Escola Secundária Rainha D. Leonor
Português - 12º Ano (Turma 3,4,6)
Professor: Euclides Rosa
Ano Lectivo 2008/2009
Coesão interfrásica- revisão
Teoria gramatical
- Só há coesão interfrásica quando as frases/orações que constituem uma frase complexa estabelecem entre si relações lógicas.
- A coesão interfrásica implica muitas vezes coesão verbal/ temporal (combinação de formas verbais em tempos e modos adequados, e também a coesão lexical, omissão/ elipse do sujeito de uma das frases orações, quando este é o mesmo de ambas, retoma anafórica de complementos directos e/ou indirectos, deixização de complementos e modificadores adverbiais, exprimindo circunstâncias de tempo e espaço.
- Uma frase complexa é constituída por duas proposições, podendo reescrever-se em duas frases simples.
- Quando as duas frases simples têm autonomia, estabelecem entre elas uma relação de coordenação,
-Quando existe dependência de uma frase/oração relativamente a outra, estamos perante uma relação de subordinação.
-Para dividir uma frase complexa em proposições, frases, orações, atente nas formas verbais conjugadas, pois elas determinam o número de orações existentes.
- Descubra o valor da conjunção/ locução conjuncional que interliga as orações pois é ela que lhe permitirá classificar as orações subordinadas.
Demonstração
A- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas se o país não atravessasse um período de decadência económica e socio-cultural.
B- Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas porque/ visto que/ já que o país não atravessava um período de decadência económica e socio-cultural.
A é uma frase complexa com duas orações, resultantes da articulação de duas frases simples:
Camões decidiu escrever a epopeia Os Lusíadas.
O país não atravessava um período de decadência económica e socio- cultural.
Tem duas formas verbais conjugadas.
Se é a conjunção que relaciona as duas prposições / orações. Contudo não foi a hipótese/ possibilidade do país atravessar o período de decadência económica e socio-cultural que motivou a escrita da epopeia, essa situação é um facto tido como real. Assim, a conjunção Se não permite estabelecer uma relação lógica de sentido entre as orações, como acontece com as conjunções/ locuções conjuncionais porque/ visto que/ já que presentes em B.
A não tem coesão temporal/ modal, pois decidiu está no pretérito perfeito do indicativo e atravessasse no pretérito imperfeito do conjuntivo.
Já B, tem as duas formas verbais num tempo pretérito do modo indicativo, conseguindo a coesão temporal.
As orações iniciadas pela conjunção/ locução não frases de sentido completo, precisando da outra oração para o concretizar. Assim as primeiras da frase são designadasde subordinantes, as segundas, subordinadas.
Exercícios de treino
....................................................................................................................................................
Delimita as orações que constituem cada uma das frases complexas que se seguem.
Posteriormente procede à sua classificação.
1- Não sei se as reflexões do poeta assumem mais o contorno de críticas ou de conselhos dirigidos aos portugueses.
2- Há nelas uma exortação ao patriotismo persistente que nos impressiona.
3- Como é um verdadeiro poeta humanista, valoriza as capaciades do Homem, embora reconheça a fragilidade e efemeridade da vida humana.
4- Consegue mitificar o povo lusitano não só por comparação com o modelo de herói antigo mas também pela superlativização do seu valor que faz submeter os deuses à vontade humana.
5- Mal chegam a Moçambique, Baco consegue convencer o régulo de que os portugueses vêm para subjugar o seu povo.
6- A vida dos nautas lusitanos foi tão incerta no mar como na terra.
7- Para chegar à Índia, o “ bicho da terra tão pequeno” ora teve de aceitar os desígnios do “ Céu sereno”, ora se viu na obrigação de respeitar a força da natureza.
8- A dimensão heróica exemplar do povo lusíada intensifica-se, quando se reconhece a pequenez humana.
9- Os portugueses sempre mostraram determinação, persistência e coragem, por conseguinte tornaram-se de tal forma grandes que conseguiram feitos incompraváveis.
10- Houve, porém, quem não aceitasse e se opusesse às motivações e consequências da aventura marítima.
11- O velho do Restelo considerava que a empresa ultramarina era um negócio magro de despesa de fazendas e de destruição de famílias.
12- Enquanto os navegadores levavam a tristeza da separação, mas mantinham a esperança do regresso, os parentes, amigos e muitos dos que ficaram choravam já a sua ausência.
13- Ainda que seja um exercício crítico, como convinha a um escritor humanista, é a voz da consciência perante os riscos da aventura e a insatisfação do espírito humano.
14- O velho do Restelo não é uma personagem histórica, logo é um símbolo que representa a posição política dos que pretendem apenas a confirmação e fixação dos territórios já conquistados.
15- Caso não deixe também de simbolizar o tradicional medo do desconhecido e a habitual hesitação perante a novidade, Camões terá desejado que este velho contribuísse para a glorificação/ mitificação de um herói com convicções e ieias próprias.
domingo, 12 de outubro de 2008
Avaliação do Oral preparado
Prof:Euclides ( turmas 12º3, 4, 6) Ano Lectivo: 2008/2009
Propostas de temas
No primeiro e segundo períodos, cada um dos alunos opta por um tema livre ou um dos que a seguir se propõem. No terceiro período a avaliação do oral preparado incidirá sobre um tema específico (autor, obra, corrente literária, temáticas/ conteúdos literários) previstos no programa.
Antecede a apresentação de qualquer destes trabalhos, a entrega ao professor do seu respectivo plano que terá de mencionar conteúdos; claro está que, aquando da pesquisa, este pode ser reformulado, título e a respectiva bibliografia.
No sentido de estabelecer o intercâmbio de conhecimentos, pesquisas e opiniões, sem imposições, gostaria que todos os alunos criassem um texto argumentativo e/ ou expositivo a publicar no Blog.
Temas decorrentes do programa
A- A viagem(ns) como forma de conhecimento.
B- Religião(ões), mitos, superstições, adivinhos, oráculos, curandeiros.
C- A relação Homem/ Natureza.
D- Espaços públicos/ espaços privados.
E- A aldeia e a cidade.
F- Aldeia global: industrialização e informação.
G- Cultura(s), civilizações e tradições.
H- Sistemas/ regimes políticos.
I- Partidarismo, sindicalismo e associativismo.
J- Organizações humanitárias, ONG ( organizações não governamentais).
K- A educação ontem e hoje.
L- Gerações/ conflitos intergeracionais.
M- Analfabetismo e literacia.
N- A(s) Língua(s), perturbações da linguagem.
O- A ciência: ciências exactas/ ciências sociais e humanas.
P- Artes: educação artística.
Q- Música: educação musical.
R- Literatura: educação literária.
S- Tecnologia: educação tecnológica, ofícios, artesãos/ artesanato.
T- Os Media/ a publicidade.
U- O cinema, o teatro.
V- O livro.
W- Museus, galerias, bibliotecas e afins.
X- Leitura.
Y- Escrita(s).
Z- Comunicação verbal/ não verbal, gestual.
Propostas de temas
No primeiro e segundo períodos, cada um dos alunos opta por um tema livre ou um dos que a seguir se propõem. No terceiro período a avaliação do oral preparado incidirá sobre um tema específico (autor, obra, corrente literária, temáticas/ conteúdos literários) previstos no programa.
Antecede a apresentação de qualquer destes trabalhos, a entrega ao professor do seu respectivo plano que terá de mencionar conteúdos; claro está que, aquando da pesquisa, este pode ser reformulado, título e a respectiva bibliografia.
No sentido de estabelecer o intercâmbio de conhecimentos, pesquisas e opiniões, sem imposições, gostaria que todos os alunos criassem um texto argumentativo e/ ou expositivo a publicar no Blog.
Temas decorrentes do programa
A- A viagem(ns) como forma de conhecimento.
B- Religião(ões), mitos, superstições, adivinhos, oráculos, curandeiros.
C- A relação Homem/ Natureza.
D- Espaços públicos/ espaços privados.
E- A aldeia e a cidade.
F- Aldeia global: industrialização e informação.
G- Cultura(s), civilizações e tradições.
H- Sistemas/ regimes políticos.
I- Partidarismo, sindicalismo e associativismo.
J- Organizações humanitárias, ONG ( organizações não governamentais).
K- A educação ontem e hoje.
L- Gerações/ conflitos intergeracionais.
M- Analfabetismo e literacia.
N- A(s) Língua(s), perturbações da linguagem.
O- A ciência: ciências exactas/ ciências sociais e humanas.
P- Artes: educação artística.
Q- Música: educação musical.
R- Literatura: educação literária.
S- Tecnologia: educação tecnológica, ofícios, artesãos/ artesanato.
T- Os Media/ a publicidade.
U- O cinema, o teatro.
V- O livro.
W- Museus, galerias, bibliotecas e afins.
X- Leitura.
Y- Escrita(s).
Z- Comunicação verbal/ não verbal, gestual.
sábado, 14 de junho de 2008
Produções escritas/ treino exame
Propostas de produção escrita (item do programa)
I- A importância da literatura e do teatro como instrumento de libertação humana é um pressuposto inerente à escrita de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
II- É fácil concluir, após a leitura de Felizmente Há Luar!, que estamos perante um exemplo do designado teatro histórico/épico que assume, no entanto, uma faceta nova: a peça não se destina à representação tout court de uma acção ou de uma personagem histórica, mas sim, à reflexão sobre o presente partindo da figuração de um momento da história passada que com o presente mantem uma relação analógica.
Num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fazendo referências concretas à obra, demonstra a validade da tese acima exposta.
III- O Memorial, sendo-o embora de um convento, é-o sobretudo d uma época da qual se esqueceu a outra face composta por gente anónima cuja importância o narrador tenta perpetuar....
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, comenta o juízo crítico apresentado, fundamentando-te na tua experiência de leitura.
IV- A situação feminina no século xvIII português, principalmente no que diz respeito à vivência da sexualidade e do casamento, é aboradada de uma forma contrastiva ao longo do romance Memorial do Convento.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
V- O projecto da passarola só está presente em Memorial do Convento como modelo de organização e de sentido(s) que deve nortear qualquer obra.
Comente a frase acima apresentada num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fundamentado na sua leitura da obra.
VI- Memorial do Convento é uma romance de intervenção que critica todos os poderes instituídos que se constroem subjugando sempre a mesma vítima, o povo.
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, escolha um apecto alvo de crítica no romance em questão, fundamentando a sua escolha com pelo menos três argumentos/ referêcias á obra.
Propostas de produção escrita (item genérico)
I- O impacto da globalização nos países ricos, sentido através de mais importações, deslocalizações de produção e imigração, desencadeou também a contenção nos salários e na criação de emprego.
Por outro lado, não nos esqueçamos que foi a globalização que permitiu a reformulação das estruturas tradicionais económicas e de trabalho .
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras reflicta sobre as consequências positivas e/ou negativas da globalização, justificando o seu ponto de vista com pelo menos três argumentos.
II- A cultura clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pela tradição e pela escola por uma outra forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap, o tecno.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, apresente uma reflexão fundamentada em três argumentos, sobre a tese acima apresentada relativa às novas preferências culturais dos jovens.
III- Desde o século XV, que se reconhece no povo português o espírito de aventura, de andanças, de ousadias de alguém que parece não conseguir fixar-se neste pequeno jardim à beira- mar plantado.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: Os portugueses e a diáspora.
IV- Ao longo da história da humanidade, a natureza e todos os fenómenos naturais têm-se apresentado ao homem como um eterno inimigo com o qual, no entanto, é preciso algum respeito e cuidado. Afinal, temo-la vencida, ou ela só se têm dissimulado, atacando-nos, quando menos esperamos?
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: A eterna luta Homem/ Natureza.
Propostas de produção escrita (Pessoa e heterónimos)
I- “ Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam/ dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo contínuo...” Odes Ricardo Reis
Partindo do excerto acima transcrito e do seu conhecimento de Fernando Pessoa, mostre a postura e atitude de Reis perante as vicissitudes da vida.
II- Não ultrapassando as 150 palavras, explicite a importância de Alberto Caeiro no âmbito da produção literária de Pessoa.
III- Álvaro de Campos é a ruptura na forma e no conteúdo com os padrões estéticos-literários anteriores ao modernismo.
Num texto expositivo-argumentativo, explicite quatro aspectos de forma e de conteúdo que fazem a inovação da poética de Campos.
IV- Fernando Pessoa Ortónimo exibe um percurso literário que, embora de temáticas variadas, tem uma coesão lógica e coerente de pensamento.
Num texto expositivo-argumentativo não ultrapassando as 150 palavras, apresente a temática que considere mais relevante em Pessoa Ortónimo, justificando a sua opção com referência a poemas que a ilustrem.
I- A importância da literatura e do teatro como instrumento de libertação humana é um pressuposto inerente à escrita de Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
II- É fácil concluir, após a leitura de Felizmente Há Luar!, que estamos perante um exemplo do designado teatro histórico/épico que assume, no entanto, uma faceta nova: a peça não se destina à representação tout court de uma acção ou de uma personagem histórica, mas sim, à reflexão sobre o presente partindo da figuração de um momento da história passada que com o presente mantem uma relação analógica.
Num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fazendo referências concretas à obra, demonstra a validade da tese acima exposta.
III- O Memorial, sendo-o embora de um convento, é-o sobretudo d uma época da qual se esqueceu a outra face composta por gente anónima cuja importância o narrador tenta perpetuar....
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, comenta o juízo crítico apresentado, fundamentando-te na tua experiência de leitura.
IV- A situação feminina no século xvIII português, principalmente no que diz respeito à vivência da sexualidade e do casamento, é aboradada de uma forma contrastiva ao longo do romance Memorial do Convento.
Faz uma dissertação entre 150 e 200 palavras em que, de acordo com a tua experiência de leitura, fundamentes a afirmação apresentada.
V- O projecto da passarola só está presente em Memorial do Convento como modelo de organização e de sentido(s) que deve nortear qualquer obra.
Comente a frase acima apresentada num texto expositivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, fundamentado na sua leitura da obra.
VI- Memorial do Convento é uma romance de intervenção que critica todos os poderes instituídos que se constroem subjugando sempre a mesma vítima, o povo.
Num texto expostivo-argumentativo entre 150 e 200 palavras, escolha um apecto alvo de crítica no romance em questão, fundamentando a sua escolha com pelo menos três argumentos/ referêcias á obra.
Propostas de produção escrita (item genérico)
I- O impacto da globalização nos países ricos, sentido através de mais importações, deslocalizações de produção e imigração, desencadeou também a contenção nos salários e na criação de emprego.
Por outro lado, não nos esqueçamos que foi a globalização que permitiu a reformulação das estruturas tradicionais económicas e de trabalho .
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras reflicta sobre as consequências positivas e/ou negativas da globalização, justificando o seu ponto de vista com pelo menos três argumentos.
II- A cultura clássica é o conjunto dos géneros estabelecidos: o livro, o cinema, o teatro, as exposições. Assiste-se progressivamente à substituição destes domínios instalados pela tradição e pela escola por uma outra forma de cultura, particularmente apreciada pelos jovens e, claro, por eles veiculada, e que é constituída pelo vídeo, pelas magias informáticas, pelos novos modos de comunicar ou ouvir música ou por essas mesmas músicas, o rap, o tecno.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, apresente uma reflexão fundamentada em três argumentos, sobre a tese acima apresentada relativa às novas preferências culturais dos jovens.
III- Desde o século XV, que se reconhece no povo português o espírito de aventura, de andanças, de ousadias de alguém que parece não conseguir fixar-se neste pequeno jardim à beira- mar plantado.
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: Os portugueses e a diáspora.
IV- Ao longo da história da humanidade, a natureza e todos os fenómenos naturais têm-se apresentado ao homem como um eterno inimigo com o qual, no entanto, é preciso algum respeito e cuidado. Afinal, temo-la vencida, ou ela só se têm dissimulado, atacando-nos, quando menos esperamos?
Num texto expositivo-argumentativo de 200 a 300 palavras, faça uma dissertação subordinada ao tema: A eterna luta Homem/ Natureza.
Propostas de produção escrita (Pessoa e heterónimos)
I- “ Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam/ dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo contínuo...” Odes Ricardo Reis
Partindo do excerto acima transcrito e do seu conhecimento de Fernando Pessoa, mostre a postura e atitude de Reis perante as vicissitudes da vida.
II- Não ultrapassando as 150 palavras, explicite a importância de Alberto Caeiro no âmbito da produção literária de Pessoa.
III- Álvaro de Campos é a ruptura na forma e no conteúdo com os padrões estéticos-literários anteriores ao modernismo.
Num texto expositivo-argumentativo, explicite quatro aspectos de forma e de conteúdo que fazem a inovação da poética de Campos.
IV- Fernando Pessoa Ortónimo exibe um percurso literário que, embora de temáticas variadas, tem uma coesão lógica e coerente de pensamento.
Num texto expositivo-argumentativo não ultrapassando as 150 palavras, apresente a temática que considere mais relevante em Pessoa Ortónimo, justificando a sua opção com referência a poemas que a ilustrem.
terça-feira, 3 de junho de 2008
teste Mensagem
ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
GRUPO I
1. Distingue no poema as suas partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma, mostrando como se articulam.
2. “ O Infante surge mais como um símbolo do herói português escolhido por Deus para agente da sua vontade do que como ser individual.”
Transcreve todas as expressões que podem comprovar esta afirmação.
3. Justifica a alternância de tempos verbais ao longo do poema.
4. Relaciona o sentido dos dois últimos versos com o carácter profético da “ Mensagem” e com a estrutura da própria obra.
5. “ E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir redonda, do azul profundo.” ( O Infante)
“ Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos” ( Horizonte)
“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “ ( Mar Português)
5.1. Com base nos versos acima transcritos, num pequeno texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, explicita os aspectos da epopeia marítima dos portugueses mais valorizados.
GRUPO II
A
Apesar dos aspectos comuns à Mensagem e a Os Lusíadas, os elementos estruturantes das duas obras (forma e conteúdo) são marcado pela diferença de quatro séculos que separa os autores, bem como pelas diferentes atitudes face á História de Portugal.
Iniciando um texto expositivo-argumentativo pelo parágrafo acima transcrito, apresente semelhanças e diferenças significativas entre as duas obras.
B
“ Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena”
“ Sem a loucura que é o homem/ mais que besta sadia, / cadáver adiado que procria? “
“ Triste de quem é feliz! / Ser descontente é ser homem”.
A partir dos versos acima transcritos e integrando-os na dissertação que vai produzir, mostre de que forma espelham o ideal humanista do homem do renascimento.
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
GRUPO I
1. Distingue no poema as suas partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma, mostrando como se articulam.
2. “ O Infante surge mais como um símbolo do herói português escolhido por Deus para agente da sua vontade do que como ser individual.”
Transcreve todas as expressões que podem comprovar esta afirmação.
3. Justifica a alternância de tempos verbais ao longo do poema.
4. Relaciona o sentido dos dois últimos versos com o carácter profético da “ Mensagem” e com a estrutura da própria obra.
5. “ E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir redonda, do azul profundo.” ( O Infante)
“ Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos” ( Horizonte)
“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “ ( Mar Português)
5.1. Com base nos versos acima transcritos, num pequeno texto expositivo-argumentativo entre 100 e 150 palavras, explicita os aspectos da epopeia marítima dos portugueses mais valorizados.
GRUPO II
A
Apesar dos aspectos comuns à Mensagem e a Os Lusíadas, os elementos estruturantes das duas obras (forma e conteúdo) são marcado pela diferença de quatro séculos que separa os autores, bem como pelas diferentes atitudes face á História de Portugal.
Iniciando um texto expositivo-argumentativo pelo parágrafo acima transcrito, apresente semelhanças e diferenças significativas entre as duas obras.
B
“ Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena”
“ Sem a loucura que é o homem/ mais que besta sadia, / cadáver adiado que procria? “
“ Triste de quem é feliz! / Ser descontente é ser homem”.
A partir dos versos acima transcritos e integrando-os na dissertação que vai produzir, mostre de que forma espelham o ideal humanista do homem do renascimento.
teste lusíadas
ESCOLA SECUNDÁRIA RAINHA DONA LEONOR
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena;
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
Camões, Os Lusíadas
GRUPO I
1. Seguem-se várias afirmações sobre o texto que acabste de ler. Diz se são verdadeiras ou falsas e corrige as falsas de modo a torná-las verdadeiras:
a) Esta invocação situa-se no final do canto VII, antes de Paulo da Gama começar a falar das figuras da História de Portugal representadas nas bandeiras.
b) Camões invoca as Ninfas do Tejo e do Mondego, porque se encontra em perigo de naufragar no mar alto e perder Os Lusíadas.
c) Há já muito tempo que o poeta canta os lusitanos, tendo entretanto passado por muitos perigos e dificuldades.
d) O verso “ Numa mão sempre a espada noutra a pena” traduz bem o conceito de herói renascentista.
e) As misérias sofridas pelo poeta foram recompensadas com descansos e coroas de louro.
f) O modo como os portugueses tratam o poeta é um grande estímulo para outros escritores que queiram celebrar os grandes feitos lusitanos.
g) Camões jura que, se tiver o favor das ninfas inspiradoras, só louvará aqueles que o mereçam.
2. Caracterize o estado de espírito do poeta ao longo da reflexão, servindo-se de expressões textuais.
2.1. Indique dois motivos que estão na origem desse estado de espírito.
3. Mostre, a partir da última estrofe, em que medida a epopeia camoniana foge ao objectivo primordial deste sub-género literário.
GRUPO II
1. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “que navego Por alto mar, com vento tão contrário”
a) é uma oração subordinada concessiva.
2) “ que hei grande medo” b) é uma oração subordinada condicional.
3) “Que o meu fraco batel se alague cedo.”
c) é uma oração subordinada completiva.
4) “ se não me ajudais” d) é uma oração subordinada relativa restritiva com antecente.
2. Considera a frase que se segue:
“Vede, Ninfas, que engenhos de senhores/ O vosso Tejo cria valerosos,/ Que assi sabem prezar, com tais favores,/ A quem os faz, cantando, gloriosos!”
2.1. Identifica a cadeia de referência aí presente.
2.2. Indica o mecanismo de coesão lexical que a frase exibe.
2.3. Transcreve a oração subordinada relativa restritiva sem atecedente.
GRUPO III
A
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, apresente o conceito de herói defendido por Camões em Os Lusíadas, enriquecendo a sua produção com referências concretas à obra.
B
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, avalie a pertinência de Os Lusíadas no contexto histórico-cultural em que surgem, fazendo referências aos aspectos que são elogiados e aos que são criticados.
12º Ano de escolaridade
Duração da prova: 90 minutos teste /treino para exame
2007/2008( Junho) Prof: Euclides Rosa
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Lê o texto com atenção:
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena;
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
Camões, Os Lusíadas
GRUPO I
1. Seguem-se várias afirmações sobre o texto que acabste de ler. Diz se são verdadeiras ou falsas e corrige as falsas de modo a torná-las verdadeiras:
a) Esta invocação situa-se no final do canto VII, antes de Paulo da Gama começar a falar das figuras da História de Portugal representadas nas bandeiras.
b) Camões invoca as Ninfas do Tejo e do Mondego, porque se encontra em perigo de naufragar no mar alto e perder Os Lusíadas.
c) Há já muito tempo que o poeta canta os lusitanos, tendo entretanto passado por muitos perigos e dificuldades.
d) O verso “ Numa mão sempre a espada noutra a pena” traduz bem o conceito de herói renascentista.
e) As misérias sofridas pelo poeta foram recompensadas com descansos e coroas de louro.
f) O modo como os portugueses tratam o poeta é um grande estímulo para outros escritores que queiram celebrar os grandes feitos lusitanos.
g) Camões jura que, se tiver o favor das ninfas inspiradoras, só louvará aqueles que o mereçam.
2. Caracterize o estado de espírito do poeta ao longo da reflexão, servindo-se de expressões textuais.
2.1. Indique dois motivos que estão na origem desse estado de espírito.
3. Mostre, a partir da última estrofe, em que medida a epopeia camoniana foge ao objectivo primordial deste sub-género literário.
GRUPO II
1. Neste item, faça corresponder a cada um dos quatro elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obter afirmações verdadeiras. Escreva na sua folha de respostas, ao lado do número da frase, a alínea correspondente.
A B
1) “que navego Por alto mar, com vento tão contrário”
a) é uma oração subordinada concessiva.
2) “ que hei grande medo” b) é uma oração subordinada condicional.
3) “Que o meu fraco batel se alague cedo.”
c) é uma oração subordinada completiva.
4) “ se não me ajudais” d) é uma oração subordinada relativa restritiva com antecente.
2. Considera a frase que se segue:
“Vede, Ninfas, que engenhos de senhores/ O vosso Tejo cria valerosos,/ Que assi sabem prezar, com tais favores,/ A quem os faz, cantando, gloriosos!”
2.1. Identifica a cadeia de referência aí presente.
2.2. Indica o mecanismo de coesão lexical que a frase exibe.
2.3. Transcreve a oração subordinada relativa restritiva sem atecedente.
GRUPO III
A
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, apresente o conceito de herói defendido por Camões em Os Lusíadas, enriquecendo a sua produção com referências concretas à obra.
B
Num texto expositivo-argumentativo entre 200 e 300 palavras, avalie a pertinência de Os Lusíadas no contexto histórico-cultural em que surgem, fazendo referências aos aspectos que são elogiados e aos que são criticados.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Memorial- planificação
UNIDADE DIDÁCTICA: O Memorial do Convento, José saramago
Aulas previstas: 30 horas
Plano das aulas:
1- Contextualização histórica
- Texto de apoio “ A época de D. João V”, José Hermano Saraiva, História de Portugal
- Personagens e datas reais comprovadas historicamente:
- 1711: 3 anos após o casamento de D. João V com Maria Ana de Áustria
- 1739: auto-de-fé em que morre António José da Silva, O Judeu
Factos históricos:
- O voto, promessa do rei,
- Recrutamento por todo o país de homens, operários para a construção do convento, morte de alguns,
- Presença em Portugal do músico Domenico Scarlatti, como professor de D. Maria Bárbara
- A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão,
- A inquisição,
- O casamento dos infantes portugueses e espanhóis,
- As touradas e os autos-de-fé
Factos históricos(projecção para o futuro- ponte entre o séc XVIII e o séc. XX) :
Tempo da escrita/ tempo da diegese
- pp(23,24,39,89,133,154,165,198,203,212,215,216,219,230,245,257,277)
Factos históricos, científicos, literários
-pp.(135,154,216,219,227,281,290)
Propostas de produção escrita
1- “ Constrói-se um convento porque nasceu Maria Bárbara, cumpre-se o voto porque Maria Bárbara nasceu, e Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou com o dedinho rechonchudo a primeira pedra, nem a segunda” (312-313)
Refere como, através de Maria Bárbara, é possível transmitir a sensação da passagem, do fluir do tempo em Memorial do Convento.( texto expositivo-argumentativo com 150 palavras)
2- Ao longo do romance, apercebemo-nos que o presente se insinua no passado. Num texto expositivo- argumentativo com 150 palavras procura explicar esta opção do narrador.
O ESPAÇO FÍSICO/ O ESPAÇO SOCIAL
O ESPAÇO FÍSICO
Lisboa- cidade muralhada
- abundãncia de igrejas (p.40)
- cidade suja (p.28)
- contraste da sujidade da cidade com o asseio do mercado do peixe (p.42)
- A abegoaria
- ninho de amor de Sete- Sóis e Blimunda e onde se vai construindo a passarola
- simplicidade da vida e pobreza do casal(p88)
- O Paço
Mafra- cidade pouco descrita. Sabemos que é no alto da Vela que se vai construir o convento, construção essa que votará muitos homens a condições de vida infra-humanas ou até mesmo à morte.( p.103-104, 117)
Serra do Barregudo- não longe do Monte Junto, onde pousou e esteve escondida a passarola.
Caminho de Lisboa a Elvas- por ocasião do casamento da princesa e que poderá representar todo o Portugal com os seus caminhos de lama e de miséria.
O ESPAÇO SOCIAL
“ O espaço social configura-se sobretudo em função da presença de tipos e figurantes(...) Os ambientes são descritos para cumprirem uma intenção de crítica aos vícios e deformações da sociedade” Carlos Reis, Ana C. Lopes, Dicionário de Narratologia
O Paço- espaço da subserviência, rituais, gestos repetidos e inúteis, atitude autoritária do rei. ( pp.279-280, 13, 281-282)
Lisboa- cidade que corre para os autos-de-fé com o mesmo prazer com que corre para as touradas.(p.50)
As procissões quebram a monotonia da vida austera, de fome, e é-lhes adulterada a sua índole sagrada (p41), contrastam com o mercado do peixe onde há gente trabalhadora e asseada (p42)
Mafra- crítica social as condições de trabalho de homens que voluntariamente ou obrigados foram deslocados das suas terras para o empreendimento do rei. Vivem em barracões, escravizados pelo trabalho árduo e muitos deles com doenças venéreas, tudo em nome de um salário miserável ou de alimentação certa.
Propostas de produção escrita:
1. Dos espaços físicos representados na obra, refere um que consideres significativo, explicando a sua importância na narrativa.
2. Estabelece a conexão entre um espaço físico à tua escolha e o respectivo espaço social
A estrutura da acção da obra:
Textos/ excertos que serão objecto de leitura metódica nas aulas.
- pp. 13-14 desde “ Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor... até a fertilidade dificultosa da rainha”
-p.31 desde “ De tais desafogamentos até a troco de um convento”
-p.35 desde “ Este que por desafrontada aparência sacudir até os espanhóis fizeram sair de Badajoz.”
p.38 desde “ Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega até Passou a noite em paz.
p.38 desde na claridade do primeiro alvorecer até se não era aquilo sangue seco, era o diabo que o fingia.”
p.53-54 desde “que nome é o seu até nas brasas não se evaporou”.
p. 68 desde calou-se outra vez até não pode atar a vela e o arame que hão-de voar”
pp.71-72 desde ”D. João V vai ter de contentar-se com uma menina até como se percebe pela gritaria”
p.86 desde “El-rei foi a Mafra escolher o sítio até mas esse era santo e está morto.”
p.96 desde “Deitou o Padre Bartolomeu Lourenço... até montou na mula e partiu.”
pp.101-103 desde “Quando Baltasar empurrou a porta até bem-vinda sejas à casa dos Sete-Sóis”
pp.115-116 desde “Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. Sebastião até “ talvez sonhando boas noites”
pp.124-125 desde “ Tirou do alforge um frasco de vidro até vou ver a vontade daqueles homens.”
p.159 desde “ já o Padre Bartolomeu Lourenço regressou de Coimbra até acabar morto de estoque numa rixa”
pp.178-179 desde “ Blimunda está em Lisboa atormentada de uma grande doença até Irei, respondeu ela, mas não sozinha, disse Baltasar.”
p.183 desde “ Quando a epidemia terminou até sentava-se no mocho, e aí ficava horas.”
p.185 desde “ Durante uma semana... até se realmente faltara.”
p.193 desde “ O Padre Bartolomeu Lourenço entrou violentamente na abegoaria até vamos, disse ela”
p.203 desde “ A máquina dá um salto brusco até não se pode ter tudo.”
p.222. desde “ Passam mais de dois meses até ver a máquina voar.”
p.282 desde “Ao ouvir que queria el-rei ampliar o convento até se este rei não se acautela acaba santo.”
pp.297-298 desde “ Porém ainda há famílias felizes até há quem governe mais sabendo menos.”
pp.334-335 desde “ Baltasar entrou na passarola até não se via uma nuvem no céu.”
pp.340-341 desde “ Ali é o lugar, como o ninho de uma grande ave até a descida, porém, com maior carga.”
pp.350 até final “ Enfim, chegou o dia mais glorioso...”
1. A presença da História
“ Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e ficou doido. Era uma vez.”
Contracapa de Memorial do Convento
- A apresentação dos fios da narrativa que vão sendo ao longo da obra desenvolvidos e entrelaçados pelo autor. A intriga da obra gira em torno da construção do convento de Mafra e das personagens históricas e ficcionais ligadas a essa construção.
- A história começa por volta de 1711, três anos após o casamento de D. João V e termina vinte e dois anos depois, em 1739, aquando da realização de um auto-de-fé em que morreram António José da Silva e também Baltasar Sete-Sóis.
- O autor respeita os elementos históricos quando os insere na diegése, como o comprovam os cronistas da época e vai mais longe quando se preocupa em referir o maior número de nomes, homens daquele tempo, que no discurso histórico oficial foram esquecidos.
- Bartolomeu Lourenço é uma das personagens em que a correspondência entre História e ficção é apenas parcial.
- A figura do rei também sofre adaptações várias com fins irónicos.
- Paralelamente há linearidade e respeito pela cronologia, o narrador heterodiegético, afastado temporalmente da intriga, utiliza insistentemente anacronias, sobretudo prolepses, para fazer avançar a acção, Ex:- a morte do sobrinho de Baltasar, a morte do infante D. Pedro. Estas prolepses propõe a possibilidade do narrador distanciado fazer comentários, alguns irónicos, de estabelecer comparações entre épocas diferentes.
Prolepses: pp. 91, 332, 133, 151, 154, 213-214, 37, 216, 50, 219, 178,
- Muito próximo da final da narrativa há um momento em que o tempo diegético não corresponde ao tempo da história. Aquando do desaparecimento de Baltasar na passarola, no dia anterior ao da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, há um salto no tempo de nove anos, elipse temporal, cuja história o narrador resume em pouco mais de duas páginas, “ Durante nove anos Blimunda procurou Baltasar.”
- A acção termina em 1739, com o reencontro das personagens principais num auto-de-fé em que são queimados António José da Silva e Baltasar. Contudo trata-se de um reencontro místico; Blimunda dotada de elevadas capacidades de visão, recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nove anos e que agora achou para sempre.
2- O Tempo
Data do início da narrativa: 1711, o rei tinha casado há cerca de três anos com D. Maria Ana Josefa, casamento que teve lugar em 1708.
Termino da narrativa: 1739, aquando da realização de um auto-de-fé onde são mortos António José da Silva( personagem referencial) e Baltasar Mateus ( personagem ficcional).
Embora haja linearidade e respeito pela cronologia e pela datação de eventos históricos, o narrador principal heterodiegético e afastado temporalmente da narrativa que organiza e controla a intriga, utiliza frequentemente elipses e prolepses para fazer avançar a acção:
Exemplos de prolepses:
- morte do sobrinho de Baltasar e do Infante D.Pedro, para daí a três meses(p.105)
- morte de Manuela Xavier, filha do Visconde de Mafra, para dali a dez anos (p.224)
- morte de Álvaro Diogo ligada ao convento(p.327)
- futuro trabalho de Baltasar no açougue(p.42)
- morte de Marta Maria, mãe de Baltasar (p.137) também é um marco temporal para a balização temporal da construção do convento.
- antecipação do número de bastardos do rei D. João V (p.91)
Se estas prolepses fazem com que a acção progrida, há outras que estão ao serviço do estatuto de narrador distanciado e irónico, que lhe proporcionam comentários e comparações entre épocas históricas diferentes, são elas:
- os tons das cores escolhidas para a decoração do convento, o vermelho e o verde, serão mais tarde, aquando da implantação da República, escolhidas como nacionais (p.133)
- paralelo entre a chegada de africanos às costas portuguesas e o retorno dos ex-colonos por alturas do 25 de abril (p.151)
- os molhos de cravos nas pontas das varas dos capelães, flores que serão simbolo de uma revolução (p.154)
- a descrição da cúpula da Basílica, construída a partir de vários gomos, sugere a comparação com um guarda-chuva, o que leva o narrador a utilizar um termo pelo outro como se fossem sinónimos (p.154)
- a referência á ida à Lua (p.216)
- comparação entre os autos-de-fé e as touradas (p.50)
- referência ao cinema e aos aviões(p.219)
- referência á nona sinfonia de Beethoven, a propósito da música da época e de Domenico Scarlatti (p.178)
Este distanciamento do narrador da época que narra permite-lhe dar conta de acontecimentos e até de teorias desconhecidas da época, como por exemplo, a da terra ser redonda (p.66)
Há consciência da não correspondência entre o tempo da história e o tempo do discurso com um objectivo bem definido: mudar a visão da História ou até corrigi-la, lembrando homens e tarefas que de outra forma seriam esquecidos porque não registados, mas nem por isso menos verdadeiros. Há aqui a consciência lúcida de que o registo histórico oficial é apenas um filtro possível, logo incompleto e consequentemente errado por ser parcial. Há laços entre dois tempos ( Presente e Passado) o primeiro reflecte-se e vê-se no segundo, ambos se tocam e interpretam até porque não lhe são colocadas barreiras delimitadoras.
Falta referir que no final da obra, um dia antes da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, Baltasar desaparece, vindo a ser reencontrado por Blimunda nove anos mais tarde, num auto-de-fé em que vai ser condenado, juntamente com antónio Josè da Silva, em 1739, este reencontro é, no entanto místico, porque mística é Blimunda que recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nova anos e que agora achou para sempre.
Notas avulsas sobre o TEMPO da DIEGESE
- a acção inicia-se com a ida de D. João V ao quarto da rainha, depois de ter fieito a promessa de construção do convento.
- Inaguração da Basílica a 22 de Outubro de 1730, aí el-rei tem 41 anos, Maria Bárbara 17, podemos então concluir que a acção se inicia em 1712.
- Narrativa assume-se como cronológica, quase linear, embora com algumas analepses(pp. 45, 106, 190), prolepses ( vide página anterior).
- Após a ida de el-rei à câmara da rainha, sabemos que esta não participará no auto-de-fé pois está de luto e já vai no quinto mês de gravidez(p.49)
- Na história de Baltasar e Blimunda vão intercalar-se referências a vida na corte.
- As elipses temporais verficam-se nos períodos em que Baltasar e Blimunda estão em Mafra ou em S. João da Pedreira ou o Padre Bartolomeu de Gusmão realiza viagens pelo estrangeiro ou está em Coimbra.
- A benção da primeira pedra ocorre a 17 de Novembro de 1717(p.134) e passada uma semana o casal herói ficcional parte para Lisboa(p.137).
- É sobretudo a partir do dia a dia de baltasar e Blimunda que nos apercebemos da passagem do tempo.
- A data do casamento de Maria Bárbara coincide com a da inauguração da basílica, 1730, (p.350)
- O percurso de vida de certas personagens permite-nos ver o fluir do tempo:
- Maria Bárbara que acompanhamos desde o seu nascimento ao casamento( 17 anos), período de vida que acompanha também a narrativa da promessa/ construção do convento.
- O percurso de vida do monarca português, com vinte e três anos no início da intriga e com 41 no dia de inauguração do c
Aulas previstas: 30 horas
Plano das aulas:
1- Contextualização histórica
- Texto de apoio “ A época de D. João V”, José Hermano Saraiva, História de Portugal
- Personagens e datas reais comprovadas historicamente:
- 1711: 3 anos após o casamento de D. João V com Maria Ana de Áustria
- 1739: auto-de-fé em que morre António José da Silva, O Judeu
Factos históricos:
- O voto, promessa do rei,
- Recrutamento por todo o país de homens, operários para a construção do convento, morte de alguns,
- Presença em Portugal do músico Domenico Scarlatti, como professor de D. Maria Bárbara
- A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão,
- A inquisição,
- O casamento dos infantes portugueses e espanhóis,
- As touradas e os autos-de-fé
Factos históricos(projecção para o futuro- ponte entre o séc XVIII e o séc. XX) :
Tempo da escrita/ tempo da diegese
- pp(23,24,39,89,133,154,165,198,203,212,215,216,219,230,245,257,277)
Factos históricos, científicos, literários
-pp.(135,154,216,219,227,281,290)
Propostas de produção escrita
1- “ Constrói-se um convento porque nasceu Maria Bárbara, cumpre-se o voto porque Maria Bárbara nasceu, e Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou com o dedinho rechonchudo a primeira pedra, nem a segunda” (312-313)
Refere como, através de Maria Bárbara, é possível transmitir a sensação da passagem, do fluir do tempo em Memorial do Convento.( texto expositivo-argumentativo com 150 palavras)
2- Ao longo do romance, apercebemo-nos que o presente se insinua no passado. Num texto expositivo- argumentativo com 150 palavras procura explicar esta opção do narrador.
O ESPAÇO FÍSICO/ O ESPAÇO SOCIAL
O ESPAÇO FÍSICO
Lisboa- cidade muralhada
- abundãncia de igrejas (p.40)
- cidade suja (p.28)
- contraste da sujidade da cidade com o asseio do mercado do peixe (p.42)
- A abegoaria
- ninho de amor de Sete- Sóis e Blimunda e onde se vai construindo a passarola
- simplicidade da vida e pobreza do casal(p88)
- O Paço
Mafra- cidade pouco descrita. Sabemos que é no alto da Vela que se vai construir o convento, construção essa que votará muitos homens a condições de vida infra-humanas ou até mesmo à morte.( p.103-104, 117)
Serra do Barregudo- não longe do Monte Junto, onde pousou e esteve escondida a passarola.
Caminho de Lisboa a Elvas- por ocasião do casamento da princesa e que poderá representar todo o Portugal com os seus caminhos de lama e de miséria.
O ESPAÇO SOCIAL
“ O espaço social configura-se sobretudo em função da presença de tipos e figurantes(...) Os ambientes são descritos para cumprirem uma intenção de crítica aos vícios e deformações da sociedade” Carlos Reis, Ana C. Lopes, Dicionário de Narratologia
O Paço- espaço da subserviência, rituais, gestos repetidos e inúteis, atitude autoritária do rei. ( pp.279-280, 13, 281-282)
Lisboa- cidade que corre para os autos-de-fé com o mesmo prazer com que corre para as touradas.(p.50)
As procissões quebram a monotonia da vida austera, de fome, e é-lhes adulterada a sua índole sagrada (p41), contrastam com o mercado do peixe onde há gente trabalhadora e asseada (p42)
Mafra- crítica social as condições de trabalho de homens que voluntariamente ou obrigados foram deslocados das suas terras para o empreendimento do rei. Vivem em barracões, escravizados pelo trabalho árduo e muitos deles com doenças venéreas, tudo em nome de um salário miserável ou de alimentação certa.
Propostas de produção escrita:
1. Dos espaços físicos representados na obra, refere um que consideres significativo, explicando a sua importância na narrativa.
2. Estabelece a conexão entre um espaço físico à tua escolha e o respectivo espaço social
A estrutura da acção da obra:
Textos/ excertos que serão objecto de leitura metódica nas aulas.
- pp. 13-14 desde “ Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor... até a fertilidade dificultosa da rainha”
-p.31 desde “ De tais desafogamentos até a troco de um convento”
-p.35 desde “ Este que por desafrontada aparência sacudir até os espanhóis fizeram sair de Badajoz.”
p.38 desde “ Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega até Passou a noite em paz.
p.38 desde na claridade do primeiro alvorecer até se não era aquilo sangue seco, era o diabo que o fingia.”
p.53-54 desde “que nome é o seu até nas brasas não se evaporou”.
p. 68 desde calou-se outra vez até não pode atar a vela e o arame que hão-de voar”
pp.71-72 desde ”D. João V vai ter de contentar-se com uma menina até como se percebe pela gritaria”
p.86 desde “El-rei foi a Mafra escolher o sítio até mas esse era santo e está morto.”
p.96 desde “Deitou o Padre Bartolomeu Lourenço... até montou na mula e partiu.”
pp.101-103 desde “Quando Baltasar empurrou a porta até bem-vinda sejas à casa dos Sete-Sóis”
pp.115-116 desde “Bartolomeu Lourenço foi à quinta de S. Sebastião até “ talvez sonhando boas noites”
pp.124-125 desde “ Tirou do alforge um frasco de vidro até vou ver a vontade daqueles homens.”
p.159 desde “ já o Padre Bartolomeu Lourenço regressou de Coimbra até acabar morto de estoque numa rixa”
pp.178-179 desde “ Blimunda está em Lisboa atormentada de uma grande doença até Irei, respondeu ela, mas não sozinha, disse Baltasar.”
p.183 desde “ Quando a epidemia terminou até sentava-se no mocho, e aí ficava horas.”
p.185 desde “ Durante uma semana... até se realmente faltara.”
p.193 desde “ O Padre Bartolomeu Lourenço entrou violentamente na abegoaria até vamos, disse ela”
p.203 desde “ A máquina dá um salto brusco até não se pode ter tudo.”
p.222. desde “ Passam mais de dois meses até ver a máquina voar.”
p.282 desde “Ao ouvir que queria el-rei ampliar o convento até se este rei não se acautela acaba santo.”
pp.297-298 desde “ Porém ainda há famílias felizes até há quem governe mais sabendo menos.”
pp.334-335 desde “ Baltasar entrou na passarola até não se via uma nuvem no céu.”
pp.340-341 desde “ Ali é o lugar, como o ninho de uma grande ave até a descida, porém, com maior carga.”
pp.350 até final “ Enfim, chegou o dia mais glorioso...”
1. A presença da História
“ Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e ficou doido. Era uma vez.”
Contracapa de Memorial do Convento
- A apresentação dos fios da narrativa que vão sendo ao longo da obra desenvolvidos e entrelaçados pelo autor. A intriga da obra gira em torno da construção do convento de Mafra e das personagens históricas e ficcionais ligadas a essa construção.
- A história começa por volta de 1711, três anos após o casamento de D. João V e termina vinte e dois anos depois, em 1739, aquando da realização de um auto-de-fé em que morreram António José da Silva e também Baltasar Sete-Sóis.
- O autor respeita os elementos históricos quando os insere na diegése, como o comprovam os cronistas da época e vai mais longe quando se preocupa em referir o maior número de nomes, homens daquele tempo, que no discurso histórico oficial foram esquecidos.
- Bartolomeu Lourenço é uma das personagens em que a correspondência entre História e ficção é apenas parcial.
- A figura do rei também sofre adaptações várias com fins irónicos.
- Paralelamente há linearidade e respeito pela cronologia, o narrador heterodiegético, afastado temporalmente da intriga, utiliza insistentemente anacronias, sobretudo prolepses, para fazer avançar a acção, Ex:- a morte do sobrinho de Baltasar, a morte do infante D. Pedro. Estas prolepses propõe a possibilidade do narrador distanciado fazer comentários, alguns irónicos, de estabelecer comparações entre épocas diferentes.
Prolepses: pp. 91, 332, 133, 151, 154, 213-214, 37, 216, 50, 219, 178,
- Muito próximo da final da narrativa há um momento em que o tempo diegético não corresponde ao tempo da história. Aquando do desaparecimento de Baltasar na passarola, no dia anterior ao da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, há um salto no tempo de nove anos, elipse temporal, cuja história o narrador resume em pouco mais de duas páginas, “ Durante nove anos Blimunda procurou Baltasar.”
- A acção termina em 1739, com o reencontro das personagens principais num auto-de-fé em que são queimados António José da Silva e Baltasar. Contudo trata-se de um reencontro místico; Blimunda dotada de elevadas capacidades de visão, recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nove anos e que agora achou para sempre.
2- O Tempo
Data do início da narrativa: 1711, o rei tinha casado há cerca de três anos com D. Maria Ana Josefa, casamento que teve lugar em 1708.
Termino da narrativa: 1739, aquando da realização de um auto-de-fé onde são mortos António José da Silva( personagem referencial) e Baltasar Mateus ( personagem ficcional).
Embora haja linearidade e respeito pela cronologia e pela datação de eventos históricos, o narrador principal heterodiegético e afastado temporalmente da narrativa que organiza e controla a intriga, utiliza frequentemente elipses e prolepses para fazer avançar a acção:
Exemplos de prolepses:
- morte do sobrinho de Baltasar e do Infante D.Pedro, para daí a três meses(p.105)
- morte de Manuela Xavier, filha do Visconde de Mafra, para dali a dez anos (p.224)
- morte de Álvaro Diogo ligada ao convento(p.327)
- futuro trabalho de Baltasar no açougue(p.42)
- morte de Marta Maria, mãe de Baltasar (p.137) também é um marco temporal para a balização temporal da construção do convento.
- antecipação do número de bastardos do rei D. João V (p.91)
Se estas prolepses fazem com que a acção progrida, há outras que estão ao serviço do estatuto de narrador distanciado e irónico, que lhe proporcionam comentários e comparações entre épocas históricas diferentes, são elas:
- os tons das cores escolhidas para a decoração do convento, o vermelho e o verde, serão mais tarde, aquando da implantação da República, escolhidas como nacionais (p.133)
- paralelo entre a chegada de africanos às costas portuguesas e o retorno dos ex-colonos por alturas do 25 de abril (p.151)
- os molhos de cravos nas pontas das varas dos capelães, flores que serão simbolo de uma revolução (p.154)
- a descrição da cúpula da Basílica, construída a partir de vários gomos, sugere a comparação com um guarda-chuva, o que leva o narrador a utilizar um termo pelo outro como se fossem sinónimos (p.154)
- a referência á ida à Lua (p.216)
- comparação entre os autos-de-fé e as touradas (p.50)
- referência ao cinema e aos aviões(p.219)
- referência á nona sinfonia de Beethoven, a propósito da música da época e de Domenico Scarlatti (p.178)
Este distanciamento do narrador da época que narra permite-lhe dar conta de acontecimentos e até de teorias desconhecidas da época, como por exemplo, a da terra ser redonda (p.66)
Há consciência da não correspondência entre o tempo da história e o tempo do discurso com um objectivo bem definido: mudar a visão da História ou até corrigi-la, lembrando homens e tarefas que de outra forma seriam esquecidos porque não registados, mas nem por isso menos verdadeiros. Há aqui a consciência lúcida de que o registo histórico oficial é apenas um filtro possível, logo incompleto e consequentemente errado por ser parcial. Há laços entre dois tempos ( Presente e Passado) o primeiro reflecte-se e vê-se no segundo, ambos se tocam e interpretam até porque não lhe são colocadas barreiras delimitadoras.
Falta referir que no final da obra, um dia antes da sagração do convento, 22 de Outubro de 1730, Baltasar desaparece, vindo a ser reencontrado por Blimunda nove anos mais tarde, num auto-de-fé em que vai ser condenado, juntamente com antónio Josè da Silva, em 1739, este reencontro é, no entanto místico, porque mística é Blimunda que recolhe para si a vontade do homem que perdeu há nova anos e que agora achou para sempre.
Notas avulsas sobre o TEMPO da DIEGESE
- a acção inicia-se com a ida de D. João V ao quarto da rainha, depois de ter fieito a promessa de construção do convento.
- Inaguração da Basílica a 22 de Outubro de 1730, aí el-rei tem 41 anos, Maria Bárbara 17, podemos então concluir que a acção se inicia em 1712.
- Narrativa assume-se como cronológica, quase linear, embora com algumas analepses(pp. 45, 106, 190), prolepses ( vide página anterior).
- Após a ida de el-rei à câmara da rainha, sabemos que esta não participará no auto-de-fé pois está de luto e já vai no quinto mês de gravidez(p.49)
- Na história de Baltasar e Blimunda vão intercalar-se referências a vida na corte.
- As elipses temporais verficam-se nos períodos em que Baltasar e Blimunda estão em Mafra ou em S. João da Pedreira ou o Padre Bartolomeu de Gusmão realiza viagens pelo estrangeiro ou está em Coimbra.
- A benção da primeira pedra ocorre a 17 de Novembro de 1717(p.134) e passada uma semana o casal herói ficcional parte para Lisboa(p.137).
- É sobretudo a partir do dia a dia de baltasar e Blimunda que nos apercebemos da passagem do tempo.
- A data do casamento de Maria Bárbara coincide com a da inauguração da basílica, 1730, (p.350)
- O percurso de vida de certas personagens permite-nos ver o fluir do tempo:
- Maria Bárbara que acompanhamos desde o seu nascimento ao casamento( 17 anos), período de vida que acompanha também a narrativa da promessa/ construção do convento.
- O percurso de vida do monarca português, com vinte e três anos no início da intriga e com 41 no dia de inauguração do c
Principais momentos de "Memorial do Convento"
Classificação da Obra: Romance Épico (não há consenso dos teóricos, relativamente à classificação da obra, concilia-se nela características de romance histórico, de romance de espaço e de romance social, de intervenção.)
Romance Épico porque o seu objectivo principal é a glorificação de um herói colectivo, o povo, sempre esquecido nos registos históricos. Por outro lado, o romance é uma alegoria que pretende estabelecer uma comparação entre tempos distintos, século XVIII, tempo da acção do romance e o século XX, tempo da escrita do mesmo. Assim sendo é também um romance de crítica social, de intervenção, de denúncia das injustiças sociais presentes nessas épocas.
Pela descrição de diferentes espaços físicos e sociais, o romance dá-nos quadros históricos de uma época, que fazem dele um romance histórico, mas também um romance de espaço.
Na verdade, há a conciliação de factos históricos reais, todos aqueles que se relacionam com o plano narrativo da construção do convento (reinado de D.João V), é também real o projecto da passarola empreendido pelo padre Bartolomeu de Gusmão e factos ficcionais, todos aqueles em que intervém o casal Baltasar e Blimunda.
Resumo: O romance inicia-se introduzindo-nos no plano histórico da construção do Convento de Mafra, justificando-a pela promessa feita por D.João V a um padre franciscano que lhe garante a sua descendência por providência divina. A visita sexual do rei à rainha, a função, serve para criticar o amor ritualizado baseado num contrato, que se vai opor ao amor sincero de Baltasar e Blimunda, no capítulo V.
Até ao mesmo capitulo, é intenção do autor fazer uma crítica à religião, à igreja e à inquisição, procedendo à ridicularização dos milagres feitos pelos franciscanos, à descrição caricatural das festa religiosas, Entrudo, procissão da Quaresma e do primeiro auto-de-fé, onde e condenada ao degredo, Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda, e onde se conhecem o casal ficcional e Bartolomeu de Gusmão.
São festas marcadas pelos excessos, quer seja pelo pecado da gula, o povo esfomeado come o que lhe e inacessível durante todo o ano, e pelo pecado da luxúria, pois os penitentes exibem os seus corpos nus ensanguentados que deliciam as pretendentes que assistem das janelas.
O primeiro auto-de-fé serve para criticar a inquisição, já não se realizava há dois anos, e serve também para denunciar a má consciência religiosa dos populares que lhe assistem e do próprio rei, que só se desloca ao Rossio para cumprir a diplomacia que lhe é exigida e para cear regaladamente na inquisição.
A segunda sequência do romance trata os preliminares da construção da passarola. Blimunda e Baltasar, vão viver para a quinta do duque de Aveiro, onde o padre Bartolomeu de Gusmão tem o modelo da máquina voadora. Contudo, o padre parte para a Holanda em busca de conhecimentos para fazer voar a máquina.
Do capítulo V ao X, há uma contextualização do reinado de D.João V que se reveste de uma ironia mordaz.
Num período de fomes no Alentejo, é importado exageradamente muitas toneladas de trigo que acabam por ser desperdiçadas, pois vão além das necessidades do povo.
Os navios nacionais são assaltados por corsários franceses, há rebeliões no Brasil, as naus francesas que supúnhamos atacar-nos eram afinal uma frota inglesa em comércio de vinho do porto, estabelece-se a paz com França, pelo que ainda mais se ridiculariza a atitude do Infante D. Francisco, que treina a sua pontaria tendo como alvos marinheiros portugueses.
A nível nacional regista-se a insubordinação das freiras do convento de santa Mónica, a elevação de um inquisidor a cardeal, o que denuncia uma politica interna baseada no compadrio.
É no capítulo VIII que se escolhe o alto da vela para a construção do convento, comprando-se estes terrenos por uma “ninharia” decidida pelo tesoureiro do reino.
No capítulo XI começam-se as escavações dos caboucos do convento, como tal, há um cortejo de trabalhadores forçados e acorrentados que chega a Mafra, oriundos de todo o país. Ainda neste capítulo descrevem-se as barracas onde miseravelmente e sem condições sanitárias eram alojados esses operários. Neste momento Baltasar e Blimunda encontram-se a viver em Mafra na casa dos pais do soldado maneta, trabalhando este como boieiro no convento.
No capítulo XIV, temos um interregno na narração dos dois projectos e somos introduzidos no processo de educação da Infanta Ana Maria Bárbara, que tem lições de cravo a cargo do italiano Domenico Scarlatti. É simultaneamente um convite ao sonho, à sensibilidade, mas também uma forma de criticar o luxo e ostentação que se vive na corte, quando os miseráveis são soterrados pelos pedregulhos necessários para a construção do convento.
Segue-se no capítulo XV uma grave doença de Blimunda, que já se encontra na abegoaria, em Lisboa, e que recebe a visita de Scarlatti, que através da magia do seu cravo, consegue curá-la. Paralelamente há uma epidemia de peste em Lisboa, que permite a Blimunda recolher as vontades que farão voar a passarola.
Os capítulos XVI e XVII são ocupados com os primeiros voos da passarola, que sobrevoa Mafra, avistando as obras do convento. O padre Bartolomeu de Gusmão, converte-se ao judaísmo e posteriormente há noticia da sua morte, estávamos então em 1755, quando se dá o terramoto em Lisboa, obrigando Baltazar a regressar a Mafra, trabalhando na construção do convento que já se tinha iniciado a sete anos.
No capítulo XVIII, depois de se enunciarem os gastos reais na construção do convento, servindo uma visão irónica e depreciativa de Portugal, temos os relatos pessoais de seis trabalhadores do convento: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim da Rocha, Manuel Milho, João Anes, Julião Mau Tempo, seis dos vinte mil operários, que o narrador não esquece, registando por ordem alfabética um representante de cada um deles, no capítulo XIX.
Do capítulo XX ao XXIII encontramos, paralelamente o decorrer dos dois projectos. Baltasar desloca-se frequentemente à serra do Montejunto onde tem escondida a passarola, testando-a. O rei decide, com a ajuda do arquitecto Ludovice, aumentar a dimensão do convento e temendo a sua morte para breve, uma vez que está doente, decide marcar a data de sagração do seu projecto, que se dá a 22 de Outubro de 1730.
Baltasar não regressa a casa e Blimunda desloca-se ao Montejunto à sua procura, não o encontrando. A busca do seu companheiro durará nove anos, quer em território português quer por Espanha, encontrando-o a ser queimado na fogueira, juntamente com o judeu António José da Silva, mas retirando-lhe a sua vontade como forma simbólica de união eterna entre os dois.
Paralelamente a este tempo de busca, fazem-se os preparativos para o casamento da infanta D. Ana Maria Bárbara, conduzindo-a até à fronteira, para troca das princesas. É a vida de Ana Maria Bárbara, desde o momento em que é concebida, até ao seu casamento, que marca as fronteiras temporais da acção do romance.
Aconselhamento à leitura: Aconselharia a leitura do romance Memorial do Convento, a eventuais leitores, persuadindo-os de que é uma forma de conhecer a História, um quadro do século XVIII português, duma forma diferente daquela a que estamos habituados.
Aprender História através da literatura é uma forma de aceder ao conhecimento, à cultura geral, mais agradável, conciliando a realidade com a fantasia e o sonho e sobretudo desenvolvendo o sentido crítico mesmo na interpretação real do nosso passado.
Data de início de leitura: Meados de Março
Data de conclusão da leitura: Início de Maio
Romance Épico porque o seu objectivo principal é a glorificação de um herói colectivo, o povo, sempre esquecido nos registos históricos. Por outro lado, o romance é uma alegoria que pretende estabelecer uma comparação entre tempos distintos, século XVIII, tempo da acção do romance e o século XX, tempo da escrita do mesmo. Assim sendo é também um romance de crítica social, de intervenção, de denúncia das injustiças sociais presentes nessas épocas.
Pela descrição de diferentes espaços físicos e sociais, o romance dá-nos quadros históricos de uma época, que fazem dele um romance histórico, mas também um romance de espaço.
Na verdade, há a conciliação de factos históricos reais, todos aqueles que se relacionam com o plano narrativo da construção do convento (reinado de D.João V), é também real o projecto da passarola empreendido pelo padre Bartolomeu de Gusmão e factos ficcionais, todos aqueles em que intervém o casal Baltasar e Blimunda.
Resumo: O romance inicia-se introduzindo-nos no plano histórico da construção do Convento de Mafra, justificando-a pela promessa feita por D.João V a um padre franciscano que lhe garante a sua descendência por providência divina. A visita sexual do rei à rainha, a função, serve para criticar o amor ritualizado baseado num contrato, que se vai opor ao amor sincero de Baltasar e Blimunda, no capítulo V.
Até ao mesmo capitulo, é intenção do autor fazer uma crítica à religião, à igreja e à inquisição, procedendo à ridicularização dos milagres feitos pelos franciscanos, à descrição caricatural das festa religiosas, Entrudo, procissão da Quaresma e do primeiro auto-de-fé, onde e condenada ao degredo, Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda, e onde se conhecem o casal ficcional e Bartolomeu de Gusmão.
São festas marcadas pelos excessos, quer seja pelo pecado da gula, o povo esfomeado come o que lhe e inacessível durante todo o ano, e pelo pecado da luxúria, pois os penitentes exibem os seus corpos nus ensanguentados que deliciam as pretendentes que assistem das janelas.
O primeiro auto-de-fé serve para criticar a inquisição, já não se realizava há dois anos, e serve também para denunciar a má consciência religiosa dos populares que lhe assistem e do próprio rei, que só se desloca ao Rossio para cumprir a diplomacia que lhe é exigida e para cear regaladamente na inquisição.
A segunda sequência do romance trata os preliminares da construção da passarola. Blimunda e Baltasar, vão viver para a quinta do duque de Aveiro, onde o padre Bartolomeu de Gusmão tem o modelo da máquina voadora. Contudo, o padre parte para a Holanda em busca de conhecimentos para fazer voar a máquina.
Do capítulo V ao X, há uma contextualização do reinado de D.João V que se reveste de uma ironia mordaz.
Num período de fomes no Alentejo, é importado exageradamente muitas toneladas de trigo que acabam por ser desperdiçadas, pois vão além das necessidades do povo.
Os navios nacionais são assaltados por corsários franceses, há rebeliões no Brasil, as naus francesas que supúnhamos atacar-nos eram afinal uma frota inglesa em comércio de vinho do porto, estabelece-se a paz com França, pelo que ainda mais se ridiculariza a atitude do Infante D. Francisco, que treina a sua pontaria tendo como alvos marinheiros portugueses.
A nível nacional regista-se a insubordinação das freiras do convento de santa Mónica, a elevação de um inquisidor a cardeal, o que denuncia uma politica interna baseada no compadrio.
É no capítulo VIII que se escolhe o alto da vela para a construção do convento, comprando-se estes terrenos por uma “ninharia” decidida pelo tesoureiro do reino.
No capítulo XI começam-se as escavações dos caboucos do convento, como tal, há um cortejo de trabalhadores forçados e acorrentados que chega a Mafra, oriundos de todo o país. Ainda neste capítulo descrevem-se as barracas onde miseravelmente e sem condições sanitárias eram alojados esses operários. Neste momento Baltasar e Blimunda encontram-se a viver em Mafra na casa dos pais do soldado maneta, trabalhando este como boieiro no convento.
No capítulo XIV, temos um interregno na narração dos dois projectos e somos introduzidos no processo de educação da Infanta Ana Maria Bárbara, que tem lições de cravo a cargo do italiano Domenico Scarlatti. É simultaneamente um convite ao sonho, à sensibilidade, mas também uma forma de criticar o luxo e ostentação que se vive na corte, quando os miseráveis são soterrados pelos pedregulhos necessários para a construção do convento.
Segue-se no capítulo XV uma grave doença de Blimunda, que já se encontra na abegoaria, em Lisboa, e que recebe a visita de Scarlatti, que através da magia do seu cravo, consegue curá-la. Paralelamente há uma epidemia de peste em Lisboa, que permite a Blimunda recolher as vontades que farão voar a passarola.
Os capítulos XVI e XVII são ocupados com os primeiros voos da passarola, que sobrevoa Mafra, avistando as obras do convento. O padre Bartolomeu de Gusmão, converte-se ao judaísmo e posteriormente há noticia da sua morte, estávamos então em 1755, quando se dá o terramoto em Lisboa, obrigando Baltazar a regressar a Mafra, trabalhando na construção do convento que já se tinha iniciado a sete anos.
No capítulo XVIII, depois de se enunciarem os gastos reais na construção do convento, servindo uma visão irónica e depreciativa de Portugal, temos os relatos pessoais de seis trabalhadores do convento: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim da Rocha, Manuel Milho, João Anes, Julião Mau Tempo, seis dos vinte mil operários, que o narrador não esquece, registando por ordem alfabética um representante de cada um deles, no capítulo XIX.
Do capítulo XX ao XXIII encontramos, paralelamente o decorrer dos dois projectos. Baltasar desloca-se frequentemente à serra do Montejunto onde tem escondida a passarola, testando-a. O rei decide, com a ajuda do arquitecto Ludovice, aumentar a dimensão do convento e temendo a sua morte para breve, uma vez que está doente, decide marcar a data de sagração do seu projecto, que se dá a 22 de Outubro de 1730.
Baltasar não regressa a casa e Blimunda desloca-se ao Montejunto à sua procura, não o encontrando. A busca do seu companheiro durará nove anos, quer em território português quer por Espanha, encontrando-o a ser queimado na fogueira, juntamente com o judeu António José da Silva, mas retirando-lhe a sua vontade como forma simbólica de união eterna entre os dois.
Paralelamente a este tempo de busca, fazem-se os preparativos para o casamento da infanta D. Ana Maria Bárbara, conduzindo-a até à fronteira, para troca das princesas. É a vida de Ana Maria Bárbara, desde o momento em que é concebida, até ao seu casamento, que marca as fronteiras temporais da acção do romance.
Aconselhamento à leitura: Aconselharia a leitura do romance Memorial do Convento, a eventuais leitores, persuadindo-os de que é uma forma de conhecer a História, um quadro do século XVIII português, duma forma diferente daquela a que estamos habituados.
Aprender História através da literatura é uma forma de aceder ao conhecimento, à cultura geral, mais agradável, conciliando a realidade com a fantasia e o sonho e sobretudo desenvolvendo o sentido crítico mesmo na interpretação real do nosso passado.
Data de início de leitura: Meados de Março
Data de conclusão da leitura: Início de Maio
"Felizmente, há luar!" :titulo, didascálias e simbologia
C. UNIDADE DA PEÇA
A unidade da peça é dada pela figura de Gomes Freire, pretenso chefe de uma conspiração contra o poder instituído em Portugal. Como anuncia o próprio autor no quadro de apresentação das personagens, Gomes Freire embora nunca apareça em cena, está sempre presente.
No início da peça, o General é tema de conversa entre os Populares e é posto sob vigilância por ordem de D. Miguel. No decurso do Acto I, os regentes do reino, sem o explicarem, mostram-se ansiosos por ter algum indício que lhes permita acusar Gomes Freire de chefe da conjura. O acto termina com a ordem de prisão de Gomes Freire, acusado de chefe dos conspiradores, ainda que não haja provas de que o seja.
Todo o Acto II se centra em torno da luta de Matilde, companheira do general, pela defesa da sua vida. Luta sem êxito, já que a obra acaba com a execução de Gomes Freire.
D. O TÍTULO
D. Miguel comenta «É verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar…» quando a execução dos conjurados vai começar. Espera que assim, apesar da noite, todos tenham oportunidade de ver bem o que acontece a quem ousa desafiar as forças do poder. (Poder)
As últimas palavras da peça pertencem a Matilde que, depois da execução, diz para o povo: «Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que elas nos ensina! / Até a noite foi feita para que vísseis até ao fim… / Felizmente Felizmente há luar!» (nem “quase grito”). A intenção é a de que todos vejam bem ao que estão sujeitos quando se opõem ao poder. Mas enquanto D. Miguem pretende manter, através do terror, o poder opressivo e incontestável, Matilde pretende que as consciências se agitem e, vencendo o medo, lutem pela liberdade. (Anti-Poder)
E. DIDASCÁLIAS
As didascálias (ou indicações cénicas) são texto secundário que serve de suporte ao texto dramático (fala de personagens).
As didascálias que encontramos entre parênteses dão-nos indicações sobre a expressão corporal da personagem, os seus sentimentos e emoções, o seu movimento em palco, a entrada e saída. Também indicam os destinatários dos actos de fala, o tom de voz, as mudanças de luz, o som.
As didascálias laterais acompanham as palavras das personagens e ajudam à sua caracterização, esclarecendo a forma com é falam, revelando as intenções do que está a ser dito, para que as palavras sejam bem interpretadas (sobretudo pelo leitor).
F. ELEMENTOS SIMBÓLICOS
Os tambores É ao som dos tambores em fanfarra e crescendo de intensidade que a peça termina. Os tambores, que amedrontam os populares mal os ouvem à distância, e que tocam em fanfarra em momentos decisivos, como o anúncio da prisão e o fim da execução de Gomes Freire, representam a repressão; é o som simbólico da opressão aterrorizadora.
A moeda de cinco reis Na primeira situação representa a esmola, o auxílio humilhante que os poderosos dão, com arrogância e desprezo, aos que nada têm. Por isso Manuel, numa atitude de revolta, a manda dar a Matilde, mas logo se arrepende, pois sabe que não é ela que merece este gesto de agressão. Por outro lado, Matilde ao pedir-lha está a assumir a sua culpa por não ter compreendido a real situação dos populares.
Quando Matilde atira a moeda aos pés do Principal Sousa esta passa a símbolo da traição da Igreja, o eco das moedas que Judas recebeu pela entrega de Cristo. Também o Principal Sousa traiu os valores cristãos pelo poder.
A sai verde Oferecida a Matilde pelo seu amado, em Paris, para vestir quando voltassem a Portugal, nunca tinha sido usada, talvez porque o país nunca lhe tivesse dado motivos de esperança. É a saia que ela planeia usar quando Gomes Freire voltar para casa (atitude reveladora de que se recusa a perder a esperança). Acaba por ser a que veste no momento da execução do marido, simbolizando a esperança no futuro.
A fogueira e o clarão a fogueira destruiu Gomes Freire e a conspiração, a hipótese de mudança. Mas foi uma destruição necessária para a purificação; para que todo o horror fosse exposto e reforçasse o desejo de lutar por um Portugal melhor. Este valor redentor e purificador do fogo converte o final de morte num final de esperança. O clarão é a luz da liberdade que se anuncia. O clarão que se extingue com a morte de Gomes Freire irá iluminar muitas consciências. A sua morte não será em vão, outros manterão viva e cada vez mais forte a chama da liberdade que iluminou o General.
O luar Para D. Miguel, a luz do luar simboliza a opressão necessária para manter o país submisso. Para Matilde, simboliza o início do fim do obscurantismo em que o país está mergulhado. É a luz que permite “ver” um exemplo e um caminho a seguir.
A unidade da peça é dada pela figura de Gomes Freire, pretenso chefe de uma conspiração contra o poder instituído em Portugal. Como anuncia o próprio autor no quadro de apresentação das personagens, Gomes Freire embora nunca apareça em cena, está sempre presente.
No início da peça, o General é tema de conversa entre os Populares e é posto sob vigilância por ordem de D. Miguel. No decurso do Acto I, os regentes do reino, sem o explicarem, mostram-se ansiosos por ter algum indício que lhes permita acusar Gomes Freire de chefe da conjura. O acto termina com a ordem de prisão de Gomes Freire, acusado de chefe dos conspiradores, ainda que não haja provas de que o seja.
Todo o Acto II se centra em torno da luta de Matilde, companheira do general, pela defesa da sua vida. Luta sem êxito, já que a obra acaba com a execução de Gomes Freire.
D. O TÍTULO
D. Miguel comenta «É verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar…» quando a execução dos conjurados vai começar. Espera que assim, apesar da noite, todos tenham oportunidade de ver bem o que acontece a quem ousa desafiar as forças do poder. (Poder)
As últimas palavras da peça pertencem a Matilde que, depois da execução, diz para o povo: «Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que elas nos ensina! / Até a noite foi feita para que vísseis até ao fim… / Felizmente Felizmente há luar!» (nem “quase grito”). A intenção é a de que todos vejam bem ao que estão sujeitos quando se opõem ao poder. Mas enquanto D. Miguem pretende manter, através do terror, o poder opressivo e incontestável, Matilde pretende que as consciências se agitem e, vencendo o medo, lutem pela liberdade. (Anti-Poder)
E. DIDASCÁLIAS
As didascálias (ou indicações cénicas) são texto secundário que serve de suporte ao texto dramático (fala de personagens).
As didascálias que encontramos entre parênteses dão-nos indicações sobre a expressão corporal da personagem, os seus sentimentos e emoções, o seu movimento em palco, a entrada e saída. Também indicam os destinatários dos actos de fala, o tom de voz, as mudanças de luz, o som.
As didascálias laterais acompanham as palavras das personagens e ajudam à sua caracterização, esclarecendo a forma com é falam, revelando as intenções do que está a ser dito, para que as palavras sejam bem interpretadas (sobretudo pelo leitor).
F. ELEMENTOS SIMBÓLICOS
Os tambores É ao som dos tambores em fanfarra e crescendo de intensidade que a peça termina. Os tambores, que amedrontam os populares mal os ouvem à distância, e que tocam em fanfarra em momentos decisivos, como o anúncio da prisão e o fim da execução de Gomes Freire, representam a repressão; é o som simbólico da opressão aterrorizadora.
A moeda de cinco reis Na primeira situação representa a esmola, o auxílio humilhante que os poderosos dão, com arrogância e desprezo, aos que nada têm. Por isso Manuel, numa atitude de revolta, a manda dar a Matilde, mas logo se arrepende, pois sabe que não é ela que merece este gesto de agressão. Por outro lado, Matilde ao pedir-lha está a assumir a sua culpa por não ter compreendido a real situação dos populares.
Quando Matilde atira a moeda aos pés do Principal Sousa esta passa a símbolo da traição da Igreja, o eco das moedas que Judas recebeu pela entrega de Cristo. Também o Principal Sousa traiu os valores cristãos pelo poder.
A sai verde Oferecida a Matilde pelo seu amado, em Paris, para vestir quando voltassem a Portugal, nunca tinha sido usada, talvez porque o país nunca lhe tivesse dado motivos de esperança. É a saia que ela planeia usar quando Gomes Freire voltar para casa (atitude reveladora de que se recusa a perder a esperança). Acaba por ser a que veste no momento da execução do marido, simbolizando a esperança no futuro.
A fogueira e o clarão a fogueira destruiu Gomes Freire e a conspiração, a hipótese de mudança. Mas foi uma destruição necessária para a purificação; para que todo o horror fosse exposto e reforçasse o desejo de lutar por um Portugal melhor. Este valor redentor e purificador do fogo converte o final de morte num final de esperança. O clarão é a luz da liberdade que se anuncia. O clarão que se extingue com a morte de Gomes Freire irá iluminar muitas consciências. A sua morte não será em vão, outros manterão viva e cada vez mais forte a chama da liberdade que iluminou o General.
O luar Para D. Miguel, a luz do luar simboliza a opressão necessária para manter o país submisso. Para Matilde, simboliza o início do fim do obscurantismo em que o país está mergulhado. É a luz que permite “ver” um exemplo e um caminho a seguir.
Feizmente, há luar! alegoria e personagens
«Felizmente Há Luar!», Luís de Sttau Monteiro
A peça «Felizmente Há Luar!» é uma peça épica, inspirada na teoria marxista, apelando à reflexão do espectador / leitor, não só no quadro da representação, como também na sociedade em que se insere.
De acordo com os princípios do “teatro épico”, definidos por Brecht, a peça pretende representar o mundo e o homem em constante evolução, de acordo com as relações sociais. Estas características afastam-se da concepção do teatro aristotélico, que pretendia despertar emoções, levando o espectador a identificar-se com o herói.
O teatro moderno tem como preocupação fundamental levar os espectadores / leitores a pensar, a reflectir sobre os acontecimentos passados e a tomar posição na sociedade em que se insere.
Surge, assim, a técnica do distanciamento que propõe um afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador / leitor e a história contada, para que, de uma forma mais real e autêntica, possam fazer juízos de valor sobre o que está a ser representado.
Luís de Sttau Monteiro pretende, através da distanciação, envolver o espectador / leitor no julgamento da sociedade, tomando contacto com o sofrimento dos outros. Deste modo, o espectador deve possuir um olhar crítico para melhor se aperceber de todas as formas de injustiças e opressões.
Características da obra:
- personagens psicologicamente densas e vivas;
- comentários irónicos e mordazes;
- denúncia da hipocrisia da sociedade;
- defesa intransigente da justiça social.
Teatro épico: oferece-nos uma análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, para levar o espectador a reagir criticamente e a tomar uma posição.
A intemporalidade da peça remete-nos para a luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a traição, a injustiça e todas as formas de perseguição.
Preocupação com o homem e o seu destino.
Luta contra a miséria e a alienação.
Denúncia da ausência de moral.
Alerta para a necessidade de uma superação, com o surgimento de uma sociedade solidária que permita a verdadeira realização do homem.
Contexto histórico (Tempo da história século XIX): Invasões napoleónicas: em 1807, o exército francês, comandado pelo general Junot, entra em Portugal. Para evitar a rendição, D. João VI e toda a família real portuguesa fogem para o Brasil. Depois da 1ª invasão, Portugal pede a Inglaterra um oficial para reorganizar o exército (o GENERAL BERESFORD). A Corte (com todos os órgãos da administração central) instala-se no Brasil e, na metrópole, o Governo fica a cargo de uma Junta de Governadores, entre eles, D. MIGUEL FORJAZ (nobreza), PRINCIPAL SOUSA (clero) e BERESFORD (Inglaterra). Este Governo assume uma atitude demasiado autoritária e absolutista. Entretanto, um grupo de generais portugueses, defensores de um Regime Liberal, tendo como líder o GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, conspira para derrubar este Governo Conjura de 1817. Beresford é informado da conspiração e todos os implicados são mortos.
Tempo da escrita século XX, década de 60: Luís de Sttau Monteiro denuncia a opressão vivida na época em que escreve esta obra, isto é, em 1961, durante a ditadura de Salazar. Assim, o recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no início do século XIX, permitiu-lhe também, colocar em destaque as injustiças do seu tempo.
Paralelismo histórico-metafórico
Tempo da História Tempo da escrita
Época Século XIX, 1817
Século XX, 1961
Regime Político Absolutismo Ditadura do Estado Novo (Salazar)
Sociedade Hierarquia social: classes privilegiadas e exploradoras (nobreza, clero e burguesia) e classe explorada (povo).
Fortes desigualdades sociais: classe exploradora (ricos) e classe explorada (pobres).
Povo Péssimas condições de vida: oprimido e resignado; a “miséria, o medo e a ignorância”.
Péssimas condições de vida: reprimido e explorado; miséria, medo e analfabetismo.
Conspiração MANUEL, símbolo da consciência popular, tenta participar na conspiração, liderada pelo GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, para derrubar o poder vigente.
Militantes antifascistas sublevam-se contra o regime ditatorial, mas são logo sufocados.
Denúncias VICENTE, ANDRADE CORVO e MORAIS SARMENTO são símbolos dos denunciantes hipócritas contra o GENERAL.
Muitíssimos foram os chamados “bufos”, denunciantes que ajudaram a manter o regime de Salazar.
Forças Policiais Dois polícias contribuem para sustentar o regime.
Censura. Constituídas, sobretudo, pela PIDE, eram, sem dúvida, o sustentáculo do regime.
Censura.
Classes dominantes São representadas por BERESFORD (a força inglesa), PRINCIPAL SOUSA (o clero) e D. MIGUEL FORJAZ (a nobreza).
Representadas pelas forças estrangeiras (Inglaterra), pelos monopólios e pela Igreja.
Processos Há processos de condenação sem provas.
Muitíssimos foram os processos de condenação sem provas.
Execuções Executa-se o GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, um general sem medo, mas…
Felizmente… Felizmente há luar! As execuções foram muitas, mas em 1965 executar-se-ia o General Humberto Delgado, o “General sem Medo”, mas…
Felizmente… Felizmente há luar!
Estimula futuras rebeliões e,
em 1834, o
LIBERALISMO triunfa. Estimula futuras rebeliões que culminarão, no 25 de Abril de 1974, com a
vitória da DEMOCRACIA.
Personagens
- Povo (Manuel, Rita, Antigo Soldado, Populares)
- Governadores do Reino (D. Miguel Forjaz, Beresford, Principal Sousa)
- Delatores (Vicente, Morais Sarmento, Andrade Corvo)
- Dois polícias
- Matilde de Melo, António de Sousa Falcão, Frei Diogo
- General Gomes Freire de Andrade («que está sempre presente embora nunca apareça.»)
GOMES FREIRE DE ANDRADE – figura carismática que preocupa os poderosos, que arrasta os pequenos, que acredita na justiça e luta pela liberdade (nunca aparece em cena, mas está sempre presente).
D. MIGUEL FORJAZ – prepotente, assustado com transformações que não deseja, corrompido pelo poder, vingativo, frio, desumano, calculista.
PRINCIPAL SOUSA – fanático, corrompido pelo poder eclesiástico.
GENERAL BERESFORD – poderoso, mercenário, interesseiro, calculista, trocista, sarcástico:
- general inglês, severo e disciplinador;
- mandou matar Gomes Freire de Andrade.
VICENTE – demagogo, sarcástico, falso humanitarista, movido pelo interesse da recompensa material, adulador no momento oportuno, hipócrita, despreza a sua origem e o seu passado, capaz de recorrer à traição para ser promovido socialmente.
MANUEL – “o mais consciente dos populares”, andrajosamente vestido: assume algum protagonismo por dar início aos dois actos:
- denuncia a opressão a que o povo tem estado sujeito e a incapacidade de conseguir a libertação e de sair da miséria em que se encontra
MATILDE – a mulher de Gomes Freire, “a companheira de todas as horas”, corajosa:
- exprime romanticamente o amor; reage violentamente perante o ódio e as injustiças, afirma o valor da sinceridade,
- desmascara o interesse, a hipocrisia;
- ora desanima, ora se enfurece, ora se revolta, mas luta sempre.
SOUSA FALCÃO – “o inseparável amigo” de Gomes Freire, sofre junto de Matilde perante a condenação do general, assume as mesmas ideias de justiça e de liberdade, mas não teve a coragem do amigo.
Estrutura da peça / Acção (Peça em dois actos):
Acto I – processo de incriminação; prisão dos incriminados.
. apresentação das situações;
. informações trazidas pelos espiões;
. reunião dos três espiões;
. revelação do nome do chefe dos conjurados...
(mudança de acto = mudança do acontecimento / situação)
Acto II – processo de ilibação dos incriminados; punição dos incriminados.
. a acção centra-se na deambulação de Matilde, cujo estatuto social (nascimento e casamento) lhe permite ter acesso às figuras do poder;
. Matilde considera-se vítima inconformada de uma injustiça;
. expansão da subjectividade de Matilde (inicialmente lírica e depois dramática);
. ritmo modulado pela fala de Matilde, que culmina na acusação ao poder instituído.
Funcionalidade da estrutura dual:
. repetição do quadro inicial (mesma personagem; mesmas interrogações; mesmas indicações de encenação dadas pelo autor);
. a mesma dicotomia Poder / Anti-Poder;
. a mesma disparidade das forças em conflito (que conduz à apoteose trágica final).
A peça «Felizmente Há Luar!» é uma peça épica, inspirada na teoria marxista, apelando à reflexão do espectador / leitor, não só no quadro da representação, como também na sociedade em que se insere.
De acordo com os princípios do “teatro épico”, definidos por Brecht, a peça pretende representar o mundo e o homem em constante evolução, de acordo com as relações sociais. Estas características afastam-se da concepção do teatro aristotélico, que pretendia despertar emoções, levando o espectador a identificar-se com o herói.
O teatro moderno tem como preocupação fundamental levar os espectadores / leitores a pensar, a reflectir sobre os acontecimentos passados e a tomar posição na sociedade em que se insere.
Surge, assim, a técnica do distanciamento que propõe um afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador / leitor e a história contada, para que, de uma forma mais real e autêntica, possam fazer juízos de valor sobre o que está a ser representado.
Luís de Sttau Monteiro pretende, através da distanciação, envolver o espectador / leitor no julgamento da sociedade, tomando contacto com o sofrimento dos outros. Deste modo, o espectador deve possuir um olhar crítico para melhor se aperceber de todas as formas de injustiças e opressões.
Características da obra:
- personagens psicologicamente densas e vivas;
- comentários irónicos e mordazes;
- denúncia da hipocrisia da sociedade;
- defesa intransigente da justiça social.
Teatro épico: oferece-nos uma análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, para levar o espectador a reagir criticamente e a tomar uma posição.
A intemporalidade da peça remete-nos para a luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a traição, a injustiça e todas as formas de perseguição.
Preocupação com o homem e o seu destino.
Luta contra a miséria e a alienação.
Denúncia da ausência de moral.
Alerta para a necessidade de uma superação, com o surgimento de uma sociedade solidária que permita a verdadeira realização do homem.
Contexto histórico (Tempo da história século XIX): Invasões napoleónicas: em 1807, o exército francês, comandado pelo general Junot, entra em Portugal. Para evitar a rendição, D. João VI e toda a família real portuguesa fogem para o Brasil. Depois da 1ª invasão, Portugal pede a Inglaterra um oficial para reorganizar o exército (o GENERAL BERESFORD). A Corte (com todos os órgãos da administração central) instala-se no Brasil e, na metrópole, o Governo fica a cargo de uma Junta de Governadores, entre eles, D. MIGUEL FORJAZ (nobreza), PRINCIPAL SOUSA (clero) e BERESFORD (Inglaterra). Este Governo assume uma atitude demasiado autoritária e absolutista. Entretanto, um grupo de generais portugueses, defensores de um Regime Liberal, tendo como líder o GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, conspira para derrubar este Governo Conjura de 1817. Beresford é informado da conspiração e todos os implicados são mortos.
Tempo da escrita século XX, década de 60: Luís de Sttau Monteiro denuncia a opressão vivida na época em que escreve esta obra, isto é, em 1961, durante a ditadura de Salazar. Assim, o recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no início do século XIX, permitiu-lhe também, colocar em destaque as injustiças do seu tempo.
Paralelismo histórico-metafórico
Tempo da História Tempo da escrita
Época Século XIX, 1817
Século XX, 1961
Regime Político Absolutismo Ditadura do Estado Novo (Salazar)
Sociedade Hierarquia social: classes privilegiadas e exploradoras (nobreza, clero e burguesia) e classe explorada (povo).
Fortes desigualdades sociais: classe exploradora (ricos) e classe explorada (pobres).
Povo Péssimas condições de vida: oprimido e resignado; a “miséria, o medo e a ignorância”.
Péssimas condições de vida: reprimido e explorado; miséria, medo e analfabetismo.
Conspiração MANUEL, símbolo da consciência popular, tenta participar na conspiração, liderada pelo GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, para derrubar o poder vigente.
Militantes antifascistas sublevam-se contra o regime ditatorial, mas são logo sufocados.
Denúncias VICENTE, ANDRADE CORVO e MORAIS SARMENTO são símbolos dos denunciantes hipócritas contra o GENERAL.
Muitíssimos foram os chamados “bufos”, denunciantes que ajudaram a manter o regime de Salazar.
Forças Policiais Dois polícias contribuem para sustentar o regime.
Censura. Constituídas, sobretudo, pela PIDE, eram, sem dúvida, o sustentáculo do regime.
Censura.
Classes dominantes São representadas por BERESFORD (a força inglesa), PRINCIPAL SOUSA (o clero) e D. MIGUEL FORJAZ (a nobreza).
Representadas pelas forças estrangeiras (Inglaterra), pelos monopólios e pela Igreja.
Processos Há processos de condenação sem provas.
Muitíssimos foram os processos de condenação sem provas.
Execuções Executa-se o GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE, um general sem medo, mas…
Felizmente… Felizmente há luar! As execuções foram muitas, mas em 1965 executar-se-ia o General Humberto Delgado, o “General sem Medo”, mas…
Felizmente… Felizmente há luar!
Estimula futuras rebeliões e,
em 1834, o
LIBERALISMO triunfa. Estimula futuras rebeliões que culminarão, no 25 de Abril de 1974, com a
vitória da DEMOCRACIA.
Personagens
- Povo (Manuel, Rita, Antigo Soldado, Populares)
- Governadores do Reino (D. Miguel Forjaz, Beresford, Principal Sousa)
- Delatores (Vicente, Morais Sarmento, Andrade Corvo)
- Dois polícias
- Matilde de Melo, António de Sousa Falcão, Frei Diogo
- General Gomes Freire de Andrade («que está sempre presente embora nunca apareça.»)
GOMES FREIRE DE ANDRADE – figura carismática que preocupa os poderosos, que arrasta os pequenos, que acredita na justiça e luta pela liberdade (nunca aparece em cena, mas está sempre presente).
D. MIGUEL FORJAZ – prepotente, assustado com transformações que não deseja, corrompido pelo poder, vingativo, frio, desumano, calculista.
PRINCIPAL SOUSA – fanático, corrompido pelo poder eclesiástico.
GENERAL BERESFORD – poderoso, mercenário, interesseiro, calculista, trocista, sarcástico:
- general inglês, severo e disciplinador;
- mandou matar Gomes Freire de Andrade.
VICENTE – demagogo, sarcástico, falso humanitarista, movido pelo interesse da recompensa material, adulador no momento oportuno, hipócrita, despreza a sua origem e o seu passado, capaz de recorrer à traição para ser promovido socialmente.
MANUEL – “o mais consciente dos populares”, andrajosamente vestido: assume algum protagonismo por dar início aos dois actos:
- denuncia a opressão a que o povo tem estado sujeito e a incapacidade de conseguir a libertação e de sair da miséria em que se encontra
MATILDE – a mulher de Gomes Freire, “a companheira de todas as horas”, corajosa:
- exprime romanticamente o amor; reage violentamente perante o ódio e as injustiças, afirma o valor da sinceridade,
- desmascara o interesse, a hipocrisia;
- ora desanima, ora se enfurece, ora se revolta, mas luta sempre.
SOUSA FALCÃO – “o inseparável amigo” de Gomes Freire, sofre junto de Matilde perante a condenação do general, assume as mesmas ideias de justiça e de liberdade, mas não teve a coragem do amigo.
Estrutura da peça / Acção (Peça em dois actos):
Acto I – processo de incriminação; prisão dos incriminados.
. apresentação das situações;
. informações trazidas pelos espiões;
. reunião dos três espiões;
. revelação do nome do chefe dos conjurados...
(mudança de acto = mudança do acontecimento / situação)
Acto II – processo de ilibação dos incriminados; punição dos incriminados.
. a acção centra-se na deambulação de Matilde, cujo estatuto social (nascimento e casamento) lhe permite ter acesso às figuras do poder;
. Matilde considera-se vítima inconformada de uma injustiça;
. expansão da subjectividade de Matilde (inicialmente lírica e depois dramática);
. ritmo modulado pela fala de Matilde, que culmina na acusação ao poder instituído.
Funcionalidade da estrutura dual:
. repetição do quadro inicial (mesma personagem; mesmas interrogações; mesmas indicações de encenação dadas pelo autor);
. a mesma dicotomia Poder / Anti-Poder;
. a mesma disparidade das forças em conflito (que conduz à apoteose trágica final).
Essencial de " Felizmente, há luar! "
Felizmente há luar!
Luís de Sttau Monteiro
I. INFLUÊNCIAS
Teatro Épico – B. Brecht (influências marxista) - «O teatro não pode impor emoções aos espectadores (como o “drama aristotélico”), deve fazer com que eles pensem.»
- Narrativo:
. O espectador não é apenas uma testemunha da acção, há que despertar-lhe a actividae e exigir-lhe decisões.
- Mundividências:
. O espectador é posto peralte qualquer tipo de situação.
- Argumento:
. As sensações são elevadas ao nível do conhecimento;
. O espectador está defronte, analisa;
. O homem é objecto de uma análise;
. O homem é susceptível de ser modificado e de modoficar;
. Tensão crescente, ao longo da acção;
. O homem como realidade em processo;
. O ser social determina o pensamento.
II. ESTRUTURA / ACÇÃO
1. Peça em dois actos:
Acto I – processo de incriminação; prisão dos incriminados.
. apresentação das situações;
. informações trazidas pelos espiões;
. reunião dos três espiões;
. revelação do nome do chefe dos conjurados...
... o General Gomes Freire de Andrade (personagem ausente, mas sempre presente)...
... um herói para Manuel, Rita; Antigo Soldado e populares;
... objecto de denúncia para Vicente, Morais Sarmento e Andrade Corvo;
... incómodo para os Governadores do Reino (D. Miguel, Beresford e Pricipal Sousa).
(mudança de acto = mudança do acontecimento / situação)
Acto II – processo de ilibação dos incriminados; punição dos incriminados.
. a acção centra-se na deambulação de Matilde, cujo estatuto social (nascimento e casamento) lhe permite ter acesso às figuras do poder;
. Matilde considera-se vítima inconformada de uma injustiça;
. expansão da subjectividade de Matilde (inicialmente lírica e depois dramática);
. ritmo modulado pela fala de Matilde, que culmina na acusação ao poder instituído.
2. Funcionalidade da estrutura dual:
. repetição do quadro inicial (mesma personagem; mesmas interrogações; mesmas indicações de encenação dadas pelo autor);
. a mesma dicotomia Poder / Anti-Poder;
. a mesma disparidade das forças em conflito (que conduz à apoteose trágica final).
III. PERSONAGENS
O Povo (Manuel, Rita, Antigo Soldado, populares)
Os delactores (Vicente, Morais Sarmento, Andrade Corvo)
Dois polícias
Os Governadores do Reino (D. Miguel Forjaz, Beresford, Principal Sousa)
Matide de Melo / António de Sousa Falcão
Frei Diogo
Tom e sentido da fala das personagens
Manuel – desencanto, compaixão e perplexidade (linguagem com desviod lexicais e com aforismos).
Vicente – inteligência perversa, ódio e desprezo (subtileza dos raciocínios).
D. Miguel – calculista cínico e maquiavélico.
Beresford – pragmatismo tranquilo, sereno e assumido (recurso a uma linguagem técnico-militar).
Principal Sousa – distante, paternalismo falso e beato (recurso a uma terminologia de sentido teológico).
Frei Diogo – inocência, sensibilidade e compreensão da dor.
Sousa Falcão – desiludido e com sentimento de culpa.
Corvo e Sarmento – cobardia, traição, subserviência, venalidade e vilania.
Matilde – amor, paixão, desencanto, confissão, desespero, veemência e acusação (recurso a uma argumentação inteligente, a uma filosofia sagaz e a um tom ingénuo a falar da sua vida privada).
IV. TEMPO
. Paralelismo histórico-metafórico:
- Tempo da acção (séc.XIX – 1817) – Regime Absolutista
- Tempo da escrita (séc.XX – 1920) – Regime Salazarista (fascismo)
. O avanço da acção (passagem do tempo) é dado através da fala das personagens.
V. ESPAÇO
1. Espaço Físico / Espaço Psicológico – não há indicações cénicas com referências a diferentes espaços; a mudança de espaço é marcada por:
. técnica da iluminação;
. didascálias;
. falas das personagens;
. jogo de luz / sombra (para mudança de espaço; para criar ambientes de desalento, de sonho; um código complementar do valor simbólico das palavras proferidas).
2. Espaço Social – vestuário; adereços...
VI. SIMBOLISMO
. saia verde de Matilde (felicidade e esperança)
. o título: «Felizmente há luar!», dito por D. Miguel (efeito dissuasor das execuções); dito po Matilde (esperança).
. Luz (vida) Noite (morte)
. Lua – luar (transformação, renovação,crescimento)
. Fogueira – “clarão” (esperança)
VII. NOVA CONCEPÇÃO DE TEATRO
. Uma “apoteose trágica” – glorificação de um momento exemplar da luta pela liberdade.
VIII. INTENCIONALIDADE DA PEÇA
. Recorrendo à caracterização e linguagem das personagens, às notas à margem do texto e aos elementos de luz e de som, o autor prentende fazer com que o leitor/espectador, pela análise crítica da sociedade do século XIX, reflicta sobre a situação política e social do século XX (1961):
- denúncia de situações escandalosamente injustas e repressoras.
. «Felizmente – felizmente há luar!» (última fala de Matilde, antes de cair o pano):
- 1817 – a esperança de se alterar um regime Absolutista, injusto e violento (1834 – triunfo do Liberalismo)
- 1962 – esperança de se alterar um regime Fascista, injusto e violento (25 de Abril de 1974 – triunfo da Democracia).
Luís de Sttau Monteiro
I. INFLUÊNCIAS
Teatro Épico – B. Brecht (influências marxista) - «O teatro não pode impor emoções aos espectadores (como o “drama aristotélico”), deve fazer com que eles pensem.»
- Narrativo:
. O espectador não é apenas uma testemunha da acção, há que despertar-lhe a actividae e exigir-lhe decisões.
- Mundividências:
. O espectador é posto peralte qualquer tipo de situação.
- Argumento:
. As sensações são elevadas ao nível do conhecimento;
. O espectador está defronte, analisa;
. O homem é objecto de uma análise;
. O homem é susceptível de ser modificado e de modoficar;
. Tensão crescente, ao longo da acção;
. O homem como realidade em processo;
. O ser social determina o pensamento.
II. ESTRUTURA / ACÇÃO
1. Peça em dois actos:
Acto I – processo de incriminação; prisão dos incriminados.
. apresentação das situações;
. informações trazidas pelos espiões;
. reunião dos três espiões;
. revelação do nome do chefe dos conjurados...
... o General Gomes Freire de Andrade (personagem ausente, mas sempre presente)...
... um herói para Manuel, Rita; Antigo Soldado e populares;
... objecto de denúncia para Vicente, Morais Sarmento e Andrade Corvo;
... incómodo para os Governadores do Reino (D. Miguel, Beresford e Pricipal Sousa).
(mudança de acto = mudança do acontecimento / situação)
Acto II – processo de ilibação dos incriminados; punição dos incriminados.
. a acção centra-se na deambulação de Matilde, cujo estatuto social (nascimento e casamento) lhe permite ter acesso às figuras do poder;
. Matilde considera-se vítima inconformada de uma injustiça;
. expansão da subjectividade de Matilde (inicialmente lírica e depois dramática);
. ritmo modulado pela fala de Matilde, que culmina na acusação ao poder instituído.
2. Funcionalidade da estrutura dual:
. repetição do quadro inicial (mesma personagem; mesmas interrogações; mesmas indicações de encenação dadas pelo autor);
. a mesma dicotomia Poder / Anti-Poder;
. a mesma disparidade das forças em conflito (que conduz à apoteose trágica final).
III. PERSONAGENS
O Povo (Manuel, Rita, Antigo Soldado, populares)
Os delactores (Vicente, Morais Sarmento, Andrade Corvo)
Dois polícias
Os Governadores do Reino (D. Miguel Forjaz, Beresford, Principal Sousa)
Matide de Melo / António de Sousa Falcão
Frei Diogo
Tom e sentido da fala das personagens
Manuel – desencanto, compaixão e perplexidade (linguagem com desviod lexicais e com aforismos).
Vicente – inteligência perversa, ódio e desprezo (subtileza dos raciocínios).
D. Miguel – calculista cínico e maquiavélico.
Beresford – pragmatismo tranquilo, sereno e assumido (recurso a uma linguagem técnico-militar).
Principal Sousa – distante, paternalismo falso e beato (recurso a uma terminologia de sentido teológico).
Frei Diogo – inocência, sensibilidade e compreensão da dor.
Sousa Falcão – desiludido e com sentimento de culpa.
Corvo e Sarmento – cobardia, traição, subserviência, venalidade e vilania.
Matilde – amor, paixão, desencanto, confissão, desespero, veemência e acusação (recurso a uma argumentação inteligente, a uma filosofia sagaz e a um tom ingénuo a falar da sua vida privada).
IV. TEMPO
. Paralelismo histórico-metafórico:
- Tempo da acção (séc.XIX – 1817) – Regime Absolutista
- Tempo da escrita (séc.XX – 1920) – Regime Salazarista (fascismo)
. O avanço da acção (passagem do tempo) é dado através da fala das personagens.
V. ESPAÇO
1. Espaço Físico / Espaço Psicológico – não há indicações cénicas com referências a diferentes espaços; a mudança de espaço é marcada por:
. técnica da iluminação;
. didascálias;
. falas das personagens;
. jogo de luz / sombra (para mudança de espaço; para criar ambientes de desalento, de sonho; um código complementar do valor simbólico das palavras proferidas).
2. Espaço Social – vestuário; adereços...
VI. SIMBOLISMO
. saia verde de Matilde (felicidade e esperança)
. o título: «Felizmente há luar!», dito por D. Miguel (efeito dissuasor das execuções); dito po Matilde (esperança).
. Luz (vida) Noite (morte)
. Lua – luar (transformação, renovação,crescimento)
. Fogueira – “clarão” (esperança)
VII. NOVA CONCEPÇÃO DE TEATRO
. Uma “apoteose trágica” – glorificação de um momento exemplar da luta pela liberdade.
VIII. INTENCIONALIDADE DA PEÇA
. Recorrendo à caracterização e linguagem das personagens, às notas à margem do texto e aos elementos de luz e de som, o autor prentende fazer com que o leitor/espectador, pela análise crítica da sociedade do século XIX, reflicta sobre a situação política e social do século XX (1961):
- denúncia de situações escandalosamente injustas e repressoras.
. «Felizmente – felizmente há luar!» (última fala de Matilde, antes de cair o pano):
- 1817 – a esperança de se alterar um regime Absolutista, injusto e violento (1834 – triunfo do Liberalismo)
- 1962 – esperança de se alterar um regime Fascista, injusto e violento (25 de Abril de 1974 – triunfo da Democracia).
Tributo do ano- Melhor produção escrita
Daniel Fonseca
Nº2 12º2ª
Trabalho de Escrita Recreativa
Não se tivessem os nossos heróis apaixonado pelo sonho e seríamos hoje um país sem história, sem cultura, sem identidade. Será isso que desejais, Velho do Restelo? Terá sido essa a vossa ambição quando praguejastes do cais contra o sonho lusitano?
Todos vós, os que se vêm reflectidos nessa personagem descrente, percebam desde já que não têm qualquer hipótese, lutam contra algo maior do que o próprio Homem. O que se comprometeram a combater é o sonho, aquela força omnipresente que abençoa o nosso povo luso desde os seus primórdios. Esse sonho levou o primeiro dos Afonsos a conquistar a esse povo infiel a cidade capital da nossa nação. Não tivesse sido pelo sonho de onde protestáveis agora?
Esse chá que bebeis quando vos falta a voz de tanto protestar, de onde vem? Das mesmas terras que não quisestes que visitássemos! O sonho acompanha-nos de perto, sempre que inovamos. Mesmo o protesto não brotou do solo! Até vós, que protestais contra o sonho, vos deixais invadir por ele. E em tanto protesto contra o sonho alcançável vos deixais ir mais longe, ao cair na enganosa ilusão de que podeis travar o movimento de uma nação. Essa ilusão, a que vos hipnotiza, essa sim é perigosa, por vos fazer crer que é o sonho que ilude quando na verdade é pela sua força que soltamos amarras para o futuro.
É tanto o que deveis ao sonho, para quê tentar confrontá-lo? Dedicai-vos antes a louvar quem se deixa inspirar por ele. Dai graças ao sonho, afinal de contas é graças a ele que não me dirijo a vós nessa língua desagradável que é o Castelhano! Que chore em uníssono o povo luso no dia em que o sonho nos abandonar, pois nesse dia perde(re)mos a nossa identidade
Nº2 12º2ª
Trabalho de Escrita Recreativa
Não se tivessem os nossos heróis apaixonado pelo sonho e seríamos hoje um país sem história, sem cultura, sem identidade. Será isso que desejais, Velho do Restelo? Terá sido essa a vossa ambição quando praguejastes do cais contra o sonho lusitano?
Todos vós, os que se vêm reflectidos nessa personagem descrente, percebam desde já que não têm qualquer hipótese, lutam contra algo maior do que o próprio Homem. O que se comprometeram a combater é o sonho, aquela força omnipresente que abençoa o nosso povo luso desde os seus primórdios. Esse sonho levou o primeiro dos Afonsos a conquistar a esse povo infiel a cidade capital da nossa nação. Não tivesse sido pelo sonho de onde protestáveis agora?
Esse chá que bebeis quando vos falta a voz de tanto protestar, de onde vem? Das mesmas terras que não quisestes que visitássemos! O sonho acompanha-nos de perto, sempre que inovamos. Mesmo o protesto não brotou do solo! Até vós, que protestais contra o sonho, vos deixais invadir por ele. E em tanto protesto contra o sonho alcançável vos deixais ir mais longe, ao cair na enganosa ilusão de que podeis travar o movimento de uma nação. Essa ilusão, a que vos hipnotiza, essa sim é perigosa, por vos fazer crer que é o sonho que ilude quando na verdade é pela sua força que soltamos amarras para o futuro.
É tanto o que deveis ao sonho, para quê tentar confrontá-lo? Dedicai-vos antes a louvar quem se deixa inspirar por ele. Dai graças ao sonho, afinal de contas é graças a ele que não me dirijo a vós nessa língua desagradável que é o Castelhano! Que chore em uníssono o povo luso no dia em que o sonho nos abandonar, pois nesse dia perde(re)mos a nossa identidade
cenários de correcção do teste
PROVA ESCRITA DE PORTUGUÊS
Duração da prova: 90 minutos 6º teste
2007/2008( Maio) Prof: Euclides Rosa
CENÁRIOS/ CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO
GRUPO I
1. ( 7+3)
A alegoria que enforma o poema Dobrada à Moda do Porto delineia-se narrativamente na seguinte realidade concreta, presente nas duas primeiras estrofes: o sujeito poético vai a um restaurante e servem-lhe dobrada fria, recusa-a e pede-a quente. Contudo, não é atendido o seu pedido” impacientaram-se comigo”, não a come, paga a conta e sai do restaurante.
A realidade abstracta está desde logo no segundo verso na comparação, a dobrada é um simbolo artístico e literário para se referir a amor “ serviram-me o amor...”, mas também na contextualização espacio temporal “ Um dia.... fora do espaço e do tempo”, logo é uma realidade vivida interiormente, num tempo e espaço psicológico, os da criatividade artística.
Explicitação de cada uma das realidades com citações textuais......3,5 pontos
Explicitação de cada uma das realidades sem citações textuais....... 2,5 pontos
Organização e coerência discursiva.........................................................2p
Correcção linguística......................................1p
2. (10+5)
A contextulaização espacio-temporal aponta para a indefinição e para a ficcionalidade, limitando-se a remeter para um passado criado sem recurso à memória de uma experiência real concreta. É o tempo e espaço do fingimento artístico.
Interpretação do valor simbólico.............................................................10p
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística.......................................2p
3. (10+5)
Atitude do sujeito lírico: a recusa delicada, sem protesto (v.3), (v.21), revolta silenciosa, resignação (v.8)
Caracterização da atitude com discurso pessoal e citações......................................10p.
Caracterização da atitude com discurso pessoal semcitações.................................. 7p.
Caracterização da atitude só com citações...............................................................5p.
4. (7+3)
A quarta estrofe apresenta-se entre parentesis, funcionando como um aparte da alegoria. È aí que o sentido da mesma se revela e justifica pela situação presente “ a tristeza é de hoje”, confrontando-se a infãncia do poeta com a de “ toda a gente”.
Justificação da utilização de parentesis...................................................................7p.
Organização e coerência discursiva.........................................................2p
Correcção linguística.........................................1p
5. (15+5)
Dobrada fria associa-se á infãncia do sujeito poético. Foi servida no restaurante, que é metáfora alegórica da sua casa natal, um espaço de transacão comercial, o missionário da cozinha e todos os que “ se impacientaram” todos os que lhe deveriam ter dado afectos, sobretudo familiares. É no fundo a infância que, na dimensão valorativa do conceito, não teve, ou, caso a tenha tido, a vê agora, perturbado pela angústia existencial e pelo tédio, como negativa “ E que a tristeza é de hoje”.
A Dobrada quente, a que preferia, porque assim deve ser servida, é o amor sincero, altruísta, sem espera de trocas, recompensas.
Esta última Dobrada é a que sabe ter existido na “infãncia de toda a gente” , marcada pela alegria do jardim onde as crianças brincam.
Comparação do sentido metafórico da oposição Dobrada quente/ fria........................15p.
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística......................................2p
6. (15+5)
O poema situa-se na terceira fase da poética de Campos, conhecida por fase intimista, confessional, marcada pelo decadentismo, a abulia, o tédio. Trata-se no fundo do regresso a Pessoa ortónimo, até mesmo pelo tema da infância, nostalgia da infãncia que não teve, que é mero fingimento poético.
No poema Dobrada à Moda do Porto nota-se a nível do conteúdo, um lirismo de elegia, lamentação, a expressão de uma emoção de uma negatividade dramática ( repetição frio/a “) e não a euforia e valorização da matéria, teconologia da fase futurista/ sensacionista.
Em síntese, a poética centarada no Eu e a nostalgia da infância idealizada são duas razões para se situar este poema na terceira fase.
Contextualização do poema com justificação.................................................................15p.
Contextualização do poema sem justificação..................................................................6p.
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística.....................................2p
A
Reis propõe uma filosofia de vida, baseada no equilíbrio, na moderação, que é totalmente contrária á expressão da nostalgia de um passado, incluindo o da infância.
Numa das suas odes faz mesmo o confronto entre aqueles que “ com olhos postos no passado, vêem o que não vêem” e aqueles que obcecados pelo “ futuro vêem o que não pode ver-se”. Assim sendo, incentiva-nos a viver o presente, a colher o dia, Carpe diem, mas evitando, amores, paixões, odios, alerta bem notório no poema “ vem sentar-te comigo ,Lídia, á beira do rio”.
É a consciêcia da inevitabilidade da morte, decidida pelo Fado, “ que está mais longe que os próprios Deues” e o sentimento da fugacidade da vida, que o levam a persuadir-nos da apatia, e da ataraxia que a vida nos exige, é aceitá-la de mãos abertas, “ pagãos e tristes e com flores no regaço” , norteados pelos ensinamentos do Epicurismo e do Estoicismo.
As flores, os rios, a natureza em geral, são os melhores exemplos onde podemos aprender a aceitar felizes o nosso destino.
Tema e tipologia de texto............................................................................5p.
Coerência e pertinência da informação.......................................................10p
Argumentação da escolha de três direitos humanos...............................10p.
Planificação do ensaio.........................................................................5p.
Organização e estruturação discursiva, recorrendo a articuladores textuais,
Mecanismos de coesão interfrásica,parágrafos..........................................12,5p.
Correcção linguística.....................................................................7,5p.
Duração da prova: 90 minutos 6º teste
2007/2008( Maio) Prof: Euclides Rosa
CENÁRIOS/ CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO
GRUPO I
1. ( 7+3)
A alegoria que enforma o poema Dobrada à Moda do Porto delineia-se narrativamente na seguinte realidade concreta, presente nas duas primeiras estrofes: o sujeito poético vai a um restaurante e servem-lhe dobrada fria, recusa-a e pede-a quente. Contudo, não é atendido o seu pedido” impacientaram-se comigo”, não a come, paga a conta e sai do restaurante.
A realidade abstracta está desde logo no segundo verso na comparação, a dobrada é um simbolo artístico e literário para se referir a amor “ serviram-me o amor...”, mas também na contextualização espacio temporal “ Um dia.... fora do espaço e do tempo”, logo é uma realidade vivida interiormente, num tempo e espaço psicológico, os da criatividade artística.
Explicitação de cada uma das realidades com citações textuais......3,5 pontos
Explicitação de cada uma das realidades sem citações textuais....... 2,5 pontos
Organização e coerência discursiva.........................................................2p
Correcção linguística......................................1p
2. (10+5)
A contextulaização espacio-temporal aponta para a indefinição e para a ficcionalidade, limitando-se a remeter para um passado criado sem recurso à memória de uma experiência real concreta. É o tempo e espaço do fingimento artístico.
Interpretação do valor simbólico.............................................................10p
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística.......................................2p
3. (10+5)
Atitude do sujeito lírico: a recusa delicada, sem protesto (v.3), (v.21), revolta silenciosa, resignação (v.8)
Caracterização da atitude com discurso pessoal e citações......................................10p.
Caracterização da atitude com discurso pessoal semcitações.................................. 7p.
Caracterização da atitude só com citações...............................................................5p.
4. (7+3)
A quarta estrofe apresenta-se entre parentesis, funcionando como um aparte da alegoria. È aí que o sentido da mesma se revela e justifica pela situação presente “ a tristeza é de hoje”, confrontando-se a infãncia do poeta com a de “ toda a gente”.
Justificação da utilização de parentesis...................................................................7p.
Organização e coerência discursiva.........................................................2p
Correcção linguística.........................................1p
5. (15+5)
Dobrada fria associa-se á infãncia do sujeito poético. Foi servida no restaurante, que é metáfora alegórica da sua casa natal, um espaço de transacão comercial, o missionário da cozinha e todos os que “ se impacientaram” todos os que lhe deveriam ter dado afectos, sobretudo familiares. É no fundo a infância que, na dimensão valorativa do conceito, não teve, ou, caso a tenha tido, a vê agora, perturbado pela angústia existencial e pelo tédio, como negativa “ E que a tristeza é de hoje”.
A Dobrada quente, a que preferia, porque assim deve ser servida, é o amor sincero, altruísta, sem espera de trocas, recompensas.
Esta última Dobrada é a que sabe ter existido na “infãncia de toda a gente” , marcada pela alegria do jardim onde as crianças brincam.
Comparação do sentido metafórico da oposição Dobrada quente/ fria........................15p.
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística......................................2p
6. (15+5)
O poema situa-se na terceira fase da poética de Campos, conhecida por fase intimista, confessional, marcada pelo decadentismo, a abulia, o tédio. Trata-se no fundo do regresso a Pessoa ortónimo, até mesmo pelo tema da infância, nostalgia da infãncia que não teve, que é mero fingimento poético.
No poema Dobrada à Moda do Porto nota-se a nível do conteúdo, um lirismo de elegia, lamentação, a expressão de uma emoção de uma negatividade dramática ( repetição frio/a “) e não a euforia e valorização da matéria, teconologia da fase futurista/ sensacionista.
Em síntese, a poética centarada no Eu e a nostalgia da infância idealizada são duas razões para se situar este poema na terceira fase.
Contextualização do poema com justificação.................................................................15p.
Contextualização do poema sem justificação..................................................................6p.
Organização e coerência discursiva.........................................................3p
Correcção linguística.....................................2p
A
Reis propõe uma filosofia de vida, baseada no equilíbrio, na moderação, que é totalmente contrária á expressão da nostalgia de um passado, incluindo o da infância.
Numa das suas odes faz mesmo o confronto entre aqueles que “ com olhos postos no passado, vêem o que não vêem” e aqueles que obcecados pelo “ futuro vêem o que não pode ver-se”. Assim sendo, incentiva-nos a viver o presente, a colher o dia, Carpe diem, mas evitando, amores, paixões, odios, alerta bem notório no poema “ vem sentar-te comigo ,Lídia, á beira do rio”.
É a consciêcia da inevitabilidade da morte, decidida pelo Fado, “ que está mais longe que os próprios Deues” e o sentimento da fugacidade da vida, que o levam a persuadir-nos da apatia, e da ataraxia que a vida nos exige, é aceitá-la de mãos abertas, “ pagãos e tristes e com flores no regaço” , norteados pelos ensinamentos do Epicurismo e do Estoicismo.
As flores, os rios, a natureza em geral, são os melhores exemplos onde podemos aprender a aceitar felizes o nosso destino.
Tema e tipologia de texto............................................................................5p.
Coerência e pertinência da informação.......................................................10p
Argumentação da escolha de três direitos humanos...............................10p.
Planificação do ensaio.........................................................................5p.
Organização e estruturação discursiva, recorrendo a articuladores textuais,
Mecanismos de coesão interfrásica,parágrafos..........................................12,5p.
Correcção linguística.....................................................................7,5p.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Guiões de leitura e análise
Realizam-se na aula de substituição de 6ª feira, devem ser enviados resolvidos para o mail euclidesrosa1123@gmail.com até sábado às 13 horas. São para avaliação e não se aceitam fora do prazo)
Saudação a Walt Whitman
Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé!
Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade,
Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos,
Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário:
De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma —
Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo —
Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro,
Poeta sensacionista,
Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor,
Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!
Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais...
Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim,
E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica.
Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,
Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural,
Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento,
No tecto natural da tua inspiração de tropel,
No centro do tecto da tua intensidade inacessível.
Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícias, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo,
E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Pra frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Retira do texto expressões ou versos reveladoras da influência que Walt Whitman exerce sobre Campos.
2. Explique a intencionalidade da metáfora da experiência das sensações em orgia báquica(v1-3).
2.1. Mostre que as sensações não se limitam aos sentidos mas têm uma componente emocional e intelectual a eles ligada.
3. Mostre que o sujeito poético se assume deliberadamente egoísta, não olhando a meios para atingir o seu fim, “sentir tudo de todas as maneiras e em toda a parte”
4. Prove que nesta fase da poesia de Campos, marcada pelo sensacionismo Whitmaniano, há nitidamente um fôlego de uma vida projectada no futuro que se expressa por uma linguagem/ pensamento que oscila entre o filosófico e a banalidade do quotidiano.
Passagem das Horas
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus.
(...)
Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstrata,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
Calcar, calcar, calcar até não sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.
Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poços,
Cavalgada vôo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relâmpago,
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo — eu.
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...
Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Caracteriza o estado de espírito do sujeito poético ao longo do poema.
1.1.Apresenta os motivos que estão na origem do mesmo ( título e conteúdo do poema).
2. Transcreve os versos que melhor exprimem o ideal de vida sensacionista defendido.
2.1. Justifica o uso frequente do infinitivo.
2.2. Procede ao levantamento de todo o léxico assoiciado a dinamismo/ movimento.
3. Prove que é a natureza do sensacionismo, misto de sentidos e imaginação/espírito que desncadeia a frustração do eu poético.
4. Mostre que o discurso do poeta alterna entre o poético e o filosófico, indicando recursos linguísticos e estilísticos de que se serve.
Dois Excertos de Odes
(...)
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
(...)
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
...................................................................................
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Prova que há uma humanização/personificação da Noite invocada pelo sujeito poético.
1.1. Justifica a intenção dessa personificação.
2. Identifica os diferentes tipos de sensações que a relação do Eu com a Noite desperta.
3. Prova que essa relação tem não só uma dimensão sensitiva mas também emocional e espiritual.
4. Retira do texto léxico associado à modernidade que a Noite traz para o poeta.
5. Explica o sentido dos últimos três versos, notando que são já a expressão de um sensacionismo decadentista.
Saudação a Walt Whitman
Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé!
Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade,
Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos,
Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário:
De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma —
Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo —
Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro,
Poeta sensacionista,
Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor,
Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!
Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais...
Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim,
E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica.
Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,
Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural,
Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento,
No tecto natural da tua inspiração de tropel,
No centro do tecto da tua intensidade inacessível.
Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícias, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida.
O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo,
E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito...
Pra frente!
Meto esporas!
Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Retira do texto expressões ou versos reveladoras da influência que Walt Whitman exerce sobre Campos.
2. Explique a intencionalidade da metáfora da experiência das sensações em orgia báquica(v1-3).
2.1. Mostre que as sensações não se limitam aos sentidos mas têm uma componente emocional e intelectual a eles ligada.
3. Mostre que o sujeito poético se assume deliberadamente egoísta, não olhando a meios para atingir o seu fim, “sentir tudo de todas as maneiras e em toda a parte”
4. Prove que nesta fase da poesia de Campos, marcada pelo sensacionismo Whitmaniano, há nitidamente um fôlego de uma vida projectada no futuro que se expressa por uma linguagem/ pensamento que oscila entre o filosófico e a banalidade do quotidiano.
Passagem das Horas
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus.
(...)
Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstrata,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
Calcar, calcar, calcar até não sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.
Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poços,
Cavalgada vôo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relâmpago,
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo — eu.
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...
Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Caracteriza o estado de espírito do sujeito poético ao longo do poema.
1.1.Apresenta os motivos que estão na origem do mesmo ( título e conteúdo do poema).
2. Transcreve os versos que melhor exprimem o ideal de vida sensacionista defendido.
2.1. Justifica o uso frequente do infinitivo.
2.2. Procede ao levantamento de todo o léxico assoiciado a dinamismo/ movimento.
3. Prove que é a natureza do sensacionismo, misto de sentidos e imaginação/espírito que desncadeia a frustração do eu poético.
4. Mostre que o discurso do poeta alterna entre o poético e o filosófico, indicando recursos linguísticos e estilísticos de que se serve.
Dois Excertos de Odes
(...)
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
(...)
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
...................................................................................
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Orientações de leitura e análise:
1. Prova que há uma humanização/personificação da Noite invocada pelo sujeito poético.
1.1. Justifica a intenção dessa personificação.
2. Identifica os diferentes tipos de sensações que a relação do Eu com a Noite desperta.
3. Prova que essa relação tem não só uma dimensão sensitiva mas também emocional e espiritual.
4. Retira do texto léxico associado à modernidade que a Noite traz para o poeta.
5. Explica o sentido dos últimos três versos, notando que são já a expressão de um sensacionismo decadentista.
Sensacionismo Whitmaniano( aula de 4ª feira)
Sensacionismo Whitmaniano:
• A única realidade na vida é a sensação. A única realidade em arte é a consciência da sensação.
• Não há Filosofia, Ética ou Estética, mesmo na arte, onde existem apenas sensações.
• Pujança da sensação intelectual, emocional e física
Vivência em excesso das sensações (“Sentir tudo de todas as maneiras” – afastamento de Caeiro)
Sadismo e masoquismo
Cantor lúcido do mundo moderno
Do sensacionismo (de Walt Whitman), Campos adoptou, para além do verso livre, um estilo esfuziante, torrencial, espraiado em longos versos de duas ou três linhas, anafórico, exclamativo, interjectivo, monótono pela simplicidade dos processos, pela reiteração de apóstrofes e enumerações, mas cheio de vida.
- celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna
- apresenta a beleza dos “maquinismos em fúria” e da força da máquina
- exalta o progresso técnico, a velocidade e a força
- procura da chave do ser e da inteligência do mundo torna-se desesperante
- canta a civilização industrial
- recusa as verdades definitivas
- estilisticamente: introduz na linguagem poética a terminologia do mundo mecânico citadino e cosmopolita
- intelectualização das sensações
- a sensação é tudo
- procura a totalização das sensações: sente a complexidade e a dinâmica da vida moderna e, por isso, procura sentir a violência e a força de todas as sensações – “sentir tudo de todas as maneiras”
- cativo dos sentidos, procura dar largas às possibilidades sensoriais ou tenta reprimir, por temor, a manifestação de um lado feminino
- tenta integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir
- exprime a energia ou a força que se manifesta na vida.
• A única realidade na vida é a sensação. A única realidade em arte é a consciência da sensação.
• Não há Filosofia, Ética ou Estética, mesmo na arte, onde existem apenas sensações.
• Pujança da sensação intelectual, emocional e física
Vivência em excesso das sensações (“Sentir tudo de todas as maneiras” – afastamento de Caeiro)
Sadismo e masoquismo
Cantor lúcido do mundo moderno
Do sensacionismo (de Walt Whitman), Campos adoptou, para além do verso livre, um estilo esfuziante, torrencial, espraiado em longos versos de duas ou três linhas, anafórico, exclamativo, interjectivo, monótono pela simplicidade dos processos, pela reiteração de apóstrofes e enumerações, mas cheio de vida.
- celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna
- apresenta a beleza dos “maquinismos em fúria” e da força da máquina
- exalta o progresso técnico, a velocidade e a força
- procura da chave do ser e da inteligência do mundo torna-se desesperante
- canta a civilização industrial
- recusa as verdades definitivas
- estilisticamente: introduz na linguagem poética a terminologia do mundo mecânico citadino e cosmopolita
- intelectualização das sensações
- a sensação é tudo
- procura a totalização das sensações: sente a complexidade e a dinâmica da vida moderna e, por isso, procura sentir a violência e a força de todas as sensações – “sentir tudo de todas as maneiras”
- cativo dos sentidos, procura dar largas às possibilidades sensoriais ou tenta reprimir, por temor, a manifestação de um lado feminino
- tenta integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir
- exprime a energia ou a força que se manifesta na vida.
Futurismo de Marinetti ( aula de 4ª feira)
A segunda fase do Futurismo Whitmaniano:
Campos recebe influências do Futurismo de Marinetti e do Sensacionismo De Walt Whitman.
Manifesto Futurista de Marinetti (11 de Março de 1912):
• Deve destruir-se o eu na literatura, isto é, deve abolir-se toda a psicologia (...) substituindo-a pela matéria (...) com os seus impulsos directivos, a sua força de compressão, de dilatação, de coesão e de desagregação, a sua composição molecular ou as suas turbinas de electrões (...) O calor de um pedaço de ferro ou de madeira, é muito mais apaixonante, para nós, que o sorriso ou as lágrimas de uma mulher. Queremos na literatura a vida do motor, novo animal instintivo do qual conheceremos o instinto geral, depois de conhecermos os instintos das diversas forças que o compõem (...) É necessário sentir o peso e o odor dos objectos, coisa que nunca se fez na literatura, ouvindo os motores e reproduzindo os seus especialíssimos discursos inumanos.
• (...) Há necessidade de orquestrar as imagens, dispondo-as segundo um máximo de desordem
• (...) Deve haver uma gradação de analogia cada vez mais vasta, estabelecendo relações tanto mais profundas e sólidas, quanto mais distantes. A analogia nada mais é do que o amor profundo que liga as coisas distantes, aparentemente diversas e hostis. Quando, na minha Battaglia di Tripoli, comparei uma trincheira hirta de baionetas a uma orquestra, uma metralhadora a uma mulher fatal, introduzi, intuitivamente, uma grande parte do Universo num breve episódio de batalha africana. As imagens não são flores para semear e colher com parcimónia, como dizia Voltaire. Elas constituem o próprio sangue da poesia. A poesia deve ser sequência ininterrupta de imagens novas, sem o que será pura anemia (...) É necessário, portanto, abolir na língua o que ela contenha de imagens estereotipadas, de metáforas desbotadas; isto é, quase tudo.
• Necessidade de libertação da sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, de forma espontânea;
• Deve usar-se o verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não se sobreponha ao eu do escritor que observa ou imagina (...);
• Deve abolir-se o adjectivo, para que o substantivo nu conserve o seu valor essencial (...);
• Deve abolir-se o advérbio (...) para evitar que ele dê à frase uma fastidiosa unidade de tom;
• Todo o substantivo deve ter o seu duplo, isto é, o substantivo deve ser seguido, sem conjunção, do substantivo a que está ligado por analogia (...);
O Futurismo em Portugal foi um escândalo sociológico. Os jovens futuristas ( Pessoa, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor, entre outros, foram apelidados de “ malucos”, “loucos” mas era isso que eles próprios queriam, “ dar uma bofetada no gosto do público(famoso poema de Maiakovski), rompendo definitivamente com hábitos culturais esclerosados e retrógrados.
“ Um automóvel é mais belo que a Vitória de Samotrácia”
Elogio da civilização industrial e da técnica
Ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional
Atitude escandalosa: transgressão da moral estabelecida.
Campos recebe influências do Futurismo de Marinetti e do Sensacionismo De Walt Whitman.
Manifesto Futurista de Marinetti (11 de Março de 1912):
• Deve destruir-se o eu na literatura, isto é, deve abolir-se toda a psicologia (...) substituindo-a pela matéria (...) com os seus impulsos directivos, a sua força de compressão, de dilatação, de coesão e de desagregação, a sua composição molecular ou as suas turbinas de electrões (...) O calor de um pedaço de ferro ou de madeira, é muito mais apaixonante, para nós, que o sorriso ou as lágrimas de uma mulher. Queremos na literatura a vida do motor, novo animal instintivo do qual conheceremos o instinto geral, depois de conhecermos os instintos das diversas forças que o compõem (...) É necessário sentir o peso e o odor dos objectos, coisa que nunca se fez na literatura, ouvindo os motores e reproduzindo os seus especialíssimos discursos inumanos.
• (...) Há necessidade de orquestrar as imagens, dispondo-as segundo um máximo de desordem
• (...) Deve haver uma gradação de analogia cada vez mais vasta, estabelecendo relações tanto mais profundas e sólidas, quanto mais distantes. A analogia nada mais é do que o amor profundo que liga as coisas distantes, aparentemente diversas e hostis. Quando, na minha Battaglia di Tripoli, comparei uma trincheira hirta de baionetas a uma orquestra, uma metralhadora a uma mulher fatal, introduzi, intuitivamente, uma grande parte do Universo num breve episódio de batalha africana. As imagens não são flores para semear e colher com parcimónia, como dizia Voltaire. Elas constituem o próprio sangue da poesia. A poesia deve ser sequência ininterrupta de imagens novas, sem o que será pura anemia (...) É necessário, portanto, abolir na língua o que ela contenha de imagens estereotipadas, de metáforas desbotadas; isto é, quase tudo.
• Necessidade de libertação da sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, de forma espontânea;
• Deve usar-se o verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não se sobreponha ao eu do escritor que observa ou imagina (...);
• Deve abolir-se o adjectivo, para que o substantivo nu conserve o seu valor essencial (...);
• Deve abolir-se o advérbio (...) para evitar que ele dê à frase uma fastidiosa unidade de tom;
• Todo o substantivo deve ter o seu duplo, isto é, o substantivo deve ser seguido, sem conjunção, do substantivo a que está ligado por analogia (...);
O Futurismo em Portugal foi um escândalo sociológico. Os jovens futuristas ( Pessoa, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor, entre outros, foram apelidados de “ malucos”, “loucos” mas era isso que eles próprios queriam, “ dar uma bofetada no gosto do público(famoso poema de Maiakovski), rompendo definitivamente com hábitos culturais esclerosados e retrógrados.
“ Um automóvel é mais belo que a Vitória de Samotrácia”
Elogio da civilização industrial e da técnica
Ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional
Atitude escandalosa: transgressão da moral estabelecida.
domingo, 30 de março de 2008
Os Colombos
Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.
Colombo, que tentara durante anos o apoio do rei de Portugal, acabaria por descobrir o Novo mundo sob a égide dos reis católicos de Espanha; significa aqui as oportunidades perdidas, mas também que a missão de Portugal vai mais além da dos “Colombos”.
“Outros haverão de ter / O que houvermos de perder”
“Mas o que a eles não toca / É a magia que evoca / O longe e faz dele história”
Este poema, que se situa na segunda parte da obra a “ Mensagem” intitulada de Mar Português, substitui um outro chamado “Ironia” que constatava nas primeiras versões dessa obra.
O poema refere-se a Cristóvão Colombo que foi o descobridor da América ao serviço dos reis de Espanha. Por isso mesmo sabemos que há todo um contencioso entre Portugal e Espanha a propósito de Colombo, que deveria ter descoberto a América em nome do rei de Portugal se este, D.joão II, não o tivesse rejeitado.
Não se referindo apenas a Cristóvão Colombo, este poema fala ainda de todos os navegadores estrangeiros (chamados aqui “Colombos”) cuja glória, diz, é apenas um reflexo da luz das descobertas portuguesas. Neste poema, na minha opinião, existe um certo exagero quanto ao nacionalismo, porque, como podemos ver na primeira estrofe, o poeta diz que os outros navegadores só vão ter o que Portugal não quis, pois Portugal não podia conquistar tudo.
Quanto à análise estilística do poema é de referir o uso de rima emparelhada, cujo esquema é aabb, esta rima pobre acentua os feitos menores dos navegadores que não eram portugueses, do discurso na primeira pessoa do plural, como se fosse Portugal a falar, e ainda o uso da metonímia, pois Colombo aparece em representação de todas as potências estrangeiras que tentam apoderar-se do que é português.
Diogo Soares 12º 2
Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.
Colombo, que tentara durante anos o apoio do rei de Portugal, acabaria por descobrir o Novo mundo sob a égide dos reis católicos de Espanha; significa aqui as oportunidades perdidas, mas também que a missão de Portugal vai mais além da dos “Colombos”.
“Outros haverão de ter / O que houvermos de perder”
“Mas o que a eles não toca / É a magia que evoca / O longe e faz dele história”
Este poema, que se situa na segunda parte da obra a “ Mensagem” intitulada de Mar Português, substitui um outro chamado “Ironia” que constatava nas primeiras versões dessa obra.
O poema refere-se a Cristóvão Colombo que foi o descobridor da América ao serviço dos reis de Espanha. Por isso mesmo sabemos que há todo um contencioso entre Portugal e Espanha a propósito de Colombo, que deveria ter descoberto a América em nome do rei de Portugal se este, D.joão II, não o tivesse rejeitado.
Não se referindo apenas a Cristóvão Colombo, este poema fala ainda de todos os navegadores estrangeiros (chamados aqui “Colombos”) cuja glória, diz, é apenas um reflexo da luz das descobertas portuguesas. Neste poema, na minha opinião, existe um certo exagero quanto ao nacionalismo, porque, como podemos ver na primeira estrofe, o poeta diz que os outros navegadores só vão ter o que Portugal não quis, pois Portugal não podia conquistar tudo.
Quanto à análise estilística do poema é de referir o uso de rima emparelhada, cujo esquema é aabb, esta rima pobre acentua os feitos menores dos navegadores que não eram portugueses, do discurso na primeira pessoa do plural, como se fosse Portugal a falar, e ainda o uso da metonímia, pois Colombo aparece em representação de todas as potências estrangeiras que tentam apoderar-se do que é português.
Diogo Soares 12º 2
Padrão
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
Este poema pertence à 2ª parte da “Mensagem”, “Mar Português”, está efectivamente relacionado com os Descobrimentos .
Um padrão era um marco de pedra em forma de cruz que era colocado nos sítios descobertos pelos portugueses. O padrão tinha as armas(as quinas) portuguesas e uma inscrição, e era destinado a afirmar a soberania portuguesa na região onde se encontrava.
Diogo Cão foi um navegador português do século XV. Enviado por D. João II, realizou 2 viagens de descobrimento da costa africana entre 1482 e 1486. Chegou á foz do Zaire. Estabeleceu as primeiras relações com o reino do Congo. Em 1485, chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, substituindo assim as cruzes de madeira para assinalar a presença portuguesa nos locais descobertos.
Assunto: num discurso de primeira pessoa, o sujeito poético , Diogo Cão, mostra neste poema o significado do padrão. Assim, o padrão “sinala ao vento e aos céus/Que, da obra ousada, é minha a parte feita” , ou seja, o padrão indica que o navegador cumpriu a sua missão.
As quinas testemunham o domínio português no oceano, que foi muito superior ao dos gregos e ao dos romanos.
A cruz mostra qual o objectivo último da navegação: a procura do porto sempre por descobrir(Céu), que só será encontrado “na eterna calma”(depois de morrer),e até lá, guiar-se-há pela vontade de Deus, que o incentiva a navegar constantemente.
A 1ª estrofe é uma introdução ao poema , já que se identifica o sujeito poético e aquilo que ela fez: deixou um padrão “junto ao areal moreno” eseguiu a sua navegação.
Na 2º estrofe, o sujeito poético reconhece que aquele padrão assinala que a missão do navegador foi cumprida.
Nas duas últimas estrofes, o sujeito poético mostra o significado das Quinas e da Cruz.
O sujeito poético é um navegador persistente e corajoso, tendo consciência da fragilidade humana: “O esforço é grande o homem é pequeno” e “a obra é imperfeita”.
É um ser insatisfeito, pois quer sempre seguir o seu caminho na descoberta de novas terras, nunca parando.
O poema apresenta muitos recursos expressivos. De salientar a utilização de metáforas como ,por exemplo,( "A alma é divina") - mostrando que a alma está ligada à divindade por oposição a uma outra ( "a obra é imperfeita"), da antítese inicial do poema "grande/ pequeno", reforçando a oposição Homem/Deus. Também importa salientar a dupla adjectivação "imenso e possível oceano" para reforçar a imensidão do mar e a personificação das Quinas que "ensinam" e da Cruz que "diz". Importa ainda referir todo o vocabulário que está relacionado com o mar como "areal", "naveguei", "navegador",...
O poema é formado por 4 estrofes, tendo cada uma 4 versos (quadras); o esquema rimático é abab- rima cruzada; não tem uma métrica regular.
Este poema está, assim, inserido na 2ª parte da "Mensagem", que representa simbolicamente a vida ou a realização.
Duarte Simões 12º 2
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
Este poema pertence à 2ª parte da “Mensagem”, “Mar Português”, está efectivamente relacionado com os Descobrimentos .
Um padrão era um marco de pedra em forma de cruz que era colocado nos sítios descobertos pelos portugueses. O padrão tinha as armas(as quinas) portuguesas e uma inscrição, e era destinado a afirmar a soberania portuguesa na região onde se encontrava.
Diogo Cão foi um navegador português do século XV. Enviado por D. João II, realizou 2 viagens de descobrimento da costa africana entre 1482 e 1486. Chegou á foz do Zaire. Estabeleceu as primeiras relações com o reino do Congo. Em 1485, chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, substituindo assim as cruzes de madeira para assinalar a presença portuguesa nos locais descobertos.
Assunto: num discurso de primeira pessoa, o sujeito poético , Diogo Cão, mostra neste poema o significado do padrão. Assim, o padrão “sinala ao vento e aos céus/Que, da obra ousada, é minha a parte feita” , ou seja, o padrão indica que o navegador cumpriu a sua missão.
As quinas testemunham o domínio português no oceano, que foi muito superior ao dos gregos e ao dos romanos.
A cruz mostra qual o objectivo último da navegação: a procura do porto sempre por descobrir(Céu), que só será encontrado “na eterna calma”(depois de morrer),e até lá, guiar-se-há pela vontade de Deus, que o incentiva a navegar constantemente.
A 1ª estrofe é uma introdução ao poema , já que se identifica o sujeito poético e aquilo que ela fez: deixou um padrão “junto ao areal moreno” eseguiu a sua navegação.
Na 2º estrofe, o sujeito poético reconhece que aquele padrão assinala que a missão do navegador foi cumprida.
Nas duas últimas estrofes, o sujeito poético mostra o significado das Quinas e da Cruz.
O sujeito poético é um navegador persistente e corajoso, tendo consciência da fragilidade humana: “O esforço é grande o homem é pequeno” e “a obra é imperfeita”.
É um ser insatisfeito, pois quer sempre seguir o seu caminho na descoberta de novas terras, nunca parando.
O poema apresenta muitos recursos expressivos. De salientar a utilização de metáforas como ,por exemplo,( "A alma é divina") - mostrando que a alma está ligada à divindade por oposição a uma outra ( "a obra é imperfeita"), da antítese inicial do poema "grande/ pequeno", reforçando a oposição Homem/Deus. Também importa salientar a dupla adjectivação "imenso e possível oceano" para reforçar a imensidão do mar e a personificação das Quinas que "ensinam" e da Cruz que "diz". Importa ainda referir todo o vocabulário que está relacionado com o mar como "areal", "naveguei", "navegador",...
O poema é formado por 4 estrofes, tendo cada uma 4 versos (quadras); o esquema rimático é abab- rima cruzada; não tem uma métrica regular.
Este poema está, assim, inserido na 2ª parte da "Mensagem", que representa simbolicamente a vida ou a realização.
Duarte Simões 12º 2
A Outra Asa do Grifo
Afonso de Albuquerque
De pé, sobre os países conquistados
Desce os olhos cansados
De ver o mundo e a injustiça e a sorte.
Não pensa em vida ou morte,
Tão poderoso que não quere o quanto
Pode, que o querer tanto
Calcara mais do que o submisso mundo
Sob o seu passo fundo.
Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.
Criou-os como quem desdenha.
“Mal com os homens por amor del-rei, e mal com el-rei por amor dos homens” é uma famosa frase dita por Afonso de Albuquerque pouco tempo antes de morrer e que traduz o ideal que norteou toda a sua .
Este poema foi primeiramente editado na revista “Mundo Português” no dia 26 de Setembro de 1928.
Na estrutura interna de Mensagem o poema é o terceiro (a outra asa do grifo) do quinto grupo “ O Timbre” da primeira parte O Brasão.
Simboliza o poder da força, a concretização do sonho.
Se tivermos em conta o simbolismo dos três poemas do Timbre teremos algo como visão (D. Henrique), o poder da vontade (D. João, o segundo) e o poder da força, que se já conhecemos do primeiro verso do poema “ O Infante”, “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce.”
O autor começa por captar um momento da vida do herói, dando uma imagem deste de pé sobre as suas conquistas no primeiro verso.
Do segundo verso ao oitavo são dados os seus sentimentos que têm como causa os feitos heróicos e as suas consequenciais.
Pessoa vai para alem da imagem do herói forte e determinado, e mostra-o como um ser cansado de ver a injustiça que há no mundo e o que o destino (sorte) lhe reserva. A injustiça que o autor se refere é à ingratidão dos outros pelos seus feitos. O seu sucesso não desperta admiração nos outros, mas sim inveja.
Há um desprezo pela vida material por parte do herói. Este já está tão cansado do poder e das conquistas que já não pensa em nada, já foram realizados todos os seus desejos materiais. O seu poder já é tão grande que ultrapassa o seu desejo.
O seu desejo de glória trouxera mais do que vitórias e poder, trouxera também as invejas dos outros e da corte “Que o querer tanto/ calcara mais do que o submisso mundo”.
Nos últimos dois versos Pessoa fala sobre as conquistas, referindo-se a três impérios.
O número três representa simbolicamente a perfeição, pelo que a conquista destes três impérios é a utopia do herói. Estes três impérios podem ser o Material, o Espiritual, e o Cultural, podem também ser o império Português, o Árabe e o Hindu, e ainda, mais especificamente se nos tivermos a referir a Afonso de Albuquerque, podem ser Goa, Malaca e Ormuz, as três cidades fortes que conquistou.
Pessoa mais uma vez chama sorte ao destino ao contrário dos poemas dos das quinas em que o azar é uma constante.
Foi o destino que “deu”, que permitiu a realização dos feitos de Afonso de Albuquerque, mas como nada é de graça, ele presenciou um futuro negro, e uma vida repleta de azar.
Quanto à análise formal do poema, é constituído por uma décima composta por cinco versos decassílabos e cinco hexassílabos alternados.
A rima é emparelhada, sendo o esquema rimático aabbccddee.
Nuno Viegas Moreira nº23 12º2
Afonso de Albuquerque
De pé, sobre os países conquistados
Desce os olhos cansados
De ver o mundo e a injustiça e a sorte.
Não pensa em vida ou morte,
Tão poderoso que não quere o quanto
Pode, que o querer tanto
Calcara mais do que o submisso mundo
Sob o seu passo fundo.
Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.
Criou-os como quem desdenha.
“Mal com os homens por amor del-rei, e mal com el-rei por amor dos homens” é uma famosa frase dita por Afonso de Albuquerque pouco tempo antes de morrer e que traduz o ideal que norteou toda a sua .
Este poema foi primeiramente editado na revista “Mundo Português” no dia 26 de Setembro de 1928.
Na estrutura interna de Mensagem o poema é o terceiro (a outra asa do grifo) do quinto grupo “ O Timbre” da primeira parte O Brasão.
Simboliza o poder da força, a concretização do sonho.
Se tivermos em conta o simbolismo dos três poemas do Timbre teremos algo como visão (D. Henrique), o poder da vontade (D. João, o segundo) e o poder da força, que se já conhecemos do primeiro verso do poema “ O Infante”, “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce.”
O autor começa por captar um momento da vida do herói, dando uma imagem deste de pé sobre as suas conquistas no primeiro verso.
Do segundo verso ao oitavo são dados os seus sentimentos que têm como causa os feitos heróicos e as suas consequenciais.
Pessoa vai para alem da imagem do herói forte e determinado, e mostra-o como um ser cansado de ver a injustiça que há no mundo e o que o destino (sorte) lhe reserva. A injustiça que o autor se refere é à ingratidão dos outros pelos seus feitos. O seu sucesso não desperta admiração nos outros, mas sim inveja.
Há um desprezo pela vida material por parte do herói. Este já está tão cansado do poder e das conquistas que já não pensa em nada, já foram realizados todos os seus desejos materiais. O seu poder já é tão grande que ultrapassa o seu desejo.
O seu desejo de glória trouxera mais do que vitórias e poder, trouxera também as invejas dos outros e da corte “Que o querer tanto/ calcara mais do que o submisso mundo”.
Nos últimos dois versos Pessoa fala sobre as conquistas, referindo-se a três impérios.
O número três representa simbolicamente a perfeição, pelo que a conquista destes três impérios é a utopia do herói. Estes três impérios podem ser o Material, o Espiritual, e o Cultural, podem também ser o império Português, o Árabe e o Hindu, e ainda, mais especificamente se nos tivermos a referir a Afonso de Albuquerque, podem ser Goa, Malaca e Ormuz, as três cidades fortes que conquistou.
Pessoa mais uma vez chama sorte ao destino ao contrário dos poemas dos das quinas em que o azar é uma constante.
Foi o destino que “deu”, que permitiu a realização dos feitos de Afonso de Albuquerque, mas como nada é de graça, ele presenciou um futuro negro, e uma vida repleta de azar.
Quanto à análise formal do poema, é constituído por uma décima composta por cinco versos decassílabos e cinco hexassílabos alternados.
A rima é emparelhada, sendo o esquema rimático aabbccddee.
Nuno Viegas Moreira nº23 12º2
O TIMBRE(*)
UMA ASA DO GRIFO
D. JOÃO O SEGUNDO
Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra –
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu,
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.
Se a visão (“cabeça do grifo”) pertencia ao Infante D. Henrique, faltava quem lhe desse o poder de realizar essa visão, literalmente de a fazer voar. Por isso Pessoa usa a expressão “asa do grifo” – são as asas que vão fazer levantar do chão a visão/sonho magnífico do Infante.
Uma das asas do grifo, é D.João II. Este é uma das asas, pelo simples facto de ter sido D.João II que elaborou o plano de dobrar o Cabo da Boa Esperança, com vista a obter uma rota marítima para a Índia.
Numa análise formal do poema, vemos que este é constituído por duas estrofes, sendos estas quadras com versos decassilábicos [tendo a intenção de comparar a sua obra com uma epopeia, especificamente com a de Camões, ‘’Os Lusíadas’’, e apresenta uma rima cruzada.
Na 1ª estrofe ,em geral, Pessoa destaca nesta “asa” o “poder da vontade’’.
De “braços cruzados” – não usando a força, só a vontade, ele fita por isso “além do mar” – para a Índia. Como um “promontório”, que alto desafia o mar, que é terra e ao mesmo tempo quase mar. O promontório é um limite, mas D. João II encarna esse mesmo limite, ele define-o e expande-o, com a sua vontade. É ele “o limite da terra a dominar / O mar que possa haver além da terra”.
Na 2ª estrofe, tal como todos os heróis na Mensagem, o ‘’formidável vulto solitário’’ é algo que Pessoa elogia e valoriza por serem heróis solitários, sombrios, quase apagados da sua individualidade, em favor de Portugal.
Existe aqui um paradoxo, porque apesar da sua vontade ser solitária, D.João II “enche de estar presente o mar e o céu” ao navegar por mares nunca antes navegados e descobrir terras para além do que nos era conhecido. Estas acções fazem ‘’temer o mundo vário’’. O Mundo inconstante, poderoso, teme que D. João II “abra os braços e lhe rasgue o véu”, ou seja, que D.João II com a sua vontade consiga desvendar os mistérios do Mundo desconhecidos ainda aos homens.
(*)- Timbre: S.m. insígnia do escudo; marca; sinal.
( por Daniel Ambaram 12º 2)
UMA ASA DO GRIFO
D. JOÃO O SEGUNDO
Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra –
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu,
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.
Se a visão (“cabeça do grifo”) pertencia ao Infante D. Henrique, faltava quem lhe desse o poder de realizar essa visão, literalmente de a fazer voar. Por isso Pessoa usa a expressão “asa do grifo” – são as asas que vão fazer levantar do chão a visão/sonho magnífico do Infante.
Uma das asas do grifo, é D.João II. Este é uma das asas, pelo simples facto de ter sido D.João II que elaborou o plano de dobrar o Cabo da Boa Esperança, com vista a obter uma rota marítima para a Índia.
Numa análise formal do poema, vemos que este é constituído por duas estrofes, sendos estas quadras com versos decassilábicos [tendo a intenção de comparar a sua obra com uma epopeia, especificamente com a de Camões, ‘’Os Lusíadas’’, e apresenta uma rima cruzada.
Na 1ª estrofe ,em geral, Pessoa destaca nesta “asa” o “poder da vontade’’.
De “braços cruzados” – não usando a força, só a vontade, ele fita por isso “além do mar” – para a Índia. Como um “promontório”, que alto desafia o mar, que é terra e ao mesmo tempo quase mar. O promontório é um limite, mas D. João II encarna esse mesmo limite, ele define-o e expande-o, com a sua vontade. É ele “o limite da terra a dominar / O mar que possa haver além da terra”.
Na 2ª estrofe, tal como todos os heróis na Mensagem, o ‘’formidável vulto solitário’’ é algo que Pessoa elogia e valoriza por serem heróis solitários, sombrios, quase apagados da sua individualidade, em favor de Portugal.
Existe aqui um paradoxo, porque apesar da sua vontade ser solitária, D.João II “enche de estar presente o mar e o céu” ao navegar por mares nunca antes navegados e descobrir terras para além do que nos era conhecido. Estas acções fazem ‘’temer o mundo vário’’. O Mundo inconstante, poderoso, teme que D. João II “abra os braços e lhe rasgue o véu”, ou seja, que D.João II com a sua vontade consiga desvendar os mistérios do Mundo desconhecidos ainda aos homens.
(*)- Timbre: S.m. insígnia do escudo; marca; sinal.
( por Daniel Ambaram 12º 2)
A Coroa
Nun’ Álvares Pereira
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
Insere-se no “ Brasão”, primeira parte de Mensagem, e é definitivamente pelo simbolismo da coroa a prova última da garantia de independência da nação.
Estão em paralelo duas linhas de conteúdo que se entrelaçam: a guerra e a santidade, pelo que uma não existe sem a outra. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, reúne de modo exímio a faceta de homem de guerra e a de Santo, pois foi ele o eleito para concretização de uma vontade divina.
Podemos dividir este poema em duas partes: a primeira constituída pelas duas primeiras estrofes, onde se estabelece a aliança entre a guerra (espada) e a santidade (auréola), apontando para a guerra santa que todo o império espiritual, associado á espada do rei Artur, Excalibur, exige; a segunda parte, última estrofe é um apelo directo para a concretização desse império, que terá como líder simbólico Nuno Álvares, daí o uso do imperativo: “ Ergue”.
Através deste mito, o poeta dá consistência à ideia de predestinação divina do povo português na liderança desta luta pacífica quese quer universal. Ao estabelecer-se a ligação entre passado, presente e futuro, explica-se a necessidade de uma força regeneradora que veja o caminho para o Quinto Império “Para a estrada se ver!”. Essa força é o nosso herói sem rosto com o qual temos afinidades e proximidade, veja-se o deíctico “ te”, que por isso recebe a coroa como reconhecimento pela concretização da nossa História, passada, presente e futura.
( por Paciência Canda, 12º 2)
Nun’ Álvares Pereira
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
Insere-se no “ Brasão”, primeira parte de Mensagem, e é definitivamente pelo simbolismo da coroa a prova última da garantia de independência da nação.
Estão em paralelo duas linhas de conteúdo que se entrelaçam: a guerra e a santidade, pelo que uma não existe sem a outra. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, reúne de modo exímio a faceta de homem de guerra e a de Santo, pois foi ele o eleito para concretização de uma vontade divina.
Podemos dividir este poema em duas partes: a primeira constituída pelas duas primeiras estrofes, onde se estabelece a aliança entre a guerra (espada) e a santidade (auréola), apontando para a guerra santa que todo o império espiritual, associado á espada do rei Artur, Excalibur, exige; a segunda parte, última estrofe é um apelo directo para a concretização desse império, que terá como líder simbólico Nuno Álvares, daí o uso do imperativo: “ Ergue”.
Através deste mito, o poeta dá consistência à ideia de predestinação divina do povo português na liderança desta luta pacífica quese quer universal. Ao estabelecer-se a ligação entre passado, presente e futuro, explica-se a necessidade de uma força regeneradora que veja o caminho para o Quinto Império “Para a estrada se ver!”. Essa força é o nosso herói sem rosto com o qual temos afinidades e proximidade, veja-se o deíctico “ te”, que por isso recebe a coroa como reconhecimento pela concretização da nossa História, passada, presente e futura.
( por Paciência Canda, 12º 2)
Subscrever:
Mensagens (Atom)