Os Campos
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof. Euclides
domingo, 27 de janeiro de 2008
Brasão. Bellum sine bello
Os Campos
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof Euclides
Primeiro
O dos Castelos
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Este primeiro poema da Mensagem prepara-nos para o esoterismo de toda a obra. O continente europeu assume contornos antropomórficos pelas sucessivas metáforas com uma esfinge feminina:” A Europa jaz, posta nos cotovelos/ toldam-lhe românticos cabelos/ olhar 'sfíngico e fatal.”
É, contudo, uma Europa do presente ( vejam-se tempos verbais) que,moribunda,” jaz/De Oriente a Ocidente jaz, fitando” só poderá reanimar-se, fixando-se no exemplo do Ocidente, Portugal, pois foi ele o “futuro do passado”. Daí ,simbolicamente Portugal ser o rosto da Europa e o único no espaço europeu que se mantém símbolo da civilização ocidental e da humanidade, que poderá reverter o destino. Todo ele um mistério, pesando nós que está no Futuro, encontramo-lo, antiteticamente, no Passado. No entanto não basta olhá-lo, exige-se a toda a Europa fitá-lo, num acto contínuo e intemporal ( veja-se o gerúndio “ fitando” e a repetição de “ fita”).
Repare-se que a apresentação geomorfológica da Europa se limita às suas extremidades, os “românticos cabelos” que nos remetem para os fiordes escandinavos, a Grécia, a Itália, a Inglaterra, todos, tal como Portugal, com estreita ligação com o mar, que foi e talvez seja ainda a forma de aproximar o Mundo. No entanto, a imagem de contorno dada é o limite que encerra outros campos mais vastos, é o castelo simbólico europeu, entendido como uma edificação que tem uma memória e uma identidade partilhadas.
Prof Euclides
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Matriz do 2º Teste de Avaliação
Estrutura
São três grupos:
I(Compreensão/ Interpretação)
- Cinco itens de resposta curta
II- Conhecimento Explícito da Língua
- Dois itens, um de escolha de alternativas e outro de aplicação (reescrita de frases). Este exercício insere-se no quadro da pragmática textual e tem como suporte um texto dado.
III- Produção Escrita
- Item de resposta extensa- texto de opinião sobre uma temática abordada na aula.
Conteúdos
Textos: excerto de " Os Lusíadas", poema de " Mensagem", primeira parte
Estrutura interna de ambas as obras
Conteúdo informacional dos textos
Recursos estilísticos e sua expressividade
Coesão lexical e interfrásica
Deícticos
Classes de palavras
Tipologia de texto de opinião
Cotações
I- 100 pontos
II- 40 pontos
III-60 pontos
P.S. São 90 minutos, não há tolerância nem de um único minuto para alunos que cheguem atrasados.
São três grupos:
I(Compreensão/ Interpretação)
- Cinco itens de resposta curta
II- Conhecimento Explícito da Língua
- Dois itens, um de escolha de alternativas e outro de aplicação (reescrita de frases). Este exercício insere-se no quadro da pragmática textual e tem como suporte um texto dado.
III- Produção Escrita
- Item de resposta extensa- texto de opinião sobre uma temática abordada na aula.
Conteúdos
Textos: excerto de " Os Lusíadas", poema de " Mensagem", primeira parte
Estrutura interna de ambas as obras
Conteúdo informacional dos textos
Recursos estilísticos e sua expressividade
Coesão lexical e interfrásica
Deícticos
Classes de palavras
Tipologia de texto de opinião
Cotações
I- 100 pontos
II- 40 pontos
III-60 pontos
P.S. São 90 minutos, não há tolerância nem de um único minuto para alunos que cheguem atrasados.
"Mensagem" : estrutura interna
Arquitectura e Símbolos da «Mensagem»
O livro está dividido em 3 partes:
1ª - (heráldica) «Brasão» nascimento
2ª - (Descobertas) «Mar Português» crescimento / vida
3ª - (profecias) «O Encoberto» morte… e renascimento
1ª Parte (subdivisão em 5 partes) «Brasão» ”Belum sine Bello”
I.
“Os Campos”
(= 2 escudos)
1º O dos Castelos
2º O das Quinas
II.
“Os Castelos”
(7 castelos)
1º Ulisses
2º Viriato
3º O Conde D. Henrique
4º D. Tareja
5º D. Afonso Henriques
6º D. Dinis
7º (I.) D. João, o Primeiro
7º (II.) D. Filipa de Lencastre
III.
“As Quinas”
(5 quinas)
1ª D. Duarte rei de Portugal
2ª D. Fernando Infante de Portugal
3ª D. Pedro Regente de Portugal
4ª D. João Infante de Portugal
5ª D. Sebastião Rei de Portugal
IV.
“A Coroa”
Nun’Álvares Pereira
V.
“O Timbre” 1
A cabeça do Grifo 2, O Infante D. Henrique
Uma asa do Grifo, D. João o Segundo
A outra asa do Grifo, Afonso de Albuquerque
………..
1Timbre = carimbo, insígnia, marca, selo; emblema, símbolo; lema (divisa de honra que distingue alguém ou alguma coisa); carácter (característica própria de alguém ou de alguma coisa).
2Grifo = Pássaro fabuloso, com bico e asas de águia e corpo de leão. Emblema medieval que possuía o simbolismo da águia e do leão: um duplicar da sua natureza solar. É a Terra e o Céu, o humano e o divino (= Cristo). Símbolo da dupla qualidade divina: força e sabedoria. Une a força terrestre do leão à energia celeste da águia.
2ª Parte «Mar Português» ”Possessio Maris”
Zona intermédia (contemplativa)
Predomínio do elemento água (fluidez)
Impulso para o mar / impulso para o sonho
Sucessão entre o Império Material (Descobrimentos) e o Império Espiritual (Quinto Império)
I. O Infante II. Horizonte III. Padrão
IV. O Mostrengo V. Epitáfio de Bartolomeu Dias VI. Os Colombos
VII. Ocidente VIII. Fernão de Magalhães IX. Ascensão de Vasco da Gama
X. Mar Português XI. A Última Nau XII. Prece
3ª Parte (subdivisão em 3 partes estrutura triádica) «O Encoberto» ”Pax in Excelsis”
I.
“Os Símbolos”
1º D. Sebastião
2º O Quinto Império
3º O Desejado
4º As Ilhas Afortunadas
5º O Encoberto
II.
“Os Avisos”
1º O Bandarra
2º António Vieira
3º (sem título)
«’Screvo meu livro à beira-mágoa»
III.
“Os Tempos”
1º Noite
2º Tormenta
3º Calma
4º Antemanhã
5º Nevoeiro
“Valete, Fratre”
O livro está dividido em 3 partes:
1ª - (heráldica) «Brasão» nascimento
2ª - (Descobertas) «Mar Português» crescimento / vida
3ª - (profecias) «O Encoberto» morte… e renascimento
1ª Parte (subdivisão em 5 partes) «Brasão» ”Belum sine Bello”
I.
“Os Campos”
(= 2 escudos)
1º O dos Castelos
2º O das Quinas
II.
“Os Castelos”
(7 castelos)
1º Ulisses
2º Viriato
3º O Conde D. Henrique
4º D. Tareja
5º D. Afonso Henriques
6º D. Dinis
7º (I.) D. João, o Primeiro
7º (II.) D. Filipa de Lencastre
III.
“As Quinas”
(5 quinas)
1ª D. Duarte rei de Portugal
2ª D. Fernando Infante de Portugal
3ª D. Pedro Regente de Portugal
4ª D. João Infante de Portugal
5ª D. Sebastião Rei de Portugal
IV.
“A Coroa”
Nun’Álvares Pereira
V.
“O Timbre” 1
A cabeça do Grifo 2, O Infante D. Henrique
Uma asa do Grifo, D. João o Segundo
A outra asa do Grifo, Afonso de Albuquerque
………..
1Timbre = carimbo, insígnia, marca, selo; emblema, símbolo; lema (divisa de honra que distingue alguém ou alguma coisa); carácter (característica própria de alguém ou de alguma coisa).
2Grifo = Pássaro fabuloso, com bico e asas de águia e corpo de leão. Emblema medieval que possuía o simbolismo da águia e do leão: um duplicar da sua natureza solar. É a Terra e o Céu, o humano e o divino (= Cristo). Símbolo da dupla qualidade divina: força e sabedoria. Une a força terrestre do leão à energia celeste da águia.
2ª Parte «Mar Português» ”Possessio Maris”
Zona intermédia (contemplativa)
Predomínio do elemento água (fluidez)
Impulso para o mar / impulso para o sonho
Sucessão entre o Império Material (Descobrimentos) e o Império Espiritual (Quinto Império)
I. O Infante II. Horizonte III. Padrão
IV. O Mostrengo V. Epitáfio de Bartolomeu Dias VI. Os Colombos
VII. Ocidente VIII. Fernão de Magalhães IX. Ascensão de Vasco da Gama
X. Mar Português XI. A Última Nau XII. Prece
3ª Parte (subdivisão em 3 partes estrutura triádica) «O Encoberto» ”Pax in Excelsis”
I.
“Os Símbolos”
1º D. Sebastião
2º O Quinto Império
3º O Desejado
4º As Ilhas Afortunadas
5º O Encoberto
II.
“Os Avisos”
1º O Bandarra
2º António Vieira
3º (sem título)
«’Screvo meu livro à beira-mágoa»
III.
“Os Tempos”
1º Noite
2º Tormenta
3º Calma
4º Antemanhã
5º Nevoeiro
“Valete, Fratre”
" Mensagem"- síntese
Mensagem, Fernando Pessoa
Obra épico-lírica (como uma epopeia, parte de um núcleo histórico as figuras e acontecimentos da História de Portugal , mas apresenta uma dimensão subjectiva, introspectiva, de contemplação interior, característica própria do lirismo) dividida em três partes:
1ª - BRASÃO (heráldica) Subdivisão em cinco partes:
I. Os Campos
II. Os Castelos
III. As Quinas
IV. A Coroa
V. O Timbre
(símbolos da brasão nacional)
2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas) Zona intermédia (contemplativa):
. predomínio do elemento água (fluidez)
. impulso para o mar (sonho)
3ª - O ENCOBERTO (profecias) Subdivisão em três partes:
I. Os Símbolos
II. Os Avisos
III. Os Tempos
1ª - BRASÃO (heráldica) a acção dos heróis fundadores da pátria NASCIMENTO
“O dos Castelos” a situação geográfica e histórica de Portugal na Europa;
projecção de Portugal para o futuro.
«A Europa jaz, … / Fita ... / O Ocidente, futuro do passado. / O rosto com que fita é Portugal.»
A Europa «jaz», estática e contemplativa, morta, à espera de um novo impulso vital que o seu olhar procura na Distância. Portugal é o «rosto» dessa Europa que contempla o Desconhecido (o Ocidente, o mar por desvendar). Portugal tem a missão de construção do Futuro.
“Ulisses” o fundador mitológico;
o mito / a lenda como fundamento da existência.
«O mito é o nada que é tudo»
O mito, apesar de não ter existência no plano da realidade («é o nada»), tem uma radical importância («é tudo»), pois é dele que brotam as forças ocultas que projectam os povos para grandes façanhas. Sem a força mágica e criadora do mito, a realidade fica reduzida a menos que nada e o seu destino é fatalmente a morte.
“D. Dinis” as sementes do passado que germinam no futuro;
a concretização do Império tem por base o passado (o sonho).
«O plantador de naus a haver,»
«E a fala dos pinhais ... / É o som presente desse mar futuro»
O poeta confere a D. Dinis (personagem histórica mitificada) a acção de plantador das naus descobridoras do futuro, de construtor do futuro. História e mito conjugam-se: os aspectos históricos são mitificados.
1
“D. Sebastião, rei de Portugal” a loucura (o sonho) é a origem de toda a realização do Homem;
a loucura é o ideal, a grandeza, o sonho capaz de enfrentar todos os
obstáculos;
sem o ideal, sem o sonho, cai-se no viver materialista e efémero;
a loucura como comportamento essencial da autêntica condição
humana.
«Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria. »
O resultado imediato do ilimitado desejo de grandeza foi a destruição física do herói (D. Sebastião); o resultado final foi a sua imortalidade. A loucura deu sentido à vida e à morte, pois é a chama que faz o homem herói, dá-lhe o impulso para ir mais além, opondo à pequenez dos limites impostos pelo Destino perecível, a grandeza do sonho e do futuro. Sem a loucura, o homem fica reduzido à animalidade que cumpre a sua missão de procriação, estando condenado à morte.
O mito sebastianista é a força criadora capaz de impelir a nação para a sua última grande fase: o mito / a utopia do Quinto Império (um domínio espiritual e cultural, por isso eterno). A utopia foi, é e será sempre a força criadora de novos mundos, quer a nível individual, quer colectivo.
2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas)
a acção dos heróis dos Descobrimentos dos séculos XV e XVI que realizaram o
grande sonho dos portugueses;
época gloriosa da pátria; VIDA
a vontade do homem tornada realidade.
“O Infante” a acção do homem que concretiza o sonho e a vontade divina;
a conquista do mar pelos portugueses (expansão do Império Português por mar).
«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»
«Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal»
Os três passos da construção da obra: só a vontade divina associada ao sonho do homem permite nascimento da obra. A missão divina dos portugueses foi transformar o mar desconhecido em mar português. No passado, esta missão foi cumprida: os portugueses desvendaram o mar desconhecido e criaram um grande Império. Mas esse Império desmoronou-se (porque era material), pertenceu a um outro tempo e, no presente, Portugal é uma pátria sem desígnio. Então, o poeta faz o apelo profético ao cumprimento do desígnio futuro de nova, inspirada e espiritual missão.
“O Mostrengo” os obstáculos ultrapassados, os perigos vencidos, os medos postos de lado;
a ousadia e a força heróica dos marinheiros portugueses.
«Aqui ao leme sou mais do que eu: / Sou um Povo que quer o mar que é teu;»
«O mostrengo que está no fim do mar» simboliza todos os perigos, todos os obstáculos, todos os medos que os marinheiros portugueses tiveram de enfrentar. Num plano mais vasto, os medos que todo o homem tem que enfrentar para se superar a si mesmo. O herói-homem que treme perante o perigo mas é capaz de vencer o medo que o paralisa, porque é o mandatário de uma missão e representa todo um povo que anseia pelo mar e que partiu para o desvendar e para o possuir.
2
“Mar Português” as duas faces das Descobertas: a desgraça e o sofrimento / a glória e a fortuna;
toda a grande realização, toda a grande obra, carece de muito sacrifício.
«Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena»
Para desvendar e possuir o mar, os portugueses pagaram um preço altíssimo: a dor, quer dos que partiram, quer dos que ficaram. Mas esse preço foi recompensado com o prémio recebido: o Mar é Português. Então, valeu a pena sonhar, ter a alma grande. Para alcançar o sonho é necessário sofrer e ultrapassar a dor. É preciso lutar pelo sonho, superando os limites impostos pela própria condição humana.
“Prece” apelo do poeta ao Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que devolva à Pátria a chama oculta
debaixo das cinzas.
«E outra vez conquistemos a Distância / Do mar ou outra, mas que seja nossa!»
O presente é um tempo adormecido, moribundo. No entanto, ainda existe uma «chama» (esperança), oculta pela «cinza» (inércia), que poderá reanimar-se, mas para isso é necessário o «vento», o sopro da vontade, do sonho, da capacidade de sonhar. O poeta faz um apelo que é o seu desejo de ressurgimento, de renascimento, de rejuvenescimento da pátria adormecida e moribunda. Um apelo para o despertar do sonho de conquista, ainda que seja com «desgraça», mas que seja, que não se fique quieto, inerte, sem vontade.
3ª - O ENCOBERTO (profecias)
depois da obra realizada vem o momento da inércia MORTE
o fim, a morte, contém em si uma ressurreição RENASCIMENTO
um novo ciclo que se anuncia QUINTO IMPÉRIO
“O Quinto Império” só o sonho evita a mediocridade de viver, favorece a grandeza da
alma, possibilita os grandes feitos;
o advento do Quinto Império só se concretizará com a crença no regresso de
D. Sebastião (sebastianismo).
«Triste de quem vive em casa / Contente com o seu lar»
«Ser descontente é ser homem.»
«Quem vem viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?»
A verdadeira vida é aquela que assenta na máxima: «Ser descontente é ser homem.» É a apologia da inquietação, da visão para além dos limites, do sonho como único caminho para domar as «força cegas» (inércia, conformismo, marasmo, medo) e ultrapassar os limites estreitos da finitude humana.
Apelo ao caminho da procura, da demanda, que ganha forma no plano simbólico com o sonho, com o mito. O poeta profetiza a vinda futura do «dia claro» (Quinto Império), que nascerá da «erma noite» do presente, relacionando este ressurgimento com a figura mítica de D. Sebastião. Os quatro impérios (materiais) passaram, agora é tempo de ser descontente do presente e perseguir o sonho de construção futura do Quinto Império, o império espiritual e cultural da procura, da demanda da Verdade.
3
(único poema sem título) “’Screvo meu livro à beira-mágoa.”
«eu ‘Screvo»; o Poeta (o terceiro profeta do Quinto Império);
«meu livro», “Mensagem”;
«beira-mágoa»; a dor presente do poeta (o local: à beira-mar: Portugal);
a invocação do Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que regresse, trazendo a salvação.
«Mas quando quererás voltar? / Quando é o Rei? Quando é a Hora?»
O sujeito poético caracteriza negativamente a sua existência presente: sofrimento, mágoa, vazio, tristeza, desilusão, descrença. Mas este estado de espírito poderá mudar, para isso o poeta assume-se como a voz inspirada superiormente («o anseio que Deus fez), cuja poesia tem como objectivo o cumprimento de um desígnio: o anúncio messiânico da vinda do Encoberto, «sonho das eras português». O Encoberto regressará para fazer ressurgir a Pátria da tristeza e do adormecimento. É a espera portuguesa sempre presente e sempre adiada. O poeta apela ao regresso do Encoberto, do mito, como forma de ultrapassar a crise.
“Nevoeiro” a Pátria está adormecida, inerte, e é urgente renascer, através do sonho,
para a realização da grande obra ( o Quinto Império).
«Ó Portugal, hoje és nevoeiro... / É a Hora!»
«Nevoeiro», metáfora de Portugal presente: símbolo de indefinição, de ocultação; lugar de onde é urgente emergir a resposta, a solução para a crise. Portugal está em profunda crise de identidade, povoado de seres indefinidos, porque ninguém se conhece a si mesmo; é um país fragmentado, «disperso», onde tudo é estilhaço, «nada é inteiro».
O último verso «É a Hora!» tem um carácter exortativo: é um apelo que procura acordar Portugal.
Conclusão:
A unidade do livro está na ligação de um passado histórico transformado em mito com a possibilidade de invenção de um futuro.
Assim, na 1ª Parte («Brasão»), o poeta exalta os heróis fundadores da Pátria portuguesa: deles herdámos a coragem, a ousadia, a persistência, o impulso para as aventuras marítimas, a capacidade de sonhar, o poder visionário de construção do futuro.
Todas estas características da «Raça» portuguesas manifestaram-se no grande período das Descobertas dos séculos XV e XVI: os portugueses sonharam, ousaram, enfrentaram o mar desconhecido, venceram os seus medos e construíram um grande Império. A 2ª parte («Mar Português«) pretende, então, mostrar como os portugueses possuem todas as capacidades que possibilitam a realização de grandes feitos.
No entanto, este período pertence ao passado, existiu, mas acabou. O presente é de crise.
Face a esta crise do presente, o Poeta assume, na 3ª parte («O Encoberto»), a voz do profeta, com um desígnio superior, que apela ao ressurgimento do sonho (da crença no mito; no sebastianismo), único capaz de alterar a situação actual de inércia e de adormecimento em que a pátria está mergulhada. O poeta exorta à mudança que equivale ao erguer do sonho do combate com o desconhecido, na perseguição da Verdade, da utopia do Quinto Império: o Império espiritual e cultural para o qual Portugal sempre esteve predestinado.
Obra épico-lírica (como uma epopeia, parte de um núcleo histórico as figuras e acontecimentos da História de Portugal , mas apresenta uma dimensão subjectiva, introspectiva, de contemplação interior, característica própria do lirismo) dividida em três partes:
1ª - BRASÃO (heráldica) Subdivisão em cinco partes:
I. Os Campos
II. Os Castelos
III. As Quinas
IV. A Coroa
V. O Timbre
(símbolos da brasão nacional)
2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas) Zona intermédia (contemplativa):
. predomínio do elemento água (fluidez)
. impulso para o mar (sonho)
3ª - O ENCOBERTO (profecias) Subdivisão em três partes:
I. Os Símbolos
II. Os Avisos
III. Os Tempos
1ª - BRASÃO (heráldica) a acção dos heróis fundadores da pátria NASCIMENTO
“O dos Castelos” a situação geográfica e histórica de Portugal na Europa;
projecção de Portugal para o futuro.
«A Europa jaz, … / Fita ... / O Ocidente, futuro do passado. / O rosto com que fita é Portugal.»
A Europa «jaz», estática e contemplativa, morta, à espera de um novo impulso vital que o seu olhar procura na Distância. Portugal é o «rosto» dessa Europa que contempla o Desconhecido (o Ocidente, o mar por desvendar). Portugal tem a missão de construção do Futuro.
“Ulisses” o fundador mitológico;
o mito / a lenda como fundamento da existência.
«O mito é o nada que é tudo»
O mito, apesar de não ter existência no plano da realidade («é o nada»), tem uma radical importância («é tudo»), pois é dele que brotam as forças ocultas que projectam os povos para grandes façanhas. Sem a força mágica e criadora do mito, a realidade fica reduzida a menos que nada e o seu destino é fatalmente a morte.
“D. Dinis” as sementes do passado que germinam no futuro;
a concretização do Império tem por base o passado (o sonho).
«O plantador de naus a haver,»
«E a fala dos pinhais ... / É o som presente desse mar futuro»
O poeta confere a D. Dinis (personagem histórica mitificada) a acção de plantador das naus descobridoras do futuro, de construtor do futuro. História e mito conjugam-se: os aspectos históricos são mitificados.
1
“D. Sebastião, rei de Portugal” a loucura (o sonho) é a origem de toda a realização do Homem;
a loucura é o ideal, a grandeza, o sonho capaz de enfrentar todos os
obstáculos;
sem o ideal, sem o sonho, cai-se no viver materialista e efémero;
a loucura como comportamento essencial da autêntica condição
humana.
«Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria. »
O resultado imediato do ilimitado desejo de grandeza foi a destruição física do herói (D. Sebastião); o resultado final foi a sua imortalidade. A loucura deu sentido à vida e à morte, pois é a chama que faz o homem herói, dá-lhe o impulso para ir mais além, opondo à pequenez dos limites impostos pelo Destino perecível, a grandeza do sonho e do futuro. Sem a loucura, o homem fica reduzido à animalidade que cumpre a sua missão de procriação, estando condenado à morte.
O mito sebastianista é a força criadora capaz de impelir a nação para a sua última grande fase: o mito / a utopia do Quinto Império (um domínio espiritual e cultural, por isso eterno). A utopia foi, é e será sempre a força criadora de novos mundos, quer a nível individual, quer colectivo.
2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas)
a acção dos heróis dos Descobrimentos dos séculos XV e XVI que realizaram o
grande sonho dos portugueses;
época gloriosa da pátria; VIDA
a vontade do homem tornada realidade.
“O Infante” a acção do homem que concretiza o sonho e a vontade divina;
a conquista do mar pelos portugueses (expansão do Império Português por mar).
«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»
«Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal»
Os três passos da construção da obra: só a vontade divina associada ao sonho do homem permite nascimento da obra. A missão divina dos portugueses foi transformar o mar desconhecido em mar português. No passado, esta missão foi cumprida: os portugueses desvendaram o mar desconhecido e criaram um grande Império. Mas esse Império desmoronou-se (porque era material), pertenceu a um outro tempo e, no presente, Portugal é uma pátria sem desígnio. Então, o poeta faz o apelo profético ao cumprimento do desígnio futuro de nova, inspirada e espiritual missão.
“O Mostrengo” os obstáculos ultrapassados, os perigos vencidos, os medos postos de lado;
a ousadia e a força heróica dos marinheiros portugueses.
«Aqui ao leme sou mais do que eu: / Sou um Povo que quer o mar que é teu;»
«O mostrengo que está no fim do mar» simboliza todos os perigos, todos os obstáculos, todos os medos que os marinheiros portugueses tiveram de enfrentar. Num plano mais vasto, os medos que todo o homem tem que enfrentar para se superar a si mesmo. O herói-homem que treme perante o perigo mas é capaz de vencer o medo que o paralisa, porque é o mandatário de uma missão e representa todo um povo que anseia pelo mar e que partiu para o desvendar e para o possuir.
2
“Mar Português” as duas faces das Descobertas: a desgraça e o sofrimento / a glória e a fortuna;
toda a grande realização, toda a grande obra, carece de muito sacrifício.
«Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena»
Para desvendar e possuir o mar, os portugueses pagaram um preço altíssimo: a dor, quer dos que partiram, quer dos que ficaram. Mas esse preço foi recompensado com o prémio recebido: o Mar é Português. Então, valeu a pena sonhar, ter a alma grande. Para alcançar o sonho é necessário sofrer e ultrapassar a dor. É preciso lutar pelo sonho, superando os limites impostos pela própria condição humana.
“Prece” apelo do poeta ao Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que devolva à Pátria a chama oculta
debaixo das cinzas.
«E outra vez conquistemos a Distância / Do mar ou outra, mas que seja nossa!»
O presente é um tempo adormecido, moribundo. No entanto, ainda existe uma «chama» (esperança), oculta pela «cinza» (inércia), que poderá reanimar-se, mas para isso é necessário o «vento», o sopro da vontade, do sonho, da capacidade de sonhar. O poeta faz um apelo que é o seu desejo de ressurgimento, de renascimento, de rejuvenescimento da pátria adormecida e moribunda. Um apelo para o despertar do sonho de conquista, ainda que seja com «desgraça», mas que seja, que não se fique quieto, inerte, sem vontade.
3ª - O ENCOBERTO (profecias)
depois da obra realizada vem o momento da inércia MORTE
o fim, a morte, contém em si uma ressurreição RENASCIMENTO
um novo ciclo que se anuncia QUINTO IMPÉRIO
“O Quinto Império” só o sonho evita a mediocridade de viver, favorece a grandeza da
alma, possibilita os grandes feitos;
o advento do Quinto Império só se concretizará com a crença no regresso de
D. Sebastião (sebastianismo).
«Triste de quem vive em casa / Contente com o seu lar»
«Ser descontente é ser homem.»
«Quem vem viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?»
A verdadeira vida é aquela que assenta na máxima: «Ser descontente é ser homem.» É a apologia da inquietação, da visão para além dos limites, do sonho como único caminho para domar as «força cegas» (inércia, conformismo, marasmo, medo) e ultrapassar os limites estreitos da finitude humana.
Apelo ao caminho da procura, da demanda, que ganha forma no plano simbólico com o sonho, com o mito. O poeta profetiza a vinda futura do «dia claro» (Quinto Império), que nascerá da «erma noite» do presente, relacionando este ressurgimento com a figura mítica de D. Sebastião. Os quatro impérios (materiais) passaram, agora é tempo de ser descontente do presente e perseguir o sonho de construção futura do Quinto Império, o império espiritual e cultural da procura, da demanda da Verdade.
3
(único poema sem título) “’Screvo meu livro à beira-mágoa.”
«eu ‘Screvo»; o Poeta (o terceiro profeta do Quinto Império);
«meu livro», “Mensagem”;
«beira-mágoa»; a dor presente do poeta (o local: à beira-mar: Portugal);
a invocação do Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que regresse, trazendo a salvação.
«Mas quando quererás voltar? / Quando é o Rei? Quando é a Hora?»
O sujeito poético caracteriza negativamente a sua existência presente: sofrimento, mágoa, vazio, tristeza, desilusão, descrença. Mas este estado de espírito poderá mudar, para isso o poeta assume-se como a voz inspirada superiormente («o anseio que Deus fez), cuja poesia tem como objectivo o cumprimento de um desígnio: o anúncio messiânico da vinda do Encoberto, «sonho das eras português». O Encoberto regressará para fazer ressurgir a Pátria da tristeza e do adormecimento. É a espera portuguesa sempre presente e sempre adiada. O poeta apela ao regresso do Encoberto, do mito, como forma de ultrapassar a crise.
“Nevoeiro” a Pátria está adormecida, inerte, e é urgente renascer, através do sonho,
para a realização da grande obra ( o Quinto Império).
«Ó Portugal, hoje és nevoeiro... / É a Hora!»
«Nevoeiro», metáfora de Portugal presente: símbolo de indefinição, de ocultação; lugar de onde é urgente emergir a resposta, a solução para a crise. Portugal está em profunda crise de identidade, povoado de seres indefinidos, porque ninguém se conhece a si mesmo; é um país fragmentado, «disperso», onde tudo é estilhaço, «nada é inteiro».
O último verso «É a Hora!» tem um carácter exortativo: é um apelo que procura acordar Portugal.
Conclusão:
A unidade do livro está na ligação de um passado histórico transformado em mito com a possibilidade de invenção de um futuro.
Assim, na 1ª Parte («Brasão»), o poeta exalta os heróis fundadores da Pátria portuguesa: deles herdámos a coragem, a ousadia, a persistência, o impulso para as aventuras marítimas, a capacidade de sonhar, o poder visionário de construção do futuro.
Todas estas características da «Raça» portuguesas manifestaram-se no grande período das Descobertas dos séculos XV e XVI: os portugueses sonharam, ousaram, enfrentaram o mar desconhecido, venceram os seus medos e construíram um grande Império. A 2ª parte («Mar Português«) pretende, então, mostrar como os portugueses possuem todas as capacidades que possibilitam a realização de grandes feitos.
No entanto, este período pertence ao passado, existiu, mas acabou. O presente é de crise.
Face a esta crise do presente, o Poeta assume, na 3ª parte («O Encoberto»), a voz do profeta, com um desígnio superior, que apela ao ressurgimento do sonho (da crença no mito; no sebastianismo), único capaz de alterar a situação actual de inércia e de adormecimento em que a pátria está mergulhada. O poeta exorta à mudança que equivale ao erguer do sonho do combate com o desconhecido, na perseguição da Verdade, da utopia do Quinto Império: o Império espiritual e cultural para o qual Portugal sempre esteve predestinado.
" Mensagem": Génese e Título
«Mensagem», Fernando Pessoa
Génese
A elaboração desta obra ocupou toda a vida de Fernando Pessoa, desde 1913 a 1934 (morre a 30 de Novembro de 1935).
Pessoa nasceu como homem intelectual no estrangeiro (África do Sul, sob influência da cultura inglesa).
Regressou a Portugal aos 17 anos e teve de se integrar na sua Pátria.
Dotado de uma inteligência invulgar e de uma cultura muito acima da média, compreendeu que o país estava mergulhado na mediocridade cultural e tinha, pois, um papel importante a desempenhar.
A Ditadura de João Franco («Franquismo», 1907-1908) terá provocado nela um forte patriotismo.
Em 1912, escreve na revista A Águia (Saudosismo, Patriotismo), os célebres artigos em que profetiza para breve o aparecimento de um Super-Camões e de um Super-Portugal.
Em 1932, Pessoa escreve uma carta a João Gaspar Simões onde alude ao seu projecto de publicar uma parte da sua obra.
«Mensagem» foi o único livro completo publicado em vida pelo Poeta.
A sua publicação ficou a dever-se a dois amigos, António Ferro e Ferreira Gomes, próximos do Poder, que estavam convencidos que esta obra ganharia facilmente o «prémio de Antero de Quental», criado pela SPN (Secretaria da Propaganda Nacional), cujo júri reuniria em Dezembro de 1934.
A obra, terminada em Setembro e impressa em Outubro, é simbolicamente posta à venda a 1 de Dezembro de 1934, dia em que se comemora a Restauração da Independência (1640) face ao domínio espanhol.
A obra recebeu apenas «a segunda categoria», pois não cumpria todas as imposições do concurso. O 1º lugar foi para a obra do Padre Vasco Reis, «Romaria».
Título
O primeiro título da obra foi «Portugal».
Pessoa alterou o título por sugestão do amigo Da Cunha Dias, pois, segundo este «o nome da nossa pátria estava hoje prostituído a sapatos».
Pessoa colocou-lhe, então, um título mais abstracto, que o próprio explica: a palavra portuguesa “mensagem” deriva anagramaticalmente da fórmula de Anquises, quando explica a Eneias, descido aos Infernos, o sistema do Universo: «Mens ag itat mol em» («O espírito move a massa»).
Pessoa aproveita toda a simbologia da “descida aos Infernos” para justificar o advento da Nova Pátria (o Quinto Império), afirmando, logo à partida, o seu
Génese
A elaboração desta obra ocupou toda a vida de Fernando Pessoa, desde 1913 a 1934 (morre a 30 de Novembro de 1935).
Pessoa nasceu como homem intelectual no estrangeiro (África do Sul, sob influência da cultura inglesa).
Regressou a Portugal aos 17 anos e teve de se integrar na sua Pátria.
Dotado de uma inteligência invulgar e de uma cultura muito acima da média, compreendeu que o país estava mergulhado na mediocridade cultural e tinha, pois, um papel importante a desempenhar.
A Ditadura de João Franco («Franquismo», 1907-1908) terá provocado nela um forte patriotismo.
Em 1912, escreve na revista A Águia (Saudosismo, Patriotismo), os célebres artigos em que profetiza para breve o aparecimento de um Super-Camões e de um Super-Portugal.
Em 1932, Pessoa escreve uma carta a João Gaspar Simões onde alude ao seu projecto de publicar uma parte da sua obra.
«Mensagem» foi o único livro completo publicado em vida pelo Poeta.
A sua publicação ficou a dever-se a dois amigos, António Ferro e Ferreira Gomes, próximos do Poder, que estavam convencidos que esta obra ganharia facilmente o «prémio de Antero de Quental», criado pela SPN (Secretaria da Propaganda Nacional), cujo júri reuniria em Dezembro de 1934.
A obra, terminada em Setembro e impressa em Outubro, é simbolicamente posta à venda a 1 de Dezembro de 1934, dia em que se comemora a Restauração da Independência (1640) face ao domínio espanhol.
A obra recebeu apenas «a segunda categoria», pois não cumpria todas as imposições do concurso. O 1º lugar foi para a obra do Padre Vasco Reis, «Romaria».
Título
O primeiro título da obra foi «Portugal».
Pessoa alterou o título por sugestão do amigo Da Cunha Dias, pois, segundo este «o nome da nossa pátria estava hoje prostituído a sapatos».
Pessoa colocou-lhe, então, um título mais abstracto, que o próprio explica: a palavra portuguesa “mensagem” deriva anagramaticalmente da fórmula de Anquises, quando explica a Eneias, descido aos Infernos, o sistema do Universo: «Mens ag itat mol em» («O espírito move a massa»).
Pessoa aproveita toda a simbologia da “descida aos Infernos” para justificar o advento da Nova Pátria (o Quinto Império), afirmando, logo à partida, o seu
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