quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Matriz (1º teste- 12º ano, turmas 3, 4, 6)

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
Português 12º ano
Matriz do 1º teste sumativo
( Outubro/ Novembro de 2008)
Prof. Euclides Rosa

Grupo I (100 pontos)
Objectivos
1. Compreender globalmente o texto.
2. Delimitar e justificar momentos / sequências de um excerto de um episódio d’” Os Lusíadas”.
3. Identificar narrador/ emissor/ interlocutores de diferentes discursos.
4. Caracterizar estados psicológicos e emotivos.
5.Identificar e explicar a expressividade e/ ou valor de:
- Recursos estilísticos.
- Tempos e modos verbais

Conteúdos
- Informação textual
- Estrutura externa e interna (planos, motivações para as reflexões).
- Críticas e conselhos aos portugueses, a Portugal e à Europa
- Conceito de herói renascentista
- Marcas discursivas/ modalização
- Narrador: ciência e presença
- Recursos estilísticos
- Tempos e modos verbais (valores)

Tipologia de Itens
A
- 4 itens de resposta fechada/curta
B
- 1 item de ensaio de extensão compreendida entre 100 e 120 palavras

( Avaliam-se também a competência de expressão escrita: estruturação discursiva e correcção linguística)

Grupo II ( 50 pontos)

Objectivos
1. Reconhecer valor de diferentes mecanismos de coesão interfrásica e textual (coordenação e subordinação).
2. Delimitar e identificar orações.
3. Distinguir conjunções e locuções de conectores e articuladores

Conteúdos
- Coesão interfrásica
- Conjunções e locuções coordenativas e subordinativas.
- Conectores e articuladores

Tipologia de item
- 1 item de associação, ligar colunas
- 1 item de delimitação ( duas frases complexas)

Grupo III (50 pontos)

Objectivos
- Aplicar uma técnica e /ou modelo de escrita
- Exprimir opiniões/ críticas.
- Argumentar e exemplificar.
- Manifestar competências de expressão escrita

Conteúdos
- Texto expositivo-argumentativo, de opinião sobre tema decorrente do programa
- Competências de expressão escrita

Tipologia de item
- Item de resposta aberta/extensa valorizada pela estruturação temática e discursiva e pela correcção linguística)

Nota importante: Só se aceitam testes realizados em folha própria e em caneta azul ou preta de tinta fixa.
A porta da sala fecha-se 5 minutos depois do toque de entrada e não se abre mais.
Não há esclarecimentos durante a prova.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FRASE COMPLEXA

Outubro de 2008

Frases complexas
(Síntese adaptada) apud Duarte, I. e Gonçalves, A.

1. Frase simples vs. Frase complexa

Frase simples – caracteriza-se pela ocorrência de um só verbo (cf. (1)) ou de um complexo verbal em que só um dos verbos é principal ou copulativo, sendo os restantes auxiliares (cf. (2) e (3)). Neste domínio encontram-se realizados o sujeito e os complementos exigidos pelo verbo principal ou pelo predicativo do sujeito.

(1) Os portugueses acabaram de chegar a Moçabique.
(2) a. Os portugueses têm tido muitas adversidades.
b. Vasco da Gama tem estado a rezar.
c. Durante todo este tempo, o Gama foi preso por um nativo.
d. Nos últimos dias, os nautas têm sido libertados aos poucos.

Frase complexa – caracteriza-se pela ocorrência de mais do que um verbo principal ou copulativo, encontrando-se realizados o sujeito e os complementos exigidos por cada um dos verbos principais ou pelo predicativo do sujeito.

(3) Vénus sabe que o Gama foi preso.
(4) A Citereia decidiu resolver todos os problemas da tipulação.
(5) A deusa romana mandou os nautas fugirem desse lugar.
(6) Enquanto os Moçambicanos dormiam, os nautas fugiam para as naus.
(7) Todos os indígenas que conheciam queriam panos e pregos.

2. Processos de formação de frases complexas: coordenação vs. subordinação

 Coordenação:

(a) aplica-se quer a domínios frásicos (cf. (8)) quer a categorias sintácticas não frásicas (cf. (9))

(8) O Gama fugiu e Baco ainda ficou em Moçambique.
(9) O Paulo da Gama e o Vasco da Gama são irmãos.
b. O comandante foi ao porão ou ao convés.
c. Paulo da Gama é franzino mas saudável.

(b) os termos coordenados não desempenham funções sintácticas um relativamente ao outro

(c) os termos coordenados têm muito pouca mobilidade

(10) a. O Paulo foi à Índia com o irmão mas não comandou aviagem.
b. *Mas não comandou a viagem, o Paulo foi à Índia .
(11) a. Baco provocou a cilada e o Gama caiu nela.
(12) b. * O Gama caiu nela, Baco provocou a cilada .

 Subordinação

(a) aplica-se apenas a domínios frásicos

(b) a oração subordinada desempenha sempre uma função sintáctica: sujeito (cf. (12)), complemento directo (cf. (13)), complemento indirecto (cf. (14)), complemento preposicional (cf. (15)) ou modificador (cf. (16))

(13) Quem vai ao mar arrisca-se a necessidades avorrecidas.
(14) Júpiter quer que todos os portugueses chegem à Índia.
(15) Deu favor celeste a quem provou merecê-lo.
(16) Baco, Neptuno e o Adamastor opuseram-se a que a odisseia lusitana se realizasse sem contratempos.
(17) Todos os outros deuses que participaram no consilio querem o mesmo destino para os portugueses
(c) as subordinadas completivas e as adverbiais têm mobilidade, podendo, por isso, facilmente ser deslocadas na frase

(17) a. Todos nós sabemos que Baco é um grande invejoso.
b. Que Baco é um grande invejoso todos nós sabemos.
(18) a. Baco bate no chão com o seu ceptro quando está aborrecido.
b. Quando está aborrecido, Baco bate no chão com o seu ceptro.

3. Estruturas de coordenação
 Caracterização geral

Para além dos aspectos enunciados no ponto 1, as estruturas coordenadas exibem ainda as seguintes propriedades:

(i) podem ser ligadas por diferentes tipos de conectores: pausas – representadas na escrita por vírgulas –, e conectores como as conjunções coordenativas; no primeiro caso a coordenação é assindética, no segundo, sindética

(19) As mães choravam, rezavam, imploravam ajuda divina.
(20) a. A esposa foi a Belém e o filho acompanhou-a.
b. A Mãe foi à despedida, porém o Pai ficou em casa.


(ii) Em alguns casos utilizam-se conjunções correlativas

(21) a. Ou ficas cá ou serás mantimento de peixes.
b. Nem o Gama saiu da nau nem a sua mãe foi ao cais.

 Tipologia

Tipo de estrutura coordenada Conectores
Copulativa ou aditiva: apresenta o valor básico de adição Conjunções copulativas simples: e, nem
Conj. copulativas correlativas: não só...mas também; não só...como; tanto...como
Disjuntiva ou alternativa: explicita-se uma escolha entre os elementos coordenados Conj. disjuntivas simples: ou
Conj. disjuntivas correlativas: ou...ou; ora...ora; quer...quer
Adversativa ou contrajuntiva: exprime um contraste entre os membros coordenados Conj. adversativas simples: mas
Outros: porém, todavia, contudo, no entanto
Conclusiva: estabelece-se uma relação de causa-efeito, sendo o membro encabeçado pelo conector o efeito ou a consequência Outros: assim, logo, pois, portanto, por isso, por conseguinte, por consequência


 Argumentos para a distinção entre conjunções e outros conectores (Matos, 2093: 569-574)
• As conjunções não podem mover-se no interior do membro coordenado, ao contrário do que acontece com outros conectores

(25) a. *O Velho do Restelo está exausto, pode, mas, discursar veementemente.
b. O Velho do Restelo está exausto, pode, porém, discursar veementemente.

• As conjunções podem co-ocorrer com outros conectores, o que não é esperado se se tratar de membros da mesma classe

(26) a. O país fica desprotegido e, por isso, pode ser atacado pelos vizinhos castelhanos.
b. *O país fica desprotegido e, mas, pode ser atacado pelos vizinhos castelhanos.


Conjunções vs Advérbios conectivos vs. Locuções conjuntivas




4. Estruturas de subordinação

 Propriedades gerais
Para além dos aspectos enunciados na secção 1, as orações subordinadas apresentam as seguintes propriedades:
(i) As subordinadas substantivas completivas e as adverbiais são sempre introduzidas por conjunções ou por locuções de subordinação; as subordinadas substantivas relativas e as subordinadas adjectivas são introduzidas por constituintes relativos.
(ii) São estruturas de encaixe, ou seja, a subordinada é um constituinte (essencial ou acessório) da frase superior.
(iii) O verbo da subordinada pode ocorrer no Indicativo, no Conjuntivo ou no Infinitivo, tendo em conta as propriedades formais da construção.

(27) a. Os nautas declararam que estavam hesitantes.
b. *Os nautas declararam que estivessem hesitantes.
(28) a. Os filhos querem que o pai não parta.
b. *Os filhos querem que o pai parte.
(29) a. Os lamentos que a esposa confessa são sempre tristíssimos.
b. *Os lamentos que a esposa confesse são sempre tristíssimos .
(30) a. Procuraram um padre que os confessasse.
b. Procuraram um padre que os confesse.
(31) a. Vasco da Gama saiu da capela quando a Mãe entrou / *entrasse.
b. Vasco da Gama sairá da capela quando a Mãe entrar / *entrará.

 Tipologia

(a) Subordinadas substantivas: ocupam posições típicas de expressões nominais, desempenhando funções sintácticas na frase.

• Completivas:  são seleccionadas por verbos, nomes e adjectivos;
 Podem desempenhar as funções sintácticas de sujeito, complemento directo e complemento preposicional;
 São tipicamente introduzidas por que, se (interrogativas indirectas) ou para (com verbos declarativos de ordem)

Seleccionadas por verbos e com a função sintáctica de

(i) sujeito
(32) a. Que o marinheiro tenha chorado surpreendeu-nos a todos.
b. Surpreendeu-nos a todos que o marinheiro tenha chorado.

(ii) complemento directo
(33) Vasco Da Gama decidiu que a tripulação não se despediria.


(iii) complemento preposicional
(37) Os meninos opuseram-se a que os pais partíssem sem eles.
(38) Os meninos recusaram-se a partir com os pais.

Seleccionadas por nomes e com a função sintáctica de

(i) sujeito
(39) É certo que ele não teve culpa da decisão do comandante.

Relativas sem antecedente (livres)
 Não têm antecedente expresso;
 Podem desempenhar as funções sintácticas de sujeito, complemento directo, complemento indirecto, complemento preposicional e modificador;
 O pronome relativo tem uma função sintáctica dentro da subordinada;
 Nelas não podem ocorrer os pronomes relativos que, cujo e o qual.

Com função de sujeito
(40) Quem vai ao mar perde o lugar.

Com função de complemento directo
(41) Deus adora quem reza por si.

Com função de complemento indirecto
(42) Dei um alento a quem mo pediu.


(b) Subordinadas adjectivas: ocupam posições típicas de adjectivos. São deste tipo as relativas com antecedente expresso.

 Propriedades

 Têm uma função sintáctica dentro do constituinte nominal em que se encontram – modificador restritivo ou apositivo, conforme o papel que desempenham na construção da referência da expressão que modificam;
 O pronome relativo tem uma função sintáctica dentro da oração subordinada a que pertence;
 O valor referencial do pronome relativo é fixado pelo antecedente

 Tipologia

• Subordinadas relativas restritivas: restringem a referência do nome que modificam, ou seja, definem um subconjunto de indivíduos a partir de um conjunto prévio; são designadas como modificadores restritivos

(43) As crianças que tinham pais destacados foram à praiade Belém.
 a partir do conjunto das crianças, define-se o subconjunto das que tinham os pais destacados ;

• Subordinadas relativas explicativas / apositivas: são modificadores apositivos, tendo como antecedente uma frase ou uma expressão nominal; neste último caso, não restringem a referência do nome que modificam, ou seja, não definem um subconjunto de indivíduos a partir de um conjunto prévio

(44) O marinheiro chegou atrasado, o que nos surpreendeu a todos.
(45) a. As crianças, que eram filhos dos marinheiros, foram à praia de Belém.


(c) Subordinadas adverbiais: ocupam posições típicas de advérbios;

 Propriedades

 Não são seleccionadas por qualquer item lexical, tendo, por isso, a função de modificadores;
 Ocorrem à esquerda ou à direita do restante material da frase;
(46) a. Enquanto a mãe chorava, o velho fez o discurso.
b. O velho fez o discurso, enquanto a mãe chorava.

 Nas adverbiais finitas, o modo (indicativo / conjuntivo) é seleccionado pela conjunção ou locução conjuntiva que introduz a oração
(56) a. O pai partiu embora estivesse / *estava doente.
b. O pai partiu porque não estava / *estivesse doente.

 Tipologia

ADVERBIAIS FINITAS ADVERBIAIS NÃO FINITAS
INDICATIVO CONJUNTIVO
CAUSAIS porque, como, que;
visto que, uma vez que, dado que dado / visto + infinitivo
 + gerúndio
 + particípio passado
CONDICIONAIS se, caso;
desde que a + infinitivo
CONCESSIVAS embora;
ainda que, se bem que apesar de + infinitivo
FINAIS para que Para / a fim de + infinitivo



Construções comparativas e consecutivas - a tradição gramatical luso-brasileira considera que estas construções instanciam também casos de subordinação adverbial (introdutores das comparativas: que, do que, (tal) qual; (tanto) quanto, como; assim como, bem como, como se, que nem; introdutores das consecutivas: que). Esta foi a opção da TLEBS.
(60) O Velho do Restelo pensa tão bem como fala.
(61) Ele é tão convincente que persuadiu alguns dos presentes.

domingo, 12 de outubro de 2008

Coesão interfrásica (teoria e exercícios)

Escola Secundária Rainha D. Leonor
Português - 12º Ano (Turma 3,4,6)
Professor: Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009

Coesão interfrásica- revisão

Teoria gramatical

- Só há coesão interfrásica quando as frases/orações que constituem uma frase complexa estabelecem entre si relações lógicas.
- A coesão interfrásica implica muitas vezes coesão verbal/ temporal (combinação de formas verbais em tempos e modos adequados, e também a coesão lexical, omissão/ elipse do sujeito de uma das frases orações, quando este é o mesmo de ambas, retoma anafórica de complementos directos e/ou indirectos, deixização de complementos e modificadores adverbiais, exprimindo circunstâncias de tempo e espaço.
- Uma frase complexa é constituída por duas proposições, podendo reescrever-se em duas frases simples.
- Quando as duas frases simples têm autonomia, estabelecem entre elas uma relação de coordenação,
-Quando existe dependência de uma frase/oração relativamente a outra, estamos perante uma relação de subordinação.
-Para dividir uma frase complexa em proposições, frases, orações, atente nas formas verbais conjugadas, pois elas determinam o número de orações existentes.
- Descubra o valor da conjunção/ locução conjuncional que interliga as orações pois é ela que lhe permitirá classificar as orações subordinadas.
Demonstração

A- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas se o país não atravessasse um período de decadência económica e socio-cultural.

B- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas porque/ visto que/ já que o país não atravessava um período de decadência económica e socio-cultural.

A é uma frase complexa com duas orações, resultantes da articulação de duas frases simples:
Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas.
O país não atravessava um período de decadência económica e socio- cultural.

Tem duas formas verbais conjugadas.
Se é a conjunção que relaciona as duas prposições / orações. Contudo não foi a hipótese/ possibilidade do país atravessar o período de decadência económica e socio-cultural que motivou a escrita da epopeia, essa situação é um facto tido como real. Assim, a conjunção Se não permite estabelecer uma relação lógica de sentido entre as orações, como acontece com as conjunções/ locuções conjuncionais porque/ visto que/ já que presentes em B.
A não tem coesão temporal/ modal, pois decidiu está no pretérito perfeito do indicativo e atravessasse no pretérito imperfeito do conjuntivo.
Já B, tem as duas formas verbais num tempo pretérito do modo indicativo, conseguindo a coesão temporal.

As orações iniciadas pela conjunção/ locução não frases de sentido completo, precisando da outra oração para o concretizar. Assim as primeiras da frase são designadasde subordinantes, as segundas, subordinadas.

Exercícios de treino
....................................................................................................................................................

Delimita as orações que constituem cada uma das frases complexas que se seguem.
Posteriormente procede à sua classificação.

1- Não sei se as reflexões do poeta assumem mais o contorno de críticas ou de conselhos dirigidos aos portugueses.
2- Há nelas uma exortação ao patriotismo persistente que nos impressiona.
3- Como é um verdadeiro poeta humanista, valoriza as capaciades do Homem, embora reconheça a fragilidade e efemeridade da vida humana.
4- Consegue mitificar o povo lusitano não só por comparação com o modelo de herói antigo mas também pela superlativização do seu valor que faz submeter os deuses à vontade humana.
5- Mal chegam a Moçambique, Baco consegue convencer o régulo de que os portugueses vêm para subjugar o seu povo.
6- A vida dos nautas lusitanos foi tão incerta no mar como na terra.
7- Para chegar à Índia, o “ bicho da terra tão pequeno” ora teve de aceitar os desígnios do “ Céu sereno”, ora se viu na obrigação de respeitar a força da natureza.
8- A dimensão heróica exemplar do povo lusíada intensifica-se, quando se reconhece a pequenez humana.
9- Os portugueses sempre mostraram determinação, persistência e coragem, por conseguinte tornaram-se de tal forma grandes que conseguiram feitos incompraváveis.
10- Houve, porém, quem não aceitasse e se opusesse às motivações e consequências da aventura marítima.
11- O velho do Restelo considerava que a empresa ultramarina era um negócio magro de despesa de fazendas e de destruição de famílias.
12- Enquanto os navegadores levavam a tristeza da separação, mas mantinham a esperança do regresso, os parentes, amigos e muitos dos que ficaram choravam já a sua ausência.
13- Ainda que seja um exercício crítico, como convinha a um escritor humanista, é a voz da consciência perante os riscos da aventura e a insatisfação do espírito humano.
14- O velho do Restelo não é uma personagem histórica, logo é um símbolo que representa a posição política dos que pretendem apenas a confirmação e fixação dos territórios já conquistados.
15- Caso não deixe também de simbolizar o tradicional medo do desconhecido e a habitual hesitação perante a novidade, Camões terá desejado que este velho contribuísse para a glorificação/ mitificação de um herói com convicções e ieias próprias.

Avaliação do Oral preparado

Prof:Euclides ( turmas 12º3, 4, 6) Ano Lectivo: 2008/2009
Propostas de temas


No primeiro e segundo períodos, cada um dos alunos opta por um tema livre ou um dos que a seguir se propõem. No terceiro período a avaliação do oral preparado incidirá sobre um tema específico (autor, obra, corrente literária, temáticas/ conteúdos literários) previstos no programa.
Antecede a apresentação de qualquer destes trabalhos, a entrega ao professor do seu respectivo plano que terá de mencionar conteúdos; claro está que, aquando da pesquisa, este pode ser reformulado, título e a respectiva bibliografia.
No sentido de estabelecer o intercâmbio de conhecimentos, pesquisas e opiniões, sem imposições, gostaria que todos os alunos criassem um texto argumentativo e/ ou expositivo a publicar no Blog.
Temas decorrentes do programa

A- A viagem(ns) como forma de conhecimento.
B- Religião(ões), mitos, superstições, adivinhos, oráculos, curandeiros.
C- A relação Homem/ Natureza.
D- Espaços públicos/ espaços privados.
E- A aldeia e a cidade.
F- Aldeia global: industrialização e informação.
G- Cultura(s), civilizações e tradições.
H- Sistemas/ regimes políticos.
I- Partidarismo, sindicalismo e associativismo.
J- Organizações humanitárias, ONG ( organizações não governamentais).
K- A educação ontem e hoje.
L- Gerações/ conflitos intergeracionais.
M- Analfabetismo e literacia.
N- A(s) Língua(s), perturbações da linguagem.
O- A ciência: ciências exactas/ ciências sociais e humanas.
P- Artes: educação artística.
Q- Música: educação musical.
R- Literatura: educação literária.
S- Tecnologia: educação tecnológica, ofícios, artesãos/ artesanato.
T- Os Media/ a publicidade.
U- O cinema, o teatro.
V- O livro.
W- Museus, galerias, bibliotecas e afins.
X- Leitura.
Y- Escrita(s).
Z- Comunicação verbal/ não verbal, gestual.

sábado, 14 de junho de 2008

Produções escritas/ treino exame

Propostas de produção escrita (item do programa)

I- A importância da literatura e do teatro como instrumento de libertação humana é um pressuposto inerente à escrita de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.

II- É fácil concluir, após a leitura de Felizmente Há Luar!, que estamos perante um exemplo do designado teatro histórico/épico que assume, no entanto, uma faceta nova: a peça não se destina à representação tout court de uma acção ou de uma personagem histórica, mas sim, à reflexão sobre o presente partindo da figuração de um momento da história passada que com o presente mantem uma relação analógica.
Num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fazendo referências concretas à obra, demonstra a validade da tese acima exposta.

III- O Memorial, sendo-o embora de um convento, é-o sobretudo d uma época da qual se esqueceu a outra face composta por gente anónima cuja importância o narrador tenta perpetuar....
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, comenta o juízo crítico apresentado, fundamentando-te na tua experiência de leitura.

IV- A situação feminina no século xvIII português, principalmente no que diz respeito à vivência da sexualidade e do casamento, é aboradada de uma forma contrastiva ao longo do romance Memorial do Convento.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.

V- O projecto da passarola só está presente em Memorial do Convento como modelo de organização e de sentido(s) que deve nortear qualquer obra.
Comente a frase acima apresentada num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fundamentado na sua leitura da obra.

VI- Memorial do Convento é uma romance de intervenção que critica todos os poderes instituídos que se constroem subjugando sempre a mesma vítima, o povo.
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, escolha um apecto alvo de crítica no romance em questão, fundamentando a sua escolha com pelo menos três argumentos/ referêcias á obra.



Propostas de produção escrita (item genérico)

I- O impacto da globalização nos países ricos, sentido através de mais importações, deslocalizações de produção e imigração, desencadeou também a contenção nos salários e na criação de emprego.
Por outro lado, não nos esqueçamos que foi a globalização que permitiu a reformulação das estruturas tradicionais económicas e de trabalho .
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras reflicta sobre as consequências positivas e/ou negativas da globalização, justificando o seu ponto de vista com pelo menos três argumentos.

II- A cultura clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pela tradição e pela escola por uma outra forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap, o tecno.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, apresente uma reflexão fundamentada em três argumentos, sobre a tese acima apresentada relativa às novas preferências culturais dos jovens.

III- Desde o século XV, que se reconhece no povo português o espírito de aventura, de andanças, de ousadias de alguém que parece não conseguir fixar-se neste pequeno jardim à beira- mar plantado.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: Os portugueses e a diáspora.

IV- Ao longo da história da humanidade, a natureza e todos os fenómenos naturais têm-se apresentado ao homem como um eterno inimigo com o qual, no entanto, é preciso algum respeito e cuidado. Afinal, temo-la vencida, ou ela só se têm dissimulado, atacando-nos, quando menos esperamos?
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: A eterna luta Homem/ Natureza.







Propostas de produção escrita (Pessoa e heterónimos)

I- “ Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam/ dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo contínuo...” Odes Ricardo Reis
Partindo do excerto acima transcrito e do seu conhecimento de Fernando Pessoa, mostre a postura e atitude de Reis perante as vicissitudes da vida.

II- Não ultrapassando as 150 palavras, explicite a importância de Alberto Caeiro no âmbito da produção literária de Pessoa.

III- Álvaro de Campos é a ruptura na forma e no conteúdo com os padrões estéticos-literários anteriores ao modernismo.
Num texto expositivo-argumentativo, explicite quatro aspectos de forma e de conteúdo que fazem a inovação da poética de Campos.

IV- Fernando Pessoa Ortónimo exibe um percurso literário que, embora de temáticas variadas, tem uma coesão lógica e coerente de pensamento.
Num texto expositivo-argumentativo não ultrapassando as 150 palavras, apresente a temática que considere mais relevante em Pessoa Ortónimo, justificando a sua opção com referência a poemas que a ilustrem.

terça-feira, 3 de junho de 2008

teste Mensagem

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS

Lê o texto com atenção:


O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


GRUPO I

1. Distingue no poema as suas partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma, mostrando como se articulam.

2. “ O Infante surge mais como um símbolo do herói português escolhido por Deus para agente da sua vontade do que como ser individual.”
Transcreve todas as expressões que podem comprovar esta afirmação.

3. Justifica a alternância de tempos verbais ao longo do poema.

4. Relaciona o sentido dos dois últimos versos com o carácter profético da “ Mensagem” e com a estrutura da própria obra.



5. “ E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir redonda, do azul profundo.” ( O Infante)

“ Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos” ( Horizonte)

“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “ ( Mar Português)

5.1. Com base nos versos acima transcritos, num pequeno texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, explicita os aspectos da epopeia marítima dos portugueses mais valorizados.


GRUPO II

A

Apesar dos aspectos comuns à Mensagem e a Os Lusíadas, os elementos estruturantes das duas obras (forma e conteúdo) são marcado pela diferença de quatro séculos que separa os autores, bem como pelas diferentes atitudes face á História de Portugal.

Iniciando um texto expositivo-argumentativo pelo parágrafo acima transcrito, apresente semelhanças e diferenças significativas entre as duas obras.

B

“ Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena”
“ Sem a loucura que é o homem/ mais que besta sadia, / cadáver adiado que procria? “
“ Triste de quem é feliz! / Ser descontente é ser homem”.

A partir dos versos acima transcritos e integrando-os na dissertação que vai produzir, mostre de que forma espelham o ideal humanista do homem do renascimento.

teste lusíadas

ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS

Lê o texto com atenção:


Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.

Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena;

Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.

E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.

Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!

Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.

Camões, Os Lusíadas

GRUPO I
1. Seguem-se várias afirmações sobre o texto que acabste de ler. Diz se são verdadeiras ou falsas e corrige as falsas de modo a torná-las verdadeiras:

a) Esta invocação situa-se no final do canto VII, antes de Paulo da Gama começar a falar das figuras da História de Portugal representadas nas bandeiras.
b) Camões invoca as Ninfas do Tejo e do Mondego, porque se encontra em perigo de naufragar no mar alto e perder Os Lusíadas.
c) Há já muito tempo que o poeta canta os lusitanos, tendo entretanto passado por muitos perigos e dificuldades.
d) O verso “ Numa mão sempre a espada noutra a pena” traduz bem o conceito de herói renascentista.
e) As misérias sofridas pelo poeta foram recompensadas com descansos e coroas de louro.
f) O modo como os portugueses tratam o poeta é um grande estímulo para outros escritores que queiram celebrar os grandes feitos lusitanos.
g) Camões jura que, se tiver o favor das ninfas inspiradoras, só louvará aqueles que o mereçam.

2. Caracterize o estado de espírito do poeta ao longo da reflexão, servindo-se de expressões textuais.
2.1. Indique dois motivos que estão na origem desse estado de espírito.

3. Mostre, a partir da última estrofe, em que medida a epopeia camoniana foge ao objectivo primordial deste sub-género literário.

GRUPO II

1. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “que navego Por alto mar, com vento tão contrário”
a) é uma oração subordinada concessiva.
2) “ que hei grande medo” b) é uma oração subordinada condicional.
3) “Que o meu fraco batel se alague cedo.”
c) é uma oração subordinada completiva.
4) “ se não me ajudais” d) é uma oração subordinada relativa restritiva com antecente.

2. Considera a frase que se segue:
“Vede, Ninfas, que engenhos de senhores/ O vosso Tejo cria valerosos,/ Que assi sabem prezar, com tais favores,/ A quem os faz, cantando, gloriosos!”

2.1. Identifica a cadeia de referência aí presente.

2.2. Indica o mecanismo de coesão lexical que a frase exibe.

2.3. Transcreve a oração subordinada relativa restritiva sem atecedente.
GRUPO III


A

Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, apresente o conceito de herói defendido por Camões em Os Lusíadas, enriquecendo a sua produção com referências concretas à obra.


B

Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, avalie a pertinência de Os Lusíadas no contexto histórico-cultural em que surgem, fazendo referências aos aspectos que são elogiados e aos que são criticados.