domingo, 30 de novembro de 2008

Matriz do 2º teste sumativo (12º3

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
Português 12º ano
Matriz do 2º teste sumativo
( Dezembro de 2008)
Prof. Euclides Rosa



Grupo I (100 pontos)
- Compreender globalmente o texto.
- Identificar sujeito de enunciação(emissor), de interpelação(receptor) e intenção comunicativa
- Delimitar e justificar momentos do poema.
- Situar o poema na estrutura interna simbólica da Mensagem.
- Caracterizar estados psicológicos e emotivos.
- Explicar expressões, binómios em confronto no poema.

Conteúdos
- Informação textual.
- Contexto comunicativo: emissor, receptor e mensagem.
- Coesão textual
- Estrutura interna: valor simbólico.
- Tempo histórico e mítico.
- Recursos estilísticos

Tipologia de Questões

A
- 4 itens de resposta fechada/curta
B
- 1 item de ensaio de extensão compreendida entre 80 e 100 palavras

( Avaliam-se também a competência de expressão escrita: estruturação discursiva e correcção linguística)

Grupo II ( 50 pontos)

Objectivos

- Reconhecer valor de diferentes mecanismos de coesão interfrásica e textual (coordenação e subordinação).
-Identificar diferentes intenções comunicativas subjacentes aos respectivos actos ilocutórios.
- Identificar deícticos e classes de palavras que os servem.

Conteúdos

- Coesão interfrásica: coordenação e subordinação.
- Actos ilocutórios (de fala), intenções comunicativas.
- Deícticos.
- Classes de palavras.

Tipologia de Questões

- 6 itens de escolha de alternativas de resposta.

- 1 item de reescrita de frase, aplicando um conteúdo de língua específico.

Grupo III (50 pontos)

Objectivos

- Aplicar uma técnica e /ou modelo de escrita
- Exprimir opiniões/ críticas.
- Argumentar e exemplificar.
- Manifestar competências de expressão escrita

Conteúdos

- Texto expositivo-argumentativo, de opinião sobre tema decorrente do programa
- Competências de expressão escrita

Tipologia de Questões

- Item de resposta aberta/extensa ( valorizada pela estruturação temática e discursiva e pela correcção linguística- 200 a 250 palavras)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
Ano Lectivo:2008/2009 (Ensino Secundário) 1ºteste
Duração: 90 minutos Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o seguinte excerto de ” Os Lusíadas” com atenção:

144
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão porque mandou,
E com títulos novos se ilustrou.

145
No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera , apagada e vil tristeza.

146
Não sei por que influxo do destino
Não tem ledo orgulho e geral gosto,
Que os ânimos levanta de contino
A ter pera trabalhos ledo o rosto.
Por isso vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto,
Olhai que sois ( e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes.
147
Olhai que ledos vão, por várias vias,
Quais rompentes leões e bravos touros,
Dando corpos a fomes e vigias,
A ferro, a fogo, a setas e pelouros,
A quentes regiões, a plagas frias,
A golpes de idolatras e de mouros,
A perigos incógnitos do Mundo,
A naufrágios, a pexes, ao profundo!

148
Por vos servir, a tudo aparelhados,
De vós tão longe, sempre obedientes
A quaisquer vossos ásperos mandados,
Sem dar resposta, prontos e contentes.
Só com o saber que são de vós olhados,
Demónios infernais, negros e ardentes,
Cometerão convosco, e não duvido
Que vencedor vos façam, não vencido.

Camões, Os Lusíadas (Canto X )


I Grupo(100 pontos)
Responde, cuidando a expressão escrita, ao questionário que se segue.
A
1. Delimita o texto em momentos, sintetizando o seu conteúdo e situando-os na estrutura interna e plano de “ Os Lusíadas” .

2. Caracteriza por palavras tuas o estado psicológico e/ou emotivo do poeta, indicando duas causas que estão na origem do mesmo.

3. Indica e justifica as duas estratégias linguísticas de que o poeta se serve para fazer o apelo ao Rei.

4. Explicita, recorrendo a expressões do texto, três argumentos de defesa dos portugueses que Camões apresenta para solicitar ao Rei que os reconheça.

B
“ Os Lusíadas não se limitam a mostrar a ousadia de um poeta ao aventurar-se num trabalho poético árduo, como é a epopeia. Exibem um cidadão que, embora de estirpe humilde, reivindica para si, o direito à crítica, o direito a apontar o dedo às feridas da nação e da Europa.”
(prof. Euclides)

Fazendo apelo à tua experiência de leitura, expõe, num texto de cem a cento e cinquenta palavras, a tua opinião sobre a afirmação acima apresentada.


II Grupo – Conhecimento Explícito da Língua (50 pontos)



Lê o texto:
Chegada à Índia

No dia 20 de Maio de 1498 fundeava a esquadra portuguesa num porto indiano. O piloto iludira-se contudo e, em vez de ir fundear a calecute, fora lançar ferro a Capocate, pequeno porto situado duas léguas ao sul da cidade que procuravam.
Logo que fundearam, vieram muitos barcos da terra e informaram-nos do engano. Vasco da Gama então, antes de levantar ferro, mandou, nesses barcos, ao outro dia, um dos degredados a Calecute. A chegada do homem causou muita estranheza. Julgaram-no mouro; mas, como lhe falavam em árabe, e ele não os entendia, levaram-no a casa duns mouros de Túnis, que falavam indiano e espanhol.
Quando os mouros viram o degredado e conheceram que era português, ficaram pasmados, e um deles disse-lhe no nosso idioma:
- Ao diabo que te dou, quem te trouxe cá?
Foi imenso o júbilo do degredado, ouvindo estas palavras, em terra tão distante, ainda que a saudação estivesse longe de ser das mais hospitaleiras. Respondeu logo que vinha procurar cristãos e especiarias. (...)
Imagine-se a alegria de Vasco da Gama e dos companheiros, ao ouvirem estas palavras em português. Havia perto de onze meses que tinham partido de Lisboa e só tinham escutado o bramir das vagas enfurecidas, a fala gutural e ininteligível dos negros, ou, quando muito a lingua árabe, que era a língua dos inimigos. Ouviam agora, nessa terra opulenta que procuravam, o som amado da língua pátria. Era um júbilo tamanho, que tocava as raias da dor; foram lágrimas a sua expressão. Choravam todos de alegria.

Pinheiro Chagas, História de Portugal










1. Neste item, faz corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a fazer associações verdadeiras. Escreve na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.

A B
1) “ O piloto iludira-se contudo e, em vez de ir fundear a Calecute ....” (linha 1-2) a) Oração subordinada consecutiva.
2) “...que procuravam.” (linha 3) b) Oração subordinada relativa explicativa.
3) “...como lhe falavam em árabe” ( linha7) c) Oração subordinada completiva/integrante
4) “...que vinha procurar cristãos e especiarias...”(linha 13-14) d) Oração subordinada comparativa.
5) “que era a língua dos inimigos... “( linha 18) e) Oração subordinada interrogativa.
6) 6) “que tocava as raias da dor...”( linha 19-20) f) Oração subordinada relativa restritiva com antecedente.
g) Oração subordinada causal.
h) Oração coordenada adversativa.

2. Considere as frases:
“ O degredado que foi enviado pelo Gama chegou a Calecute receoso.”
“Ainda que a saudação estivesse longe de ser das mais hospitaleiras, todavia emocionou-o o som da língua pátria.”

2.1 Delimita cada uma das frases em orações e, posteriormente, classifica-as.


III. Produção Escrita (50 pontos)

“O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica”.

Num texto expostivo- argumentativo organizado, entre duzentas e duzentas e cinquenta palavras, posiciona-te sobre a ideia presente na frase acima transcrita, apresentando argumentos e exemplos concretos de celebridade paga à custa da perda privacidade .



CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE CLASSIFICAÇÃO
E RESPECTIVOS CENÁRIOS DE RESPOSTA
Grupo I
A.
1.............................................................................................................................. 15 pontos
Critérios específicos de classificação
Aspectos de conteúdo............................................................................................9 pontos
Delimitação fundamentada do texto
Síntese de cada momento textual
Integração dos momentos na estrutura interna e plano de “ Os Lusíadas”
Aspectos de organização e correcção linguística...................................................6 pontos
Estruturação do discurso*..................................................... 3 pontos
Correcção linguística**......................................................... 3 pontos
Cenário de resposta
O excerto do canto X de Os Lusíadas corresponde ao regresso à pátria, estrofe 144, inserida no final da narração, enquadrada no plano da viagem.
Da estrofe 145 à 148 temos uma reflexão do poeta que assume carácter de apelo/ invocação ao Rei D. Sebastião, pedindo-lhe que reconheça o heroísmo dos lusitanos que empreenderam a empresa da viagem à Índia. Este momento insere-se no plano do poeta, fechando, de certa forma, a dedicatória iniciada no canto I.
Além dos aspectos de conteúdo, pode justificar-se esta proposta de delimitação, pela alternância de pessoas gramaticais. O primeiro momento é marcado pela terceira pessoa do plural e o segundo pela primeira do singular, no discurso do poeta, e a segunda do plural, forma com que Camões interpela Rei.
2. .............................................................................................................................. 20 pontos

Critérios específicos de classificação
Aspectos de conteúdo............................................................................................12 pontos
Caracterização do estado de espírito do poeta fundamentada em pressupostos de conhecimento metaliterário.
Explicitação de duas causas desse estado de espírito com referências textuais.
Aspectos de organização e correcção linguística...............................................................8 pontos
Estruturação do discurso*..................................................... 4 pontos
Correcção linguística**......................................................... 4 pontos
Cenário de resposta
O estado de espírito do poeta é sugerido pela hipálage: “a Lira tenho/ Destemperada...”. Sente-se desalentado e, de algum modo, frustrado com a missão épica a que se propôs. Como tal, na invocação à Musa reconhece que perdeu a força interior: “ No mais, Musa, no mais ”, e a sua rouquidão não resulta do canto épico em si mas da falta de receptividade que ele tem.
Estão na origem deste desepero a falta de sensibilidade, de interesse e de gratidão dos heróis que enaltece.
Contudo, o fenómeno é global, já que a pátria e o rei não têm hábitos culturais, não os incentivam: “O favor com que mais se acende o engenho/ Não no dá a pátria “ de tão obcecados que estão pelos bens materiais ou pelo poder: “que está metida/ No gosto da cobiça e na rudeza...”, nutrindo-se com arrogância de uma decadência desprezível: “Duma austera , apagada e vil tristeza.”

3. .............................................................................................................................. 15 pontos

Critérios específicos de classificação
Aspectos de conteúdo.............................................................................................9 pontos
Identificação e justificação de recursos linguísticos reveladores da intenção de apelo/pedido.

Aspectos de organização e correcção linguística..................................................6 pontos
Estruturação do discurso*..................................................... 3 pontos
Correcção linguística**......................................................... 3 pontos

Cenário de resposta
O vocativo / apóstrofe: “ ó Rei ” e o imperativo anafórico: “ Olhai ” marcam uma interpelação directa ao Rei com intenção de pedido/ apelo.
Reconhecendo a sua autoridade de herança divina: “que por divino/ Conselho estais no régio sólio posto...”, o poeta, numa postura de vassalo, interpela-o, lembrando-o ao mesmo tempo do seu estatuto e usa o imperativo não com valor de ordem mas exortativo.

4. .............................................................................................................................. 20 pontos

Critérios específicos de classificação
Aspectos de conteúdo............................................................................................12 pontos
Explicitação de três argumentos de defesa dos portugueses, devidamente fundamentados em conhecimento metaliterário.

Aspectos de organização e correcção linguística.................................................8 pontos
Estruturação do discurso*..................................................... 4 pontos
Correcção linguística**......................................................... 4 pontos
Cenário de resposta
Primeiramente, através de comparações: “Quais rompentes leões e bravos touros...”, o poeta destaca a força e a bravura dos heróis que defende, talvez porque sabe que as qualidades guerreiras são das mais valorizadas naquela conjuntura socio-cultural, recém saída da Idade Média e sem assimilação efectiva dos valores do Renascimento.
Posteriormente, sobrevaloriza o espírito de sacrifício dos Portugueses ao suportarem não só as necessidades básicas de sobrevivência e conforto: “ fomes”, “ A quentes regiões, a plagas frias”mas também o perigo ao enfrentarem inimigos e infiéis: “golpes de idolatras e de mouros...”.
Finalmente, com intenção de persuadir o Rei, lembra-lhe a obediência e o prazer dos Portugueses em servi-lo e, consequentemente, a pátria: “sempre obedientes/ A quaisquer vossos ásperos mandados/
Sem dar resposta, prontos e contentes ...”.


B

Critérios específicos de classificação
Aspectos de conteúdo............................................................................................18 pontos
Qualidade e coerência dos juízos de leitura formulados.......................... 9 pontos
Pertinência das referências feitas à obra.................................................. 9 pontos

Aspectos de organização e correcção linguística...................................................12pontos
Estruturação do discurso*..................................................... 7 pontos
Correcção linguística**......................................................... 5 pontos
Cenário de resposta
( Dada a natureza do item e as limitações de extensão não há um cenário rígido de resposta. Considera-se totalmente completa a resposta que contemple uma das críticas feitas aos Portugueses ( incultura, ingratidão, cobiça, avareza, materialismo etc)..., e a um dos povos europeus ( Reforma, Contra-Reforma, Anglicanismo, aceitação da religião muçulmana, Alcorão) desde que devidamente explicitados e fundamentados.
Aceita-se também, por exemplo, a referência ao Episódio do Velho do Restelo, desde que fundamentada.

Grupo II

1.......................................................................................................................30 pontos

Critérios específicos de classificação
Identificação inequívoca dos mecanismos de coesão interfrásica/ orações coordenadas e subordinadas.

São seis alíneas de resposta/ correspondência única, distribuindo-se equitativamente a clasificação, cinco pontos cada.

Cenário de resposta
1...........................h
2...........................f
3...........................g
4...........................c
5...........................b
6...........................a


2. ...........................................................................................................................20 pontos

Critérios específicos de classificação

Delimitação e classificação inequívoca de orações.

( Cada oração devidamente delimitada e classificada vale cinco pontos, distribuídos por um ponto para a delimitação e quatro pontos para a classificação de orações.)

Cenário de resposta
O degredado chegou a Calecute receoso- oração subordinante
Que foi enviado pelo Gama- Oração subordinada relativa restritiva com antecedente


Ainda que a saudação estivesse longe de ser das mais hospitaleiras- oração subordinada concessiva
todavia emocionou-o o som da língua pátria.”- oração coordenada adversativa

Grupo III

A produção de texto visa avaliar a expressão escrita do examinando.
Tratando-se de um item de resposta aberta extensa, no qual se requer um texto de reflexão, o
professor classificador deve observar, ao classificar o texto do examinando, o domínio das seguintes
capacidades:
– estruturação de um texto com recurso a estratégias discursivas adequadas à defesa de um
ponto de vista e reflectindo a operação prévia de uma planificação produtiva;
– elaboração de um texto coerente e coeso;
– produção de um discurso correcto nos planos lexical, morfológico, sintáctico, ortográfico e de
pontuação.

Critérios específicos de classificação
Estruturação temática e discursiva (C) * ………………..…………………………............... 30 pontos
Correcção linguística (F)** …………………………………………………………………. 20 pontos

Cenário de resposta
Dada a natureza deste item – de resposta aberta extensa –, não é apresentado cenário de resposta.

Factor específico de desvalorização relativo ao desvio dos limites de extensão
Sempre que o examinando não respeite os limites relativos ao número de palavras indicados na
instrução do item, deve ser descontado um (1) ponto por cada palavra (a mais ou a menos), até ao
máximo de cinco (1 x 5) pontos, depois de aplicados todos os critérios definidos para o item.
Nos casos em que, da aplicação deste factor de desvalorização, resultar uma classificação inferior a zero (0) pontos, é atribuída a essa resposta a classificação de zero (0) pontos.

Nota – Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2008/).


Critérios para classificação do item de ensaio/ composição/ resposta extensa
Tema /Tipologia Trata o tema e respeita a tipologia sem desvios.
Trata o tema e tipologia com ligeiros desvios que não os comprometem. Trata o tema mas afasta-se da tipologia.
Argumentação
Coerência/Pertinência
da informação Argumenta com eficácia, recorrendo a exemplos concretos e com informação ampla e diversificada.
Argumenta com alguma eficácia mas apresenta exemplos redundantes ou um só exemplo com informação suficiente. Argumenta com reduzida eficácia, não apresentando exemplos e com informação insuficiente.
Estruturação discursiva
Estrutura o texto, reflectindo planificação prévia e um domínio absoluto dos mecanismos de coesão textual. Estrutura o texto com domínio irregular dos mecanismos de coesão textual, nomeadamente pela estruturação linear. Redige um texto com estruturação muito deficiente, desprovido de
mecanismos elementares de coesão textual.
Repertório lexical Tem um repertório lexical com propriedade e variedade.
Tem um repertório lexical com propriedade e variedade razoáveis.
Tem repertório lexical elementar e restrito, não raro redundante e/ou
inadequado
Registo de língua Faz uso correcto do registo de língua adequado, eventualmente com esporádicos afastamentos, justificados pela intenção comunicativa mas devidamente apresentados. Faz uso razoável do registo de língua, eventualmente com esporádicos afastamentos, injustificados pela intenção comunicativa e indevidamente apresentados.


Utiliza indiferenciadamente registos de língua, sem manifestar
consciência do registo adequado ao texto, ou um único registo inadequado.
Nível 30-25 24-15 0-14

Factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística (F), das respostas abertas
curtas e extensas

• Por cada erro de sintaxe ou de impropriedade lexical são descontados dois (2) pontos.
• Por cada erro inequívoco de pontuação, ou por cada erro de ortografia (incluindo acentuação,
translineação e uso convencional de maiúscula) é descontado um (1) ponto.
• Por cada erro de ortografia repetido ao longo da prova (incluindo acentuação, translineação e uso convencional de maiúscula) deve proceder-se apenas a uma desvalorização.
• Os descontos por erro de utilização de letra maiúscula são efectuados até ao máximo de cinco
(5) pontos na totalidade da prova.
• Por cada erro de citação de texto (uso indevido ou não uso de aspas, ausência de indicador(es)
de corte de texto, etc.) ou de referência a uma obra (ausência de sublinhado ou não uso de aspas
no título, etc.) é descontado um ponto.
• Os descontos por erro de citação de texto ou de referência a uma obra são efectuados até ao
máximo de cinco (5) pontos na totalidade da prova.
• Os descontos por aplicação dos factores de desvalorização no domínio da organização e
correcção linguística são efectuados até ao limite das pontuações indicadas para este critério.

sábado, 1 de novembro de 2008

Funções sintácticas de constituintes frásicos e não-frásicos

Em Português, contrariamente ao Latim, salvo o caso dos pronomes pessoais, a
maioria das palavras não tem na sua flexão marcas atribuidoras de Caso, ou Função sintáctica. Por outro lado, embora a estrutura canónica da língua (SVO), nos permita por vezes inferir sobre essa função sintáctica, essa ordem varia frequentemente, logo a posição que uma determinada palavra ocupa na frase não é por si só determinante para atribuição de função sintáctica. Senão vejamos.

a) A Maria foi ao teatro.
b) Vi a Maria no teatro.
c) A Maria, vi-a no teatro.
d) Fui ao teatro com a Maria
e) Fui convidado para ir ao teatro pela Maria.

Nas Frases a) e c) o constituinte A Maria ocupa a mesma posição inicial em ambas as frases, mas em a) é Sujeito em b) é Complemento directo

Nas Frases d) e e) o constituinte A Maria ocupa a mesma posição final em ambas as frases, mas em d) não é agente como em e), em d) não é exigido pelo verbo mas em e) é ( Fui ao teatro- frase completa/ Fui convidado para ir ao teatro- frase incompleta).
Assim, conclui-se que a atribuição de Função sintáctica é determinada, quer pelo verbo( Flexão/ concordância/ tipos de sujeitos/agentes/ transitividade/ intransitividade que exige) e noutros casos por unidades lexicais que são o núcleo de constituintes ( à/ pela/ com/ no/ em (preposições)).

Frase =
Predicado Nominal/Sujeito( Nome/ frase) + Predicado Verbal ( Verbo+complementos/ Modificadores)

Predicado Nominal Predicado Verbal
O Rui bocejou
O Rui e o Pedro deram um livro à Teresa ontem
Quem vai para o mar avia-se em terra
Saber gramática é bom
Os livros que encomendei já chegaram
Que ele duvide dos melhores amigos não agrada à Maria

 Para identificação do Predicado verbal

Teste do também/ também não

Ex: O Rui e o Pedro deram um livro à Teresa e A Joana e o António também.

também= deram o livro à Teresa , logo é o Predicado verbal

 Para identificação de sujeitos nominais

Teste de substituição do constituinte pela forma tónica do pronome pessoal ( Ele(s)/ Ela(s)/ Nós/ Vós

Ex: Ele bocejou.
Eles deram um livro à Teresa ontem.
Eles já chegaram .

 Para identificação de sujeitos frásicos

Teste de substituição do constituinte pelo pronome demonstrativo Isso

Ex: Isso é bom.
Isso não agrada à Maria.



Tipologia de sujeitos nulos

 Para identificação de sujeitos subentendidos

Inserção da forma do pronome pessoal relevante, de acordo com a flexão verbal

Ex: ( ) Viram a Maria no teatro.( sujeito subentendido)
Eles viram a Maria no teatro.
( ) Fomos ao teatro. .( sujeito subentendido)
Nós fomos ao teatro.

 Para identificação de sujeitos indeterminados

Inserção da perífrase Há pessoas que/ Há quem

Ex: Pensa-se que os jovens não vão ao teatro porque é caro
Há quem pensa que os jovens não vão ao teatro porque é caro

Diz-se muitos disparates.
Há pessoas que dizem muitos disparates.


 Para identificação de sujeitos expletivos

Seleccionados por verbos impessoais, não podem ocorrer com nenhuma forma lexical/gramatical

Ex: Nevou em Lisboa, em Janeiro
* Ele nevou em Lisboa, em Janeiro
Il a neigé à Lisbonne, le dernier Janvier
It rains in Lisbon, in January




Funções sintácticas acessórias ao Sujeito

 Para identificação do Nome Predicativo do Sujeito

Os verbos Copulativos ( Ser, estar, permanecer, parecer, continuar, ficar, andar, ir , vir) que introduzam estados psicológicos). O Nome Predicativo Sujeito pode ser um Predicador nominal ou adjectival.

Ex: Ele é Médico.( Nome)
Tu estás contente.(Adj.)
Eu permaneço professor de português.(N.+N)
Ela parece uma actriz conhecida.N+Adj)
Nós continuamos um perigo ( expressão nominal qualitativa)
Eles ficam um espanto( expressão nominal qualitativa)
Vós andais cansados.(Adj.)
Eu vou desesperado. (Adj.)
Tu vens cansada.

 Para identificação do Modificador Adjectival ( Atributo)

É sempre atribuída por um adjectivo que não é exigido pelo constituinte sujeito que modifica.

Ex : As camisolas amarelas estão no armário. (As camisolas estão no armário.)
Dois dos meus simpáticos amigos são de Lisboa.(Dois dos meus amigos são de
Lisboa.)


 Para identificação do Modificador de Nome Apositivo( Aposto)

São de tipo nominal. Não são exigidos pelo constituinte que modificam, apresentam-se entre vírgulas.

Ex: D. Dinis, o trovador, mandou plantar o pinhal de Leiria.
D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, consolidou o território nacional.

 Para identificação do Modificador de Nome restritivo

São de tipo preposicional ou frásico. Integram-se no interior do constituinte com a função de Sujeito mas não são exigidos por ele.

Ex: O caminho de casa à escola é muito sinuoso.( tipo preposicional)
Os alunos que não estudam gramática não aprendem línguas estrangeiras.( tipo frásico)

 Para identificação do Complemento de Nome

São de tipo preposicional ou frásico. Integram-se no interior do constituinte com a função de Sujeito mas são exigidos por ele. Os primeiros podem ser substituídos por um adjectivo, os segundos por um nome.

Ex: Os exercícios de gramática desenvolvem raciocínio lógico. ( tipo preposicional)
Os exercícios gramaticais desenvolvem raciocínio lógico.

A ideia de estudar gramática apavorava-o.(tipo frásico)
A ideia de(o) estudo (da) gramática apavorava-o.

Funcões sintácticas internas ao grupo verbal( Predicado) Complementos e Modificadores


 Para identificação de Complementos directos

Podem ser de tipo nominal ou frásico. São exigidos por verbos transitivos directos ou declarativos, opinativos, sensitivos e volitivos. Os de tipo nominal são substituídos pela forma complemento directo do pronome pessoal (o, a, lo, la, no, na), os de tipo frásico pelo demonstrativo Isso, isto, aquilo em posição pós-verbal.


Ex: O aluno abriu a gramática.(tipo nominal) ( Verbo abrir= transitivo directo)
O aluno abriu-a.

O João pedirá a gramática de português ao Rui.
O João pedi-la-á ao Rui.
*O João pedi-la-á de português ao Rui.


O Tó afirma que aprendeu funções sintácticas. ( tipo frásico)( Verbo afirmar= declarativo)
O Tó afirma isso.

 Para identificação de Complementos indirectos

Podem ser de tipo nominal ou frásico. São exigidos por verbos transitivos indirectos. São substituidos pela forma complemento indirecto do pronome pessoal ( lhe, lhes).

Ex: O professor comunicou ao Rui que teria apoio.(tipo nominal)(comunicar=Verbo intransitivo)
O professor comunicou lhe que teria apoio.

O professor telefonou ao aluno que tinha faltado.(tipo frásico)(telefonar= verb. Intransitivo)
O professor telefonou-lhe.
*O professor telefonou-lhe que tinha faltado.

 Para identificação de Complementos preposicionais

São exigidos por verbos que pedem um complemento iniciado por uma preposição. Não podem ser substituídos por qualquer forma do pronome pessoal.

Ex: Ele retirou o livro da estante. ( Verbo retirar pede Comp.directo+ comp. Preposicional)
Nós saímos de casa ontem.( verbo sair só pede comp. Preposicional)
* Nós saímos-a ontem.
* Nós saímos-lhe ontem.

 Para identificação de Complementos Adverbiais

São exigidos por verbos que podem fazer-se acompanhar de um constituinte que tenha como núcleo um advérbio adjunto. Não podem ser substituídos por qualquer forma do pronome pessoal.

Ex: Ele está aqui.
*Ele está
Tu moras lá há muito tempo?
* Tu moras há muito tempo

O bicho da terra tão pequeno...” que somos!

(por Sofia Godinho, 12º3 ( 06-10-2008))


Camões contradiz-se, enaltecendo a Natureza humana para logo de seguida admitir a sua pequenez.
De certo modo, não poderia Camões ter feito de outra forma, porque somos de facto tão grandes e tão pequenos.
Do ponto de vista de Camões a grandeza e a pequenez do Homem resultam também do contexto histórico da época, visto que saímos de uma idade média obscura com a ideia de que está tudo descoberto e feito por Deus. Entramos no Renascimento e à medida que se perspectiva o cosmos, o conhecimento torna-se numa primeira análise, a grandeza do Homem, mas na grandeza do cosmos o Homem é pequeno.
No entanto, a meu ver, Camões vai ainda mais longe, pois a maior grandeza da espécie humana reside na capacidade de autoconhecimento e de autoavaliação que cada ser humano pode desenvolver sobre si próprio e da sociedade ou comunidade de que faz parte. Assim, tornamo-nos diferentes de todas as outras vidas que povoam o planeta, pois somos autoconscientes. Essa capacidade de tomarmos consciência de nós e do que nos rodeia permite-nos pelo menos desejar sempre mais e melhor. Essa sede de mais, tão característica da nossa espécie, é o que nos tem levado ao desenvolvimento. Sentimos curiosidade e desejamos sempre mais, aprendendo, inovando e criando, só assim saciamos os nossos desejos. Avaliamo-nos a nós e ao Mundo a que nos ligamos , reconhecemos as nossas faltas e, não obstante, sabemos tirar proveito das nossas qualidades, para nos aperfeiçoar. Evoluimos como pessoas, como espécie.
No entanto, toda essa grandeza é contraposta por uma pequenez infindavelmente pequena, passando o pleonasmo! Se a humanidade é grande, graças à abertura do seu pensamento, é pequena pela sua fragilidade física.
O Homem só, longe da presença de qualquer um dos seus muitos utensílios, é tão pequeno, tão insignicante e tão indefeso, quanto um grão de areia perdido numa praia, numa praia deserta, perdida num planeta pequeno, perdido num Universo estrondosamente grande.
A nossa fragilidade física condiciona-nos. Nascemos com menos defesas do que a maior parte dos seres vivos predadores, mas somos mais fortes que qualquer outro ser vivo porque soubemos aproveitar a grandeza do nosso pensamento para tirar partido de técnicas e utensílios que nos elevam. Contudo, não é só a fraqueza física do Homem que o torna pequeno e indefeso. Os vícios em que cai e o conformismo em que por vezes se enlaça bloqueiam o caminho em direcção à perfeição.
A vida está feita de tal forma, que a humanidade, no seu complexo paradoxo, tem, paralelamente à sua força e vontade para mudança, desenvolvimento e evolução, uma enorme predisposição para ser vítima do seu próprio conformismo.
Quero eu com isto dizer, que, se por um lado somos grandes por cada vez que reconhecemos o nosso “eu” e a nossa circunstância, somos também pequenos quando ao encontrar falhas, obstáculos, dificuldades, ao invés de mudarmos e apostarmos no nosso aperfeiçoamento, nos acomodamos e nos conformamos com a situação.
Dizia Fernando Pessoa, “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce.”, e esta é a maior grandeza que a humanidade tem.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Matriz (1º teste- 12º ano, turmas 3, 4, 6)

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
Português 12º ano
Matriz do 1º teste sumativo
( Outubro/ Novembro de 2008)
Prof. Euclides Rosa

Grupo I (100 pontos)
Objectivos
1. Compreender globalmente o texto.
2. Delimitar e justificar momentos / sequências de um excerto de um episódio d’” Os Lusíadas”.
3. Identificar narrador/ emissor/ interlocutores de diferentes discursos.
4. Caracterizar estados psicológicos e emotivos.
5.Identificar e explicar a expressividade e/ ou valor de:
- Recursos estilísticos.
- Tempos e modos verbais

Conteúdos
- Informação textual
- Estrutura externa e interna (planos, motivações para as reflexões).
- Críticas e conselhos aos portugueses, a Portugal e à Europa
- Conceito de herói renascentista
- Marcas discursivas/ modalização
- Narrador: ciência e presença
- Recursos estilísticos
- Tempos e modos verbais (valores)

Tipologia de Itens
A
- 4 itens de resposta fechada/curta
B
- 1 item de ensaio de extensão compreendida entre 100 e 120 palavras

( Avaliam-se também a competência de expressão escrita: estruturação discursiva e correcção linguística)

Grupo II ( 50 pontos)

Objectivos
1. Reconhecer valor de diferentes mecanismos de coesão interfrásica e textual (coordenação e subordinação).
2. Delimitar e identificar orações.
3. Distinguir conjunções e locuções de conectores e articuladores

Conteúdos
- Coesão interfrásica
- Conjunções e locuções coordenativas e subordinativas.
- Conectores e articuladores

Tipologia de item
- 1 item de associação, ligar colunas
- 1 item de delimitação ( duas frases complexas)

Grupo III (50 pontos)

Objectivos
- Aplicar uma técnica e /ou modelo de escrita
- Exprimir opiniões/ críticas.
- Argumentar e exemplificar.
- Manifestar competências de expressão escrita

Conteúdos
- Texto expositivo-argumentativo, de opinião sobre tema decorrente do programa
- Competências de expressão escrita

Tipologia de item
- Item de resposta aberta/extensa valorizada pela estruturação temática e discursiva e pela correcção linguística)

Nota importante: Só se aceitam testes realizados em folha própria e em caneta azul ou preta de tinta fixa.
A porta da sala fecha-se 5 minutos depois do toque de entrada e não se abre mais.
Não há esclarecimentos durante a prova.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FRASE COMPLEXA

Outubro de 2008

Frases complexas
(Síntese adaptada) apud Duarte, I. e Gonçalves, A.

1. Frase simples vs. Frase complexa

Frase simples – caracteriza-se pela ocorrência de um só verbo (cf. (1)) ou de um complexo verbal em que só um dos verbos é principal ou copulativo, sendo os restantes auxiliares (cf. (2) e (3)). Neste domínio encontram-se realizados o sujeito e os complementos exigidos pelo verbo principal ou pelo predicativo do sujeito.

(1) Os portugueses acabaram de chegar a Moçabique.
(2) a. Os portugueses têm tido muitas adversidades.
b. Vasco da Gama tem estado a rezar.
c. Durante todo este tempo, o Gama foi preso por um nativo.
d. Nos últimos dias, os nautas têm sido libertados aos poucos.

Frase complexa – caracteriza-se pela ocorrência de mais do que um verbo principal ou copulativo, encontrando-se realizados o sujeito e os complementos exigidos por cada um dos verbos principais ou pelo predicativo do sujeito.

(3) Vénus sabe que o Gama foi preso.
(4) A Citereia decidiu resolver todos os problemas da tipulação.
(5) A deusa romana mandou os nautas fugirem desse lugar.
(6) Enquanto os Moçambicanos dormiam, os nautas fugiam para as naus.
(7) Todos os indígenas que conheciam queriam panos e pregos.

2. Processos de formação de frases complexas: coordenação vs. subordinação

 Coordenação:

(a) aplica-se quer a domínios frásicos (cf. (8)) quer a categorias sintácticas não frásicas (cf. (9))

(8) O Gama fugiu e Baco ainda ficou em Moçambique.
(9) O Paulo da Gama e o Vasco da Gama são irmãos.
b. O comandante foi ao porão ou ao convés.
c. Paulo da Gama é franzino mas saudável.

(b) os termos coordenados não desempenham funções sintácticas um relativamente ao outro

(c) os termos coordenados têm muito pouca mobilidade

(10) a. O Paulo foi à Índia com o irmão mas não comandou aviagem.
b. *Mas não comandou a viagem, o Paulo foi à Índia .
(11) a. Baco provocou a cilada e o Gama caiu nela.
(12) b. * O Gama caiu nela, Baco provocou a cilada .

 Subordinação

(a) aplica-se apenas a domínios frásicos

(b) a oração subordinada desempenha sempre uma função sintáctica: sujeito (cf. (12)), complemento directo (cf. (13)), complemento indirecto (cf. (14)), complemento preposicional (cf. (15)) ou modificador (cf. (16))

(13) Quem vai ao mar arrisca-se a necessidades avorrecidas.
(14) Júpiter quer que todos os portugueses chegem à Índia.
(15) Deu favor celeste a quem provou merecê-lo.
(16) Baco, Neptuno e o Adamastor opuseram-se a que a odisseia lusitana se realizasse sem contratempos.
(17) Todos os outros deuses que participaram no consilio querem o mesmo destino para os portugueses
(c) as subordinadas completivas e as adverbiais têm mobilidade, podendo, por isso, facilmente ser deslocadas na frase

(17) a. Todos nós sabemos que Baco é um grande invejoso.
b. Que Baco é um grande invejoso todos nós sabemos.
(18) a. Baco bate no chão com o seu ceptro quando está aborrecido.
b. Quando está aborrecido, Baco bate no chão com o seu ceptro.

3. Estruturas de coordenação
 Caracterização geral

Para além dos aspectos enunciados no ponto 1, as estruturas coordenadas exibem ainda as seguintes propriedades:

(i) podem ser ligadas por diferentes tipos de conectores: pausas – representadas na escrita por vírgulas –, e conectores como as conjunções coordenativas; no primeiro caso a coordenação é assindética, no segundo, sindética

(19) As mães choravam, rezavam, imploravam ajuda divina.
(20) a. A esposa foi a Belém e o filho acompanhou-a.
b. A Mãe foi à despedida, porém o Pai ficou em casa.


(ii) Em alguns casos utilizam-se conjunções correlativas

(21) a. Ou ficas cá ou serás mantimento de peixes.
b. Nem o Gama saiu da nau nem a sua mãe foi ao cais.

 Tipologia

Tipo de estrutura coordenada Conectores
Copulativa ou aditiva: apresenta o valor básico de adição Conjunções copulativas simples: e, nem
Conj. copulativas correlativas: não só...mas também; não só...como; tanto...como
Disjuntiva ou alternativa: explicita-se uma escolha entre os elementos coordenados Conj. disjuntivas simples: ou
Conj. disjuntivas correlativas: ou...ou; ora...ora; quer...quer
Adversativa ou contrajuntiva: exprime um contraste entre os membros coordenados Conj. adversativas simples: mas
Outros: porém, todavia, contudo, no entanto
Conclusiva: estabelece-se uma relação de causa-efeito, sendo o membro encabeçado pelo conector o efeito ou a consequência Outros: assim, logo, pois, portanto, por isso, por conseguinte, por consequência


 Argumentos para a distinção entre conjunções e outros conectores (Matos, 2093: 569-574)
• As conjunções não podem mover-se no interior do membro coordenado, ao contrário do que acontece com outros conectores

(25) a. *O Velho do Restelo está exausto, pode, mas, discursar veementemente.
b. O Velho do Restelo está exausto, pode, porém, discursar veementemente.

• As conjunções podem co-ocorrer com outros conectores, o que não é esperado se se tratar de membros da mesma classe

(26) a. O país fica desprotegido e, por isso, pode ser atacado pelos vizinhos castelhanos.
b. *O país fica desprotegido e, mas, pode ser atacado pelos vizinhos castelhanos.


Conjunções vs Advérbios conectivos vs. Locuções conjuntivas




4. Estruturas de subordinação

 Propriedades gerais
Para além dos aspectos enunciados na secção 1, as orações subordinadas apresentam as seguintes propriedades:
(i) As subordinadas substantivas completivas e as adverbiais são sempre introduzidas por conjunções ou por locuções de subordinação; as subordinadas substantivas relativas e as subordinadas adjectivas são introduzidas por constituintes relativos.
(ii) São estruturas de encaixe, ou seja, a subordinada é um constituinte (essencial ou acessório) da frase superior.
(iii) O verbo da subordinada pode ocorrer no Indicativo, no Conjuntivo ou no Infinitivo, tendo em conta as propriedades formais da construção.

(27) a. Os nautas declararam que estavam hesitantes.
b. *Os nautas declararam que estivessem hesitantes.
(28) a. Os filhos querem que o pai não parta.
b. *Os filhos querem que o pai parte.
(29) a. Os lamentos que a esposa confessa são sempre tristíssimos.
b. *Os lamentos que a esposa confesse são sempre tristíssimos .
(30) a. Procuraram um padre que os confessasse.
b. Procuraram um padre que os confesse.
(31) a. Vasco da Gama saiu da capela quando a Mãe entrou / *entrasse.
b. Vasco da Gama sairá da capela quando a Mãe entrar / *entrará.

 Tipologia

(a) Subordinadas substantivas: ocupam posições típicas de expressões nominais, desempenhando funções sintácticas na frase.

• Completivas:  são seleccionadas por verbos, nomes e adjectivos;
 Podem desempenhar as funções sintácticas de sujeito, complemento directo e complemento preposicional;
 São tipicamente introduzidas por que, se (interrogativas indirectas) ou para (com verbos declarativos de ordem)

Seleccionadas por verbos e com a função sintáctica de

(i) sujeito
(32) a. Que o marinheiro tenha chorado surpreendeu-nos a todos.
b. Surpreendeu-nos a todos que o marinheiro tenha chorado.

(ii) complemento directo
(33) Vasco Da Gama decidiu que a tripulação não se despediria.


(iii) complemento preposicional
(37) Os meninos opuseram-se a que os pais partíssem sem eles.
(38) Os meninos recusaram-se a partir com os pais.

Seleccionadas por nomes e com a função sintáctica de

(i) sujeito
(39) É certo que ele não teve culpa da decisão do comandante.

Relativas sem antecedente (livres)
 Não têm antecedente expresso;
 Podem desempenhar as funções sintácticas de sujeito, complemento directo, complemento indirecto, complemento preposicional e modificador;
 O pronome relativo tem uma função sintáctica dentro da subordinada;
 Nelas não podem ocorrer os pronomes relativos que, cujo e o qual.

Com função de sujeito
(40) Quem vai ao mar perde o lugar.

Com função de complemento directo
(41) Deus adora quem reza por si.

Com função de complemento indirecto
(42) Dei um alento a quem mo pediu.


(b) Subordinadas adjectivas: ocupam posições típicas de adjectivos. São deste tipo as relativas com antecedente expresso.

 Propriedades

 Têm uma função sintáctica dentro do constituinte nominal em que se encontram – modificador restritivo ou apositivo, conforme o papel que desempenham na construção da referência da expressão que modificam;
 O pronome relativo tem uma função sintáctica dentro da oração subordinada a que pertence;
 O valor referencial do pronome relativo é fixado pelo antecedente

 Tipologia

• Subordinadas relativas restritivas: restringem a referência do nome que modificam, ou seja, definem um subconjunto de indivíduos a partir de um conjunto prévio; são designadas como modificadores restritivos

(43) As crianças que tinham pais destacados foram à praiade Belém.
 a partir do conjunto das crianças, define-se o subconjunto das que tinham os pais destacados ;

• Subordinadas relativas explicativas / apositivas: são modificadores apositivos, tendo como antecedente uma frase ou uma expressão nominal; neste último caso, não restringem a referência do nome que modificam, ou seja, não definem um subconjunto de indivíduos a partir de um conjunto prévio

(44) O marinheiro chegou atrasado, o que nos surpreendeu a todos.
(45) a. As crianças, que eram filhos dos marinheiros, foram à praia de Belém.


(c) Subordinadas adverbiais: ocupam posições típicas de advérbios;

 Propriedades

 Não são seleccionadas por qualquer item lexical, tendo, por isso, a função de modificadores;
 Ocorrem à esquerda ou à direita do restante material da frase;
(46) a. Enquanto a mãe chorava, o velho fez o discurso.
b. O velho fez o discurso, enquanto a mãe chorava.

 Nas adverbiais finitas, o modo (indicativo / conjuntivo) é seleccionado pela conjunção ou locução conjuntiva que introduz a oração
(56) a. O pai partiu embora estivesse / *estava doente.
b. O pai partiu porque não estava / *estivesse doente.

 Tipologia

ADVERBIAIS FINITAS ADVERBIAIS NÃO FINITAS
INDICATIVO CONJUNTIVO
CAUSAIS porque, como, que;
visto que, uma vez que, dado que dado / visto + infinitivo
 + gerúndio
 + particípio passado
CONDICIONAIS se, caso;
desde que a + infinitivo
CONCESSIVAS embora;
ainda que, se bem que apesar de + infinitivo
FINAIS para que Para / a fim de + infinitivo



Construções comparativas e consecutivas - a tradição gramatical luso-brasileira considera que estas construções instanciam também casos de subordinação adverbial (introdutores das comparativas: que, do que, (tal) qual; (tanto) quanto, como; assim como, bem como, como se, que nem; introdutores das consecutivas: que). Esta foi a opção da TLEBS.
(60) O Velho do Restelo pensa tão bem como fala.
(61) Ele é tão convincente que persuadiu alguns dos presentes.

domingo, 12 de outubro de 2008

Coesão interfrásica (teoria e exercícios)

Escola Secundária Rainha D. Leonor
Português - 12º Ano (Turma 3,4,6)
Professor: Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009

Coesão interfrásica- revisão

Teoria gramatical

- Só há coesão interfrásica quando as frases/orações que constituem uma frase complexa estabelecem entre si relações lógicas.
- A coesão interfrásica implica muitas vezes coesão verbal/ temporal (combinação de formas verbais em tempos e modos adequados, e também a coesão lexical, omissão/ elipse do sujeito de uma das frases orações, quando este é o mesmo de ambas, retoma anafórica de complementos directos e/ou indirectos, deixização de complementos e modificadores adverbiais, exprimindo circunstâncias de tempo e espaço.
- Uma frase complexa é constituída por duas proposições, podendo reescrever-se em duas frases simples.
- Quando as duas frases simples têm autonomia, estabelecem entre elas uma relação de coordenação,
-Quando existe dependência de uma frase/oração relativamente a outra, estamos perante uma relação de subordinação.
-Para dividir uma frase complexa em proposições, frases, orações, atente nas formas verbais conjugadas, pois elas determinam o número de orações existentes.
- Descubra o valor da conjunção/ locução conjuncional que interliga as orações pois é ela que lhe permitirá classificar as orações subordinadas.
Demonstração

A- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas se o país não atravessasse um período de decadência económica e socio-cultural.

B- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas porque/ visto que/ já que o país não atravessava um período de decadência económica e socio-cultural.

A é uma frase complexa com duas orações, resultantes da articulação de duas frases simples:
Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas.
O país não atravessava um período de decadência económica e socio- cultural.

Tem duas formas verbais conjugadas.
Se é a conjunção que relaciona as duas prposições / orações. Contudo não foi a hipótese/ possibilidade do país atravessar o período de decadência económica e socio-cultural que motivou a escrita da epopeia, essa situação é um facto tido como real. Assim, a conjunção Se não permite estabelecer uma relação lógica de sentido entre as orações, como acontece com as conjunções/ locuções conjuncionais porque/ visto que/ já que presentes em B.
A não tem coesão temporal/ modal, pois decidiu está no pretérito perfeito do indicativo e atravessasse no pretérito imperfeito do conjuntivo.
Já B, tem as duas formas verbais num tempo pretérito do modo indicativo, conseguindo a coesão temporal.

As orações iniciadas pela conjunção/ locução não frases de sentido completo, precisando da outra oração para o concretizar. Assim as primeiras da frase são designadasde subordinantes, as segundas, subordinadas.

Exercícios de treino
....................................................................................................................................................

Delimita as orações que constituem cada uma das frases complexas que se seguem.
Posteriormente procede à sua classificação.

1- Não sei se as reflexões do poeta assumem mais o contorno de críticas ou de conselhos dirigidos aos portugueses.
2- Há nelas uma exortação ao patriotismo persistente que nos impressiona.
3- Como é um verdadeiro poeta humanista, valoriza as capaciades do Homem, embora reconheça a fragilidade e efemeridade da vida humana.
4- Consegue mitificar o povo lusitano não só por comparação com o modelo de herói antigo mas também pela superlativização do seu valor que faz submeter os deuses à vontade humana.
5- Mal chegam a Moçambique, Baco consegue convencer o régulo de que os portugueses vêm para subjugar o seu povo.
6- A vida dos nautas lusitanos foi tão incerta no mar como na terra.
7- Para chegar à Índia, o “ bicho da terra tão pequeno” ora teve de aceitar os desígnios do “ Céu sereno”, ora se viu na obrigação de respeitar a força da natureza.
8- A dimensão heróica exemplar do povo lusíada intensifica-se, quando se reconhece a pequenez humana.
9- Os portugueses sempre mostraram determinação, persistência e coragem, por conseguinte tornaram-se de tal forma grandes que conseguiram feitos incompraváveis.
10- Houve, porém, quem não aceitasse e se opusesse às motivações e consequências da aventura marítima.
11- O velho do Restelo considerava que a empresa ultramarina era um negócio magro de despesa de fazendas e de destruição de famílias.
12- Enquanto os navegadores levavam a tristeza da separação, mas mantinham a esperança do regresso, os parentes, amigos e muitos dos que ficaram choravam já a sua ausência.
13- Ainda que seja um exercício crítico, como convinha a um escritor humanista, é a voz da consciência perante os riscos da aventura e a insatisfação do espírito humano.
14- O velho do Restelo não é uma personagem histórica, logo é um símbolo que representa a posição política dos que pretendem apenas a confirmação e fixação dos territórios já conquistados.
15- Caso não deixe também de simbolizar o tradicional medo do desconhecido e a habitual hesitação perante a novidade, Camões terá desejado que este velho contribuísse para a glorificação/ mitificação de um herói com convicções e ieias próprias.