Escola Secundária Rainha Dona Leonor
Português 12º ano
Ano lectivo: 2007/08
Prof: Euclides Rosa Turma: 12º 2
Matriz de objectivos e conteúdos (4º teste, 2º período)
O teste é constituído por três grupos de resposta obrigatória.
Pretende-se que o examinando:
Grupo I ( sete itens de resposta curta) 100 pontos
- Identifique uma temática de Pessoa Ortónimo
- Transcreva versos em função de um objectivo específico
- Identifique um recurso estilístico
- Compare sujeito poético a uma outra entidade presente no poema
- Divida, justicando, o poema dado
- Estabeleça pontos de contacto entre o poema dado e outros estudados nas aulas.
Grupo II (dois itens: um de escolha de alternativas, um de reescrita de frase) 40 pontos
- Revele compreensão de texto informativo
- Tranforme duas frases simples numa complexa, utilizando mecanismos de coesão interfrásica
Grupo III ( Item de resposta extensa/ ensaio) 60 pontos
- Produza um texto expositivo-opinativo sobre temática decorrente dos assuntos estudados em aula
- Revele capacidades de expressão escrita, cumprindo tema e tipologia de textos pedidos, coerência e pertinência da informação, domínio dos mecanismos de coesão e estruturação textuais, variedade e propriedade vocabular, domínio da ortografia
Conteúdos
Temáticas da poética pessoana : fingimento poético, dor de pensar, fragmentação do eu
Recursos estilísticos
Coesão interfrásica (coordenação e subordinação)
Tipologia de texto: expositivo-opinativo
segunda-feira, 3 de março de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
AS Quinas
Quinta
D. Sebastião, Rei de Portugal
Louco, sim, louco, porque quis minha grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
São dois momentos, uma primeira estrofe em que se apresenta a loucura como condição essencial para a busca de grandeza(v.1); e o herói se autovaloriza pelo que sonha, estava ele repleto de certezas (v.3), recusando os favores impossíveis da Sorte (v.2).
Resumindo a existência ao essencial, a loucura, o ser presente/intemporal não morre (vv4,5). O herói que há no presente é, assim, diferente do rei do passado, é um ser mítico. Como mito há uma natural projecção para o futuro, dando continuidade a outras existências humanas plenas. Sem a loucura, o homem reduz-se ao servilismo, tal como a “besta” ou um simples progenitor , limitado ao corpo: “Cadáver adiado”.
Prof. Euclides
D. Sebastião, Rei de Portugal
Louco, sim, louco, porque quis minha grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
São dois momentos, uma primeira estrofe em que se apresenta a loucura como condição essencial para a busca de grandeza(v.1); e o herói se autovaloriza pelo que sonha, estava ele repleto de certezas (v.3), recusando os favores impossíveis da Sorte (v.2).
Resumindo a existência ao essencial, a loucura, o ser presente/intemporal não morre (vv4,5). O herói que há no presente é, assim, diferente do rei do passado, é um ser mítico. Como mito há uma natural projecção para o futuro, dando continuidade a outras existências humanas plenas. Sem a loucura, o homem reduz-se ao servilismo, tal como a “besta” ou um simples progenitor , limitado ao corpo: “Cadáver adiado”.
Prof. Euclides
As Quinas
Quarta
D. João, Infante de Portugal
Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;
Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.
O poema organiza-se em dois momentos, ocupando cada um uma estrofe. Esta delimitação é facilmente justificada pela conjunção subordinativa causal que introduz a segunda estrofe, segundo momento.
Numa primeira parte o herói mítico é o exemplo do homem que se anula para que os outros possam brilhar: “Não fui alguém/ Entre tão grandes almas minhas pares”. Reconhece insuficiente a sua linhagem: “Inutilmente eleita”, e a sua falta de experiência: “Virgemmente parada”.
No segundo momento justifica a sua “abdicação” com a identidade do Ser Português, da qual, deduz-se, não é o melhor exemplo. Recupera-se a Possesio maris, um poder resultante do nosso querer.
A justificação termina com dois versos, que só aparentemente encerram antíteses, pois não se tratam de relações de contrariedade, mas, contrariamente de antonímia conversa por alternativa: “O todo, ou o seu nada.” Especificando, quando o Português quer, só lhe interessa o inteiro e total, na sua impossiblidade, nem sequer há querer.
Prof. Euclides
Quarta
D. João, Infante de Portugal
Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;
Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.
O poema organiza-se em dois momentos, ocupando cada um uma estrofe. Esta delimitação é facilmente justificada pela conjunção subordinativa causal que introduz a segunda estrofe, segundo momento.
Numa primeira parte o herói mítico é o exemplo do homem que se anula para que os outros possam brilhar: “Não fui alguém/ Entre tão grandes almas minhas pares”. Reconhece insuficiente a sua linhagem: “Inutilmente eleita”, e a sua falta de experiência: “Virgemmente parada”.
No segundo momento justifica a sua “abdicação” com a identidade do Ser Português, da qual, deduz-se, não é o melhor exemplo. Recupera-se a Possesio maris, um poder resultante do nosso querer.
A justificação termina com dois versos, que só aparentemente encerram antíteses, pois não se tratam de relações de contrariedade, mas, contrariamente de antonímia conversa por alternativa: “O todo, ou o seu nada.” Especificando, quando o Português quer, só lhe interessa o inteiro e total, na sua impossiblidade, nem sequer há querer.
Prof. Euclides
As Quinas
As Quinas
Terceira
D. Pedro, Regente de Portugal
Claro em pensar, e claro no sentir,
É claro no querer;
Indeferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser -
Não me podia a Sorte dar guarida
Por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo mais é com Deus!
O poema pode ser dividido em dois momentos. A primeira estrofe e os dois primeiros versos da segunda constituem uma aproximação à vida de D.Pedro. Através do advérbio de modo “assim”, o poeta introduz um novo momento no poema. Depois de uma breve caracterização da vida da figura histórica ”Assim vivi, assim morri, a vida,..”, os últimos três versos funcionam como uma conclusão.
Nos primeiros quatro versos da primeira estrofe do poema, D.Pedro apresenta-se como um intelectual, um homem de ideias esclarecidas e de objectivos definidos. Uma dessas ideias, era a vontade de não conquistar outro território apenas por conquistar. D.Pedro, num registo autobiográfico, apresenta-nos um objectivo que delineou e cumpriu; o de ser responsável por dois territórios (Portugal e Ceuta), e exercer os seus deveres de igual modo nos dois territórios (Dúplice dono, sem me dividir; de dever e de ser.v-5,6 est-1).
Na segunda estrofe do poema, D.Pedro afirma que Deus é responsável por tudo, mas não pelo destino dos homens, em concreto pelo dele. Segundo este, o seu destino foi protegido pelo seu trabalho e dedicação, e não pela sorte. Isto significa que o herói não acredita na sorte como elemento fundamental no seu destino (Não me podia a sorte dar guarida Por não ser eu dos seus.v-1,2 est-2).
Em suma, ele é o exemplo da fidelidade ao pensamento, ao sentimento e à vontade(vv.1,2)
Nota:
D.Pedro, considerado o primeiro grande diplomata português, era um dos filhos de D.João I, Mestre de Avis, e de D.ª Filipa de Lencastre. Nasceu em 1392 e morreu em 1449, depois de ter sido regente de Portugal entre 1439 e 1448.
João Calinas 12º 2
Terceira
D. Pedro, Regente de Portugal
Claro em pensar, e claro no sentir,
É claro no querer;
Indeferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser -
Não me podia a Sorte dar guarida
Por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo mais é com Deus!
O poema pode ser dividido em dois momentos. A primeira estrofe e os dois primeiros versos da segunda constituem uma aproximação à vida de D.Pedro. Através do advérbio de modo “assim”, o poeta introduz um novo momento no poema. Depois de uma breve caracterização da vida da figura histórica ”Assim vivi, assim morri, a vida,..”, os últimos três versos funcionam como uma conclusão.
Nos primeiros quatro versos da primeira estrofe do poema, D.Pedro apresenta-se como um intelectual, um homem de ideias esclarecidas e de objectivos definidos. Uma dessas ideias, era a vontade de não conquistar outro território apenas por conquistar. D.Pedro, num registo autobiográfico, apresenta-nos um objectivo que delineou e cumpriu; o de ser responsável por dois territórios (Portugal e Ceuta), e exercer os seus deveres de igual modo nos dois territórios (Dúplice dono, sem me dividir; de dever e de ser.v-5,6 est-1).
Na segunda estrofe do poema, D.Pedro afirma que Deus é responsável por tudo, mas não pelo destino dos homens, em concreto pelo dele. Segundo este, o seu destino foi protegido pelo seu trabalho e dedicação, e não pela sorte. Isto significa que o herói não acredita na sorte como elemento fundamental no seu destino (Não me podia a sorte dar guarida Por não ser eu dos seus.v-1,2 est-2).
Em suma, ele é o exemplo da fidelidade ao pensamento, ao sentimento e à vontade(vv.1,2)
Nota:
D.Pedro, considerado o primeiro grande diplomata português, era um dos filhos de D.João I, Mestre de Avis, e de D.ª Filipa de Lencastre. Nasceu em 1392 e morreu em 1449, depois de ter sido regente de Portugal entre 1439 e 1448.
João Calinas 12º 2
Quinas
Segunda
D. Fernando, Infante de Portugal
Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
A esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro de mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
Num discurso na primeira pessoa ( ver flexão verbal, pronomes pessoais, determinantes possessivos), o herói simbólico perspectiva-se em dois tempos distintos: o passado em que foi predestinado por Deus para o servir na Guerra Santa: “A sua santa guerra./ Sagrou-me seu em honra e em desgraça,”; e o presente destemido pronto a enfrentar tudo em seu nome: “Cheio de Deus, não temo o que virá/ E este querer grandeza são seu nome “.
Há contudo um contraste entre a situação presente e a alma do herói ( dois últimos versos). “Às horas em que um frio vento passa/ Por sobre a fria terra “ , esta é a situação presente da nação, insensível aos valores humanos e à fé em Deus mas não vencerá a animosidade do herói:” venha o que vier, nunca será/ Maior do que a minha alma. “
Nota: D. Fernando, cativo dos mouros, humilhado e martirizado, aconselhou sempre seu irmão D. Duarte a não entregar Ceuta.
Prof. Euclides
D. Fernando, Infante de Portugal
Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
A esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro de mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
Num discurso na primeira pessoa ( ver flexão verbal, pronomes pessoais, determinantes possessivos), o herói simbólico perspectiva-se em dois tempos distintos: o passado em que foi predestinado por Deus para o servir na Guerra Santa: “A sua santa guerra./ Sagrou-me seu em honra e em desgraça,”; e o presente destemido pronto a enfrentar tudo em seu nome: “Cheio de Deus, não temo o que virá/ E este querer grandeza são seu nome “.
Há contudo um contraste entre a situação presente e a alma do herói ( dois últimos versos). “Às horas em que um frio vento passa/ Por sobre a fria terra “ , esta é a situação presente da nação, insensível aos valores humanos e à fé em Deus mas não vencerá a animosidade do herói:” venha o que vier, nunca será/ Maior do que a minha alma. “
Nota: D. Fernando, cativo dos mouros, humilhado e martirizado, aconselhou sempre seu irmão D. Duarte a não entregar Ceuta.
Prof. Euclides
As Quinas D. Duarte
As Quinas
Primeira
D. Duarte, Rei de Portugal
Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.
Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.
Na primeira estrofe, o herói simbólico assume que o seu Ser foi totalmente determinado pelo seu dever, tal como o mundo de Deus. Consequentemente, podemos deduzir a sujeição do homem, fazendo também ele parte do mundo, à vontade de Deus.
No segundo verso compreende-se que esse dever é dos maiores, o “ de ser Rei”, aquele a quem se lhe exige” regra”, que seja “ firme”, representando interesses de um povo e de uma nação, mesmo que isso lhe custe disabores e sofrimentos: “em minha tristeza, tal vivi “ .
A mitificação do herói simbólico é totalmente conseguida quando reconhece que esse dever de rei venceu a própria vontade do Destino, que esteve sempre contra ele. É a prova cabal de que o homem pode traçar a sua própria vida, desde que seja estóico a suportar as armaguras da vida, vendo-as como meio de cumprir a sua missão no mundo; daí que nada, nem as tristezas, são inúteis: “Inutilmente? Não, porque o cumpri.”
Luís Figueiredo
n.º 17 12ºano 2ª
Janeiro, 2008
Prof. M. Euclides Rosa
Primeira
D. Duarte, Rei de Portugal
Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.
Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.
Na primeira estrofe, o herói simbólico assume que o seu Ser foi totalmente determinado pelo seu dever, tal como o mundo de Deus. Consequentemente, podemos deduzir a sujeição do homem, fazendo também ele parte do mundo, à vontade de Deus.
No segundo verso compreende-se que esse dever é dos maiores, o “ de ser Rei”, aquele a quem se lhe exige” regra”, que seja “ firme”, representando interesses de um povo e de uma nação, mesmo que isso lhe custe disabores e sofrimentos: “em minha tristeza, tal vivi “ .
A mitificação do herói simbólico é totalmente conseguida quando reconhece que esse dever de rei venceu a própria vontade do Destino, que esteve sempre contra ele. É a prova cabal de que o homem pode traçar a sua própria vida, desde que seja estóico a suportar as armaguras da vida, vendo-as como meio de cumprir a sua missão no mundo; daí que nada, nem as tristezas, são inúteis: “Inutilmente? Não, porque o cumpri.”
Luís Figueiredo
n.º 17 12ºano 2ª
Janeiro, 2008
Prof. M. Euclides Rosa
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Matriz 3º teste (Fevereiro)
Escola Secundária Rainha Dona Leonor
Português 12º ano
Ano lectivo: 2007/08
Prof: Euclides Rosa Turma: 12º 2
Matriz de objectivos e conteúdos (3º teste, 2º período)
O teste é constituído por três grupos de resposta obrigatória.
Pretende-se que o examinando:
Grupo I ( sete itens de resposta curta)
115 pontos
- Situe, justificando, um poema de Mensagem
- Divida, justicando, o poema dado
- Transcreva expressões do texto que caracerizem o herói mitificado
- Explique a dimensão da realidade histórica a que se referem essas expressões
- Identifique um recurso estilístico, explicando a sua intencionalidade
- Relacione léxico/ expressões textuais com um assunto do poema
Grupo II (dois itens: um de associação por colunas, um de resposta curta sem expressão escrita)
25 pontos
- Identifique mecanismos de coesão interfrásica (coordenação, subordinação, conectores textuais)
Grupo III ( Item de resposta extensa/ ensaio)
60 pontos
- Produza um texto expositivo-opinativo sobre temática decorrente dos assuntos estudados em aula
- Revele capacidades de expressão escrita, cumprindo tema e tipologia de textos pedidos, coerência e pertinência da informação, domínio dos mecanismos de coesão e estruturação textuais, variedade e propriedade vocabular, domínio da ortografia
Português 12º ano
Ano lectivo: 2007/08
Prof: Euclides Rosa Turma: 12º 2
Matriz de objectivos e conteúdos (3º teste, 2º período)
O teste é constituído por três grupos de resposta obrigatória.
Pretende-se que o examinando:
Grupo I ( sete itens de resposta curta)
115 pontos
- Situe, justificando, um poema de Mensagem
- Divida, justicando, o poema dado
- Transcreva expressões do texto que caracerizem o herói mitificado
- Explique a dimensão da realidade histórica a que se referem essas expressões
- Identifique um recurso estilístico, explicando a sua intencionalidade
- Relacione léxico/ expressões textuais com um assunto do poema
Grupo II (dois itens: um de associação por colunas, um de resposta curta sem expressão escrita)
25 pontos
- Identifique mecanismos de coesão interfrásica (coordenação, subordinação, conectores textuais)
Grupo III ( Item de resposta extensa/ ensaio)
60 pontos
- Produza um texto expositivo-opinativo sobre temática decorrente dos assuntos estudados em aula
- Revele capacidades de expressão escrita, cumprindo tema e tipologia de textos pedidos, coerência e pertinência da informação, domínio dos mecanismos de coesão e estruturação textuais, variedade e propriedade vocabular, domínio da ortografia
domingo, 27 de janeiro de 2008
Os castelos « D. Filipa de Lencastre»
Sétimo (II)
D. Filipa de Lencastre
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós o teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
Poema constituído por dois momentos, uma primeira quadra de aproximação à figura histórica e a segunda que encerra um valor exclusivamente simbólico.
As duas interrogações que comportam toda a primeira estrofe denunciam alguma admiração pela qualidade da progenitora, que “ só génios concebia”, que parecem ter sido protecção divina “Que arcanjo teus sonhos veio/ Velar...”. Esta poderá ser uma referência directa ao arcanjo Gabriel que – diz Lucas no seu Evangelho – veio anunciar o nascimento de Jesus Cristo à virgem Maria (Lc 1, 26-38)
Num segundo momento o sujeito poético invoca o “rosto” materno de D. Filipa, o rosto da mãe que cuida – séria – dos seus filhos, com o olhar atento e preocupado. A invocação desta figura materna é de grande importância, visto que está em causa o futuro dos seus filhos – os Portugueses.
“Princesa do Santo Graal” pode ter diversas interpretações. D. Filipa de Lencastre era princesa inglesa da casa dos Plantagenetas.
Por outro lado, há quem dê ao Santo Graal um sentido simbólico absoluto – o de representar o sangue de Cristo. E se assim for, “princesa do Santo Graal” significará a origem de uma linhagem com o sangue nobre, o sangue de Cristo, origem divina e providencial do Império ainda por nascer.
Seja como for, é certo que ela foi o “humano ventre do Império”, nomeadamente gerando o Infante D. Henrique, e podendo assim ser considerada – pelo sangue – protectora, “madrinha” do futuro de Portugal.
Nota:
Ínclita geração: Duarte, foi Rei de Portugal; Pedro, Duque de Coimbra e considerado o príncipe mais culto do seu tempo na Europa; Henrique, Duque de Viseu foi o impulsionador dos Descobrimentos; Isabel de Portugal (1397-1471), casada com Filipe III, Duque da Borgonha, actuava muitas vezes em nome do seu marido e era dada como a verdadeira governante da Borgonha; João, Infante de Portugal foi condestável e avô do Rei D. Manuel I; Fernando, o Infante Santo morreu cativo em Fez, depois de recusar entregar Ceuta em troca da sua própria liberdade
Pedro Granate 12º2 (2007/08)
D. Filipa de Lencastre
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós o teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
Poema constituído por dois momentos, uma primeira quadra de aproximação à figura histórica e a segunda que encerra um valor exclusivamente simbólico.
As duas interrogações que comportam toda a primeira estrofe denunciam alguma admiração pela qualidade da progenitora, que “ só génios concebia”, que parecem ter sido protecção divina “Que arcanjo teus sonhos veio/ Velar...”. Esta poderá ser uma referência directa ao arcanjo Gabriel que – diz Lucas no seu Evangelho – veio anunciar o nascimento de Jesus Cristo à virgem Maria (Lc 1, 26-38)
Num segundo momento o sujeito poético invoca o “rosto” materno de D. Filipa, o rosto da mãe que cuida – séria – dos seus filhos, com o olhar atento e preocupado. A invocação desta figura materna é de grande importância, visto que está em causa o futuro dos seus filhos – os Portugueses.
“Princesa do Santo Graal” pode ter diversas interpretações. D. Filipa de Lencastre era princesa inglesa da casa dos Plantagenetas.
Por outro lado, há quem dê ao Santo Graal um sentido simbólico absoluto – o de representar o sangue de Cristo. E se assim for, “princesa do Santo Graal” significará a origem de uma linhagem com o sangue nobre, o sangue de Cristo, origem divina e providencial do Império ainda por nascer.
Seja como for, é certo que ela foi o “humano ventre do Império”, nomeadamente gerando o Infante D. Henrique, e podendo assim ser considerada – pelo sangue – protectora, “madrinha” do futuro de Portugal.
Nota:
Ínclita geração: Duarte, foi Rei de Portugal; Pedro, Duque de Coimbra e considerado o príncipe mais culto do seu tempo na Europa; Henrique, Duque de Viseu foi o impulsionador dos Descobrimentos; Isabel de Portugal (1397-1471), casada com Filipe III, Duque da Borgonha, actuava muitas vezes em nome do seu marido e era dada como a verdadeira governante da Borgonha; João, Infante de Portugal foi condestável e avô do Rei D. Manuel I; Fernando, o Infante Santo morreu cativo em Fez, depois de recusar entregar Ceuta em troca da sua própria liberdade
Pedro Granate 12º2 (2007/08)
Os Castelos « D. João I »
Sétimo (I)
D. João o Primeiro
O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.
Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.
Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.
O poema divide-se em três momentos distintos, correspondendo cada um a uma das quadras que o compõem.
O primeiro em presente do indicativo de valor intemporal, temos o tópico recorrente na Mensagem, o homem como instrumento da vontade de Deus, sem a qual é matéria “ carne” que se converterá a “pó”. O que se lhe exige é que esteja à “ hora” certa em que “ Deus faz a história”.
Na segunda quadra, o epíteto de “ Mestre” permite-nos a identificação do símbolo com o herói histórico Mestre de Aviz, D. João I de Portugal, pai da Ínclita Geração, garantia da nossa independência relativamente a Castela, por isso “ Templo/ Que Portugal foi feito ser”, sem que tivesse consciência da mesma “ sem o saber”. Foi um passado( ver tempos verbais) a considerar como exemplo de instinto de defesa do que é nosso.
No terceiro momento, última quadra, volta-se ao presente do indicativo, é o tempo da memória desse símbolo “ nome” e “ fama” que nos dá a identidade “ nossa alma interna”, metaforicamente, é a nossa “eterna chama” que nos livrou do eterno esquecimento, da nossa inexistência enquanto nação.
Prof. Euclides
D. João o Primeiro
O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.
Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.
Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.
O poema divide-se em três momentos distintos, correspondendo cada um a uma das quadras que o compõem.
O primeiro em presente do indicativo de valor intemporal, temos o tópico recorrente na Mensagem, o homem como instrumento da vontade de Deus, sem a qual é matéria “ carne” que se converterá a “pó”. O que se lhe exige é que esteja à “ hora” certa em que “ Deus faz a história”.
Na segunda quadra, o epíteto de “ Mestre” permite-nos a identificação do símbolo com o herói histórico Mestre de Aviz, D. João I de Portugal, pai da Ínclita Geração, garantia da nossa independência relativamente a Castela, por isso “ Templo/ Que Portugal foi feito ser”, sem que tivesse consciência da mesma “ sem o saber”. Foi um passado( ver tempos verbais) a considerar como exemplo de instinto de defesa do que é nosso.
No terceiro momento, última quadra, volta-se ao presente do indicativo, é o tempo da memória desse símbolo “ nome” e “ fama” que nos dá a identidade “ nossa alma interna”, metaforicamente, é a nossa “eterna chama” que nos livrou do eterno esquecimento, da nossa inexistência enquanto nação.
Prof. Euclides
Os castelos « D. Dinis»
Sexto
D. Dinis
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
As expressões “escreve um seu Cantar de Amigo” e “O plantador de naus a haver” permitem-nos relacionar este símbolo com o nosso rei trovador, o mesmo que também mandou plantar o pinhal de Leiria. Numa interpretação simbólica da nossa História, que é no fundo o objectivo primordial da Mensagem, ele é o místico que “ ouve o silêncio” do nosso Império e do “ oceano por achar” que só concretizariamos dois séculos depois do seu.
O poema assenta em metáforas/ comparações sucessivas desencadeadas a partir de uma fulcral: “O plantador de naus a haver”. A voz oculta que ouve é “ o rumor dos pinhais”, os pinhais serão a colheita da nossa empressa ultramarina, “ um trigo de Império”, o correr do riacho, arroio, “ é a voz da terra ansiando pelo mar”.
Há nitidamente marcados dois tempos distintos: um presente obscuro “ Na noite”, em que os próprios pinhais são “marulho obscuro” e um futuro oculto que “ ondula sem se poder ver”, que encontaremos no mar. No fundo, simbolicamente, também no nosso Passado, se repetiram os tempos ( ver “Encoberto”), aqui marcados pela noite e o nevoeiro do nosso futuro ultramarino.
Prof. Euclides
D. Dinis
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
As expressões “escreve um seu Cantar de Amigo” e “O plantador de naus a haver” permitem-nos relacionar este símbolo com o nosso rei trovador, o mesmo que também mandou plantar o pinhal de Leiria. Numa interpretação simbólica da nossa História, que é no fundo o objectivo primordial da Mensagem, ele é o místico que “ ouve o silêncio” do nosso Império e do “ oceano por achar” que só concretizariamos dois séculos depois do seu.
O poema assenta em metáforas/ comparações sucessivas desencadeadas a partir de uma fulcral: “O plantador de naus a haver”. A voz oculta que ouve é “ o rumor dos pinhais”, os pinhais serão a colheita da nossa empressa ultramarina, “ um trigo de Império”, o correr do riacho, arroio, “ é a voz da terra ansiando pelo mar”.
Há nitidamente marcados dois tempos distintos: um presente obscuro “ Na noite”, em que os próprios pinhais são “marulho obscuro” e um futuro oculto que “ ondula sem se poder ver”, que encontaremos no mar. No fundo, simbolicamente, também no nosso Passado, se repetiram os tempos ( ver “Encoberto”), aqui marcados pela noite e o nevoeiro do nosso futuro ultramarino.
Prof. Euclides
Os castelos « D. Afonso Henriques»
Quinto
D. Afonso Henriques
Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!
Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!
Um sujeito plural, nós, apela um símbolo que, como pai, é o exemplo de força e de coragem: “Dá-nos o exemplo inteiro/ E a tua inteira força!”. Este apelo justifica-se pela possibilidade do ressurgimento de “ novos infiéis”, todos aqueles que não cumpram a sua missão no mundo.
Há a consciência de um presente ameaçado que exige a cada um de nós uma atitude vigilante: “Hoje a vigília é nossa”, a mesma revelada pelo cavaleiro que no passado desembainhou a sua espada para a guerra santa.
A espada, contudo, já não é material, não se distingue de uma “ benção”, uma protecção sagrada que só um pai, incluindo Deus, pode dar a um filho. Assim sendo, hoje a Bellum sine Bello , a guerra sem guerra, será todo o desafio pacífico para a concretização de um império onde os valores humanos sejam cultivados.
Prof. Euclides
D. Afonso Henriques
Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!
Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!
Um sujeito plural, nós, apela um símbolo que, como pai, é o exemplo de força e de coragem: “Dá-nos o exemplo inteiro/ E a tua inteira força!”. Este apelo justifica-se pela possibilidade do ressurgimento de “ novos infiéis”, todos aqueles que não cumpram a sua missão no mundo.
Há a consciência de um presente ameaçado que exige a cada um de nós uma atitude vigilante: “Hoje a vigília é nossa”, a mesma revelada pelo cavaleiro que no passado desembainhou a sua espada para a guerra santa.
A espada, contudo, já não é material, não se distingue de uma “ benção”, uma protecção sagrada que só um pai, incluindo Deus, pode dar a um filho. Assim sendo, hoje a Bellum sine Bello , a guerra sem guerra, será todo o desafio pacífico para a concretização de um império onde os valores humanos sejam cultivados.
Prof. Euclides
Os Castelos «D. Tareja»
QUARTO
D. TAREJA
As nações todas são mysterios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avós de imperios,
Vella por nós!
Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por elle resa!
Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instincto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu.
Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria!
D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, simboliza o nascimento da pátria, podendo mesmo ser identificada como a Mãe de Portugal, fonte de protecção à qual se pede auxílio nos momentos difíceis, por isso os apelos em tom de oração: “Vella por nós!”, “ Por elle resa! “ .
Em todas as quatro quadras deste poema encontramos expressões relativas a essa condição de mãe: “Ó mãe de reis...”,“Teu seio augusto amamentou”,“O homem que foi teu menino envelheceu”,“No antigo seio, vigilante, de novo o cria”.
A dimensão mítica desta progenitora justifica o pedido de vigilância a uma descendência “ todo o vivo é eterno infante” que se deseja também criada por ela. A última estrofe introduzida pela conjunção coordenativa adversativa“Mas” marca uma projecção para o tempo presente ( ver tempos verbais) em que devemos manter a esperança de ver Portugal renascer do antigo seio, pois onde está “ já não há o dia”.
José Bruno 12º2 (2007/08)
D. TAREJA
As nações todas são mysterios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avós de imperios,
Vella por nós!
Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por elle resa!
Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instincto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu.
Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria!
D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, simboliza o nascimento da pátria, podendo mesmo ser identificada como a Mãe de Portugal, fonte de protecção à qual se pede auxílio nos momentos difíceis, por isso os apelos em tom de oração: “Vella por nós!”, “ Por elle resa! “ .
Em todas as quatro quadras deste poema encontramos expressões relativas a essa condição de mãe: “Ó mãe de reis...”,“Teu seio augusto amamentou”,“O homem que foi teu menino envelheceu”,“No antigo seio, vigilante, de novo o cria”.
A dimensão mítica desta progenitora justifica o pedido de vigilância a uma descendência “ todo o vivo é eterno infante” que se deseja também criada por ela. A última estrofe introduzida pela conjunção coordenativa adversativa“Mas” marca uma projecção para o tempo presente ( ver tempos verbais) em que devemos manter a esperança de ver Portugal renascer do antigo seio, pois onde está “ já não há o dia”.
José Bruno 12º2 (2007/08)
Conde D. Henrique ( por Euclides)
Propõe-se a delimitação do poema em três momentos, correspondendo o primeiro à primeira quadra, o segundo ao terceto seguinte e o terceiro ao verso solto que o termina.
O nascimento de qualquer nacionalidade, “ Todo o começo” está dependente da acção divina “ Deus é o agente” e é o herói que involuntariamente e inconscientemente a concretiza.
O Conde D. Henrique é o herói simbólico que executou a vontade divina, materializada numa espada à qual não sabe como dar uso, como ele próprio confessa em discurso indirecto livre: «Que farei eu com esta espada?» .
A espada, símbolo associado à guerra, é inquestionavelmente nesta subparte do “ Brasão”, Os Castelos, a forma de combater o infiél e de restabelecer a ordem, a paz e a crença em Deus.
Prof: Euclides (análise global)
O nascimento de qualquer nacionalidade, “ Todo o começo” está dependente da acção divina “ Deus é o agente” e é o herói que involuntariamente e inconscientemente a concretiza.
O Conde D. Henrique é o herói simbólico que executou a vontade divina, materializada numa espada à qual não sabe como dar uso, como ele próprio confessa em discurso indirecto livre: «Que farei eu com esta espada?» .
A espada, símbolo associado à guerra, é inquestionavelmente nesta subparte do “ Brasão”, Os Castelos, a forma de combater o infiél e de restabelecer a ordem, a paz e a crença em Deus.
Prof: Euclides (análise global)
Os Castelos «O Conde D. Henrique»
TERCEIRO
O CONDE D. HENRIQUE
Todo começo é involuntario.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.
À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
«Que farei eu com esta espada?»
Ergueste-a, e fez-se.
Para uma análise completa, convém localizar o poema que me proponho a tratar: O Conde D. Henrique é o 3º texto do conjunto II Os Castellos, da 1ª parte da Mensagem denominada Brasão.
Convém também lembrar as diversas simbologias associadas ao nº 3:
• Representação da totalidade através da união DEUS/UNIVERSO/HOMEM;
• Ligação à figura de Cristo e à espiritualidade (PAI/FILHO/ESPÍRITO SANTO);
• Fases da existência NASCIMENTO/CRESCIMENTO/MORTE, que aliás estão cada uma respectivamente associada à simbologia das três partes da “Mensagem” BRASÃO/MAR PORTUGUÊS/ENCOBERTO (estrutura tripartida).
Passo então à análise concreta do poema. Conde D. Henrique, contribuiu para a fundação de Portugal, para a criação da nossa nacionalidade, foi o fundador do Condado Portucalense.
Apesar de o poema possuir este título, pouco está ele relacionado directamente com a personagem. O texto ultrapassa mesmo a figura de Conde D. Henrique através de afirmações altamente simbólicas.
Na 1ª estrofe, o herói (Conde D. Henrique) actua como agente de Deus, comandado por uma força que o transcende, uma força que o faz agir inconscientemente.
Dá-se portanto início a um percurso espiritual. O que este percurso pretende atingir, é a ideia de que mais importante do que a terra (matéria), é o espírito, os valores sobre os quais ele (herói) vai criar as suas raízes.
Podemos de certa forma, através deste conceito de herói inconsciente, fazer a seguinte questão de teor filosófico: até que ponto é que o Homem é autónomo?
Resumidamente, nesta 1ª estrofe o herói imóvel assiste ao desenrolar involuntário de alguma acção.
A espada, símbolo de guerra, de morte. Será esta a mensagem que Pessoa quererá fazer passar? Não, aqui a espada funciona paradoxalmente. Não é de guerra verdadeira que fala o poeta, é de guerra à ignorância. Poderá ainda ser interpretada como símbolo fálico, pela sua forma longa e comprida, simbolizando a fecundação dos campos, a criação de vida.
Ora, nesta 2ª estrofe o herói desce o olhar na espada e faz aquela interrogação retórica «Que farei eu com esta espada?»:
Pessoa conclui então o poema com a finalização do acto, a concretização de algo por parte do herói, o nascimento de Portugal.
João Lamarão 12º2 (2007/08)
O CONDE D. HENRIQUE
Todo começo é involuntario.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.
À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
«Que farei eu com esta espada?»
Ergueste-a, e fez-se.
Para uma análise completa, convém localizar o poema que me proponho a tratar: O Conde D. Henrique é o 3º texto do conjunto II Os Castellos, da 1ª parte da Mensagem denominada Brasão.
Convém também lembrar as diversas simbologias associadas ao nº 3:
• Representação da totalidade através da união DEUS/UNIVERSO/HOMEM;
• Ligação à figura de Cristo e à espiritualidade (PAI/FILHO/ESPÍRITO SANTO);
• Fases da existência NASCIMENTO/CRESCIMENTO/MORTE, que aliás estão cada uma respectivamente associada à simbologia das três partes da “Mensagem” BRASÃO/MAR PORTUGUÊS/ENCOBERTO (estrutura tripartida).
Passo então à análise concreta do poema. Conde D. Henrique, contribuiu para a fundação de Portugal, para a criação da nossa nacionalidade, foi o fundador do Condado Portucalense.
Apesar de o poema possuir este título, pouco está ele relacionado directamente com a personagem. O texto ultrapassa mesmo a figura de Conde D. Henrique através de afirmações altamente simbólicas.
Na 1ª estrofe, o herói (Conde D. Henrique) actua como agente de Deus, comandado por uma força que o transcende, uma força que o faz agir inconscientemente.
Dá-se portanto início a um percurso espiritual. O que este percurso pretende atingir, é a ideia de que mais importante do que a terra (matéria), é o espírito, os valores sobre os quais ele (herói) vai criar as suas raízes.
Podemos de certa forma, através deste conceito de herói inconsciente, fazer a seguinte questão de teor filosófico: até que ponto é que o Homem é autónomo?
Resumidamente, nesta 1ª estrofe o herói imóvel assiste ao desenrolar involuntário de alguma acção.
A espada, símbolo de guerra, de morte. Será esta a mensagem que Pessoa quererá fazer passar? Não, aqui a espada funciona paradoxalmente. Não é de guerra verdadeira que fala o poeta, é de guerra à ignorância. Poderá ainda ser interpretada como símbolo fálico, pela sua forma longa e comprida, simbolizando a fecundação dos campos, a criação de vida.
Ora, nesta 2ª estrofe o herói desce o olhar na espada e faz aquela interrogação retórica «Que farei eu com esta espada?»:
Pessoa conclui então o poema com a finalização do acto, a concretização de algo por parte do herói, o nascimento de Portugal.
João Lamarão 12º2 (2007/08)
Os Castelos Viriato»
VIRIATO
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memoria em nós do instincto teu.
Nação porque reincarnaste,
Povo porque resuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquella fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.
“Viriato” é o primeiro símbolo histórico do nosso “Brasão”, um dos sete castelos, isto é, uma das sete fortalezas que grantiram a nossa independência.
Há uma progressão na apresentação do herói mítico como símbolo da alma lusitana: “raça, memória, nação, povo, Portugal.” O ressurgimento de Portugal no presente da sua formação depende da lembrança do “instincto teu”, de Viriato, que faz a alma, o sentimento e a obra nacionais: “Se a alma que sente e faz conhece “.
Nesse passado/presente Viriato é metaforicamente a haste de uma árvore genealógica nacional.
À semelhança dos Tempos vindouros em “O Encoberto”, este herói é um “confuso nada”, por isso também um mito; uma luz, tal como o sol em “ Ulisses”, na “antemanhã da nossa madrugada”, no adro da nossa existência enquanto nação. Confirma-se assim uma perspectiva cíclica do tempo, pois são os simbolos que se reptem, contrariamente aos factos.
Quanto à sua estrutura, pode dizer-se que o poema é composto por três quadras, de versos octassilábicos. A rima é cruzada, alternativamente grave e aguda nas duas primeiras quadras e só grave na terceira.
O discurso apresenta-se na primeira pessoa do plural e o interlocutor na segunda do singular, denotando uma familiariade, proximidade com o mesmo.
David Chambino nº3 12º2 (2007/08)
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memoria em nós do instincto teu.
Nação porque reincarnaste,
Povo porque resuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquella fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.
“Viriato” é o primeiro símbolo histórico do nosso “Brasão”, um dos sete castelos, isto é, uma das sete fortalezas que grantiram a nossa independência.
Há uma progressão na apresentação do herói mítico como símbolo da alma lusitana: “raça, memória, nação, povo, Portugal.” O ressurgimento de Portugal no presente da sua formação depende da lembrança do “instincto teu”, de Viriato, que faz a alma, o sentimento e a obra nacionais: “Se a alma que sente e faz conhece “.
Nesse passado/presente Viriato é metaforicamente a haste de uma árvore genealógica nacional.
À semelhança dos Tempos vindouros em “O Encoberto”, este herói é um “confuso nada”, por isso também um mito; uma luz, tal como o sol em “ Ulisses”, na “antemanhã da nossa madrugada”, no adro da nossa existência enquanto nação. Confirma-se assim uma perspectiva cíclica do tempo, pois são os simbolos que se reptem, contrariamente aos factos.
Quanto à sua estrutura, pode dizer-se que o poema é composto por três quadras, de versos octassilábicos. A rima é cruzada, alternativamente grave e aguda nas duas primeiras quadras e só grave na terceira.
O discurso apresenta-se na primeira pessoa do plural e o interlocutor na segunda do singular, denotando uma familiariade, proximidade com o mesmo.
David Chambino nº3 12º2 (2007/08)
Os Castelos- «Ulisses»
Os Castelos
Primeiro
Ulisses
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
A tese inicial assenta numa antitese que é, aliás, o único caminho para o entendimento do conceito de mito: “O mito é o nada que é tudo”.
O sol, sinédoque da vida, é o instrumento misterioso da manifestação da força criadora divina por isso “brilhante e mudo” e também antitético, pois é corpo simultaneamente “morto” e “vivo”.
Delimitados dois momentos do poema, a tese, primeiro verso, e sua exemplificação com o mito divino, quatro versos seguintes da mesma, passemos ao terceiro momento, segunda quintilha, em que se apresenta Ulisses como mito fundador da cidade de Lisboa, metonímia de Portugal, cuja força lendária se revela fecundadora da própria vida, à semelhança de Deus.
Os deícticos pessoais “ Este” , “ nos” e espacial “ aqui” denotam um sujeito majestático plural que partilha o mesmo espaço de gestação que “ sem existir” e “ por não ter vindo”, é a lenda necessária ao nascimento da realidade.
Os dois últimos versos são a conclusão da tese inicial; a vida, sendo “ metade de nada, morre”, sem a lenda a “fecundá-la”.
Prof. Euclides
Primeiro
Ulisses
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
A tese inicial assenta numa antitese que é, aliás, o único caminho para o entendimento do conceito de mito: “O mito é o nada que é tudo”.
O sol, sinédoque da vida, é o instrumento misterioso da manifestação da força criadora divina por isso “brilhante e mudo” e também antitético, pois é corpo simultaneamente “morto” e “vivo”.
Delimitados dois momentos do poema, a tese, primeiro verso, e sua exemplificação com o mito divino, quatro versos seguintes da mesma, passemos ao terceiro momento, segunda quintilha, em que se apresenta Ulisses como mito fundador da cidade de Lisboa, metonímia de Portugal, cuja força lendária se revela fecundadora da própria vida, à semelhança de Deus.
Os deícticos pessoais “ Este” , “ nos” e espacial “ aqui” denotam um sujeito majestático plural que partilha o mesmo espaço de gestação que “ sem existir” e “ por não ter vindo”, é a lenda necessária ao nascimento da realidade.
Os dois últimos versos são a conclusão da tese inicial; a vida, sendo “ metade de nada, morre”, sem a lenda a “fecundá-la”.
Prof. Euclides
O das Quinas
Os Campos
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof. Euclides
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof. Euclides
Brasão. Bellum sine bello
Os Campos
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof Euclides
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof Euclides
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Matriz do 2º Teste de Avaliação
Estrutura
São três grupos:
I(Compreensão/ Interpretação)
- Cinco itens de resposta curta
II- Conhecimento Explícito da Língua
- Dois itens, um de escolha de alternativas e outro de aplicação (reescrita de frases). Este exercício insere-se no quadro da pragmática textual e tem como suporte um texto dado.
III- Produção Escrita
- Item de resposta extensa- texto de opinião sobre uma temática abordada na aula.
Conteúdos
Textos: excerto de " Os Lusíadas", poema de " Mensagem", primeira parte
Estrutura interna de ambas as obras
Conteúdo informacional dos textos
Recursos estilísticos e sua expressividade
Coesão lexical e interfrásica
Deícticos
Classes de palavras
Tipologia de texto de opinião
Cotações
I- 100 pontos
II- 40 pontos
III-60 pontos
P.S. São 90 minutos, não há tolerância nem de um único minuto para alunos que cheguem atrasados.
São três grupos:
I(Compreensão/ Interpretação)
- Cinco itens de resposta curta
II- Conhecimento Explícito da Língua
- Dois itens, um de escolha de alternativas e outro de aplicação (reescrita de frases). Este exercício insere-se no quadro da pragmática textual e tem como suporte um texto dado.
III- Produção Escrita
- Item de resposta extensa- texto de opinião sobre uma temática abordada na aula.
Conteúdos
Textos: excerto de " Os Lusíadas", poema de " Mensagem", primeira parte
Estrutura interna de ambas as obras
Conteúdo informacional dos textos
Recursos estilísticos e sua expressividade
Coesão lexical e interfrásica
Deícticos
Classes de palavras
Tipologia de texto de opinião
Cotações
I- 100 pontos
II- 40 pontos
III-60 pontos
P.S. São 90 minutos, não há tolerância nem de um único minuto para alunos que cheguem atrasados.
Subscrever:
Mensagens (Atom)