Escola Secundária Rainha D. Leonor
Português - 12º Ano (Turma 3,4,6)
Professor: Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009
Coesão interfrásica- revisão
Teoria gramatical
- Só há coesão interfrásica quando as frases/orações que constituem uma frase complexa estabelecem entre si relações lógicas.
- A coesão interfrásica implica muitas vezes coesão verbal/ temporal (combinação de formas verbais em tempos e modos adequados, e também a coesão lexical, omissão/ elipse do sujeito de uma das frases orações, quando este é o mesmo de ambas, retoma anafórica de complementos directos e/ou indirectos, deixização de complementos e modificadores adverbiais, exprimindo circunstâncias de tempo e espaço.
- Uma frase complexa é constituída por duas proposições, podendo reescrever-se em duas frases simples.
- Quando as duas frases simples têm autonomia, estabelecem entre elas uma relação de coordenação,
-Quando existe dependência de uma frase/oração relativamente a outra, estamos perante uma relação de subordinação.
-Para dividir uma frase complexa em proposições, frases, orações, atente nas formas verbais conjugadas, pois elas determinam o número de orações existentes.
- Descubra o valor da conjunção/ locução conjuncional que interliga as orações pois é ela que lhe permitirá classificar as orações subordinadas.
Demonstração
A- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas se o país não atravessasse um período de decadência económica e socio-cultural.
B- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas porque/ visto que/ já que o país não atravessava um período de decadência económica e socio-cultural.
A é uma frase complexa com duas orações, resultantes da articulação de duas frases simples:
Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas.
O país não atravessava um período de decadência económica e socio- cultural.
Tem duas formas verbais conjugadas.
Se é a conjunção que relaciona as duas prposições / orações. Contudo não foi a hipótese/ possibilidade do país atravessar o período de decadência económica e socio-cultural que motivou a escrita da epopeia, essa situação é um facto tido como real. Assim, a conjunção Se não permite estabelecer uma relação lógica de sentido entre as orações, como acontece com as conjunções/ locuções conjuncionais porque/ visto que/ já que presentes em B.
A não tem coesão temporal/ modal, pois decidiu está no pretérito perfeito do indicativo e atravessasse no pretérito imperfeito do conjuntivo.
Já B, tem as duas formas verbais num tempo pretérito do modo indicativo, conseguindo a coesão temporal.
As orações iniciadas pela conjunção/ locução não frases de sentido completo, precisando da outra oração para o concretizar. Assim as primeiras da frase são designadasde subordinantes, as segundas, subordinadas.
Exercícios de treino
....................................................................................................................................................
Delimita as orações que constituem cada uma das frases complexas que se seguem.
Posteriormente procede à sua classificação.
1- Não sei se as reflexões do poeta assumem mais o contorno de críticas ou de conselhos dirigidos aos portugueses.
2- Há nelas uma exortação ao patriotismo persistente que nos impressiona.
3- Como é um verdadeiro poeta humanista, valoriza as capaciades do Homem, embora reconheça a fragilidade e efemeridade da vida humana.
4- Consegue mitificar o povo lusitano não só por comparação com o modelo de herói antigo mas também pela superlativização do seu valor que faz submeter os deuses à vontade humana.
5- Mal chegam a Moçambique, Baco consegue convencer o régulo de que os portugueses vêm para subjugar o seu povo.
6- A vida dos nautas lusitanos foi tão incerta no mar como na terra.
7- Para chegar à Índia, o “ bicho da terra tão pequeno” ora teve de aceitar os desígnios do “ Céu sereno”, ora se viu na obrigação de respeitar a força da natureza.
8- A dimensão heróica exemplar do povo lusíada intensifica-se, quando se reconhece a pequenez humana.
9- Os portugueses sempre mostraram determinação, persistência e coragem, por conseguinte tornaram-se de tal forma grandes que conseguiram feitos incompraváveis.
10- Houve, porém, quem não aceitasse e se opusesse às motivações e consequências da aventura marítima.
11- O velho do Restelo considerava que a empresa ultramarina era um negócio magro de despesa de fazendas e de destruição de famílias.
12- Enquanto os navegadores levavam a tristeza da separação, mas mantinham a esperança do regresso, os parentes, amigos e muitos dos que ficaram choravam já a sua ausência.
13- Ainda que seja um exercício crítico, como convinha a um escritor humanista, é a voz da consciência perante os riscos da aventura e a insatisfação do espírito humano.
14- O velho do Restelo não é uma personagem histórica, logo é um símbolo que representa a posição política dos que pretendem apenas a confirmação e fixação dos territórios já conquistados.
15- Caso não deixe também de simbolizar o tradicional medo do desconhecido e a habitual hesitação perante a novidade, Camões terá desejado que este velho contribuísse para a glorificação/ mitificação de um herói com convicções e ieias próprias.
domingo, 12 de outubro de 2008
Avaliação do Oral preparado
Prof:Euclides ( turmas 12º3, 4, 6) Ano Lectivo: 2008/2009
Propostas de temas
No primeiro e segundo períodos, cada um dos alunos opta por um tema livre ou um dos que a seguir se propõem. No terceiro período a avaliação do oral preparado incidirá sobre um tema específico (autor, obra, corrente literária, temáticas/ conteúdos literários) previstos no programa.
Antecede a apresentação de qualquer destes trabalhos, a entrega ao professor do seu respectivo plano que terá de mencionar conteúdos; claro está que, aquando da pesquisa, este pode ser reformulado, título e a respectiva bibliografia.
No sentido de estabelecer o intercâmbio de conhecimentos, pesquisas e opiniões, sem imposições, gostaria que todos os alunos criassem um texto argumentativo e/ ou expositivo a publicar no Blog.
Temas decorrentes do programa
A- A viagem(ns) como forma de conhecimento.
B- Religião(ões), mitos, superstições, adivinhos, oráculos, curandeiros.
C- A relação Homem/ Natureza.
D- Espaços públicos/ espaços privados.
E- A aldeia e a cidade.
F- Aldeia global: industrialização e informação.
G- Cultura(s), civilizações e tradições.
H- Sistemas/ regimes políticos.
I- Partidarismo, sindicalismo e associativismo.
J- Organizações humanitárias, ONG ( organizações não governamentais).
K- A educação ontem e hoje.
L- Gerações/ conflitos intergeracionais.
M- Analfabetismo e literacia.
N- A(s) Língua(s), perturbações da linguagem.
O- A ciência: ciências exactas/ ciências sociais e humanas.
P- Artes: educação artística.
Q- Música: educação musical.
R- Literatura: educação literária.
S- Tecnologia: educação tecnológica, ofícios, artesãos/ artesanato.
T- Os Media/ a publicidade.
U- O cinema, o teatro.
V- O livro.
W- Museus, galerias, bibliotecas e afins.
X- Leitura.
Y- Escrita(s).
Z- Comunicação verbal/ não verbal, gestual.
Propostas de temas
No primeiro e segundo períodos, cada um dos alunos opta por um tema livre ou um dos que a seguir se propõem. No terceiro período a avaliação do oral preparado incidirá sobre um tema específico (autor, obra, corrente literária, temáticas/ conteúdos literários) previstos no programa.
Antecede a apresentação de qualquer destes trabalhos, a entrega ao professor do seu respectivo plano que terá de mencionar conteúdos; claro está que, aquando da pesquisa, este pode ser reformulado, título e a respectiva bibliografia.
No sentido de estabelecer o intercâmbio de conhecimentos, pesquisas e opiniões, sem imposições, gostaria que todos os alunos criassem um texto argumentativo e/ ou expositivo a publicar no Blog.
Temas decorrentes do programa
A- A viagem(ns) como forma de conhecimento.
B- Religião(ões), mitos, superstições, adivinhos, oráculos, curandeiros.
C- A relação Homem/ Natureza.
D- Espaços públicos/ espaços privados.
E- A aldeia e a cidade.
F- Aldeia global: industrialização e informação.
G- Cultura(s), civilizações e tradições.
H- Sistemas/ regimes políticos.
I- Partidarismo, sindicalismo e associativismo.
J- Organizações humanitárias, ONG ( organizações não governamentais).
K- A educação ontem e hoje.
L- Gerações/ conflitos intergeracionais.
M- Analfabetismo e literacia.
N- A(s) Língua(s), perturbações da linguagem.
O- A ciência: ciências exactas/ ciências sociais e humanas.
P- Artes: educação artística.
Q- Música: educação musical.
R- Literatura: educação literária.
S- Tecnologia: educação tecnológica, ofícios, artesãos/ artesanato.
T- Os Media/ a publicidade.
U- O cinema, o teatro.
V- O livro.
W- Museus, galerias, bibliotecas e afins.
X- Leitura.
Y- Escrita(s).
Z- Comunicação verbal/ não verbal, gestual.
sábado, 14 de junho de 2008
Produções escritas/ treino exame
Propostas de produção escrita (item do programa)
I- A importância da literatura e do teatro como instrumento de libertação humana é um pressuposto inerente à escrita de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
II- É fácil concluir, após a leitura de Felizmente Há Luar!, que estamos perante um exemplo do designado teatro histórico/épico que assume, no entanto, uma faceta nova: a peça não se destina à representação tout court de uma acção ou de uma personagem histórica, mas sim, à reflexão sobre o presente partindo da figuração de um momento da história passada que com o presente mantem uma relação analógica.
Num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fazendo referências concretas à obra, demonstra a validade da tese acima exposta.
III- O Memorial, sendo-o embora de um convento, é-o sobretudo d uma época da qual se esqueceu a outra face composta por gente anónima cuja importância o narrador tenta perpetuar....
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, comenta o juízo crítico apresentado, fundamentando-te na tua experiência de leitura.
IV- A situação feminina no século xvIII português, principalmente no que diz respeito à vivência da sexualidade e do casamento, é aboradada de uma forma contrastiva ao longo do romance Memorial do Convento.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
V- O projecto da passarola só está presente em Memorial do Convento como modelo de organização e de sentido(s) que deve nortear qualquer obra.
Comente a frase acima apresentada num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fundamentado na sua leitura da obra.
VI- Memorial do Convento é uma romance de intervenção que critica todos os poderes instituídos que se constroem subjugando sempre a mesma vítima, o povo.
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, escolha um apecto alvo de crítica no romance em questão, fundamentando a sua escolha com pelo menos três argumentos/ referêcias á obra.
Propostas de produção escrita (item genérico)
I- O impacto da globalização nos países ricos, sentido através de mais importações, deslocalizações de produção e imigração, desencadeou também a contenção nos salários e na criação de emprego.
Por outro lado, não nos esqueçamos que foi a globalização que permitiu a reformulação das estruturas tradicionais económicas e de trabalho .
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras reflicta sobre as consequências positivas e/ou negativas da globalização, justificando o seu ponto de vista com pelo menos três argumentos.
II- A cultura clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pela tradição e pela escola por uma outra forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap, o tecno.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, apresente uma reflexão fundamentada em três argumentos, sobre a tese acima apresentada relativa às novas preferências culturais dos jovens.
III- Desde o século XV, que se reconhece no povo português o espírito de aventura, de andanças, de ousadias de alguém que parece não conseguir fixar-se neste pequeno jardim à beira- mar plantado.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: Os portugueses e a diáspora.
IV- Ao longo da história da humanidade, a natureza e todos os fenómenos naturais têm-se apresentado ao homem como um eterno inimigo com o qual, no entanto, é preciso algum respeito e cuidado. Afinal, temo-la vencida, ou ela só se têm dissimulado, atacando-nos, quando menos esperamos?
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: A eterna luta Homem/ Natureza.
Propostas de produção escrita (Pessoa e heterónimos)
I- “ Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam/ dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo contínuo...” Odes Ricardo Reis
Partindo do excerto acima transcrito e do seu conhecimento de Fernando Pessoa, mostre a postura e atitude de Reis perante as vicissitudes da vida.
II- Não ultrapassando as 150 palavras, explicite a importância de Alberto Caeiro no âmbito da produção literária de Pessoa.
III- Álvaro de Campos é a ruptura na forma e no conteúdo com os padrões estéticos-literários anteriores ao modernismo.
Num texto expositivo-argumentativo, explicite quatro aspectos de forma e de conteúdo que fazem a inovação da poética de Campos.
IV- Fernando Pessoa Ortónimo exibe um percurso literário que, embora de temáticas variadas, tem uma coesão lógica e coerente de pensamento.
Num texto expositivo-argumentativo não ultrapassando as 150 palavras, apresente a temática que considere mais relevante em Pessoa Ortónimo, justificando a sua opção com referência a poemas que a ilustrem.
I- A importância da literatura e do teatro como instrumento de libertação humana é um pressuposto inerente à escrita de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
II- É fácil concluir, após a leitura de Felizmente Há Luar!, que estamos perante um exemplo do designado teatro histórico/épico que assume, no entanto, uma faceta nova: a peça não se destina à representação tout court de uma acção ou de uma personagem histórica, mas sim, à reflexão sobre o presente partindo da figuração de um momento da história passada que com o presente mantem uma relação analógica.
Num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fazendo referências concretas à obra, demonstra a validade da tese acima exposta.
III- O Memorial, sendo-o embora de um convento, é-o sobretudo d uma época da qual se esqueceu a outra face composta por gente anónima cuja importância o narrador tenta perpetuar....
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, comenta o juízo crítico apresentado, fundamentando-te na tua experiência de leitura.
IV- A situação feminina no século xvIII português, principalmente no que diz respeito à vivência da sexualidade e do casamento, é aboradada de uma forma contrastiva ao longo do romance Memorial do Convento.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
V- O projecto da passarola só está presente em Memorial do Convento como modelo de organização e de sentido(s) que deve nortear qualquer obra.
Comente a frase acima apresentada num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fundamentado na sua leitura da obra.
VI- Memorial do Convento é uma romance de intervenção que critica todos os poderes instituídos que se constroem subjugando sempre a mesma vítima, o povo.
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, escolha um apecto alvo de crítica no romance em questão, fundamentando a sua escolha com pelo menos três argumentos/ referêcias á obra.
Propostas de produção escrita (item genérico)
I- O impacto da globalização nos países ricos, sentido através de mais importações, deslocalizações de produção e imigração, desencadeou também a contenção nos salários e na criação de emprego.
Por outro lado, não nos esqueçamos que foi a globalização que permitiu a reformulação das estruturas tradicionais económicas e de trabalho .
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras reflicta sobre as consequências positivas e/ou negativas da globalização, justificando o seu ponto de vista com pelo menos três argumentos.
II- A cultura clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pela tradição e pela escola por uma outra forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap, o tecno.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, apresente uma reflexão fundamentada em três argumentos, sobre a tese acima apresentada relativa às novas preferências culturais dos jovens.
III- Desde o século XV, que se reconhece no povo português o espírito de aventura, de andanças, de ousadias de alguém que parece não conseguir fixar-se neste pequeno jardim à beira- mar plantado.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: Os portugueses e a diáspora.
IV- Ao longo da história da humanidade, a natureza e todos os fenómenos naturais têm-se apresentado ao homem como um eterno inimigo com o qual, no entanto, é preciso algum respeito e cuidado. Afinal, temo-la vencida, ou ela só se têm dissimulado, atacando-nos, quando menos esperamos?
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: A eterna luta Homem/ Natureza.
Propostas de produção escrita (Pessoa e heterónimos)
I- “ Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam/ dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo contínuo...” Odes Ricardo Reis
Partindo do excerto acima transcrito e do seu conhecimento de Fernando Pessoa, mostre a postura e atitude de Reis perante as vicissitudes da vida.
II- Não ultrapassando as 150 palavras, explicite a importância de Alberto Caeiro no âmbito da produção literária de Pessoa.
III- Álvaro de Campos é a ruptura na forma e no conteúdo com os padrões estéticos-literários anteriores ao modernismo.
Num texto expositivo-argumentativo, explicite quatro aspectos de forma e de conteúdo que fazem a inovação da poética de Campos.
IV- Fernando Pessoa Ortónimo exibe um percurso literário que, embora de temáticas variadas, tem uma coesão lógica e coerente de pensamento.
Num texto expositivo-argumentativo não ultrapassando as 150 palavras, apresente a temática que considere mais relevante em Pessoa Ortónimo, justificando a sua opção com referência a poemas que a ilustrem.
terça-feira, 3 de junho de 2008
teste Mensagem
ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
GRUPO I
1. Distingue no poema as suas partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma, mostrando como se articulam.
2. “ O Infante surge mais como um símbolo do herói português escolhido por Deus para agente da sua vontade do que como ser individual.”
Transcreve todas as expressões que podem comprovar esta afirmação.
3. Justifica a alternância de tempos verbais ao longo do poema.
4. Relaciona o sentido dos dois últimos versos com o carácter profético da “ Mensagem” e com a estrutura da própria obra.
5. “ E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir redonda, do azul profundo.” ( O Infante)
“ Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos” ( Horizonte)
“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “ ( Mar Português)
5.1. Com base nos versos acima transcritos, num pequeno texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, explicita os aspectos da epopeia marítima dos portugueses mais valorizados.
GRUPO II
A
Apesar dos aspectos comuns à Mensagem e a Os Lusíadas, os elementos estruturantes das duas obras (forma e conteúdo) são marcado pela diferença de quatro séculos que separa os autores, bem como pelas diferentes atitudes face á História de Portugal.
Iniciando um texto expositivo-argumentativo pelo parágrafo acima transcrito, apresente semelhanças e diferenças significativas entre as duas obras.
B
“ Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena”
“ Sem a loucura que é o homem/ mais que besta sadia, / cadáver adiado que procria? “
“ Triste de quem é feliz! / Ser descontente é ser homem”.
A partir dos versos acima transcritos e integrando-os na dissertação que vai produzir, mostre de que forma espelham o ideal humanista do homem do renascimento.
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
GRUPO I
1. Distingue no poema as suas partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma, mostrando como se articulam.
2. “ O Infante surge mais como um símbolo do herói português escolhido por Deus para agente da sua vontade do que como ser individual.”
Transcreve todas as expressões que podem comprovar esta afirmação.
3. Justifica a alternância de tempos verbais ao longo do poema.
4. Relaciona o sentido dos dois últimos versos com o carácter profético da “ Mensagem” e com a estrutura da própria obra.
5. “ E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir redonda, do azul profundo.” ( O Infante)
“ Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos” ( Horizonte)
“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “ ( Mar Português)
5.1. Com base nos versos acima transcritos, num pequeno texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, explicita os aspectos da epopeia marítima dos portugueses mais valorizados.
GRUPO II
A
Apesar dos aspectos comuns à Mensagem e a Os Lusíadas, os elementos estruturantes das duas obras (forma e conteúdo) são marcado pela diferença de quatro séculos que separa os autores, bem como pelas diferentes atitudes face á História de Portugal.
Iniciando um texto expositivo-argumentativo pelo parágrafo acima transcrito, apresente semelhanças e diferenças significativas entre as duas obras.
B
“ Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena”
“ Sem a loucura que é o homem/ mais que besta sadia, / cadáver adiado que procria? “
“ Triste de quem é feliz! / Ser descontente é ser homem”.
A partir dos versos acima transcritos e integrando-os na dissertação que vai produzir, mostre de que forma espelham o ideal humanista do homem do renascimento.
teste lusíadas
ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena;
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
Camões, Os Lusíadas
GRUPO I
1. Seguem-se várias afirmações sobre o texto que acabste de ler. Diz se são verdadeiras ou falsas e corrige as falsas de modo a torná-las verdadeiras:
a) Esta invocação situa-se no final do canto VII, antes de Paulo da Gama começar a falar das figuras da História de Portugal representadas nas bandeiras.
b) Camões invoca as Ninfas do Tejo e do Mondego, porque se encontra em perigo de naufragar no mar alto e perder Os Lusíadas.
c) Há já muito tempo que o poeta canta os lusitanos, tendo entretanto passado por muitos perigos e dificuldades.
d) O verso “ Numa mão sempre a espada noutra a pena” traduz bem o conceito de herói renascentista.
e) As misérias sofridas pelo poeta foram recompensadas com descansos e coroas de louro.
f) O modo como os portugueses tratam o poeta é um grande estímulo para outros escritores que queiram celebrar os grandes feitos lusitanos.
g) Camões jura que, se tiver o favor das ninfas inspiradoras, só louvará aqueles que o mereçam.
2. Caracterize o estado de espírito do poeta ao longo da reflexão, servindo-se de expressões textuais.
2.1. Indique dois motivos que estão na origem desse estado de espírito.
3. Mostre, a partir da última estrofe, em que medida a epopeia camoniana foge ao objectivo primordial deste sub-género literário.
GRUPO II
1. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “que navego Por alto mar, com vento tão contrário”
a) é uma oração subordinada concessiva.
2) “ que hei grande medo” b) é uma oração subordinada condicional.
3) “Que o meu fraco batel se alague cedo.”
c) é uma oração subordinada completiva.
4) “ se não me ajudais” d) é uma oração subordinada relativa restritiva com antecente.
2. Considera a frase que se segue:
“Vede, Ninfas, que engenhos de senhores/ O vosso Tejo cria valerosos,/ Que assi sabem prezar, com tais favores,/ A quem os faz, cantando, gloriosos!”
2.1. Identifica a cadeia de referência aí presente.
2.2. Indica o mecanismo de coesão lexical que a frase exibe.
2.3. Transcreve a oração subordinada relativa restritiva sem atecedente.
GRUPO III
A
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, apresente o conceito de herói defendido por Camões em Os Lusíadas, enriquecendo a sua produção com referências concretas à obra.
B
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, avalie a pertinência de Os Lusíadas no contexto histórico-cultural em que surgem, fazendo referências aos aspectos que são elogiados e aos que são criticados.
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena;
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
Camões, Os Lusíadas
GRUPO I
1. Seguem-se várias afirmações sobre o texto que acabste de ler. Diz se são verdadeiras ou falsas e corrige as falsas de modo a torná-las verdadeiras:
a) Esta invocação situa-se no final do canto VII, antes de Paulo da Gama começar a falar das figuras da História de Portugal representadas nas bandeiras.
b) Camões invoca as Ninfas do Tejo e do Mondego, porque se encontra em perigo de naufragar no mar alto e perder Os Lusíadas.
c) Há já muito tempo que o poeta canta os lusitanos, tendo entretanto passado por muitos perigos e dificuldades.
d) O verso “ Numa mão sempre a espada noutra a pena” traduz bem o conceito de herói renascentista.
e) As misérias sofridas pelo poeta foram recompensadas com descansos e coroas de louro.
f) O modo como os portugueses tratam o poeta é um grande estímulo para outros escritores que queiram celebrar os grandes feitos lusitanos.
g) Camões jura que, se tiver o favor das ninfas inspiradoras, só louvará aqueles que o mereçam.
2. Caracterize o estado de espírito do poeta ao longo da reflexão, servindo-se de expressões textuais.
2.1. Indique dois motivos que estão na origem desse estado de espírito.
3. Mostre, a partir da última estrofe, em que medida a epopeia camoniana foge ao objectivo primordial deste sub-género literário.
GRUPO II
1. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “que navego Por alto mar, com vento tão contrário”
a) é uma oração subordinada concessiva.
2) “ que hei grande medo” b) é uma oração subordinada condicional.
3) “Que o meu fraco batel se alague cedo.”
c) é uma oração subordinada completiva.
4) “ se não me ajudais” d) é uma oração subordinada relativa restritiva com antecente.
2. Considera a frase que se segue:
“Vede, Ninfas, que engenhos de senhores/ O vosso Tejo cria valerosos,/ Que assi sabem prezar, com tais favores,/ A quem os faz, cantando, gloriosos!”
2.1. Identifica a cadeia de referência aí presente.
2.2. Indica o mecanismo de coesão lexical que a frase exibe.
2.3. Transcreve a oração subordinada relativa restritiva sem atecedente.
GRUPO III
A
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, apresente o conceito de herói defendido por Camões em Os Lusíadas, enriquecendo a sua produção com referências concretas à obra.
B
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, avalie a pertinência de Os Lusíadas no contexto histórico-cultural em que surgem, fazendo referências aos aspectos que são elogiados e aos que são criticados.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Memorial- planificação
UNIDADE DIDÁCTICA: O Memorial do Convento, José saramago
Aulas previstas: 30 horas
Plano das aulas:
1- Contextualização histórica
- Texto de apoio “ A época de D. João V”, José Hermano Saraiva, História de Portugal
- Personagens e datas reais comprovadas historicamente:
- 1711: 3 anos após o casamento de D. João V com Maria Ana de Áustria
- 1739: auto-de-fé em que morre António José da Silva, O Judeu
Factos históricos:
- O voto, promessa do rei,
- Recrutamento por todo o país de homens, operários para a construção do convento, morte de alguns,
- Presença em Portugal do músico Domenico Scarlatti, como professor de D. Maria Bárbara
- A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão,
- A inquisição,
- O casamento dos infantes portugueses e espanhóis,
- As touradas e os autos-de-fé
Factos históricos(projecção para o futuro- ponte entre o séc XVIII e o séc. XX) :
Tempo da escrita/ tempo da diegese
- pp(23,24,39,89,133,154,165,198,203,212,215,216,219,230,245,257,277)
Factos históricos, científicos, literários
-pp.(135,154,216,219,227,281,290)
Propostas de produção escrita
1- “ Constrói-se um convento porque nasceu Maria Bárbara, cumpre-se o voto porque Maria Bárbara nasceu, e Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou com o dedinho rechonchudo a primeira pedra, nem a segunda” (312-313)
Refere como, através de Maria Bárbara, é possível transmitir a sensação da passagem, do fluir do tempo em Memorial do Convento.( texto expositivo-argumentativo com 150 palavras)
2- Ao longo do romance, apercebemo-nos que o presente se insinua no passado. Num texto expositivo- argumentativo com 150 palavras procura explicar esta opção do narrador.
O ESPAÇO FÍSICO/ O ESPAÇO SOCIAL
O ESPAÇO FÍSICO
Lisboa- cidade muralhada
- abundãncia de igrejas (p.40)
- cidade suja (p.28)
- contraste da sujidade da cidade com o asseio do mercado do peixe (p.42)
- A abegoaria
- ninho de amor de Sete- Sóis e Blimunda e onde se vai construindo a passarola
- simplicidade da vida e pobreza do casal(p88)
- O Paço
Mafra- cidade pouco descrita. Sabemos que é no alto da Vela que se vai construir o convento, construção essa que votará muitos homens a condições de vida infra-humanas ou até mesmo à morte.( p.103-104, 117)
Serra do Barregudo- não longe do Monte Junto, onde pousou e esteve escondida a passarola.
Caminho de Lisboa a Elvas- por ocasião do casamento da princesa e que poderá representar todo o Portugal com os seus caminhos de lama e de miséria.
O ESPAÇO SOCIAL
“ O espaço social configura-se sobretudo em função da presença de tipos e figurantes(...) Os ambientes são descritos para cumprirem uma intenção de crítica aos vícios e deformações da sociedade” Carlos Reis, Ana C. Lopes, Dicionário de Narratologia
O Paço- espaço da subserviência, rituais, gestos repetidos e inúteis, atitude autoritária do rei. ( pp.279-280, 13, 281-282)
Lisboa- cidade que corre para os autos-de-fé com o mesmo prazer com que corre para as touradas.(p.50)
As procissões quebram a monotonia da vida austera, de fome, e é-lhes adulterada a sua índole sagrada (p41), contrastam com o mercado do peixe onde há gente trabalhadora e asseada (p42)
Mafra- crítica social as condições de trabalho de homens que voluntariamente ou obrigados foram deslocados das suas terras para o empreendimento do rei. Vivem em barracões, escravizados pelo trabalho árduo e muitos deles com doenças venéreas, tudo em nome de um salário miserável ou de alimentação certa.
Propostas de produção escrita:
1. Dos espaços físicos representados na obra, refere um que consideres significativo, explicando a sua importância na narrativa.
2. Estabelece a conexão entre um espaço físico à tua escolha e o respectivo espaço social
A estrutura da acção da obra:
Textos/ excertos que serão objecto de leitura metódica nas aulas.
- pp. 13-14 desde “ Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor... até a fertilidade dificultosa da rainha”
-p.31 desde “ De tais desafogamentos até a troco de um convento”
-p.35 desde “ Este que por desafrontada aparência sacudir até os espanhóis fizeram sair de Badajoz.”
p.38 desde “ Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega até Passou a noite em paz.
p.38 desde na claridade do primeiro alvorecer até se não era aquilo sangue seco, era o diabo que o fingia.”
p.53-54 desde “que nome é o seu até nas brasas não se evaporou”.
p. 68 desde calou-se outra vez até não pode atar a vela e o arame que hão-de voar”
pp.71-72 desde ”D. João V vai ter de contentar-se com uma menina até como se percebe pela gritaria”
p.86 desde “El-rei foi a Mafra escolher o sítio até mas esse era santo e está morto.”
p.96 desde “Deitou o Padre Bartolomeu Lourenço... até montou na mula e partiu.”
pp.101-103 desde “Quando Baltasar empurrou a porta até bem-vinda sejas à casa dos Sete-Sóis”
pp.115-116 desde “Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. Sebastião até “ talvez sonhando boas noites”
pp.124-125 desde “ Tirou do alforge um frasco de vidro até vou ver a vontade daqueles homens.”
p.159 desde “ já o Padre Bartolomeu Lourenço regressou de Coimbra até acabar morto de estoque numa rixa”
pp.178-179 desde “ Blimunda está em Lisboa atormentada de uma grande doença até Irei, respondeu ela, mas não sozinha, disse Baltasar.”
p.183 desde “ Quando a epidemia terminou até sentava-se no mocho, e aí ficava horas.”
p.185 desde “ Durante uma semana... até se realmente faltara.”
p.193 desde “ O Padre Bartolomeu Lourenço entrou violentamente na abegoaria até vamos, disse ela”
p.203 desde “ A máquina dá um salto brusco até não se pode ter tudo.”
p.222. desde “ Passam mais de dois meses até ver a máquina voar.”
p.282 desde “Ao ouvir que queria el-rei ampliar o convento até se este rei não se acautela acaba santo.”
pp.297-298 desde “ Porém ainda há famílias felizes até há quem governe mais sabendo menos.”
pp.334-335 desde “ Baltasar entrou na passarola até não se via uma nuvem no céu.”
pp.340-341 desde “ Ali é o lugar, como o ninho de uma grande ave até a descida, porém, com maior carga.”
pp.350 até final “ Enfim, chegou o dia mais glorioso...”
1. A presença da História
“ Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e ficou doido. Era uma vez.”
Contracapa de Memorial do Convento
- A apresentação dos fios da narrativa que vão sendo ao longo da obra desenvolvidos e entrelaçados pelo autor. A intriga da obra gira em torno da construção do convento de Mafra e das personagens históricas e ficcionais ligadas a essa construção.
- A história começa por volta de 1711, três anos após o casamento de D. João V e termina vinte e dois anos depois, em 1739, aquando da realização de um auto-de-fé em que morreram António José da Silva e também Baltasar Sete-Sóis.
- O autor respeita os elementos históricos quando os insere na diegése, como o comprovam os cronistas da época e vai mais longe quando se preocupa em referir o maior número de nomes, homens daquele tempo, que no discurso histórico oficial foram esquecidos.
- Bartolomeu Lourenço é uma das personagens em que a correspondência entre História e ficção é apenas parcial.
- A figura do rei também sofre adaptações várias com fins irónicos.
- Paralelamente há linearidade e respeito pela cronologia, o narrador heterodiegético, afastado temporalmente da intriga, utiliza insistentemente anacronias, sobretudo prolepses, para fazer avançar a acção, Ex:- a morte do sobrinho de Baltasar, a morte do infante D. Pedro. Estas prolepses propõe a possibilidade do narrador distanciado fazer comentários, alguns irónicos, de estabelecer comparações entre épocas diferentes.
Prolepses: pp. 91, 332, 133, 151, 154, 213-214, 37, 216, 50, 219, 178,
- Muito próximo da final da narrativa há um momento em que o tempo diegético não corresponde ao tempo da história. Aquando do desaparecimento de Baltasar na passarola, no dia anterior ao da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, há um salto no tempo de nove anos, elipse temporal, cuja história o narrador resume em pouco mais de duas páginas, “ Durante nove anos Blimunda procurou Baltasar.”
- A acção termina em 1739, com o reencontro das personagens principais num auto-de-fé em que são queimados António José da Silva e Baltasar. Contudo trata-se de um reencontro místico; Blimunda dotada de elevadas capacidades de visão, recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nove anos e que agora achou para sempre.
2- O Tempo
Data do início da narrativa: 1711, o rei tinha casado há cerca de três anos com D. Maria Ana Josefa, casamento que teve lugar em 1708.
Termino da narrativa: 1739, aquando da realização de um auto-de-fé onde são mortos António José da Silva( personagem referencial) e Baltasar Mateus ( personagem ficcional).
Embora haja linearidade e respeito pela cronologia e pela datação de eventos históricos, o narrador principal heterodiegético e afastado temporalmente da narrativa que organiza e controla a intriga, utiliza frequentemente elipses e prolepses para fazer avançar a acção:
Exemplos de prolepses:
- morte do sobrinho de Baltasar e do Infante D.Pedro, para daí a três meses(p.105)
- morte de Manuela Xavier, filha do Visconde de Mafra, para dali a dez anos (p.224)
- morte de Álvaro Diogo ligada ao convento(p.327)
- futuro trabalho de Baltasar no açougue(p.42)
- morte de Marta Maria, mãe de Baltasar (p.137) também é um marco temporal para a balização temporal da construção do convento.
- antecipação do número de bastardos do rei D. João V (p.91)
Se estas prolepses fazem com que a acção progrida, há outras que estão ao serviço do estatuto de narrador distanciado e irónico, que lhe proporcionam comentários e comparações entre épocas históricas diferentes, são elas:
- os tons das cores escolhidas para a decoração do convento, o vermelho e o verde, serão mais tarde, aquando da implantação da República, escolhidas como nacionais (p.133)
- paralelo entre a chegada de africanos às costas portuguesas e o retorno dos ex-colonos por alturas do 25 de abril (p.151)
- os molhos de cravos nas pontas das varas dos capelães, flores que serão simbolo de uma revolução (p.154)
- a descrição da cúpula da Basílica, construída a partir de vários gomos, sugere a comparação com um guarda-chuva, o que leva o narrador a utilizar um termo pelo outro como se fossem sinónimos (p.154)
- a referência á ida à Lua (p.216)
- comparação entre os autos-de-fé e as touradas (p.50)
- referência ao cinema e aos aviões(p.219)
- referência á nona sinfonia de Beethoven, a propósito da música da época e de Domenico Scarlatti (p.178)
Este distanciamento do narrador da época que narra permite-lhe dar conta de acontecimentos e até de teorias desconhecidas da época, como por exemplo, a da terra ser redonda (p.66)
Há consciência da não correspondência entre o tempo da história e o tempo do discurso com um objectivo bem definido: mudar a visão da História ou até corrigi-la, lembrando homens e tarefas que de outra forma seriam esquecidos porque não registados, mas nem por isso menos verdadeiros. Há aqui a consciência lúcida de que o registo histórico oficial é apenas um filtro possível, logo incompleto e consequentemente errado por ser parcial. Há laços entre dois tempos ( Presente e Passado) o primeiro reflecte-se e vê-se no segundo, ambos se tocam e interpretam até porque não lhe são colocadas barreiras delimitadoras.
Falta referir que no final da obra, um dia antes da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, Baltasar desaparece, vindo a ser reencontrado por Blimunda nove anos mais tarde, num auto-de-fé em que vai ser condenado, juntamente com antónio Josè da Silva, em 1739, este reencontro é, no entanto místico, porque mística é Blimunda que recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nova anos e que agora achou para sempre.
Notas avulsas sobre o TEMPO da DIEGESE
- a acção inicia-se com a ida de D. João V ao quarto da rainha, depois de ter fieito a promessa de construção do convento.
- Inaguração da Basílica a 22 de Outubro de 1730, aí el-rei tem 41 anos, Maria Bárbara 17, podemos então concluir que a acção se inicia em 1712.
- Narrativa assume-se como cronológica, quase linear, embora com algumas analepses(pp. 45, 106, 190), prolepses ( vide página anterior).
- Após a ida de el-rei à câmara da rainha, sabemos que esta não participará no auto-de-fé pois está de luto e já vai no quinto mês de gravidez(p.49)
- Na história de Baltasar e Blimunda vão intercalar-se referências a vida na corte.
- As elipses temporais verficam-se nos períodos em que Baltasar e Blimunda estão em Mafra ou em S. João da Pedreira ou o Padre Bartolomeu de Gusmão realiza viagens pelo estrangeiro ou está em Coimbra.
- A benção da primeira pedra ocorre a 17 de Novembro de 1717(p.134) e passada uma semana o casal herói ficcional parte para Lisboa(p.137).
- É sobretudo a partir do dia a dia de baltasar e Blimunda que nos apercebemos da passagem do tempo.
- A data do casamento de Maria Bárbara coincide com a da inauguração da basílica, 1730, (p.350)
- O percurso de vida de certas personagens permite-nos ver o fluir do tempo:
- Maria Bárbara que acompanhamos desde o seu nascimento ao casamento( 17 anos), período de vida que acompanha também a narrativa da promessa/ construção do convento.
- O percurso de vida do monarca português, com vinte e três anos no início da intriga e com 41 no dia de inauguração do c
Aulas previstas: 30 horas
Plano das aulas:
1- Contextualização histórica
- Texto de apoio “ A época de D. João V”, José Hermano Saraiva, História de Portugal
- Personagens e datas reais comprovadas historicamente:
- 1711: 3 anos após o casamento de D. João V com Maria Ana de Áustria
- 1739: auto-de-fé em que morre António José da Silva, O Judeu
Factos históricos:
- O voto, promessa do rei,
- Recrutamento por todo o país de homens, operários para a construção do convento, morte de alguns,
- Presença em Portugal do músico Domenico Scarlatti, como professor de D. Maria Bárbara
- A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão,
- A inquisição,
- O casamento dos infantes portugueses e espanhóis,
- As touradas e os autos-de-fé
Factos históricos(projecção para o futuro- ponte entre o séc XVIII e o séc. XX) :
Tempo da escrita/ tempo da diegese
- pp(23,24,39,89,133,154,165,198,203,212,215,216,219,230,245,257,277)
Factos históricos, científicos, literários
-pp.(135,154,216,219,227,281,290)
Propostas de produção escrita
1- “ Constrói-se um convento porque nasceu Maria Bárbara, cumpre-se o voto porque Maria Bárbara nasceu, e Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou com o dedinho rechonchudo a primeira pedra, nem a segunda” (312-313)
Refere como, através de Maria Bárbara, é possível transmitir a sensação da passagem, do fluir do tempo em Memorial do Convento.( texto expositivo-argumentativo com 150 palavras)
2- Ao longo do romance, apercebemo-nos que o presente se insinua no passado. Num texto expositivo- argumentativo com 150 palavras procura explicar esta opção do narrador.
O ESPAÇO FÍSICO/ O ESPAÇO SOCIAL
O ESPAÇO FÍSICO
Lisboa- cidade muralhada
- abundãncia de igrejas (p.40)
- cidade suja (p.28)
- contraste da sujidade da cidade com o asseio do mercado do peixe (p.42)
- A abegoaria
- ninho de amor de Sete- Sóis e Blimunda e onde se vai construindo a passarola
- simplicidade da vida e pobreza do casal(p88)
- O Paço
Mafra- cidade pouco descrita. Sabemos que é no alto da Vela que se vai construir o convento, construção essa que votará muitos homens a condições de vida infra-humanas ou até mesmo à morte.( p.103-104, 117)
Serra do Barregudo- não longe do Monte Junto, onde pousou e esteve escondida a passarola.
Caminho de Lisboa a Elvas- por ocasião do casamento da princesa e que poderá representar todo o Portugal com os seus caminhos de lama e de miséria.
O ESPAÇO SOCIAL
“ O espaço social configura-se sobretudo em função da presença de tipos e figurantes(...) Os ambientes são descritos para cumprirem uma intenção de crítica aos vícios e deformações da sociedade” Carlos Reis, Ana C. Lopes, Dicionário de Narratologia
O Paço- espaço da subserviência, rituais, gestos repetidos e inúteis, atitude autoritária do rei. ( pp.279-280, 13, 281-282)
Lisboa- cidade que corre para os autos-de-fé com o mesmo prazer com que corre para as touradas.(p.50)
As procissões quebram a monotonia da vida austera, de fome, e é-lhes adulterada a sua índole sagrada (p41), contrastam com o mercado do peixe onde há gente trabalhadora e asseada (p42)
Mafra- crítica social as condições de trabalho de homens que voluntariamente ou obrigados foram deslocados das suas terras para o empreendimento do rei. Vivem em barracões, escravizados pelo trabalho árduo e muitos deles com doenças venéreas, tudo em nome de um salário miserável ou de alimentação certa.
Propostas de produção escrita:
1. Dos espaços físicos representados na obra, refere um que consideres significativo, explicando a sua importância na narrativa.
2. Estabelece a conexão entre um espaço físico à tua escolha e o respectivo espaço social
A estrutura da acção da obra:
Textos/ excertos que serão objecto de leitura metódica nas aulas.
- pp. 13-14 desde “ Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor... até a fertilidade dificultosa da rainha”
-p.31 desde “ De tais desafogamentos até a troco de um convento”
-p.35 desde “ Este que por desafrontada aparência sacudir até os espanhóis fizeram sair de Badajoz.”
p.38 desde “ Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega até Passou a noite em paz.
p.38 desde na claridade do primeiro alvorecer até se não era aquilo sangue seco, era o diabo que o fingia.”
p.53-54 desde “que nome é o seu até nas brasas não se evaporou”.
p. 68 desde calou-se outra vez até não pode atar a vela e o arame que hão-de voar”
pp.71-72 desde ”D. João V vai ter de contentar-se com uma menina até como se percebe pela gritaria”
p.86 desde “El-rei foi a Mafra escolher o sítio até mas esse era santo e está morto.”
p.96 desde “Deitou o Padre Bartolomeu Lourenço... até montou na mula e partiu.”
pp.101-103 desde “Quando Baltasar empurrou a porta até bem-vinda sejas à casa dos Sete-Sóis”
pp.115-116 desde “Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. Sebastião até “ talvez sonhando boas noites”
pp.124-125 desde “ Tirou do alforge um frasco de vidro até vou ver a vontade daqueles homens.”
p.159 desde “ já o Padre Bartolomeu Lourenço regressou de Coimbra até acabar morto de estoque numa rixa”
pp.178-179 desde “ Blimunda está em Lisboa atormentada de uma grande doença até Irei, respondeu ela, mas não sozinha, disse Baltasar.”
p.183 desde “ Quando a epidemia terminou até sentava-se no mocho, e aí ficava horas.”
p.185 desde “ Durante uma semana... até se realmente faltara.”
p.193 desde “ O Padre Bartolomeu Lourenço entrou violentamente na abegoaria até vamos, disse ela”
p.203 desde “ A máquina dá um salto brusco até não se pode ter tudo.”
p.222. desde “ Passam mais de dois meses até ver a máquina voar.”
p.282 desde “Ao ouvir que queria el-rei ampliar o convento até se este rei não se acautela acaba santo.”
pp.297-298 desde “ Porém ainda há famílias felizes até há quem governe mais sabendo menos.”
pp.334-335 desde “ Baltasar entrou na passarola até não se via uma nuvem no céu.”
pp.340-341 desde “ Ali é o lugar, como o ninho de uma grande ave até a descida, porém, com maior carga.”
pp.350 até final “ Enfim, chegou o dia mais glorioso...”
1. A presença da História
“ Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e ficou doido. Era uma vez.”
Contracapa de Memorial do Convento
- A apresentação dos fios da narrativa que vão sendo ao longo da obra desenvolvidos e entrelaçados pelo autor. A intriga da obra gira em torno da construção do convento de Mafra e das personagens históricas e ficcionais ligadas a essa construção.
- A história começa por volta de 1711, três anos após o casamento de D. João V e termina vinte e dois anos depois, em 1739, aquando da realização de um auto-de-fé em que morreram António José da Silva e também Baltasar Sete-Sóis.
- O autor respeita os elementos históricos quando os insere na diegése, como o comprovam os cronistas da época e vai mais longe quando se preocupa em referir o maior número de nomes, homens daquele tempo, que no discurso histórico oficial foram esquecidos.
- Bartolomeu Lourenço é uma das personagens em que a correspondência entre História e ficção é apenas parcial.
- A figura do rei também sofre adaptações várias com fins irónicos.
- Paralelamente há linearidade e respeito pela cronologia, o narrador heterodiegético, afastado temporalmente da intriga, utiliza insistentemente anacronias, sobretudo prolepses, para fazer avançar a acção, Ex:- a morte do sobrinho de Baltasar, a morte do infante D. Pedro. Estas prolepses propõe a possibilidade do narrador distanciado fazer comentários, alguns irónicos, de estabelecer comparações entre épocas diferentes.
Prolepses: pp. 91, 332, 133, 151, 154, 213-214, 37, 216, 50, 219, 178,
- Muito próximo da final da narrativa há um momento em que o tempo diegético não corresponde ao tempo da história. Aquando do desaparecimento de Baltasar na passarola, no dia anterior ao da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, há um salto no tempo de nove anos, elipse temporal, cuja história o narrador resume em pouco mais de duas páginas, “ Durante nove anos Blimunda procurou Baltasar.”
- A acção termina em 1739, com o reencontro das personagens principais num auto-de-fé em que são queimados António José da Silva e Baltasar. Contudo trata-se de um reencontro místico; Blimunda dotada de elevadas capacidades de visão, recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nove anos e que agora achou para sempre.
2- O Tempo
Data do início da narrativa: 1711, o rei tinha casado há cerca de três anos com D. Maria Ana Josefa, casamento que teve lugar em 1708.
Termino da narrativa: 1739, aquando da realização de um auto-de-fé onde são mortos António José da Silva( personagem referencial) e Baltasar Mateus ( personagem ficcional).
Embora haja linearidade e respeito pela cronologia e pela datação de eventos históricos, o narrador principal heterodiegético e afastado temporalmente da narrativa que organiza e controla a intriga, utiliza frequentemente elipses e prolepses para fazer avançar a acção:
Exemplos de prolepses:
- morte do sobrinho de Baltasar e do Infante D.Pedro, para daí a três meses(p.105)
- morte de Manuela Xavier, filha do Visconde de Mafra, para dali a dez anos (p.224)
- morte de Álvaro Diogo ligada ao convento(p.327)
- futuro trabalho de Baltasar no açougue(p.42)
- morte de Marta Maria, mãe de Baltasar (p.137) também é um marco temporal para a balização temporal da construção do convento.
- antecipação do número de bastardos do rei D. João V (p.91)
Se estas prolepses fazem com que a acção progrida, há outras que estão ao serviço do estatuto de narrador distanciado e irónico, que lhe proporcionam comentários e comparações entre épocas históricas diferentes, são elas:
- os tons das cores escolhidas para a decoração do convento, o vermelho e o verde, serão mais tarde, aquando da implantação da República, escolhidas como nacionais (p.133)
- paralelo entre a chegada de africanos às costas portuguesas e o retorno dos ex-colonos por alturas do 25 de abril (p.151)
- os molhos de cravos nas pontas das varas dos capelães, flores que serão simbolo de uma revolução (p.154)
- a descrição da cúpula da Basílica, construída a partir de vários gomos, sugere a comparação com um guarda-chuva, o que leva o narrador a utilizar um termo pelo outro como se fossem sinónimos (p.154)
- a referência á ida à Lua (p.216)
- comparação entre os autos-de-fé e as touradas (p.50)
- referência ao cinema e aos aviões(p.219)
- referência á nona sinfonia de Beethoven, a propósito da música da época e de Domenico Scarlatti (p.178)
Este distanciamento do narrador da época que narra permite-lhe dar conta de acontecimentos e até de teorias desconhecidas da época, como por exemplo, a da terra ser redonda (p.66)
Há consciência da não correspondência entre o tempo da história e o tempo do discurso com um objectivo bem definido: mudar a visão da História ou até corrigi-la, lembrando homens e tarefas que de outra forma seriam esquecidos porque não registados, mas nem por isso menos verdadeiros. Há aqui a consciência lúcida de que o registo histórico oficial é apenas um filtro possível, logo incompleto e consequentemente errado por ser parcial. Há laços entre dois tempos ( Presente e Passado) o primeiro reflecte-se e vê-se no segundo, ambos se tocam e interpretam até porque não lhe são colocadas barreiras delimitadoras.
Falta referir que no final da obra, um dia antes da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, Baltasar desaparece, vindo a ser reencontrado por Blimunda nove anos mais tarde, num auto-de-fé em que vai ser condenado, juntamente com antónio Josè da Silva, em 1739, este reencontro é, no entanto místico, porque mística é Blimunda que recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nova anos e que agora achou para sempre.
Notas avulsas sobre o TEMPO da DIEGESE
- a acção inicia-se com a ida de D. João V ao quarto da rainha, depois de ter fieito a promessa de construção do convento.
- Inaguração da Basílica a 22 de Outubro de 1730, aí el-rei tem 41 anos, Maria Bárbara 17, podemos então concluir que a acção se inicia em 1712.
- Narrativa assume-se como cronológica, quase linear, embora com algumas analepses(pp. 45, 106, 190), prolepses ( vide página anterior).
- Após a ida de el-rei à câmara da rainha, sabemos que esta não participará no auto-de-fé pois está de luto e já vai no quinto mês de gravidez(p.49)
- Na história de Baltasar e Blimunda vão intercalar-se referências a vida na corte.
- As elipses temporais verficam-se nos períodos em que Baltasar e Blimunda estão em Mafra ou em S. João da Pedreira ou o Padre Bartolomeu de Gusmão realiza viagens pelo estrangeiro ou está em Coimbra.
- A benção da primeira pedra ocorre a 17 de Novembro de 1717(p.134) e passada uma semana o casal herói ficcional parte para Lisboa(p.137).
- É sobretudo a partir do dia a dia de baltasar e Blimunda que nos apercebemos da passagem do tempo.
- A data do casamento de Maria Bárbara coincide com a da inauguração da basílica, 1730, (p.350)
- O percurso de vida de certas personagens permite-nos ver o fluir do tempo:
- Maria Bárbara que acompanhamos desde o seu nascimento ao casamento( 17 anos), período de vida que acompanha também a narrativa da promessa/ construção do convento.
- O percurso de vida do monarca português, com vinte e três anos no início da intriga e com 41 no dia de inauguração do c
Principais momentos de "Memorial do Convento"
Classificação da Obra: Romance Épico (não há consenso dos teóricos, relativamente à classificação da obra, concilia-se nela características de romance histórico, de romance de espaço e de romance social, de intervenção.)
Romance Épico porque o seu objectivo principal é a glorificação de um herói colectivo, o povo, sempre esquecido nos registos históricos. Por outro lado, o romance é uma alegoria que pretende estabelecer uma comparação entre tempos distintos, século XVIII, tempo da acção do romance e o século XX, tempo da escrita do mesmo. Assim sendo é também um romance de crítica social, de intervenção, de denúncia das injustiças sociais presentes nessas épocas.
Pela descrição de diferentes espaços físicos e sociais, o romance dá-nos quadros históricos de uma época, que fazem dele um romance histórico, mas também um romance de espaço.
Na verdade, há a conciliação de factos históricos reais, todos aqueles que se relacionam com o plano narrativo da construção do convento (reinado de D.João V), é também real o projecto da passarola empreendido pelo padre Bartolomeu de Gusmão e factos ficcionais, todos aqueles em que intervém o casal Baltasar e Blimunda.
Resumo: O romance inicia-se introduzindo-nos no plano histórico da construção do Convento de Mafra, justificando-a pela promessa feita por D.João V a um padre franciscano que lhe garante a sua descendência por providência divina. A visita sexual do rei à rainha, a função, serve para criticar o amor ritualizado baseado num contrato, que se vai opor ao amor sincero de Baltasar e Blimunda, no capítulo V.
Até ao mesmo capitulo, é intenção do autor fazer uma crítica à religião, à igreja e à inquisição, procedendo à ridicularização dos milagres feitos pelos franciscanos, à descrição caricatural das festa religiosas, Entrudo, procissão da Quaresma e do primeiro auto-de-fé, onde e condenada ao degredo, Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda, e onde se conhecem o casal ficcional e Bartolomeu de Gusmão.
São festas marcadas pelos excessos, quer seja pelo pecado da gula, o povo esfomeado come o que lhe e inacessível durante todo o ano, e pelo pecado da luxúria, pois os penitentes exibem os seus corpos nus ensanguentados que deliciam as pretendentes que assistem das janelas.
O primeiro auto-de-fé serve para criticar a inquisição, já não se realizava há dois anos, e serve também para denunciar a má consciência religiosa dos populares que lhe assistem e do próprio rei, que só se desloca ao Rossio para cumprir a diplomacia que lhe é exigida e para cear regaladamente na inquisição.
A segunda sequência do romance trata os preliminares da construção da passarola. Blimunda e Baltasar, vão viver para a quinta do duque de Aveiro, onde o padre Bartolomeu de Gusmão tem o modelo da máquina voadora. Contudo, o padre parte para a Holanda em busca de conhecimentos para fazer voar a máquina.
Do capítulo V ao X, há uma contextualização do reinado de D.João V que se reveste de uma ironia mordaz.
Num período de fomes no Alentejo, é importado exageradamente muitas toneladas de trigo que acabam por ser desperdiçadas, pois vão além das necessidades do povo.
Os navios nacionais são assaltados por corsários franceses, há rebeliões no Brasil, as naus francesas que supúnhamos atacar-nos eram afinal uma frota inglesa em comércio de vinho do porto, estabelece-se a paz com França, pelo que ainda mais se ridiculariza a atitude do Infante D. Francisco, que treina a sua pontaria tendo como alvos marinheiros portugueses.
A nível nacional regista-se a insubordinação das freiras do convento de santa Mónica, a elevação de um inquisidor a cardeal, o que denuncia uma politica interna baseada no compadrio.
É no capítulo VIII que se escolhe o alto da vela para a construção do convento, comprando-se estes terrenos por uma “ninharia” decidida pelo tesoureiro do reino.
No capítulo XI começam-se as escavações dos caboucos do convento, como tal, há um cortejo de trabalhadores forçados e acorrentados que chega a Mafra, oriundos de todo o país. Ainda neste capítulo descrevem-se as barracas onde miseravelmente e sem condições sanitárias eram alojados esses operários. Neste momento Baltasar e Blimunda encontram-se a viver em Mafra na casa dos pais do soldado maneta, trabalhando este como boieiro no convento.
No capítulo XIV, temos um interregno na narração dos dois projectos e somos introduzidos no processo de educação da Infanta Ana Maria Bárbara, que tem lições de cravo a cargo do italiano Domenico Scarlatti. É simultaneamente um convite ao sonho, à sensibilidade, mas também uma forma de criticar o luxo e ostentação que se vive na corte, quando os miseráveis são soterrados pelos pedregulhos necessários para a construção do convento.
Segue-se no capítulo XV uma grave doença de Blimunda, que já se encontra na abegoaria, em Lisboa, e que recebe a visita de Scarlatti, que através da magia do seu cravo, consegue curá-la. Paralelamente há uma epidemia de peste em Lisboa, que permite a Blimunda recolher as vontades que farão voar a passarola.
Os capítulos XVI e XVII são ocupados com os primeiros voos da passarola, que sobrevoa Mafra, avistando as obras do convento. O padre Bartolomeu de Gusmão, converte-se ao judaísmo e posteriormente há noticia da sua morte, estávamos então em 1755, quando se dá o terramoto em Lisboa, obrigando Baltazar a regressar a Mafra, trabalhando na construção do convento que já se tinha iniciado a sete anos.
No capítulo XVIII, depois de se enunciarem os gastos reais na construção do convento, servindo uma visão irónica e depreciativa de Portugal, temos os relatos pessoais de seis trabalhadores do convento: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim da Rocha, Manuel Milho, João Anes, Julião Mau Tempo, seis dos vinte mil operários, que o narrador não esquece, registando por ordem alfabética um representante de cada um deles, no capítulo XIX.
Do capítulo XX ao XXIII encontramos, paralelamente o decorrer dos dois projectos. Baltasar desloca-se frequentemente à serra do Montejunto onde tem escondida a passarola, testando-a. O rei decide, com a ajuda do arquitecto Ludovice, aumentar a dimensão do convento e temendo a sua morte para breve, uma vez que está doente, decide marcar a data de sagração do seu projecto, que se dá a 22 de Outubro de 1730.
Baltasar não regressa a casa e Blimunda desloca-se ao Montejunto à sua procura, não o encontrando. A busca do seu companheiro durará nove anos, quer em território português quer por Espanha, encontrando-o a ser queimado na fogueira, juntamente com o judeu António José da Silva, mas retirando-lhe a sua vontade como forma simbólica de união eterna entre os dois.
Paralelamente a este tempo de busca, fazem-se os preparativos para o casamento da infanta D. Ana Maria Bárbara, conduzindo-a até à fronteira, para troca das princesas. É a vida de Ana Maria Bárbara, desde o momento em que é concebida, até ao seu casamento, que marca as fronteiras temporais da acção do romance.
Aconselhamento à leitura: Aconselharia a leitura do romance Memorial do Convento, a eventuais leitores, persuadindo-os de que é uma forma de conhecer a História, um quadro do século XVIII português, duma forma diferente daquela a que estamos habituados.
Aprender História através da literatura é uma forma de aceder ao conhecimento, à cultura geral, mais agradável, conciliando a realidade com a fantasia e o sonho e sobretudo desenvolvendo o sentido crítico mesmo na interpretação real do nosso passado.
Data de início de leitura: Meados de Março
Data de conclusão da leitura: Início de Maio
Romance Épico porque o seu objectivo principal é a glorificação de um herói colectivo, o povo, sempre esquecido nos registos históricos. Por outro lado, o romance é uma alegoria que pretende estabelecer uma comparação entre tempos distintos, século XVIII, tempo da acção do romance e o século XX, tempo da escrita do mesmo. Assim sendo é também um romance de crítica social, de intervenção, de denúncia das injustiças sociais presentes nessas épocas.
Pela descrição de diferentes espaços físicos e sociais, o romance dá-nos quadros históricos de uma época, que fazem dele um romance histórico, mas também um romance de espaço.
Na verdade, há a conciliação de factos históricos reais, todos aqueles que se relacionam com o plano narrativo da construção do convento (reinado de D.João V), é também real o projecto da passarola empreendido pelo padre Bartolomeu de Gusmão e factos ficcionais, todos aqueles em que intervém o casal Baltasar e Blimunda.
Resumo: O romance inicia-se introduzindo-nos no plano histórico da construção do Convento de Mafra, justificando-a pela promessa feita por D.João V a um padre franciscano que lhe garante a sua descendência por providência divina. A visita sexual do rei à rainha, a função, serve para criticar o amor ritualizado baseado num contrato, que se vai opor ao amor sincero de Baltasar e Blimunda, no capítulo V.
Até ao mesmo capitulo, é intenção do autor fazer uma crítica à religião, à igreja e à inquisição, procedendo à ridicularização dos milagres feitos pelos franciscanos, à descrição caricatural das festa religiosas, Entrudo, procissão da Quaresma e do primeiro auto-de-fé, onde e condenada ao degredo, Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda, e onde se conhecem o casal ficcional e Bartolomeu de Gusmão.
São festas marcadas pelos excessos, quer seja pelo pecado da gula, o povo esfomeado come o que lhe e inacessível durante todo o ano, e pelo pecado da luxúria, pois os penitentes exibem os seus corpos nus ensanguentados que deliciam as pretendentes que assistem das janelas.
O primeiro auto-de-fé serve para criticar a inquisição, já não se realizava há dois anos, e serve também para denunciar a má consciência religiosa dos populares que lhe assistem e do próprio rei, que só se desloca ao Rossio para cumprir a diplomacia que lhe é exigida e para cear regaladamente na inquisição.
A segunda sequência do romance trata os preliminares da construção da passarola. Blimunda e Baltasar, vão viver para a quinta do duque de Aveiro, onde o padre Bartolomeu de Gusmão tem o modelo da máquina voadora. Contudo, o padre parte para a Holanda em busca de conhecimentos para fazer voar a máquina.
Do capítulo V ao X, há uma contextualização do reinado de D.João V que se reveste de uma ironia mordaz.
Num período de fomes no Alentejo, é importado exageradamente muitas toneladas de trigo que acabam por ser desperdiçadas, pois vão além das necessidades do povo.
Os navios nacionais são assaltados por corsários franceses, há rebeliões no Brasil, as naus francesas que supúnhamos atacar-nos eram afinal uma frota inglesa em comércio de vinho do porto, estabelece-se a paz com França, pelo que ainda mais se ridiculariza a atitude do Infante D. Francisco, que treina a sua pontaria tendo como alvos marinheiros portugueses.
A nível nacional regista-se a insubordinação das freiras do convento de santa Mónica, a elevação de um inquisidor a cardeal, o que denuncia uma politica interna baseada no compadrio.
É no capítulo VIII que se escolhe o alto da vela para a construção do convento, comprando-se estes terrenos por uma “ninharia” decidida pelo tesoureiro do reino.
No capítulo XI começam-se as escavações dos caboucos do convento, como tal, há um cortejo de trabalhadores forçados e acorrentados que chega a Mafra, oriundos de todo o país. Ainda neste capítulo descrevem-se as barracas onde miseravelmente e sem condições sanitárias eram alojados esses operários. Neste momento Baltasar e Blimunda encontram-se a viver em Mafra na casa dos pais do soldado maneta, trabalhando este como boieiro no convento.
No capítulo XIV, temos um interregno na narração dos dois projectos e somos introduzidos no processo de educação da Infanta Ana Maria Bárbara, que tem lições de cravo a cargo do italiano Domenico Scarlatti. É simultaneamente um convite ao sonho, à sensibilidade, mas também uma forma de criticar o luxo e ostentação que se vive na corte, quando os miseráveis são soterrados pelos pedregulhos necessários para a construção do convento.
Segue-se no capítulo XV uma grave doença de Blimunda, que já se encontra na abegoaria, em Lisboa, e que recebe a visita de Scarlatti, que através da magia do seu cravo, consegue curá-la. Paralelamente há uma epidemia de peste em Lisboa, que permite a Blimunda recolher as vontades que farão voar a passarola.
Os capítulos XVI e XVII são ocupados com os primeiros voos da passarola, que sobrevoa Mafra, avistando as obras do convento. O padre Bartolomeu de Gusmão, converte-se ao judaísmo e posteriormente há noticia da sua morte, estávamos então em 1755, quando se dá o terramoto em Lisboa, obrigando Baltazar a regressar a Mafra, trabalhando na construção do convento que já se tinha iniciado a sete anos.
No capítulo XVIII, depois de se enunciarem os gastos reais na construção do convento, servindo uma visão irónica e depreciativa de Portugal, temos os relatos pessoais de seis trabalhadores do convento: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim da Rocha, Manuel Milho, João Anes, Julião Mau Tempo, seis dos vinte mil operários, que o narrador não esquece, registando por ordem alfabética um representante de cada um deles, no capítulo XIX.
Do capítulo XX ao XXIII encontramos, paralelamente o decorrer dos dois projectos. Baltasar desloca-se frequentemente à serra do Montejunto onde tem escondida a passarola, testando-a. O rei decide, com a ajuda do arquitecto Ludovice, aumentar a dimensão do convento e temendo a sua morte para breve, uma vez que está doente, decide marcar a data de sagração do seu projecto, que se dá a 22 de Outubro de 1730.
Baltasar não regressa a casa e Blimunda desloca-se ao Montejunto à sua procura, não o encontrando. A busca do seu companheiro durará nove anos, quer em território português quer por Espanha, encontrando-o a ser queimado na fogueira, juntamente com o judeu António José da Silva, mas retirando-lhe a sua vontade como forma simbólica de união eterna entre os dois.
Paralelamente a este tempo de busca, fazem-se os preparativos para o casamento da infanta D. Ana Maria Bárbara, conduzindo-a até à fronteira, para troca das princesas. É a vida de Ana Maria Bárbara, desde o momento em que é concebida, até ao seu casamento, que marca as fronteiras temporais da acção do romance.
Aconselhamento à leitura: Aconselharia a leitura do romance Memorial do Convento, a eventuais leitores, persuadindo-os de que é uma forma de conhecer a História, um quadro do século XVIII português, duma forma diferente daquela a que estamos habituados.
Aprender História através da literatura é uma forma de aceder ao conhecimento, à cultura geral, mais agradável, conciliando a realidade com a fantasia e o sonho e sobretudo desenvolvendo o sentido crítico mesmo na interpretação real do nosso passado.
Data de início de leitura: Meados de Março
Data de conclusão da leitura: Início de Maio
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