe não falta nada: é lúcido, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado brilhante, é grão-mestre da Maçonaria e é, senhores, um estrangeirado...
BERESFORD
Trata-se de um inimigo natural desta Regência.
PRINCIPAL SOUSA
Foi Deus que nos indicou o seu nome.
D. MIGUEL
( Sorrindo)
Deus e eu, senhores! Deus e eu...
CORVO
Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura.
Tudo o que se diz pode não passar de um boato...
D. MIGUEL
Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?
Luís Sttau Monteiro, Felimente Há Luar!
Itens fechados de Verdadeiro/ Falso ( 25 pontos)
1. Indica se cada uma das afirmações que se seguem são verdadeiras ou falsas.
( Transcreve para a tua folha de teste o número da alínea, seguido de V ou F)
1.1.Na réplica inicial de Beresford, o personagem refere-se à oportunidade de sacrificarem alguém, não importa quem seja, para que se cumpra um banal ritual de crucificação.
1.2.D. Miguel reconhece que a sua autoridade poderá estar ameaçada se houver quem influencie o povo.
1.3. Vicente, Corvo e Morais Sarmento hesitam na revelação da identidade do líder da conspiração.
1.4. Beresford considera o general Gomes Freire d’ Andrade um “inimigo natural(da) Regência” porque, tal como os governadores, também ele é ávido de poder.
1.5. Para D. Miguel a simples suspeita de conspiração é suficiente para castigar quem se oponha aos interesses do rei.
Itens de resposta curta/ resposta restrita (75 pontos)
2. Refere a importância do excerto transcrito para o desenvolvimento da acção da peça. ( 15 pontos)
3. As didascálias compreendidas entre o início do excerto e “ Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta” permitem-nos sentir uma progressão da tensão dramática da cena.
Apresenta três elementos cénicos que contribuem para a aumentar. (20 pontos)
4. Apresenta, fundamentando-te no texto, três traços caracterizadores de D. Miguel. (15 pontos)
5. Explicita o regime político que é alvo de crítica, indicando as convicções em que se sustenta. (25 pontos)
Grupo II
Funcionamento da Língua
Item de resposta curta/ restrita ( 15 pontos)
1. Indica os actos de fala presentes nas frases que se seguem.
“Repugna-me a acção, estaria politicamente liquidado...”
“Trata-se de um inimigo natural desta Regência.”
“Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?
Grupo III
Item aberto de composição extensa/ ensaio ( 85 pontos)
O Título da peça assume sentidos diferentes consoante o ponto de vista das duas personagens que o proferem.
Num texto organizado com o mínimo de 20 linhas, refere-te à ambiguidade do título, indicando:
- as personagens que o proferem,
- a situação que as leva a proferi-lo,
- a simbologia do fogo e do luar na perspectiva de cada uma dessas personagens.
Escola Secundária Rainha D. Leonor
Português 12º Ano
Professor: Manuel Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009
Teste de verificação de leitura de Felizmente há luar Luís Sttau Monteiro
....................................
1. Selecciona a opção mais adequada ao completamento das afirmações:
1. O texto dramático Felizmente há Luar! tem como fontes:
a) Gomes Freire de Teófilo de Braga e Conspiração de 1817 de Raul Brandão.
b) Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett.
c) À espera de Godot de Samuel Beckett
2. Felizmente há Luar! inspira-se na estrutura e nos objectivos:
a) da epopeia clássica greco-latina.
b) do teatro experimental.
c) do teatro épico de Bertold Brecht.
3. Felizmente há Luar! divide-se em:
a) dois actos, com três cenas cada.
b) dois actos, sem indicação de cenas.
c) três actos com número variável de cenas.
4. O acto mais emotivo, com a apoteose trágica, o climax, é:
a) o primeiro.
b) o segundo.
c) o terceiro.
5. O texto inicia-se, tendo como pano de fundo:
a) A rua como espaço social.
b) O gabinete dos governadores do reino.
c) O forte de S. Julião da Barra.
6. As personagens seleccionadas pelo dramaturgo são:
a) representativas de vários grupos sociais.
b) todas aquelas que representam o poder.
c) em grande número por representarem todas as classes sociais.
7. As personagens pertencentes ao povo assumem:
a) atitudes de revolta contra a situação em que a classe vive.
b) comportamentos próximos aos de seres amestrados e amedrontados.
c) a coragem e a determinação como valores a preservar e a defender.
8. Segundo as indicações do dramaturgo, Manuel é:
a) um revoltado que grita contra qualquer forma de opressão.
b) um homem capaz de se juntar a Gomes Freire.
c) o popular mais consciente de todos.
9. Vicente, outra das personagens em destaque, revela:
a) ser um oportunista provoador que faz jogo duplo.
b) aos governadores o nome dos populares envolvidos na conjura.
c) o seu conformismo face à sua condição social.
10. A personagem Matilde de Melo demonstra:
a) as mesmas atitudes ao longo da sua intervenção.
b) a gradativa tomada de consciência da gravidade da situação.
c) acreditar, até ao fim, na salvação de Gomes Freire.
11. A primeira intervenção de Manuel aponta para:
a) a situação política que se vivia em Portugal.
b) a inconsciência da personagem face ao ambiente político.
c) a preocupação por Rita ainda estar a dormir.
12. O s om dos tambores que se faz ouvir desperta:
a) no antigo soldado aânsia de voltar à guerra.
b) em todos os populares a vontade de dançar ao seu ritmo.
c) em todos os presentes o desejo de fugir.
13. A primeira referência a Gomes Freire surge:
a) pela boca do Antigo Soldadoe sob a forma de elogio.
b) na voz de Manuel, que o exalta com entusiasmo.
c) na primeira réplica de Vicente, que denigre a imagem do General. 14. A longa intervenção de Vicente traduz:
a) o seu conformismo com a situação de miséria em que vive.
b) um perfeito conhecimento da realidade socio-política reinante.
c) o ódio que sente pelo general Gomes Freire.
2. Assinala verdadeiro V ou Falso F as afirmações que se seguem:
1. Felizmente há Luar! (1961), peça de esteia de Sttau Monteiro, tem como cenário o ambiente literário do século XIX.
2. A peça tem como ponto de partida a conspiração de 1817, encabeçada por gomes Freire De Andrade, que pretendia afastar o rei D. João VI e que se assume favorável à presença inglesa.
3. O crescendo trágico, representado pelas diversas tentativas de obter o perdão, acabará em climax com a execução de Gomes Freire e dos restantes presos.
4. O principal Sousa caracteriza-se como poderoso, mercenário, interesseiro, calculista, sarcástico.
5. A afirmação de Vicente não se coaduna com o comportamento que assume ao longo da peça: «- Só acredito em duas coisas: no dinheiro e na força. O general não tem uma nem outra».
6. O marechal Beresford teme essencialmente perder os privilégios de que gozava e, realçando a gravidade do momento, procura impelir os outros à acção.
7. Na altura da execução, as últimas palavras de Matilde são de coragem e de estímulo para que o povo se revolte contra a tirania dos governantes.
8. São elementos simbólicos a fogueira, o luar e a saia verde que Matilde veste para o último adeus ao marido.
9. Manuel assiste à execução do General e diz estar de luto por ele próprio.
10. António de Sousa Falcão é um dos governadores que representa o poder eclesiástico.
11. A peça tem indicações para representação, didascálias, e notas à margem fundamentais para um teatro de escassos recursos cénicos.
12. A sonoplastia e a luminotécnica não têm qualquer intencionalidade simbólica.
13. A execução do General e de outros conjurados intensifica a luta contra a opressão do regime absolutista e a vitória da revolução liberal.
14. A peça não tem quaisquer ingrediente da tragédia clássica.
15. Apesar da pathos, da hybris, da anagnóris, do climax, a obra não visa depertar a piedade e o herói é-o pela dimensão de mártir.
Português 12º Ano
Professor: Manuel Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009
Teste de verificação de leitura de Felizmente há luar Luís Sttau Monteiro
....................................
1. Selecciona a opção mais adequada ao completamento das afirmações:
1. O texto dramático Felizmente há Luar! tem como fontes:
a) Gomes Freire de Teófilo de Braga e Conspiração de 1817 de Raul Brandão.
b) Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett.
c) À espera de Godot de Samuel Beckett
2. Felizmente há Luar! inspira-se na estrutura e nos objectivos:
a) da epopeia clássica greco-latina.
b) do teatro experimental.
c) do teatro épico de Bertold Brecht.
3. Felizmente há Luar! divide-se em:
a) dois actos, com três cenas cada.
b) dois actos, sem indicação de cenas.
c) três actos com número variável de cenas.
4. O acto mais emotivo, com a apoteose trágica, o climax, é:
a) o primeiro.
b) o segundo.
c) o terceiro.
5. O texto inicia-se, tendo como pano de fundo:
a) A rua como espaço social.
b) O gabinete dos governadores do reino.
c) O forte de S. Julião da Barra.
6. As personagens seleccionadas pelo dramaturgo são:
a) representativas de vários grupos sociais.
b) todas aquelas que representam o poder.
c) em grande número por representarem todas as classes sociais.
7. As personagens pertencentes ao povo assumem:
a) atitudes de revolta contra a situação em que a classe vive.
b) comportamentos próximos aos de seres amestrados e amedrontados.
c) a coragem e a determinação como valores a preservar e a defender.
8. Segundo as indicações do dramaturgo, Manuel é:
a) um revoltado que grita contra qualquer forma de opressão.
b) um homem capaz de se juntar a Gomes Freire.
c) o popular mais consciente de todos.
9. Vicente, outra das personagens em destaque, revela:
a) ser um oportunista provoador que faz jogo duplo.
b) aos governadores o nome dos populares envolvidos na conjura.
c) o seu conformismo face à sua condição social.
10. A personagem Matilde de Melo demonstra:
a) as mesmas atitudes ao longo da sua intervenção.
b) a gradativa tomada de consciência da gravidade da situação.
c) acreditar, até ao fim, na salvação de Gomes Freire.
11. A primeira intervenção de Manuel aponta para:
a) a situação política que se vivia em Portugal.
b) a inconsciência da personagem face ao ambiente político.
c) a preocupação por Rita ainda estar a dormir.
12. O s om dos tambores que se faz ouvir desperta:
a) no antigo soldado aânsia de voltar à guerra.
b) em todos os populares a vontade de dançar ao seu ritmo.
c) em todos os presentes o desejo de fugir.
13. A primeira referência a Gomes Freire surge:
a) pela boca do Antigo Soldadoe sob a forma de elogio.
b) na voz de Manuel, que o exalta com entusiasmo.
c) na primeira réplica de Vicente, que denigre a imagem do General. 14. A longa intervenção de Vicente traduz:
a) o seu conformismo com a situação de miséria em que vive.
b) um perfeito conhecimento da realidade socio-política reinante.
c) o ódio que sente pelo general Gomes Freire.
2. Assinala verdadeiro V ou Falso F as afirmações que se seguem:
1. Felizmente há Luar! (1961), peça de esteia de Sttau Monteiro, tem como cenário o ambiente literário do século XIX.
2. A peça tem como ponto de partida a conspiração de 1817, encabeçada por gomes Freire De Andrade, que pretendia afastar o rei D. João VI e que se assume favorável à presença inglesa.
3. O crescendo trágico, representado pelas diversas tentativas de obter o perdão, acabará em climax com a execução de Gomes Freire e dos restantes presos.
4. O principal Sousa caracteriza-se como poderoso, mercenário, interesseiro, calculista, sarcástico.
5. A afirmação de Vicente não se coaduna com o comportamento que assume ao longo da peça: «- Só acredito em duas coisas: no dinheiro e na força. O general não tem uma nem outra».
6. O marechal Beresford teme essencialmente perder os privilégios de que gozava e, realçando a gravidade do momento, procura impelir os outros à acção.
7. Na altura da execução, as últimas palavras de Matilde são de coragem e de estímulo para que o povo se revolte contra a tirania dos governantes.
8. São elementos simbólicos a fogueira, o luar e a saia verde que Matilde veste para o último adeus ao marido.
9. Manuel assiste à execução do General e diz estar de luto por ele próprio.
10. António de Sousa Falcão é um dos governadores que representa o poder eclesiástico.
11. A peça tem indicações para representação, didascálias, e notas à margem fundamentais para um teatro de escassos recursos cénicos.
12. A sonoplastia e a luminotécnica não têm qualquer intencionalidade simbólica.
13. A execução do General e de outros conjurados intensifica a luta contra a opressão do regime absolutista e a vitória da revolução liberal.
14. A peça não tem quaisquer ingrediente da tragédia clássica.
15. Apesar da pathos, da hybris, da anagnóris, do climax, a obra não visa depertar a piedade e o herói é-o pela dimensão de mártir.
«Felizmente Há Luar!»- Estrutura, aspectos simbólicos
A. ESTRUTURA INTERNA (Acção)
Esta peça não se trata de uma obra que respeite a forma clássica nem obedeça à regra das três unidades (lugar, tempo e acção). A apresentação dos acontecimentos processa-se pela ordem natural e linear em que ocorrem, facilitando assim a sua compreensão.
ACTO I – Processo de incriminação; prisão dos incriminados:
Desenvolvimento da acção:
(Gomes Freire de Andrade encontra-se na sua casa “para os lados do Rato donde não há qualquer referência que tenha saído”.)
O primeiro núcleo de personagens do povo – de que fazem parte Manuel, Rita, Antigo Soldado e vários outros populares sem nome – vêem no general o seu herói, o único homem capaz de os libertar da opressão, da miséria e do terror em que vivem. (Manuel: “Se ele quisesse...”) O que significa que depositam nele as expectativas e esperanças no sentido de ser ele quem poderá libertá-los da tirania da regência e da exploração dos ingleses de que são alvo. Gomes Freire = herói
O segundo núcleo de personagens do povo – Vicente e os dois polícias – vão contribuir, através da denúncia, da traição e da força das armas, para a prisão de Gomes Freire de Andrade e para a sua ulterior execução. Gomes Freire = objecto de denúncia
Vicente num 1º momento: Vicente tem um papel de provocador, tentando denegrir junto do povo a imagem de Gomes Freire: “cá vou discutindo o general de manhã à tarde e à noite... Para esta cambada o Freire é Deus”, o que revela que Vicente despreza o povo (classe de que é, aliás, oriundo) ao mesmo tempo que desrespeita o general.
Vicente num 2º momento: Vicente tem um papel de denunciante ao aludir ao general como presumível chefe da conjura.
Vicente num 3º momento: Vicente é incumbido, por D. Miguel, de vigiar a casa de Freire de Andrade, o que ele cumpre de forma eficiente: “entram mais de dez pessoas na casa que fui incumbido de vigiar”
Núcleo dos Governadores D. Miguel e Principal Sousa mostram-se preocupados com as mudanças que a Revolução Francesa tem vindo a introduzir no espírito de um número crescente de portugueses. Beresford está preocupado com a conspiração de que tanto se fala em Lisboa, mostra a necessidade de actuar sem demora e com dureza. Gomes Freire = perigo para o poder instituído
Morais Sarmento e Andrade Corvo os oficiais, companheiros de Gomes Freire, que, por vantagens económicas aceitam denunciá-lo. Gomes Freire = objecto de denúncia
ACTO II – Processo de ilibação dos incriminados, punição dos incriminados
Desenvolvimento da acção:
A acção centra-se na deambulação de Matilde.
. suplica a Beresford que liberte o marido, apercebendo-se da conveniência política da prisão do seu marido;
. intimida o povo à acção no sentido de lutar contra a opressão e pela libertação do marido;
. exige ao povo que se solidarize com ela;
. dirige-se a D. Miguel e sente o ultraje deste, primo do marido;
. dirige-se ao Principal Sousa a quem acusa de hipócrita e prepotente;
. sente o reconforto e a compreensão de Frei Diogo que acabara de confessar o general preso em S. Julião da Barra;
. chega à serra de Santo António acompanhada de Sousa Falcão onde a fogueira queima o corpo de Gomes Freire;
. reconhece, na parte final, que a morte do General não foi gratuita e nota-se nela um sinal de esperança e de optimismo.
B. TEMPO
Tempo da acção: Aparentemente, no mesmo dia em que os populares conversam sobre Gomes Freire, Vicente é incumbido por D. Miguel de o vigiar. Também nesse mesmo dia, os Governadores recebem os oficiais delatores. Posteriormente, Vicente traz a informação de que «Ontem à noite entraram mais de dez pessoas em casa de…(Gomes Freire)». Não sabemos, contudo, o tempo que decorre entre a situação inicial e este “ontem”, ou seja, há quantos dias dura a vigilância à casa de Gomes Freire. É impossível determinar o tempo que decorre desde a denúncia até declarem Gomes Freire chefe da conjura e consequente prisão e condenação à morte.
No Acto II, Matilde desabafa: «Há quatro dias que não me deito…» e Sousa Falcão anuncia que os presos vão a caminho da execução. É-nos assim transmitida a ideia de que, entre a prisão dos conjurados e a sua execução, decorreram apenas quatro dias. O objectivo será evidenciar a arbitrariedade do Poder: quatro dias para recolher provas e proceder a um julgamento isento é um período de tempo ridículo.
Ficamos com a impressão de que tudo se passa num período curtíssimo de tempo. Esta concentração de tempo é escandalosa, evidenciando que o Poder não esperava senão um pretexto para eliminar um adversário que tinha prestígio suficiente para pôr em risco o poder instituído.
Tempo histórico: “Esta praga lhe rogo eu, Matilde de Melo, mulher de Gomes Freire de Andrade, hoje 18 de Outubro de 1817”
B. ESPAÇO
O espaço e o tempo de duração de “história” aparecem muito difusos. São as didascálicas e as falas das personagens que facultam algumas referências ao espaço.
Espaço físico
A acção decorre em Lisboa em três espaços principais:
. a sede da regência (zona da Baixa);
. a casa do general (zona do Rato);
. a serra de Santo António, lugar de onde é visível o forte de S. Julião da Barra.
Há porém referência a outros lugares:
. ao Campo de Sant’Ana;
. a uma rua de um bairro da zona ribeirinha;
. à porta da Sé onde os populares mendigam.
Espaço físico / Espaço psicológico
.além das didascálias e das falas das personagens, o autor usa a iluminação para marcar a mudança de espaço e os estados emocionais das personagens, num…
…Jogo de luz / sombra:
. mudança de espaço
. criar um ambiente de desalento, de sonho…
. código complementar do valor simbólico das palavras proferidas.
Espaço social (vestuários, adereços, etc…)
C. UNIDADE DA PEÇA
A unidade da peça é dada pela figura de Gomes Freire, pretenso chefe de uma conspiração contra o poder instituído em Portugal. Como anuncia o próprio autor no quadro de apresentação das personagens, Gomes Freire embora nunca apareça em cena, está sempre presente.
No início da peça, o General é tema de conversa entre os Populares e é posto sob vigilância por ordem de D. Miguel. No decurso do Acto I, os regentes do reino, sem o explicarem, mostram-se ansiosos por ter algum indício que lhes permita acusar Gomes Freire de chefe da conjura. O acto termina com a ordem de prisão de Gomes Freire, acusado de chefe dos conspiradores, ainda que não haja provas de que o seja.
Todo o Acto II se centra em torno da luta de Matilde, companheira do general, pela defesa da sua vida. Luta sem êxito, já que a obra acaba com a execução de Gomes Freire.
D. O TÍTULO
D. Miguel comenta «É verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar…» quando a execução dos conjurados vai começar. Espera que assim, apesar da noite, todos tenham oportunidade de ver bem o que acontece a quem ousa desafiar as forças do poder. (Poder)
As últimas palavras da peça pertencem a Matilde que, depois da execução, diz para o povo: «Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que elas nos ensina! / Até a noite foi feita para que vísseis até ao fim… / Felizmente Felizmente há luar!» (nem “quase grito”). A intenção é a de que todos vejam bem ao que estão sujeitos quando se opõem ao poder. Mas enquanto D. Miguel pretende manter, através do terror, o poder opressivo e incontestável, Matilde pretende que as consciências se agitem e, vencendo o medo, lutem pela liberdade. (Anti-Poder)
E. DIDASCÁLIAS
As didascálias (ou indicações cénicas) são texto secundário que serve de suporte ao texto dramático (fala de personagens).
As didascálias que encontramos entre parênteses dão-nos indicações sobre a expressão corporal da personagem, os seus sentimentos e emoções, o seu movimento em palco, a entrada e saída. Também indicam os destinatários dos actos de fala, o tom de voz, as mudanças de luz, o som.
As didascálias laterais acompanham as palavras das personagens e ajudam à sua caracterização, esclarecendo a forma com é falam, revelando as intenções do que está a ser dito, para que as palavras sejam bem interpretadas (sobretudo pelo leitor).
F. ELEMENTOS SIMBÓLICOS
Os tambores É ao som dos tambores em fanfarra e crescendo de intensidade que a peça termina. Os tambores, que amedrontam os populares mal os ouvem à distância, e que tocam em fanfarra em momentos decisivos, como o anúncio da prisão e o fim da execução de Gomes Freire, representam a repressão; é o som simbólico da opressão aterrorizadora.
A moeda de cinco reis Na primeira situação representa a esmola, o auxílio humilhante que os poderosos dão, com arrogância e desprezo, aos que nada têm. Por isso Manuel, numa atitude de revolta, a manda dar a Matilde, mas logo se arrepende, pois sabe que não é ela que merece este gesto de agressão. Por outro lado, Matilde ao pedir-lha está a assumir a sua culpa por não ter compreendido a real situação dos populares.
Quando Matilde atira a moeda aos pés do Principal Sousa esta passa a símbolo da traição da Igreja, o eco das moedas que Judas recebeu pela entrega de Cristo. Também o Principal Sousa traiu os valores cristãos pelo poder.
A sai verde Oferecida a Matilde pelo seu amado, em Paris, para vestir quando voltassem a Portugal, nunca tinha sido usada, talvez porque o país nunca lhe tivesse dado motivos de esperança. É a saia que ela planeia usar quando Gomes Freire voltar para casa (atitude reveladora de que se recusa a perder a esperança). Acaba por ser a que veste no momento da execução do marido, simbolizando a esperança no futuro.
A fogueira e o clarão a fogueira destruiu Gomes Freire e a conspiração, a hipótese de mudança. Mas foi uma destruição necessária para a purificação; para que todo o horror fosse exposto e reforçasse o desejo de lutar por um Portugal melhor. Este valor redentor e purificador do fogo converte o final de morte num final de esperança. O clarão é a luz da liberdade que se anuncia. O clarão que se extingue com a morte de Gomes Freire irá iluminar muitas consciências. A sua morte não será em vão, outros manterão viva e cada vez mais forte a chama da liberdade que iluminou o General.
O luar Para D. Miguel, a luz do luar simboliza a opressão necessária para manter o país submisso. Para Matilde, simboliza o início do fim do obscurantismo em que o país está mergulhado. É a luz que permite “ver” um exemplo e um caminho a seguir.
Esta peça não se trata de uma obra que respeite a forma clássica nem obedeça à regra das três unidades (lugar, tempo e acção). A apresentação dos acontecimentos processa-se pela ordem natural e linear em que ocorrem, facilitando assim a sua compreensão.
ACTO I – Processo de incriminação; prisão dos incriminados:
Desenvolvimento da acção:
(Gomes Freire de Andrade encontra-se na sua casa “para os lados do Rato donde não há qualquer referência que tenha saído”.)
O primeiro núcleo de personagens do povo – de que fazem parte Manuel, Rita, Antigo Soldado e vários outros populares sem nome – vêem no general o seu herói, o único homem capaz de os libertar da opressão, da miséria e do terror em que vivem. (Manuel: “Se ele quisesse...”) O que significa que depositam nele as expectativas e esperanças no sentido de ser ele quem poderá libertá-los da tirania da regência e da exploração dos ingleses de que são alvo. Gomes Freire = herói
O segundo núcleo de personagens do povo – Vicente e os dois polícias – vão contribuir, através da denúncia, da traição e da força das armas, para a prisão de Gomes Freire de Andrade e para a sua ulterior execução. Gomes Freire = objecto de denúncia
Vicente num 1º momento: Vicente tem um papel de provocador, tentando denegrir junto do povo a imagem de Gomes Freire: “cá vou discutindo o general de manhã à tarde e à noite... Para esta cambada o Freire é Deus”, o que revela que Vicente despreza o povo (classe de que é, aliás, oriundo) ao mesmo tempo que desrespeita o general.
Vicente num 2º momento: Vicente tem um papel de denunciante ao aludir ao general como presumível chefe da conjura.
Vicente num 3º momento: Vicente é incumbido, por D. Miguel, de vigiar a casa de Freire de Andrade, o que ele cumpre de forma eficiente: “entram mais de dez pessoas na casa que fui incumbido de vigiar”
Núcleo dos Governadores D. Miguel e Principal Sousa mostram-se preocupados com as mudanças que a Revolução Francesa tem vindo a introduzir no espírito de um número crescente de portugueses. Beresford está preocupado com a conspiração de que tanto se fala em Lisboa, mostra a necessidade de actuar sem demora e com dureza. Gomes Freire = perigo para o poder instituído
Morais Sarmento e Andrade Corvo os oficiais, companheiros de Gomes Freire, que, por vantagens económicas aceitam denunciá-lo. Gomes Freire = objecto de denúncia
ACTO II – Processo de ilibação dos incriminados, punição dos incriminados
Desenvolvimento da acção:
A acção centra-se na deambulação de Matilde.
. suplica a Beresford que liberte o marido, apercebendo-se da conveniência política da prisão do seu marido;
. intimida o povo à acção no sentido de lutar contra a opressão e pela libertação do marido;
. exige ao povo que se solidarize com ela;
. dirige-se a D. Miguel e sente o ultraje deste, primo do marido;
. dirige-se ao Principal Sousa a quem acusa de hipócrita e prepotente;
. sente o reconforto e a compreensão de Frei Diogo que acabara de confessar o general preso em S. Julião da Barra;
. chega à serra de Santo António acompanhada de Sousa Falcão onde a fogueira queima o corpo de Gomes Freire;
. reconhece, na parte final, que a morte do General não foi gratuita e nota-se nela um sinal de esperança e de optimismo.
B. TEMPO
Tempo da acção: Aparentemente, no mesmo dia em que os populares conversam sobre Gomes Freire, Vicente é incumbido por D. Miguel de o vigiar. Também nesse mesmo dia, os Governadores recebem os oficiais delatores. Posteriormente, Vicente traz a informação de que «Ontem à noite entraram mais de dez pessoas em casa de…(Gomes Freire)». Não sabemos, contudo, o tempo que decorre entre a situação inicial e este “ontem”, ou seja, há quantos dias dura a vigilância à casa de Gomes Freire. É impossível determinar o tempo que decorre desde a denúncia até declarem Gomes Freire chefe da conjura e consequente prisão e condenação à morte.
No Acto II, Matilde desabafa: «Há quatro dias que não me deito…» e Sousa Falcão anuncia que os presos vão a caminho da execução. É-nos assim transmitida a ideia de que, entre a prisão dos conjurados e a sua execução, decorreram apenas quatro dias. O objectivo será evidenciar a arbitrariedade do Poder: quatro dias para recolher provas e proceder a um julgamento isento é um período de tempo ridículo.
Ficamos com a impressão de que tudo se passa num período curtíssimo de tempo. Esta concentração de tempo é escandalosa, evidenciando que o Poder não esperava senão um pretexto para eliminar um adversário que tinha prestígio suficiente para pôr em risco o poder instituído.
Tempo histórico: “Esta praga lhe rogo eu, Matilde de Melo, mulher de Gomes Freire de Andrade, hoje 18 de Outubro de 1817”
B. ESPAÇO
O espaço e o tempo de duração de “história” aparecem muito difusos. São as didascálicas e as falas das personagens que facultam algumas referências ao espaço.
Espaço físico
A acção decorre em Lisboa em três espaços principais:
. a sede da regência (zona da Baixa);
. a casa do general (zona do Rato);
. a serra de Santo António, lugar de onde é visível o forte de S. Julião da Barra.
Há porém referência a outros lugares:
. ao Campo de Sant’Ana;
. a uma rua de um bairro da zona ribeirinha;
. à porta da Sé onde os populares mendigam.
Espaço físico / Espaço psicológico
.além das didascálias e das falas das personagens, o autor usa a iluminação para marcar a mudança de espaço e os estados emocionais das personagens, num…
…Jogo de luz / sombra:
. mudança de espaço
. criar um ambiente de desalento, de sonho…
. código complementar do valor simbólico das palavras proferidas.
Espaço social (vestuários, adereços, etc…)
C. UNIDADE DA PEÇA
A unidade da peça é dada pela figura de Gomes Freire, pretenso chefe de uma conspiração contra o poder instituído em Portugal. Como anuncia o próprio autor no quadro de apresentação das personagens, Gomes Freire embora nunca apareça em cena, está sempre presente.
No início da peça, o General é tema de conversa entre os Populares e é posto sob vigilância por ordem de D. Miguel. No decurso do Acto I, os regentes do reino, sem o explicarem, mostram-se ansiosos por ter algum indício que lhes permita acusar Gomes Freire de chefe da conjura. O acto termina com a ordem de prisão de Gomes Freire, acusado de chefe dos conspiradores, ainda que não haja provas de que o seja.
Todo o Acto II se centra em torno da luta de Matilde, companheira do general, pela defesa da sua vida. Luta sem êxito, já que a obra acaba com a execução de Gomes Freire.
D. O TÍTULO
D. Miguel comenta «É verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar…» quando a execução dos conjurados vai começar. Espera que assim, apesar da noite, todos tenham oportunidade de ver bem o que acontece a quem ousa desafiar as forças do poder. (Poder)
As últimas palavras da peça pertencem a Matilde que, depois da execução, diz para o povo: «Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que elas nos ensina! / Até a noite foi feita para que vísseis até ao fim… / Felizmente Felizmente há luar!» (nem “quase grito”). A intenção é a de que todos vejam bem ao que estão sujeitos quando se opõem ao poder. Mas enquanto D. Miguel pretende manter, através do terror, o poder opressivo e incontestável, Matilde pretende que as consciências se agitem e, vencendo o medo, lutem pela liberdade. (Anti-Poder)
E. DIDASCÁLIAS
As didascálias (ou indicações cénicas) são texto secundário que serve de suporte ao texto dramático (fala de personagens).
As didascálias que encontramos entre parênteses dão-nos indicações sobre a expressão corporal da personagem, os seus sentimentos e emoções, o seu movimento em palco, a entrada e saída. Também indicam os destinatários dos actos de fala, o tom de voz, as mudanças de luz, o som.
As didascálias laterais acompanham as palavras das personagens e ajudam à sua caracterização, esclarecendo a forma com é falam, revelando as intenções do que está a ser dito, para que as palavras sejam bem interpretadas (sobretudo pelo leitor).
F. ELEMENTOS SIMBÓLICOS
Os tambores É ao som dos tambores em fanfarra e crescendo de intensidade que a peça termina. Os tambores, que amedrontam os populares mal os ouvem à distância, e que tocam em fanfarra em momentos decisivos, como o anúncio da prisão e o fim da execução de Gomes Freire, representam a repressão; é o som simbólico da opressão aterrorizadora.
A moeda de cinco reis Na primeira situação representa a esmola, o auxílio humilhante que os poderosos dão, com arrogância e desprezo, aos que nada têm. Por isso Manuel, numa atitude de revolta, a manda dar a Matilde, mas logo se arrepende, pois sabe que não é ela que merece este gesto de agressão. Por outro lado, Matilde ao pedir-lha está a assumir a sua culpa por não ter compreendido a real situação dos populares.
Quando Matilde atira a moeda aos pés do Principal Sousa esta passa a símbolo da traição da Igreja, o eco das moedas que Judas recebeu pela entrega de Cristo. Também o Principal Sousa traiu os valores cristãos pelo poder.
A sai verde Oferecida a Matilde pelo seu amado, em Paris, para vestir quando voltassem a Portugal, nunca tinha sido usada, talvez porque o país nunca lhe tivesse dado motivos de esperança. É a saia que ela planeia usar quando Gomes Freire voltar para casa (atitude reveladora de que se recusa a perder a esperança). Acaba por ser a que veste no momento da execução do marido, simbolizando a esperança no futuro.
A fogueira e o clarão a fogueira destruiu Gomes Freire e a conspiração, a hipótese de mudança. Mas foi uma destruição necessária para a purificação; para que todo o horror fosse exposto e reforçasse o desejo de lutar por um Portugal melhor. Este valor redentor e purificador do fogo converte o final de morte num final de esperança. O clarão é a luz da liberdade que se anuncia. O clarão que se extingue com a morte de Gomes Freire irá iluminar muitas consciências. A sua morte não será em vão, outros manterão viva e cada vez mais forte a chama da liberdade que iluminou o General.
O luar Para D. Miguel, a luz do luar simboliza a opressão necessária para manter o país submisso. Para Matilde, simboliza o início do fim do obscurantismo em que o país está mergulhado. É a luz que permite “ver” um exemplo e um caminho a seguir.
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