terça-feira, 27 de novembro de 2007

Matriz do 2º Teste de Avaliação

Estrutura

São três grupos:
I(Compreensão/ Interpretação)
- Cinco itens de resposta curta

II- Conhecimento Explícito da Língua
- Dois itens, um de escolha de alternativas e outro de aplicação (reescrita de frases). Este exercício insere-se no quadro da pragmática textual e tem como suporte um texto dado.

III- Produção Escrita
- Item de resposta extensa- texto de opinião sobre uma temática abordada na aula.

Conteúdos

Textos: excerto de " Os Lusíadas", poema de " Mensagem", primeira parte
Estrutura interna de ambas as obras
Conteúdo informacional dos textos
Recursos estilísticos e sua expressividade

Coesão lexical e interfrásica
Deícticos
Classes de palavras

Tipologia de texto de opinião


Cotações

I- 100 pontos
II- 40 pontos
III-60 pontos

P.S. São 90 minutos, não há tolerância nem de um único minuto para alunos que cheguem atrasados.

"Mensagem" : estrutura interna

Arquitectura e Símbolos da «Mensagem»


O livro está dividido em 3 partes:

1ª - (heráldica)  «Brasão»  nascimento

2ª - (Descobertas)  «Mar Português»  crescimento / vida

3ª - (profecias)  «O Encoberto»  morte… e renascimento


1ª Parte (subdivisão em 5 partes)  «Brasão» ”Belum sine Bello”

I.
“Os Campos”
(= 2 escudos)

1º O dos Castelos
2º O das Quinas

II.
“Os Castelos”
(7 castelos)
1º Ulisses
2º Viriato
3º O Conde D. Henrique
4º D. Tareja
5º D. Afonso Henriques
6º D. Dinis
7º (I.) D. João, o Primeiro
7º (II.) D. Filipa de Lencastre

III.
“As Quinas”
(5 quinas)
1ª D. Duarte rei de Portugal
2ª D. Fernando Infante de Portugal
3ª D. Pedro Regente de Portugal
4ª D. João Infante de Portugal
5ª D. Sebastião Rei de Portugal

IV.
“A Coroa”

Nun’Álvares Pereira

V.
“O Timbre” 1
A cabeça do Grifo 2, O Infante D. Henrique
Uma asa do Grifo, D. João o Segundo
A outra asa do Grifo, Afonso de Albuquerque

………..
1Timbre = carimbo, insígnia, marca, selo; emblema, símbolo; lema (divisa de honra que distingue alguém ou alguma coisa); carácter (característica própria de alguém ou de alguma coisa).

2Grifo = Pássaro fabuloso, com bico e asas de águia e corpo de leão. Emblema medieval que possuía o simbolismo da águia e do leão: um duplicar da sua natureza solar. É a Terra e o Céu, o humano e o divino (= Cristo). Símbolo da dupla qualidade divina: força e sabedoria. Une a força terrestre do leão à energia celeste da águia.
2ª Parte  «Mar Português» ”Possessio Maris”

 Zona intermédia (contemplativa)
 Predomínio do elemento água (fluidez)

Impulso para o mar / impulso para o sonho

Sucessão entre o Império Material (Descobrimentos) e o Império Espiritual (Quinto Império)


I. O Infante II. Horizonte III. Padrão
IV. O Mostrengo V. Epitáfio de Bartolomeu Dias VI. Os Colombos
VII. Ocidente VIII. Fernão de Magalhães IX. Ascensão de Vasco da Gama
X. Mar Português XI. A Última Nau XII. Prece

3ª Parte (subdivisão em 3 partes  estrutura triádica)  «O Encoberto» ”Pax in Excelsis”

I.
“Os Símbolos”
1º D. Sebastião
2º O Quinto Império
3º O Desejado
4º As Ilhas Afortunadas
5º O Encoberto


II.
“Os Avisos”
1º O Bandarra
2º António Vieira
3º (sem título)
«’Screvo meu livro à beira-mágoa»

III.
“Os Tempos”
1º Noite
2º Tormenta
3º Calma
4º Antemanhã
5º Nevoeiro
“Valete, Fratre”

" Mensagem"- síntese

Mensagem, Fernando Pessoa

Obra épico-lírica (como uma epopeia, parte de um núcleo histórico  as figuras e acontecimentos da História de Portugal , mas apresenta uma dimensão subjectiva, introspectiva, de contemplação interior, característica própria do lirismo) dividida em três partes:




1ª - BRASÃO (heráldica) Subdivisão em cinco partes:
I. Os Campos
II. Os Castelos
III. As Quinas
IV. A Coroa
V. O Timbre
(símbolos da brasão nacional)

2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas) Zona intermédia (contemplativa):
. predomínio do elemento água (fluidez)
. impulso para o mar (sonho)

3ª - O ENCOBERTO (profecias) Subdivisão em três partes:
I. Os Símbolos
II. Os Avisos
III. Os Tempos

1ª - BRASÃO (heráldica)  a acção dos heróis fundadores da pátria  NASCIMENTO

 “O dos Castelos”  a situação geográfica e histórica de Portugal na Europa;
 projecção de Portugal para o futuro.

«A Europa jaz, … / Fita ... / O Ocidente, futuro do passado. / O rosto com que fita é Portugal.»

A Europa «jaz», estática e contemplativa, morta, à espera de um novo impulso vital que o seu olhar procura na Distância. Portugal é o «rosto» dessa Europa que contempla o Desconhecido (o Ocidente, o mar por desvendar). Portugal tem a missão de construção do Futuro.

 “Ulisses”  o fundador mitológico;
 o mito / a lenda como fundamento da existência.

«O mito é o nada que é tudo»

O mito, apesar de não ter existência no plano da realidade («é o nada»), tem uma radical importância («é tudo»), pois é dele que brotam as forças ocultas que projectam os povos para grandes façanhas. Sem a força mágica e criadora do mito, a realidade fica reduzida a menos que nada e o seu destino é fatalmente a morte.

 “D. Dinis”  as sementes do passado que germinam no futuro;
 a concretização do Império tem por base o passado (o sonho).

«O plantador de naus a haver,»
«E a fala dos pinhais ... / É o som presente desse mar futuro»

O poeta confere a D. Dinis (personagem histórica mitificada) a acção de plantador das naus descobridoras do futuro, de construtor do futuro. História e mito conjugam-se: os aspectos históricos são mitificados.
1
 “D. Sebastião, rei de Portugal”  a loucura (o sonho) é a origem de toda a realização do Homem;
 a loucura é o ideal, a grandeza, o sonho capaz de enfrentar todos os
obstáculos;
 sem o ideal, sem o sonho, cai-se no viver materialista e efémero;
 a loucura como comportamento essencial da autêntica condição
humana.

«Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria. »

O resultado imediato do ilimitado desejo de grandeza foi a destruição física do herói (D. Sebastião); o resultado final foi a sua imortalidade. A loucura deu sentido à vida e à morte, pois é a chama que faz o homem herói, dá-lhe o impulso para ir mais além, opondo à pequenez dos limites impostos pelo Destino perecível, a grandeza do sonho e do futuro. Sem a loucura, o homem fica reduzido à animalidade que cumpre a sua missão de procriação, estando condenado à morte.
O mito sebastianista é a força criadora capaz de impelir a nação para a sua última grande fase: o mito / a utopia do Quinto Império (um domínio espiritual e cultural, por isso eterno). A utopia foi, é e será sempre a força criadora de novos mundos, quer a nível individual, quer colectivo.


2ª - MAR PORTUGUÊS (as Descobertas)
 a acção dos heróis dos Descobrimentos dos séculos XV e XVI que realizaram o
grande sonho dos portugueses;
 época gloriosa da pátria;  VIDA
 a vontade do homem tornada realidade.


 “O Infante”  a acção do homem que concretiza o sonho e a vontade divina;
 a conquista do mar pelos portugueses (expansão do Império Português por mar).

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»
«Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal»

Os três passos da construção da obra: só a vontade divina associada ao sonho do homem permite nascimento da obra. A missão divina dos portugueses foi transformar o mar desconhecido em mar português. No passado, esta missão foi cumprida: os portugueses desvendaram o mar desconhecido e criaram um grande Império. Mas esse Império desmoronou-se (porque era material), pertenceu a um outro tempo e, no presente, Portugal é uma pátria sem desígnio. Então, o poeta faz o apelo profético ao cumprimento do desígnio futuro de nova, inspirada e espiritual missão.


 “O Mostrengo”  os obstáculos ultrapassados, os perigos vencidos, os medos postos de lado;
 a ousadia e a força heróica dos marinheiros portugueses.

«Aqui ao leme sou mais do que eu: / Sou um Povo que quer o mar que é teu;»

«O mostrengo que está no fim do mar» simboliza todos os perigos, todos os obstáculos, todos os medos que os marinheiros portugueses tiveram de enfrentar. Num plano mais vasto, os medos que todo o homem tem que enfrentar para se superar a si mesmo. O herói-homem que treme perante o perigo mas é capaz de vencer o medo que o paralisa, porque é o mandatário de uma missão e representa todo um povo que anseia pelo mar e que partiu para o desvendar e para o possuir.
2
 “Mar Português”  as duas faces das Descobertas: a desgraça e o sofrimento / a glória e a fortuna;
 toda a grande realização, toda a grande obra, carece de muito sacrifício.

«Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena»

Para desvendar e possuir o mar, os portugueses pagaram um preço altíssimo: a dor, quer dos que partiram, quer dos que ficaram. Mas esse preço foi recompensado com o prémio recebido: o Mar é Português. Então, valeu a pena sonhar, ter a alma grande. Para alcançar o sonho é necessário sofrer e ultrapassar a dor. É preciso lutar pelo sonho, superando os limites impostos pela própria condição humana.


 “Prece”  apelo do poeta ao Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que devolva à Pátria a chama oculta
debaixo das cinzas.

«E outra vez conquistemos a Distância  / Do mar ou outra, mas que seja nossa!»

O presente é um tempo adormecido, moribundo. No entanto, ainda existe uma «chama» (esperança), oculta pela «cinza» (inércia), que poderá reanimar-se, mas para isso é necessário o «vento», o sopro da vontade, do sonho, da capacidade de sonhar. O poeta faz um apelo que é o seu desejo de ressurgimento, de renascimento, de rejuvenescimento da pátria adormecida e moribunda. Um apelo para o despertar do sonho de conquista, ainda que seja com «desgraça», mas que seja, que não se fique quieto, inerte, sem vontade.


3ª - O ENCOBERTO (profecias)
 depois da obra realizada vem o momento da inércia  MORTE
 o fim, a morte, contém em si uma ressurreição  RENASCIMENTO
 um novo ciclo que se anuncia  QUINTO IMPÉRIO


 “O Quinto Império”  só o sonho evita a mediocridade de viver, favorece a grandeza da
alma, possibilita os grandes feitos;
 o advento do Quinto Império só se concretizará com a crença no regresso de
D. Sebastião (sebastianismo).

«Triste de quem vive em casa / Contente com o seu lar»
«Ser descontente é ser homem.»
«Quem vem viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?»

A verdadeira vida é aquela que assenta na máxima: «Ser descontente é ser homem.» É a apologia da inquietação, da visão para além dos limites, do sonho como único caminho para domar as «força cegas» (inércia, conformismo, marasmo, medo) e ultrapassar os limites estreitos da finitude humana.
Apelo ao caminho da procura, da demanda, que ganha forma no plano simbólico com o sonho, com o mito. O poeta profetiza a vinda futura do «dia claro» (Quinto Império), que nascerá da «erma noite» do presente, relacionando este ressurgimento com a figura mítica de D. Sebastião. Os quatro impérios (materiais) passaram, agora é tempo de ser descontente do presente e perseguir o sonho de construção futura do Quinto Império, o império espiritual e cultural da procura, da demanda da Verdade.


3


 (único poema sem título) “’Screvo meu livro à beira-mágoa.”
 «eu ‘Screvo»; o Poeta (o terceiro profeta do Quinto Império);
«meu livro», “Mensagem”;
«beira-mágoa»; a dor presente do poeta (o local: à beira-mar: Portugal);
 a invocação do Senhor (D. Sebastião, Sonho) para que regresse, trazendo a salvação.

«Mas quando quererás voltar? / Quando é o Rei? Quando é a Hora?»

O sujeito poético caracteriza negativamente a sua existência presente: sofrimento, mágoa, vazio, tristeza, desilusão, descrença. Mas este estado de espírito poderá mudar, para isso o poeta assume-se como a voz inspirada superiormente («o anseio que Deus fez), cuja poesia tem como objectivo o cumprimento de um desígnio: o anúncio messiânico da vinda do Encoberto, «sonho das eras português». O Encoberto regressará para fazer ressurgir a Pátria da tristeza e do adormecimento. É a espera portuguesa sempre presente e sempre adiada. O poeta apela ao regresso do Encoberto, do mito, como forma de ultrapassar a crise.


 “Nevoeiro”  a Pátria está adormecida, inerte, e é urgente renascer, através do sonho,
para a realização da grande obra ( o Quinto Império).

«Ó Portugal, hoje és nevoeiro... / É a Hora!»

«Nevoeiro», metáfora de Portugal presente: símbolo de indefinição, de ocultação; lugar de onde é urgente emergir a resposta, a solução para a crise. Portugal está em profunda crise de identidade, povoado de seres indefinidos, porque ninguém se conhece a si mesmo; é um país fragmentado, «disperso», onde tudo é estilhaço, «nada é inteiro».
O último verso  «É a Hora!»  tem um carácter exortativo: é um apelo que procura acordar Portugal.


Conclusão:

A unidade do livro está na ligação de um passado histórico transformado em mito com a possibilidade de invenção de um futuro.
Assim, na 1ª Parte («Brasão»), o poeta exalta os heróis fundadores da Pátria portuguesa: deles herdámos a coragem, a ousadia, a persistência, o impulso para as aventuras marítimas, a capacidade de sonhar, o poder visionário de construção do futuro.
Todas estas características da «Raça» portuguesas manifestaram-se no grande período das Descobertas dos séculos XV e XVI: os portugueses sonharam, ousaram, enfrentaram o mar desconhecido, venceram os seus medos e construíram um grande Império. A 2ª parte («Mar Português«) pretende, então, mostrar como os portugueses possuem todas as capacidades que possibilitam a realização de grandes feitos.
No entanto, este período pertence ao passado, existiu, mas acabou. O presente é de crise.
Face a esta crise do presente, o Poeta assume, na 3ª parte («O Encoberto»), a voz do profeta, com um desígnio superior, que apela ao ressurgimento do sonho (da crença no mito; no sebastianismo), único capaz de alterar a situação actual de inércia e de adormecimento em que a pátria está mergulhada. O poeta exorta à mudança que equivale ao erguer do sonho do combate com o desconhecido, na perseguição da Verdade, da utopia do Quinto Império: o Império espiritual e cultural para o qual Portugal sempre esteve predestinado.

" Mensagem": Génese e Título

«Mensagem», Fernando Pessoa

Génese

A elaboração desta obra ocupou toda a vida de Fernando Pessoa, desde 1913 a 1934 (morre a 30 de Novembro de 1935).

Pessoa nasceu como homem intelectual no estrangeiro (África do Sul, sob influência da cultura inglesa).

Regressou a Portugal aos 17 anos e teve de se integrar na sua Pátria.

Dotado de uma inteligência invulgar e de uma cultura muito acima da média, compreendeu que o país estava mergulhado na mediocridade cultural e tinha, pois, um papel importante a desempenhar.

A Ditadura de João Franco («Franquismo», 1907-1908) terá provocado nela um forte patriotismo.

Em 1912, escreve na revista A Águia (Saudosismo, Patriotismo), os célebres artigos em que profetiza para breve o aparecimento de um Super-Camões e de um Super-Portugal.
Em 1932, Pessoa escreve uma carta a João Gaspar Simões onde alude ao seu projecto de publicar uma parte da sua obra.

«Mensagem» foi o único livro completo publicado em vida pelo Poeta.
A sua publicação ficou a dever-se a dois amigos, António Ferro e Ferreira Gomes, próximos do Poder, que estavam convencidos que esta obra ganharia facilmente o «prémio de Antero de Quental», criado pela SPN (Secretaria da Propaganda Nacional), cujo júri reuniria em Dezembro de 1934.

A obra, terminada em Setembro e impressa em Outubro, é simbolicamente posta à venda a 1 de Dezembro de 1934, dia em que se comemora a Restauração da Independência (1640) face ao domínio espanhol.

A obra recebeu apenas «a segunda categoria», pois não cumpria todas as imposições do concurso. O 1º lugar foi para a obra do Padre Vasco Reis, «Romaria».

Título

O primeiro título da obra foi «Portugal».

Pessoa alterou o título por sugestão do amigo Da Cunha Dias, pois, segundo este «o nome da nossa pátria estava hoje prostituído a sapatos».

Pessoa colocou-lhe, então, um título mais abstracto, que o próprio explica: a palavra portuguesa “mensagem” deriva anagramaticalmente da fórmula de Anquises, quando explica a Eneias, descido aos Infernos, o sistema do Universo: «Mens ag itat mol em» («O espírito move a massa»).

Pessoa aproveita toda a simbologia da “descida aos Infernos” para justificar o advento da Nova Pátria (o Quinto Império), afirmando, logo à partida, o seu

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Heráldica e simbologia da bandeira nacional




Descrição Heráldica e Considerações Históricas

Os símbolos da Pátria são: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e o Chefe de Estado.
A Bandeira Nacional representa as lutas da fundação, a independência e restauração de Portugal e os descobrimentos marítimos.
No reinado de D. Afonso Henriques a Bandeira era branca com uma cruz azul larga ao centro, simbolizando o emblema do cruzado e o azul, a cor principal das armas da Casa de Borgonha.
Sofrendo várias alterações ao longo dos vários reinados, a Bandeira Nacional com a Implantação da República passa a ser verde e vermelha, sendo composta por um rectângulo de pano cuja altura é igual a dois terços da largura.
É dividida em duas partes, na vertical, sendo a parte que fica junto à haste de cor verde, ocupando dois quintos da superfície e a outra parte de cor vermelha, ocupando três quintos.

Simbologia

Cor Verde - Representa a esperança em melhores dias de prosperidade e bem-estar e também os campos verdejantes.
Cor Vermelha - Representa o valor e o sangue derramado nas conquistas, nas descobertas, na defesa e no engrandecimento da Pátria.
Esfera Armilar - Situa-se no centro da divisão das duas faixas, simbolizando as viagens dos navegadores portugueses pelo Mundo, nos séculos XV e XVI.
Armas de Portugal - Assentam sobre a esfera armilar, sendo compostas por um escudo maior com outro mais pequeno brocante, simbolizando o escudo, a arma de defesa utilizada pelos nossos antepassados nos combates.
Escudo Maior - É vermelho e à sua volta estão representados sete castelos que representam as cidades fortificadas que D. Afonso III tomou aos mouros.
Escudo Pequeno - É branco e encerra cinco escudetes azuis pequenos, fazendo alusão às cinco chagas de Jesus Cristo. Cada um desses escudos contém cinco besantes de prata que contando duas vezes os da quina do meio, recordam os trinta dinheiros pelos quais Judas vendeu Jesus Cristo e simbolizam o poder régio de cunhar moeda.

Autores da Bandeira Republicana

Columbano, João Chagas e Abel Botelho.

Portugal/ A Mensagem

SIMBOLOGIA E ESTRUTURA DA MENSAGEM

A Mensagem poderá ser vista como uma epopeia, porque parte do núcleo histórico, mas a sua formulação, sendo simbólica e mítica, do relato histórico, não possuirá a continuidade. Aqui, a acção dos heróis só adquire pleno significado dentro duma referência mitológica. Aqui serão só eleitos, terão só direito à imortalidade, aqueles homens e feitos que manifestam em si esses mitos significativos. Assim, a estrutura será dada pelo que, noutra linguagem, se poderá chamar os esquemas ideológicos, ou as ideias-força desse povo: regresso ao paraíso, realização do impossível, espera do messias... raízes do desenvolvimento dessa entidade colectiva.
Os antepassados, os fundadores, que pela sua acção criaram a pátria, a ergueram a personalidade, separada, ou a plasmaram na sua alma própria; as mães, as que estão na origem das duas dinastias, cantadas como “antigo seio vigilante”, ou “o mano ventre do império”; os heróis navegantes, aqueles que percorrem o mar em busca do caminho da imortalidade, cumprindo um dever individual e pátrio (realização terrestre duma missão transcendente); e finalmente, depois desta missão cumprida, desta realização, na era crepuscular de fim da vida, os profetas, as vozes que anunciam já aquele que viria regenerar essa pátria moribunda, abrindo-lhe novo ciclo de vida, uma nova era – O ENCOBERTO.
Assim, a estrutura da mensagem, sendo a dum mito, numa teoria cíclica, a das idades, transfigura e repete a história duma pátria como um mito dum nascimento, vida e morte dum mundo; morte que será seguida dum renascimento, desenvolvendo-a como uma idade completa, de sentido cósmico e dando-lhe a forma simbólica tripartida – BRAZÃO, MAR PORTUGUÊS, O ENCOBERTO, que se poderá traduzir como: os fundadores, ou o nascimento; a realização, ou a vida; o fim das energias latentes, ou a morte: essa que conterá já em si, como gérmen, a próxima ressurreição, o novo ciclo que se anuncia – O QUINTO IMPÉRIO. Assim, a terceira parte é toda ela um fim, uma desintegração; mas também toda ela cheia de avisos, de pressentimentos, de forças latentes prestes a virem à luz: depois da Noite, e Tormenta, vem a Calma e Antemanhã, estes sãos os Tempos.
Que mutação houve e que auscultou o poeta, na alma do seu povo? À era dos heróis, daqueles que, percorrendo sozinhos e únicos, o caminho da realização pessoal e colectiva, levando-a até ao fim através de perigos sem conta, se teria sucedido uma era de desistência e anulação pessoal, em que a esperança e a obra de realização, de salvação se transfere e projecta num super eu nacional – O DESEJADO. É ele que trará a regeneração do povo; que pela sua aparição instaurará o tempo novo. Depois da degenerescência do tempo antigo, Alcácer Quibir contará o fim dum ciclo duma pátria, tal como o dum mundo, por um dilúvio, pela sua força renovadora e purificadora.
Esperai! Caí no areal e na hora adversa/Que deus concede aos seus/Para o intervalo em que esteja a alma imersa/Em sonhos que dão Deus (...).
A vinda do Encoberto marcará o fim da história. Os cinco impérios são irreversíveis. Alcácer Quibir é um acontecimento de valor religioso. E aí a morte de D. Sebastião assumirá o sentido da morte redentora dum Deus. E a sua parúsia no futuro, aquele do fim do tempo.
Essa intrínseca identificação do poeta com a sua nação, torna aqui o profetismo a forma do que assume em si, na sua pessoa, única e mortal, o destino dum ser colectivo em todo o transcurso da sua existência.


Dalila L. Pereira da Costa, O Esoterismo de Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Com a lira destemperada mas na obrigação de poeta

Reflexão do poeta, canto X, est.145-148

O poeta retoma o tom elegíaco. Reconhece a inutilidade do seu canto, pois o que celebra são-lhe indiferentes e inúteis. Nem o amor à Pátria o incentiva mais, já que esta está mergulhada na cobiça, encontra-se em decadência. Dos versos 4 a 8 da estrofe 146, reitera a falta de ânimo para a realização de grandes feitos.
Depois o discurso passa a ter como destinatário o rei, recuperando-se assim o tom épico. Há claramente um contraste de tons, épico e anti-épico nesta mesma estrofe; o primeiro porque o Rei é representante de Deus na terra, senhor de vassalos únicos pelas suas qualidades; o segundo porque a Pátria está numa decadência espiritual.
Da estrofe 147 à 148 faz-se um quadro épico das qualiades desses vassalos, que por várias vias dão provas do seu heroismo e que enfrentam todos os perigos no mar e na guerra para trazer fama e glória à Pátria e ao Rei. Estes perigos são apresentados quase como um espectáculo mostrado ao Rei “ Olhai que ledos vão, por várias vias quais leões ou bravos touros”.
Na estrofe 149, há como que um retomar da dedicatória, em que o poeta lembra ao Rei dos deveres que tem para com os seus vassalos.

Ilha dos Amores e Máquina do Mundo: Utopia e Realidade

Episódio da Ilha dos Amores (canto IX, X est.18-143)

Segundo Vitor de Aguiar e Silva, este episódio ocupa 20% , da epopeia.
Na estrofe 18, assistimos ao primeiro momento de preparação da Ilha, ou seja, do prémio dos heróis, a cargo de Vénus, que triunfa também com a vitória dos Portugueses. Ordenada por entidades superiores, compensa o esforço dos Lusitanos, dando-lhe alegria “ nos mares tristes” (antítese).
Este prémio torna-se ainda mais merecido, quando a ninfa recorda os perigos que passaram, alguns preparados por Baco(est.19).
Auxiliada por Cupído, prepara um lugar propício ao repouso onde pudessem revigorar-se do cansaço, enfim onde “ os humanos (encontram) o Céu sereno” (est.20).
Nas estrofes 21e 22, é apresentada a ilha como um espaço de refúgio, isolamento, não afectado pelas contingências da realidade, uma Utopia com aquáticas donzelas que com a dança e a sua beleza terão”Vontade de trabalharem de contentar a quem se afeiçoaram”, “ ornada de esmaltado e verde arreio”.
A descrição da ilha (est54-63) é feita do geral para o pormenor (outeiros, vales, lago, arvoredo, árvores, laranjeira, cidreira, limões). Esta descrição tem sido objecto de várias leituras simbólicas, mas no plano literário, é construída à base de tópicos do “ Locus amoenus” ,lugar ameno, de natureza natural em equilíbrio. O número três que introduz esta descrição assume um valor simbólico de perfeição, que juntamente com os elementos naturais de ornato, a adjectivação valorativa do campo semântico de beleza, sensações visuais, auditivas, olfactivas e tácteis, e a dimensão ascendente de muitos dos elementos, dão-lhe singularidade, carácter de excepção. Há nitidamente uma intenção de erotização da natureza: “o arvoredo gentil sobre ela pende”, “ a laranjeira tem no fruito lindo a cor que tinha Dafne nos cabelos”, “ os fermosos limões, ali, cheirando, estão virgíneas tetas imitando”.
Os Portugueses chegam e pretendem caçar (est.64-66); caça essa rapidamente transformada em jogo lúdico amoroso entre os nautas e as ninfas.
Da estrofe 88 a 92 registe-se a explicitação que o próprio poeta faz; a ilha não é mais do que uma representação alegórica, tal como a construiu, também a desfaz. O prémio ideal dos heróis é a honra, a glória, a fama; também os deuses da mitologia foram simples homens que, pelos seus feitos ilustres, alcançaram a imortalização.
No canto X, est77-81, temos a representação da Máquina do mundo. De forma esférica, é a mais perfeita e uniforme mas também sem limites, é, no fundo, a imagem ou reflexo de quem a criou, Deus. É uma representação contemporãnea de Camões, com os quatro elementos: Terra, água, fogo, ar, produto da sabedoria divina, do mistério de um saber alto e profundo. O empíreo é identificado com o Céu de concepção cristã; os deuses saõ desmitificados, povoam o universo pela sua função estética e estilística, representam abstracções, são forças atrvés das quais Deus actua no mundo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mas que Império é este?

Reflexão: O poder corruptor do vil metal (canto VIII, 96-99)

O Catual, seduzido pelo ouro, só deixa partir os Portugueses depois de lhe entregarem as fazendas que traziam, pelo que Camões o insulta de “cobiçoso, corrompido e pouco nobre”(est96, vv.3,4). E a sede do dinheiro corrompe é uma maldição a que ninguém escapa: nem o rico, nem o pobre, nem os nossos amigos, os Reis e até os próprios religiosos, mesmo que camuflada numa falsa virtude.
O dinheiro faz os amigos traidores, aos nobres faz-lhes perder a honra, é inimigo do conhecimento pois não promove o interesse pelo mesmo, cega a justiça e até conspurca os ensinamentos divinos(est98, 99).
Nestas duas últimas estrofes, veja-se o valor da anáfora o deíctico referencial “este”, repetido sete vezes, pois sete são os pecados mortais.
Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas

Da Epopeia à Elegia

O lamento do poeta pela ingratidão daqueles que celebra

Estando reunidos o Catual, Paulo da Gama, Nicolau Coelho e o Monçaíde, todos olham para um estandar-te onde estárepresentado o imortal Luso em” trajo à Grega usança e com um ramo, por insígnia, na(mão) direita” . É esse ramo evocado que desencadeia os lamentos dirigidos às Ninfas sobre a sua própria situação individual(vv.4-8), veiculados metaforicamente pela viagem. Desta vez as Ninfas não são invocadas para o pedido de inspiração, mas para a salvação do poeta(vv.7,8). A Viagem á Índia é metáfora quer do árduo trablaho de produção do poema, quer da sua própria vida.
Na estrofe 79, o poeta considera-se investido de cantar os trabalhos dos Portugueses mas também os trabalhos por que passa: os perigos no mar e na guerra, cumprindo ele próprio o ideal humanista renascentista “ Nua mão sempre a espada e noutra a pena.” Trata-se nitidamente de um processo de auto-glorificação, isto é, o poeta apresenta-se aqui como herói perfeito, exemplificado na figura mitológica de Cânace.
Prossegue na estância 80 pela referência aos sofrimentos por que passa: miséria, solidão, desespero, sempre com a vida presa por um fio ( vide episódio do naufrágio de Camões, Canto X, est.128). Dói-lhe também a ingratidão dos homens que celebra (est.81vv.3,4), que tinham obrigação de o recompensar com coroas de louro. Nesta estrofe, 81, lança também a ideia do Mecenatismo, bastante prestigiada na Europa desta altura, que se traduzia na concessão de condições materiais aos artistas para que pudessem desenvolver as suas artes, sem que fosse necessário da parte dos artistas a subserviência ou servilismo.
A estrofe 82 reveste-se de um tom polidamente irónico, no sentido retórico do termo, isto é, tem exactamente o sentido contrário, antífrase, os escritores futuros com estes exemplos não escreverão.
Desiludido, num desamparo total, conta apenas com as Musas, com a inspiração poética, a figura do poeta anima-se pela consciência do seu poder de distribuir glória a quem bem entender(est.83). Quem o não merecer não será glorificado,nem tão pouco por lisonja. Não cantará aqueles que anteponham os seus interesses pessoais à frente da pátria, nem os ambiciosos que pretendam poder para alragar os seus vícios (est.84), não cantará os hipócritas, exemplificados com Proteu, em suma, não cantará aqueles que tiranizam o povo para conquistar o favor do rei(est.86).
Nas estrofes 86 e 87 expressa o seu conceito de justiça, merce o canto aqueles que perderam a vida, mas que ganharam a imortalidade e a glória por Deus e pela Pátria.

Prof: Euclides, Linhas de leitura das Reflexões do poeta em Os Lusíadas