Episódio da Ilha dos Amores (canto IX, X est.18-143)
Segundo Vitor de Aguiar e Silva, este episódio ocupa 20% , da epopeia.
Na estrofe 18, assistimos ao primeiro momento de preparação da Ilha, ou seja, do prémio dos heróis, a cargo de Vénus, que triunfa também com a vitória dos Portugueses. Ordenada por entidades superiores, compensa o esforço dos Lusitanos, dando-lhe alegria “ nos mares tristes” (antítese).
Este prémio torna-se ainda mais merecido, quando a ninfa recorda os perigos que passaram, alguns preparados por Baco(est.19).
Auxiliada por Cupído, prepara um lugar propício ao repouso onde pudessem revigorar-se do cansaço, enfim onde “ os humanos (encontram) o Céu sereno” (est.20).
Nas estrofes 21e 22, é apresentada a ilha como um espaço de refúgio, isolamento, não afectado pelas contingências da realidade, uma Utopia com aquáticas donzelas que com a dança e a sua beleza terão”Vontade de trabalharem de contentar a quem se afeiçoaram”, “ ornada de esmaltado e verde arreio”.
A descrição da ilha (est54-63) é feita do geral para o pormenor (outeiros, vales, lago, arvoredo, árvores, laranjeira, cidreira, limões). Esta descrição tem sido objecto de várias leituras simbólicas, mas no plano literário, é construída à base de tópicos do “ Locus amoenus” ,lugar ameno, de natureza natural em equilíbrio. O número três que introduz esta descrição assume um valor simbólico de perfeição, que juntamente com os elementos naturais de ornato, a adjectivação valorativa do campo semântico de beleza, sensações visuais, auditivas, olfactivas e tácteis, e a dimensão ascendente de muitos dos elementos, dão-lhe singularidade, carácter de excepção. Há nitidamente uma intenção de erotização da natureza: “o arvoredo gentil sobre ela pende”, “ a laranjeira tem no fruito lindo a cor que tinha Dafne nos cabelos”, “ os fermosos limões, ali, cheirando, estão virgíneas tetas imitando”.
Os Portugueses chegam e pretendem caçar (est.64-66); caça essa rapidamente transformada em jogo lúdico amoroso entre os nautas e as ninfas.
Da estrofe 88 a 92 registe-se a explicitação que o próprio poeta faz; a ilha não é mais do que uma representação alegórica, tal como a construiu, também a desfaz. O prémio ideal dos heróis é a honra, a glória, a fama; também os deuses da mitologia foram simples homens que, pelos seus feitos ilustres, alcançaram a imortalização.
No canto X, est77-81, temos a representação da Máquina do mundo. De forma esférica, é a mais perfeita e uniforme mas também sem limites, é, no fundo, a imagem ou reflexo de quem a criou, Deus. É uma representação contemporãnea de Camões, com os quatro elementos: Terra, água, fogo, ar, produto da sabedoria divina, do mistério de um saber alto e profundo. O empíreo é identificado com o Céu de concepção cristã; os deuses saõ desmitificados, povoam o universo pela sua função estética e estilística, representam abstracções, são forças atrvés das quais Deus actua no mundo.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Mas que Império é este?
Reflexão: O poder corruptor do vil metal (canto VIII, 96-99)
O Catual, seduzido pelo ouro, só deixa partir os Portugueses depois de lhe entregarem as fazendas que traziam, pelo que Camões o insulta de “cobiçoso, corrompido e pouco nobre”(est96, vv.3,4). E a sede do dinheiro corrompe é uma maldição a que ninguém escapa: nem o rico, nem o pobre, nem os nossos amigos, os Reis e até os próprios religiosos, mesmo que camuflada numa falsa virtude.
O dinheiro faz os amigos traidores, aos nobres faz-lhes perder a honra, é inimigo do conhecimento pois não promove o interesse pelo mesmo, cega a justiça e até conspurca os ensinamentos divinos(est98, 99).
Nestas duas últimas estrofes, veja-se o valor da anáfora o deíctico referencial “este”, repetido sete vezes, pois sete são os pecados mortais.
Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas
O Catual, seduzido pelo ouro, só deixa partir os Portugueses depois de lhe entregarem as fazendas que traziam, pelo que Camões o insulta de “cobiçoso, corrompido e pouco nobre”(est96, vv.3,4). E a sede do dinheiro corrompe é uma maldição a que ninguém escapa: nem o rico, nem o pobre, nem os nossos amigos, os Reis e até os próprios religiosos, mesmo que camuflada numa falsa virtude.
O dinheiro faz os amigos traidores, aos nobres faz-lhes perder a honra, é inimigo do conhecimento pois não promove o interesse pelo mesmo, cega a justiça e até conspurca os ensinamentos divinos(est98, 99).
Nestas duas últimas estrofes, veja-se o valor da anáfora o deíctico referencial “este”, repetido sete vezes, pois sete são os pecados mortais.
Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas
Da Epopeia à Elegia
O lamento do poeta pela ingratidão daqueles que celebra
Estando reunidos o Catual, Paulo da Gama, Nicolau Coelho e o Monçaíde, todos olham para um estandar-te onde estárepresentado o imortal Luso em” trajo à Grega usança e com um ramo, por insígnia, na(mão) direita” . É esse ramo evocado que desencadeia os lamentos dirigidos às Ninfas sobre a sua própria situação individual(vv.4-8), veiculados metaforicamente pela viagem. Desta vez as Ninfas não são invocadas para o pedido de inspiração, mas para a salvação do poeta(vv.7,8). A Viagem á Índia é metáfora quer do árduo trablaho de produção do poema, quer da sua própria vida.
Na estrofe 79, o poeta considera-se investido de cantar os trabalhos dos Portugueses mas também os trabalhos por que passa: os perigos no mar e na guerra, cumprindo ele próprio o ideal humanista renascentista “ Nua mão sempre a espada e noutra a pena.” Trata-se nitidamente de um processo de auto-glorificação, isto é, o poeta apresenta-se aqui como herói perfeito, exemplificado na figura mitológica de Cânace.
Prossegue na estância 80 pela referência aos sofrimentos por que passa: miséria, solidão, desespero, sempre com a vida presa por um fio ( vide episódio do naufrágio de Camões, Canto X, est.128). Dói-lhe também a ingratidão dos homens que celebra (est.81vv.3,4), que tinham obrigação de o recompensar com coroas de louro. Nesta estrofe, 81, lança também a ideia do Mecenatismo, bastante prestigiada na Europa desta altura, que se traduzia na concessão de condições materiais aos artistas para que pudessem desenvolver as suas artes, sem que fosse necessário da parte dos artistas a subserviência ou servilismo.
A estrofe 82 reveste-se de um tom polidamente irónico, no sentido retórico do termo, isto é, tem exactamente o sentido contrário, antífrase, os escritores futuros com estes exemplos não escreverão.
Desiludido, num desamparo total, conta apenas com as Musas, com a inspiração poética, a figura do poeta anima-se pela consciência do seu poder de distribuir glória a quem bem entender(est.83). Quem o não merecer não será glorificado,nem tão pouco por lisonja. Não cantará aqueles que anteponham os seus interesses pessoais à frente da pátria, nem os ambiciosos que pretendam poder para alragar os seus vícios (est.84), não cantará os hipócritas, exemplificados com Proteu, em suma, não cantará aqueles que tiranizam o povo para conquistar o favor do rei(est.86).
Nas estrofes 86 e 87 expressa o seu conceito de justiça, merce o canto aqueles que perderam a vida, mas que ganharam a imortalidade e a glória por Deus e pela Pátria.
Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas
Estando reunidos o Catual, Paulo da Gama, Nicolau Coelho e o Monçaíde, todos olham para um estandar-te onde estárepresentado o imortal Luso em” trajo à Grega usança e com um ramo, por insígnia, na(mão) direita” . É esse ramo evocado que desencadeia os lamentos dirigidos às Ninfas sobre a sua própria situação individual(vv.4-8), veiculados metaforicamente pela viagem. Desta vez as Ninfas não são invocadas para o pedido de inspiração, mas para a salvação do poeta(vv.7,8). A Viagem á Índia é metáfora quer do árduo trablaho de produção do poema, quer da sua própria vida.
Na estrofe 79, o poeta considera-se investido de cantar os trabalhos dos Portugueses mas também os trabalhos por que passa: os perigos no mar e na guerra, cumprindo ele próprio o ideal humanista renascentista “ Nua mão sempre a espada e noutra a pena.” Trata-se nitidamente de um processo de auto-glorificação, isto é, o poeta apresenta-se aqui como herói perfeito, exemplificado na figura mitológica de Cânace.
Prossegue na estância 80 pela referência aos sofrimentos por que passa: miséria, solidão, desespero, sempre com a vida presa por um fio ( vide episódio do naufrágio de Camões, Canto X, est.128). Dói-lhe também a ingratidão dos homens que celebra (est.81vv.3,4), que tinham obrigação de o recompensar com coroas de louro. Nesta estrofe, 81, lança também a ideia do Mecenatismo, bastante prestigiada na Europa desta altura, que se traduzia na concessão de condições materiais aos artistas para que pudessem desenvolver as suas artes, sem que fosse necessário da parte dos artistas a subserviência ou servilismo.
A estrofe 82 reveste-se de um tom polidamente irónico, no sentido retórico do termo, isto é, tem exactamente o sentido contrário, antífrase, os escritores futuros com estes exemplos não escreverão.
Desiludido, num desamparo total, conta apenas com as Musas, com a inspiração poética, a figura do poeta anima-se pela consciência do seu poder de distribuir glória a quem bem entender(est.83). Quem o não merecer não será glorificado,nem tão pouco por lisonja. Não cantará aqueles que anteponham os seus interesses pessoais à frente da pátria, nem os ambiciosos que pretendam poder para alragar os seus vícios (est.84), não cantará os hipócritas, exemplificados com Proteu, em suma, não cantará aqueles que tiranizam o povo para conquistar o favor do rei(est.86).
Nas estrofes 86 e 87 expressa o seu conceito de justiça, merce o canto aqueles que perderam a vida, mas que ganharam a imortalidade e a glória por Deus e pela Pátria.
Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Reflexão do poeta ( canto VII, est 4-14)
Apelo à guerra santa dirigido aos outros povos Europeus
Os Portugueses lançaram-se na Guerra Santa movidos não pela cobiça mas pela obediência à Santa Igreja. Os Portugueses são poucos mas fortes com coragem e espírito cristão; Deus serve-se de um instrumento fraco para um forte objectivo: dilatar a sua fé.
Da esrofe 4 à 8 inclusivé, o poeta estabele uma crítica directa, ela é feita aos alemães (est4); aos Ingleses (est.5, 6), aos Franceses (est.7) e aos Italianos (est.8).
Os primeiros afastam-se cada vez mais de Deus, preocupados que estão com guerras internas, o Movimento da Reforma, em vez de se revoltarem contra o inimigo da fé cristã, “ O superbissimo Otomano”, o Turco.
Os Ingleses intitulam-se senhores de Jerusalém mas esta estánas mãos dos ismaelitas, está sob o domínio de um rei turco e contra isso os Ingleses nada fazem. Henrique VII “ nova maneira faz de Cristandade”, a Igreja anglicana, num movimento insistente de rebelião contra os próprios cristãos, deixando de canalizar esse esforço para “tomar a terra que era sua”.
Os Franceses, “Reis cristianíssimos”, não honram o cognome que lhes foi dado pelo Papa, envolvendo-se em guerras contra cristãos.
Os Italianos estão esquecidos do seu valor antigo, mergulhados que estão na ociosidade, no prazer, “em vícios mil”, a sua grandeza está em perigo.
Da estrofe 9 à 11 o poeta faz uma apóstrofe geral aos cristãos. Censura-os pela sua desunião, pelas guerras que provocam entre eles. Compara-os a Cadmo que espalha os dentes do dragão que venceu, dos quais nasem homens armados que se matam uns aos outros. Mais uma vez o relato mitológico serve o processo deargumentação por exemplificação, dando validade ao defendido.
Enquanto do lado inimigo reina a união, os cristãos têm por sua vez dois inimigos, um exterior e um interior: o infiél e a discórdia entre eles mesmos. Assim sendo, o poeta abre uma concessão; se o móbil religioso não é suficiente: “ Pois mover-vos não pode a Casa Santa”, que mova os cristãos o interesse económico: “ Mova-vos já, sequer, riqueza tanta”.
Nas estrofes 12 e 13, o poeta exorta os cristãos a mobilizar o poder bélico de modo a fazer recuar o inimigo, já que grandes regiões da Europa estão a ser ocupadas pelos infiéis que obrigam os cristãos a seguir . “ os profanos preceptos do Alcorão”.
Em contraposição à atitude dos povos da Europa, os Portugueses movem-se “ em cristãos atrevimentos” em África, na Ásia e “ na quarta parte nova”, no Brasil, e mais houvesse!
Há muitas críticas a esta reflexão sustentadas na desactualizaçaõ dos factos que ai são assinalados. Contudo, a meu ver, basta referir que um ano antes da publicação d’’Os Lusíadas, dá-se a Batalha de Lepanto, na qual se conseguiram travar as forças turcas, apesar do apoio que tiveram dos Franceses.Portanto, no momento de produção desta reflexão, ela tem plena justificação e actualidade. Sabe-se também que nos primórdios da década de setenta, do século em causa, circulam por toda a Europa textos que apelam à Guerra Santa, a título de exemplo, lembre-se a Bula Regnans in Excelsis do Papa Pio V(27 de Abril de 1570), na qual excomingava a rainha Isabel I.
( Prof: Euclides)
Os Portugueses lançaram-se na Guerra Santa movidos não pela cobiça mas pela obediência à Santa Igreja. Os Portugueses são poucos mas fortes com coragem e espírito cristão; Deus serve-se de um instrumento fraco para um forte objectivo: dilatar a sua fé.
Da esrofe 4 à 8 inclusivé, o poeta estabele uma crítica directa, ela é feita aos alemães (est4); aos Ingleses (est.5, 6), aos Franceses (est.7) e aos Italianos (est.8).
Os primeiros afastam-se cada vez mais de Deus, preocupados que estão com guerras internas, o Movimento da Reforma, em vez de se revoltarem contra o inimigo da fé cristã, “ O superbissimo Otomano”, o Turco.
Os Ingleses intitulam-se senhores de Jerusalém mas esta estánas mãos dos ismaelitas, está sob o domínio de um rei turco e contra isso os Ingleses nada fazem. Henrique VII “ nova maneira faz de Cristandade”, a Igreja anglicana, num movimento insistente de rebelião contra os próprios cristãos, deixando de canalizar esse esforço para “tomar a terra que era sua”.
Os Franceses, “Reis cristianíssimos”, não honram o cognome que lhes foi dado pelo Papa, envolvendo-se em guerras contra cristãos.
Os Italianos estão esquecidos do seu valor antigo, mergulhados que estão na ociosidade, no prazer, “em vícios mil”, a sua grandeza está em perigo.
Da estrofe 9 à 11 o poeta faz uma apóstrofe geral aos cristãos. Censura-os pela sua desunião, pelas guerras que provocam entre eles. Compara-os a Cadmo que espalha os dentes do dragão que venceu, dos quais nasem homens armados que se matam uns aos outros. Mais uma vez o relato mitológico serve o processo deargumentação por exemplificação, dando validade ao defendido.
Enquanto do lado inimigo reina a união, os cristãos têm por sua vez dois inimigos, um exterior e um interior: o infiél e a discórdia entre eles mesmos. Assim sendo, o poeta abre uma concessão; se o móbil religioso não é suficiente: “ Pois mover-vos não pode a Casa Santa”, que mova os cristãos o interesse económico: “ Mova-vos já, sequer, riqueza tanta”.
Nas estrofes 12 e 13, o poeta exorta os cristãos a mobilizar o poder bélico de modo a fazer recuar o inimigo, já que grandes regiões da Europa estão a ser ocupadas pelos infiéis que obrigam os cristãos a seguir . “ os profanos preceptos do Alcorão”.
Em contraposição à atitude dos povos da Europa, os Portugueses movem-se “ em cristãos atrevimentos” em África, na Ásia e “ na quarta parte nova”, no Brasil, e mais houvesse!
Há muitas críticas a esta reflexão sustentadas na desactualizaçaõ dos factos que ai são assinalados. Contudo, a meu ver, basta referir que um ano antes da publicação d’’Os Lusíadas, dá-se a Batalha de Lepanto, na qual se conseguiram travar as forças turcas, apesar do apoio que tiveram dos Franceses.Portanto, no momento de produção desta reflexão, ela tem plena justificação e actualidade. Sabe-se também que nos primórdios da década de setenta, do século em causa, circulam por toda a Europa textos que apelam à Guerra Santa, a título de exemplo, lembre-se a Bula Regnans in Excelsis do Papa Pio V(27 de Abril de 1570), na qual excomingava a rainha Isabel I.
( Prof: Euclides)
sábado, 27 de outubro de 2007
Matriz do 1º teste de avaliação
GrupoI
1.Situar excertos na estrutura interna d’ “Os Lusíadas”
- Identificar narrador ou sujeitos de enunciação e destinatários de diferentes discursos
-Reconhecer dimensão épica e anti-épica de diferentes episódios/ momentos da obra
2.
2.1. Relacionar assuntos tratados nos textos
2.1.1. Identificar um recurso estilístico
2.1.2. Explicar a sua expressividade ( razões da sua utilização)
3. Comparar tipos de caracterização
4. Indicar motivos subjacentes a intenções do autor/poeta
Grupo II
- Identificar mecanismos linguísticos de estruturação, coesão e conexão de um texto informativo
Grupo III
- Produzir texto argumentativo
Conteúdos
- estrutura interna
- Planos
- Narrador(es)/ emissores e destinatários
- Dimensão/função épica e anti-épica
- Conceito de herói , conceito de epopeia
- Figuras de estilo estudadas
- Expressividade estilística, efeitos , imagens e processos de aproximação entre conceitos
- Conteúdo do texto
- Conteúdo do texto
-processos de co-referência
- processos de recuperação, conexão de informação
- Modalização
- diferentes valores gramaticais de “ que”
- Tipologia de texto
- Temática abordada em aula
1.
Tipologia da questão
- Escolha de alternativas
( 4 alíneas)
2,3,4
- Itens de resposta curta
( valorizados pelo conteúdo e pelos aspectos de organização e forma)
Grupo II
- Item de correspondência
(6 alíneas)
Grupo III
- Item de resposta extensa
1.Situar excertos na estrutura interna d’ “Os Lusíadas”
- Identificar narrador ou sujeitos de enunciação e destinatários de diferentes discursos
-Reconhecer dimensão épica e anti-épica de diferentes episódios/ momentos da obra
2.
2.1. Relacionar assuntos tratados nos textos
2.1.1. Identificar um recurso estilístico
2.1.2. Explicar a sua expressividade ( razões da sua utilização)
3. Comparar tipos de caracterização
4. Indicar motivos subjacentes a intenções do autor/poeta
Grupo II
- Identificar mecanismos linguísticos de estruturação, coesão e conexão de um texto informativo
Grupo III
- Produzir texto argumentativo
Conteúdos
- estrutura interna
- Planos
- Narrador(es)/ emissores e destinatários
- Dimensão/função épica e anti-épica
- Conceito de herói , conceito de epopeia
- Figuras de estilo estudadas
- Expressividade estilística, efeitos , imagens e processos de aproximação entre conceitos
- Conteúdo do texto
- Conteúdo do texto
-processos de co-referência
- processos de recuperação, conexão de informação
- Modalização
- diferentes valores gramaticais de “ que”
- Tipologia de texto
- Temática abordada em aula
1.
Tipologia da questão
- Escolha de alternativas
( 4 alíneas)
2,3,4
- Itens de resposta curta
( valorizados pelo conteúdo e pelos aspectos de organização e forma)
Grupo II
- Item de correspondência
(6 alíneas)
Grupo III
- Item de resposta extensa
Reflexão do poeta ( canto VI, est.95-99)
Programa para a actuação heróica
Os primeiros quatro versos da estrofe 95 são elucidativos da motivação subjacente a esta reflexão. No início do canto VI, Baco consegue convencer Neptuno a promover um consílio dos Deuses marinhos em que se decide surpreender os nautas lusitanos com uma tempestade, favorecida pelo poder dos ventos, nomeadamente Éolo.
Mais uma vez é a intervenção de Vénus que, solicitando às ninfas que seduzissem os ventos, consegue com que estas os distraiam, permitindo aos portugueses chegarem a Calecut. Foram estes “os (...) hórridos perigos, os trabalhos graves e temores”.
Como deve o herói alcançar a fama? O programa começa por fazer-se pela negativa (est.95-96) e só a partir da estrofe 97, pela afirmativa.
Propositadamente, começa por apresentar a genealogia como elemento insuficiente para alcançar o estauto de herói, contrariando a norma vigente na época. É mais uma vez a insistência no ideal humanista que concebe o homem como um produto da experiência.
Ainda nesta estrofe e coincidente com o apelo á experiência pessoal, nega-se o acesso ao heroismo pela via da ociosidade, do conforto, do bem-estar que alíás, será sujeita a um processo de enumeração na estrofe 96.
A gula pelos reqintados e exóticos manjares, os passeios indolentes e inúteis, as mais diversas futilidades, as ambições desmesuradas enfraquecem os ânimos, fragilizam o Homem, votando-o à insatisfação. E pior, distraem-no das obras de verdadeiro valor.
A conjunção adversativa que introduz a estrofe 97, contrapõe o que se repudiou anteriormente com uma actuação marcada pelo sofrimento, pelo esforço, pela coragem: a actividade bélica: “ o forçoso braço(...) vigiando e vestindo o forjado aço” e a marítima” sofrendo tempestades e ondas cruas...”.
Quer em batalhas, quer no mar, está-se ante a desgraça “ o pelouro ardente que assovia e leva a perna ou braço ao companheiro.” Mas são essas situações que exigem que o ânimo se domine, “ a parecer seguro, ledo, inteiro” e consequentemente se crie “ o calo honroso”. Por outro lado, é o sofrimento que faz o homem dar mais valor á vida e a desprezar as honras e o dinheiro, isto é, fá-lo atingir a grandeza moral.
Os prémios do acaso, da sorte, o verdadeiro herói despreza-os. Os que ele mesmo conquistou, pela sua virtude, são seus por direito próprio.
Desta forma, é do entendimento geral que a experiência dos perigos torna o homem sereno (est.99); fá-lo posicionar-se acima dos interesses e das coisas mesquinhas. Numa sociedade regida pela justiça e não por intereses próprios, o herói terá a recompensa pelo seu valor, desempenhando lugares superiores, mesmo “ que contra vontade sua e não rogando”, é o reconhecimento e promoção natural.
Finalmente, registe-se que este retrato robot do herói é uma caracterização abstracta, no sentido em que não se estabelece por comparação mas por generalização de um modelo universal.
(Linhas de leitura do professor Euclides)
Os primeiros quatro versos da estrofe 95 são elucidativos da motivação subjacente a esta reflexão. No início do canto VI, Baco consegue convencer Neptuno a promover um consílio dos Deuses marinhos em que se decide surpreender os nautas lusitanos com uma tempestade, favorecida pelo poder dos ventos, nomeadamente Éolo.
Mais uma vez é a intervenção de Vénus que, solicitando às ninfas que seduzissem os ventos, consegue com que estas os distraiam, permitindo aos portugueses chegarem a Calecut. Foram estes “os (...) hórridos perigos, os trabalhos graves e temores”.
Como deve o herói alcançar a fama? O programa começa por fazer-se pela negativa (est.95-96) e só a partir da estrofe 97, pela afirmativa.
Propositadamente, começa por apresentar a genealogia como elemento insuficiente para alcançar o estauto de herói, contrariando a norma vigente na época. É mais uma vez a insistência no ideal humanista que concebe o homem como um produto da experiência.
Ainda nesta estrofe e coincidente com o apelo á experiência pessoal, nega-se o acesso ao heroismo pela via da ociosidade, do conforto, do bem-estar que alíás, será sujeita a um processo de enumeração na estrofe 96.
A gula pelos reqintados e exóticos manjares, os passeios indolentes e inúteis, as mais diversas futilidades, as ambições desmesuradas enfraquecem os ânimos, fragilizam o Homem, votando-o à insatisfação. E pior, distraem-no das obras de verdadeiro valor.
A conjunção adversativa que introduz a estrofe 97, contrapõe o que se repudiou anteriormente com uma actuação marcada pelo sofrimento, pelo esforço, pela coragem: a actividade bélica: “ o forçoso braço(...) vigiando e vestindo o forjado aço” e a marítima” sofrendo tempestades e ondas cruas...”.
Quer em batalhas, quer no mar, está-se ante a desgraça “ o pelouro ardente que assovia e leva a perna ou braço ao companheiro.” Mas são essas situações que exigem que o ânimo se domine, “ a parecer seguro, ledo, inteiro” e consequentemente se crie “ o calo honroso”. Por outro lado, é o sofrimento que faz o homem dar mais valor á vida e a desprezar as honras e o dinheiro, isto é, fá-lo atingir a grandeza moral.
Os prémios do acaso, da sorte, o verdadeiro herói despreza-os. Os que ele mesmo conquistou, pela sua virtude, são seus por direito próprio.
Desta forma, é do entendimento geral que a experiência dos perigos torna o homem sereno (est.99); fá-lo posicionar-se acima dos interesses e das coisas mesquinhas. Numa sociedade regida pela justiça e não por intereses próprios, o herói terá a recompensa pelo seu valor, desempenhando lugares superiores, mesmo “ que contra vontade sua e não rogando”, é o reconhecimento e promoção natural.
Finalmente, registe-se que este retrato robot do herói é uma caracterização abstracta, no sentido em que não se estabelece por comparação mas por generalização de um modelo universal.
(Linhas de leitura do professor Euclides)
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
"Numa mão a espada, noutra a pena", sempre!
Terminado o relato de Vasco da Gama ao rei de Melinde, que durou um longo dia: “ Mas já o mancebo Délio as rédeas vira,/ que o irmão de lampécia mal guiou,/ por vir descansar nos Tethyos braços;/ e el-Rei se vai do mar aos nobres paços.” Cada um dos homens que o ouviu reconta o episódio que mais o impressionou, e foram vários(est.91).
A reflexão ou excurso começa na estrofe 92 com uma sequência de sentenças, de veradesde valor universal e intemporais, daí o presente da enunciação, são elas:
vv.1,2 – o prazer da glória dos feitos realizados atinge-se quando estes são cantados,
vv.3,4 – “ nobre” não é uma característica social mas espiritual, a grandeza de espírito que tenta imitar os feitos grandes do passado,
vv.5,6 – a história como lição, modelo a ser imitado
v.v7,8 – Fama, glória, louvor concedidos a quem tem heroísmo
(est.93) confirmação do que foi dito anteriormente através das figuras heróicas da História antiga:
Alexandre inveja Aquiles não pela sua força e feitos mas por ter sido cantado por numerosos e harmoniosos versos.
Temístocles inveja a voz que celebrou os feitos de Milcíades
(est.94) Vasco da Gama tentou demonstrar a linha de superação dos heróis antigos mas Eneias é um herói celebrado porque Virgílio foi devidamente protegido para o cantar, e consequentemente também se celebrou Roma.
(est. 95 a 97) O poeta acusa a terra Lusitana de fazer homens “ duros e robustos”, rudes e insensíveis, bons na guerra sim, tal como Cipião, César, Alexandre ou Augusto, mas sem dons alguns para as artes liberais, as letras. Os lusitanos não espelham o ideal de homem que o Renascimento quer reanimar, resssuscitar, tipo Octávio “Que entre as maiores opressões compunha versos doutos e venustos”, ou César que mesmo em guerra contra a França não deixava de se instruir, o ideais de homem humanista que conciliam”numa mão a pena e noutra a lança”. É com vergonha que admite que capitão algum poderá ser louvado enquanto não houver interesse pela arte que a valorize.
Os lusitanos são heróis incultos, os da antiguidade são doutos e cientes- compração pela desigualdade. Em todas as nações os heróis se inserem no paradigma humanista, excepto em Portugal.
(est.98) Consequências: os poetas fazem heróis, sem eles não há memórias dos seus feitos, há que condenar a ignorância e a insensibilidade.
(est.99) É o caso do Gama, é um herói imperfeito, não merece ser cantado pela sua incultura. Só é cantado porque as musas e poetas movem-se pelo amor à Pátria e ele vem por arrasto.
(est.100) frieza do porta no incitamento que faz aos heróis de continuarem os seus feitos, se não forem premiados pelo canto, sê-lo-ão de outra forma.
A reflexão ou excurso começa na estrofe 92 com uma sequência de sentenças, de veradesde valor universal e intemporais, daí o presente da enunciação, são elas:
vv.1,2 – o prazer da glória dos feitos realizados atinge-se quando estes são cantados,
vv.3,4 – “ nobre” não é uma característica social mas espiritual, a grandeza de espírito que tenta imitar os feitos grandes do passado,
vv.5,6 – a história como lição, modelo a ser imitado
v.v7,8 – Fama, glória, louvor concedidos a quem tem heroísmo
(est.93) confirmação do que foi dito anteriormente através das figuras heróicas da História antiga:
Alexandre inveja Aquiles não pela sua força e feitos mas por ter sido cantado por numerosos e harmoniosos versos.
Temístocles inveja a voz que celebrou os feitos de Milcíades
(est.94) Vasco da Gama tentou demonstrar a linha de superação dos heróis antigos mas Eneias é um herói celebrado porque Virgílio foi devidamente protegido para o cantar, e consequentemente também se celebrou Roma.
(est. 95 a 97) O poeta acusa a terra Lusitana de fazer homens “ duros e robustos”, rudes e insensíveis, bons na guerra sim, tal como Cipião, César, Alexandre ou Augusto, mas sem dons alguns para as artes liberais, as letras. Os lusitanos não espelham o ideal de homem que o Renascimento quer reanimar, resssuscitar, tipo Octávio “Que entre as maiores opressões compunha versos doutos e venustos”, ou César que mesmo em guerra contra a França não deixava de se instruir, o ideais de homem humanista que conciliam”numa mão a pena e noutra a lança”. É com vergonha que admite que capitão algum poderá ser louvado enquanto não houver interesse pela arte que a valorize.
Os lusitanos são heróis incultos, os da antiguidade são doutos e cientes- compração pela desigualdade. Em todas as nações os heróis se inserem no paradigma humanista, excepto em Portugal.
(est.98) Consequências: os poetas fazem heróis, sem eles não há memórias dos seus feitos, há que condenar a ignorância e a insensibilidade.
(est.99) É o caso do Gama, é um herói imperfeito, não merece ser cantado pela sua incultura. Só é cantado porque as musas e poetas movem-se pelo amor à Pátria e ele vem por arrasto.
(est.100) frieza do porta no incitamento que faz aos heróis de continuarem os seus feitos, se não forem premiados pelo canto, sê-lo-ão de outra forma.
Subscrever:
Mensagens (Atom)